Lanxess converte produção para suprir demanda de pneu verde

A crença no forte potencial de demanda para os pneus “verdes” no país, sinônimo de menos emissões de CO2 no meio ambiente, por maior eficiência de combustível, conduziu a Lanxess à decisão de investir 80 milhões de euros (R$ 208 milhões) para converter a atual produção de borracha de estireno butadieno em emulsão (E-SBR), em Triunfo-RS, utilizada em pneus padrão, para borracha de estireno butadieno em solução (S-SBR), empregada na moldagem daqueles que aliam melhor desempenho no uso e no cuidado com o planeta.

A comunicação do aporte foi feita em evento que contou com a presença do presidente da Lanxess no Brasil, Marcelo Lacerda; do líder global da unidade Performance Butadiene Rubbers, Joachim Grub; e do membro do conselho administrativo, Werner Breuers. A conversão é inédita, segundo informaram os executivos.

De acordo com o cronograma da empresa, a atual capacidade instalada de E-SBR, de 110 mil toneladas anuais, será totalmente convertida para a produção da borracha em solução até o final de 2014.

A emulsão continuará sendo produzida na unidade de Duque de Caxias-RJ, onde a empresa assegura dispor de capacidade suficiente para suprir toda a demanda nacional, preferindo, no entanto, resguardar-se de informar volumes.

Uma das maiores fabricantes mundiais de borrachas de alto desempenho, com capacidade de mais de 900 mil toneladas anuais de borrachas de butadieno e de estireno butadieno, a empresa aposta alto no conceito de mobilidade verde (transporte sustentável) e pretende liderar o fornecimento de matérias-primas para a produção de pneus em acordo com os parâmetros exigidos pelo novo sistema de rotulagem (Tire Labeling) adotado pela comunidade europeia, desde novembro do ano passado, e modelo a ser seguido pela indústria brasileira.

A etiquetagem de pneus, um selo de eficiência com o objetivo de ranquear o desempenho do produto em diversos itens, como eficiência de combustível (medida pela resistência ao rolamento), aderência à pista molhada (sinônimo de segurança), emissão de ruídos e outros, deve ser posta em prática no país no segundo semestre de 2016.

Por seu elevado desempenho, os pneus “verdes” recebem as melhores classificações (A e duplo A).

Plástico Moderno, Pneus verdes economizam combustível e emitem menos CO2
Pneus Verdes

Um pneu dessa categoria precisa cumprir requisitos imprescindíveis, uma combinação de propriedades-chaves batizada de “triângulo mágico”: resistência à abrasão, à pista molhada e resistência ao rolamento – características conferidas pelas borrachas de alto desempenho.

O duplo A se refere à classificação conquistada por um pneu conceito, desenvolvido pela Lanxess, na Alemanha, no ano passado, e testado pela TÜD SÜD, uma das principais organizações independentes de serviços técnicos do mundo.

Esse pneu resulta de tecnologia de borrachas de última geração, com aditivos para atingir uma classificação A tanto para resistência à rolagem quanto para aderência em piso molhado, em acordo com as regras de rotulagem europeias.

Segundo informa a empresa, esse é um dos primeiros pneus do mundo a alcançar uma classificação AA.

Embora os pneus “verdes” sejam produzidos com insumos derivados do petróleo, o ganho ambiental é gerado pela economia no consumo de combustível, sinônimo de menos emissões de gases poluentes.

As principais matérias-primas para fabricação desses pneumáticos são a S-SBR e a Nd-PBR (borracha de polibutadieno de alto cis com catalisador neodímio), classificadas por Grub como “nossas joias da coroa.”

Os preciosos insumos, em suas estimativas, devem crescer, em termos globais, à ordem de 10% ao ano até 2017.

As borrachas de Nd-PBR possuem propriedades diferenciadas: altíssimo peso molecular, nível de resiliência em torno de 67%, baixa dissipação de energia e excelente resistência à abrasão.

Segundo a fabricante, o produto confere vantagens na resistência ao rolamento e na fricção.

Além disso, a modificação química na cadeia do PBR alia excelentes propriedades e ótima processabilidade.

As borrachas S-SBR de alto desempenho, garantido por funcionalização contínua em final de cadeia, oferecem resistência expressiva ao rolamento e são compatíveis com reforços.

