Joinville reforça o seu mercado ferramenteiro

Os três principais centros do país para projetos e produção de moldes, matrizes e ferramentas direcionadas à indústria de transformação de termoplásticos são a região do ABCD (Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema), no estado de São Paulo, o nordeste de Santa Catarina e a região serrana do Rio Grande do Sul, nessa ordem.

São Paulo reúne mil empresas e oito mil trabalhadores. Em Santa Catarina, são 450 razões sociais e três mil e seiscentos trabalhadores. O Rio Grande do Sul engloba 380 companhias e três mil trabalhadores.

O faturamento mundial da indústria de moldes e matrizes gira em torno de US$ 25 bilhões/ano.

Os Estados Unidos são o maior fornecedor mundial de moldes com faturamento superior a US$ 5 bilhões/ano, seguidos por Alemanha e Japão.

Entretanto, nos últimos anos há uma forte concorrência crescente de países como França, Itália, Península Ibérica e principalmente dos Tigres Asiáticos (China, Coréia, Taiwan e Cingapura).

A indústria de transformação no eixo Joinville–Caxias do Sul continua mais produtiva do que nunca.

O parque de ferramentas, moldes e matrizes sempre foi um ponto forte nessas localidades.

Os empresários do sul conhecem bem o mercado no qual atuam. Qualificam as peças como produtos de alto valor agregado, contam com mão-de-obra especializada com elevado nível de automação, os quais exigem equipamentos de padrão tecnológico de ponta.

Em Joinville, os empreendedores se deram conta há mais tempo sobre a necessidade de se organizarem para defender seus interesses e melhorar cada vez mais os padrões dos produtos e serviços.

Eles criaram há alguns anos o Núcleo Setorial de Usinagem e Ferramentaria da Câmara de Indústria e Comércio de Joinville (CIC), com foco na modernização dos serviços, ampliação do acesso a mercados, melhoria da gestão e consequentemente o aumento da lucratividade.

Desta forma é feito o acompanhamento de viabilidade do Núcleo.

Plástico Moderno, Carina Casanova, consultora da Associação Comercial e Industrial de Joinville (ACIJ) e responsável pela organização das atividades do núcleo, Notícias - Joinville reforça o seu mercado ferramenteiro
Carina: meta do núcleo é melhorar o desempenho de seus associados

“Acreditamos que o objetivo de qualquer núcleo setorial é o aumento da competitividade das empresas participantes. Se isso ocorre, o núcleo está cumprindo sua missão”, sublinha a consultora da Associação Comercial e Industrial de Joinville (ACIJ) e responsável pela organização das atividades do núcleo, Carina Casanova.

A precisão do diagnóstico também levou o Núcleo a estabelecer com precisão seus objetivos e as estratégias para alcançá-los.

Segundo Christian Dihlmann, diretor da BR Tooling, o objetivo principal do núcleo é promover o desenvolvimento sustentável das empresas integrantes do Núcleo Setorial de Usinagem e Ferramentaria, traduzido no aumento da lucratividade, com foco na modernização dos serviços, ampliação do acesso a mercados, à tecnologia e melhoria na gestão.

Ele foi presidente do núcleo de Joinville e fundador da entidade. Ele continua a se colocar como grande entusiasta da iniciativa.

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Dihlmann propõe a criação de normas técnicas no setor

Para Dihlmann, os ferramenteiros são gente de chão de fábrica, excelentes técnicos e “péssimos planejadores”, principalmente na área de formação de custos e preços.

Ele acredita que com as iniciativas do núcleo, os empresários de matrizarias começam a ingressar no primeiro mundo da gestão empresarial, e sonha em criar uma cooperativa para testes de moldes.

A ideia é, futuramente, reunir 80 ferramentarias para comprar injetoras, desumidificadores, secadores, pontes rolantes, aquecedor, sistema de refrigeração, sistemas de troca rápida, sistemas de câmara quente e controladores de temperatura como forma de criar uma padronização única de testes num ambiente coletivo para acelerar o tempo de testes dos moldes.

Com relação às ações do núcleo, Dihlmann afirma que os números falam por si.

O levantamento, feito com dez empresas, compara a situação das mesmas no início de 2007 e sua evolução, com uma segunda etapa realizada no primeiro trimestre de 2008.

Os números falam por si: o faturamento cresceu 30,6%; e o número de horas trabalhadas aumentou 21,9%.

O quadro de funcionários foi ampliado em 20,7%, os investimentos realizados subiram 28,9%, o custo da mão-de-obra em relação ao número de horas trabalhadas caiu 10,5%, o custo/hora de referência do setor aumentou 30,6%, e a produtividade, de modo geral, expandiu 5,1%.

Dihlmann explica que a indústria automotiva é a menina dos olhos das indústrias de moldes, ferramentas e matrizes. Um automóvel demanda 400 moldes de injeção e 50 ferramentas de estamparia.

Cada novo modelo de carro exige a produção de 120 moldes por conta das alterações de design de para-choques, frisos e protetores, grades frontais, lanternas (dianteiras e traseiras), espelhos retrovisores, painéis de instrumentos, lateral interna da porta, dutos de ar e ventiladores, tampas e coberturas técnicas, entre outros componentes.