A acoplagem de Nd-PBR aos S-SBR confere todos os requisitos exigidos pelas normas estabelecidas na etiquetagem.

Grub ressaltou que, juntos, esses dois tipos de borracha premium possibilitam a fabricação de pneus com melhor eficiência de combustível sem sacrificar segurança e durabilidade.

A S-SBR entra principalmente na composição da banda de rodagem dos pneus verdes, enquanto a Nd-PBR se aplica à banda de rodagem e laterais.

Ambas contribuem para elevar a eficácia de combustível do pneumático, reduzindo a resistência à rolagem.

Particularmente, a S-SBR melhora a aderência em pisos molhados; e a Nd-PBR contribui com resistência à abrasão, elevando a durabilidade do pneu.

“Quando o sistema de rotulagem entrar em vigor no Brasil, em 2016, nossa experiência neste campo nos possibilitará oferecer excepcional suporte técnico aos nossos clientes”, disse Grub, justificando a decisão de investir na conversão tecnológica.

O discurso de Breuers reforçou a confiança no potencial de crescimento dos negócios da empresa no país. Segundo informou, os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) contabilizam 25% das vendas da Lanxess − o Brasil, que representava menos de 1% das vendas globais da companhia em 2005, já equivalia a 10% do total, em 2011.

Os dados do ano passado ainda não foram finalizados. “Nossa decisão de investir no Brasil tem sido recompensada com grande sucesso”, declarou.

As iniciativas envolvendo o conceito de mobilidade verde, informou, equivalem a 17% das vendas do grupo. Nesse contexto, os pneus de alto desempenho tendem a uma forte expansão. Breuers projeta crescimento de 77% entre 2010 e 2015.

“Há claramente uma tendência global e entre os fatores dessa tendência estão os requisitos governamentais por melhor eficiência de combustível e emissões, incluindo a rotulagem obrigatória de pneus.

Isso indica que os pneus de melhor eficiência de combustível com baixa resistência de rolagem substituirão os pneus regulares e devem se tornar padrão”, aposta Breuers.

O presidente da Lanxess no Brasil destacou os pontos positivos do país que sustentam a confiança da empresa e apontou a evolução da companhia nos últimos anos no mercado nacional.

Reforçou o avanço conquistado pela filial brasileira, atualmente representada por cinco unidades produtivas, distribuídas em Cabo de Santo Agostinho-PE, Porto Feliz-SP, Duque de Caxias-RJ e Triunfo-RS (duas), que juntas somam uma capacidade de 450 mil toneladas anuais, além de dois laboratórios de pesquisa e desenvolvimento.

“A Lanxess já investiu um bilhão de dólares no Brasil até hoje”, ressaltou Lacerda. Esse montante inclui a aquisição da Petroflex, em 2008, e da DSM Elastômeros, em 2011; aportes para a produção de EPDM com eteno baseado em fonte renovável; expansão de capacidade produtiva de borrachas de alto desempenho na unidade de Cabo, duas novas plantas em Porto Feliz (plásticos de alta tecnologia e bladders) e ainda uma usina de cogeração de energia (movida a bagaço de cana) na unidade de Porto Feliz.

“A Petroflex representa a maior aquisição da organização mundialmente até hoje”, enfatizou Lacerda, que ainda apontou o novo investimento programado para converter a produção de E-SBR para S-SBR em Triunfo como – compromisso claro com o futuro das nossas plantas e nossos colaboradores no Brasil”.

A expansão de capacidade produtiva das borrachas de alto desempenho S-SBR e Nd-PBR levada a cabo nos últimos anos em âmbito global dá o tom da importância dos pneus verdes para a empresa.

Além de investimentos em desgargalamentos nas unidades alemã (Dormagen), americana (Orange) e brasileira (Cabo de Santo Agostinho), que resultaram em aumento de 70 mil toneladas anuais nas capacidades produtivas dessas borrachas de alto desempenho, no ano passado a empresa iniciou a construção de uma nova fábrica de 140 mil toneladas anuais de Nd-PBR em Cingapura, que deve atender em especial à demanda crescente da indústria asiática de pneus, com início de operações previsto para o primeiro semestre de 2015.

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