O empresário acrescenta que a demanda por clientes de moldes no Brasil ainda é reprimida, pois o país importa muitos itens que poderiam ser produzidos dentro do parque nacional sem qualquer problema. Para modificar esse quadro, ele quer alterar a legislação.

Uma das propostas é criar normas do tipo ABNT para definir exatamente o que seja molde, matriz e ferramenta.

Outra proposta é delimitar parâmetros de qualidade, tipos de aço e demais especificidades. Segundo ele, 40% dos moldes e ferramentas ainda vêm da China.

O núcleo promoveu uma série de iniciativas no sentido de aperfeiçoar a qualidade dos moldes de Joinville. Carina Casanova, consultora da CIC, enumera uma lista de ações realizadas nos últimos anos a fim de tornar mais eficiente o segmento de moldes e matrizes.

Faz parte do conjunto de medidas, a realização de palestras sobre orçamento e gestão financeira.

O núcleo proporciona ainda a participação em eventos setoriais, tais como a Intertooling, feira de ferramentarias, realizada em São Paulo e visitas a empresas como Ford, Mondial, Britânia, Tecnometal e aos polos petroquímicos do país.

Uma das iniciativas internacionais foi a visita à Euromold, maior feira de ferramentarias do mundo, em 2008.

Outro passo foi o I Encontro Nacional de Ferramentarias, com o objetivo de fomentar a discussão sobre temas comuns ao setor.

O evento abordou a visão do cliente sobre o estágio atual e o perfil desejado do fornecedor de ferramentas e contou com a participação de 150 ferramenteiros de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Somente em 2007, ocorreram dois fóruns de atualização técnica e integração entre empresas do segmento e fornecedores. Culminou com a montagem de um estande coletivo formado por 16 empresas na “Feira Intermach”.

O saldo é considerado positivo por gerar prospecções de negócios além de fechar operações de vendas na própria feira a fim de dar sequência ao que foi discutido em encontros anteriores realizados em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

Como explica Carina, o núcleo de Joinville quer ajudar o setor de moldes, matrizes e ferramentas do país a se organizar em sua totalidade.

Diante da dificuldade de encontrar mão-de-obra básica no mercado, o núcleo enviou ao Senai de Joinville uma proposta para lançamento de um programa de aprendiz na área de ajustador mecânico.

O curso foi gratuito e a primeira turma contou com 45 alunos que, até o final de 2008, ingressaram nas empresas para estágio obrigatório.

Carina assinala que é meta do núcleo garantir 70% de frequência nas reuniões e não ultrapassar 2% de inadimplência das mensalidades da entidade, além de ações que gerem resultados para os participantes.

Polo gaúcho – A fábrica de moldes Belga, de Caxias do Sul, é consagrada como uma das maiores do mundo. Está credenciada a produzir até os chamados equipamentos de alta produtividade.

Seu gerente-comercial e sócio-proprietário, Rafael Lorandi, explica que esses moldes são direcionados à indústria automotiva.

Para Lorandi, a Belga se internacionalizou e uma das razões foi ter importado toda a tecnologia de produção, por meio de aquisição de equipamentos e até compra de royalties. Segundo ele, os empresários do segmento de injeção querem sempre conferir o parque de CNCs e fresadoras da Belga antes da encomenda, principalmente com relação aos moldes mais complexos.

Em geral, seus clientes se localizam no eixo São Paulo, Curitiba e Minas Gerais e, na maioria, são sistemistas da indústria automotiva, linha branca e informática.

Lorandi explica que lanternas e peças internas são injetadas por sistemistas, já um para-choque, normalmente, a montadora produz internamente. Neste caso, a negociação é direta com a fabricante de veículos.

Ele cita como clientes: Renault, CCR, Jecco do Brasil, GFM, Hewlett-Packard, algumas fábricas de móveis, entre outras.

Para Lorandi, antigamente era complicado fazer um molde porque não havia muitas máquinas. Hoje existem diversas opções tecnológicas.

Só que a complexidade das peças é imensamente maior. O molde passou a ter mecanismos.

Com base no perfil do cliente, a Belga desdobrou sua atuação em seis focos estratégicos, os quais se vinculam à sua capacidade de vender serviços numa perspectiva de clientes globalizados, aumento da lucratividade, da eficácia da gestão, melhoria da qualificação de mão-de-obra e da tecnologia.

A meta principal é o incremento da carteira de clientes de maior valor agregado.

Atualmente, a Belga compete com ferramentarias de fora do Brasil. Seu parque de máquinas é importado em pelo menos 90% dos itens.

Na opinião de Lorandi, é uma ferramentaria com tecnologia de ponta. O ciclo de produção de um molde dura entre 120 dias até sete meses.

Um painel de um carro muitas vezes precisa ser encomendado com um ano de antecedência. Conforme Lorandi, alguns modelos de veículos exigem projetos de moldes com até quatro anos de antecedência.

Com relação à crise da economia, o gerente da Belga afirma que os projetos antigos foram mantidos.

Agora começam a ser liberados os projetos novos e a sensação é de que na virada do semestre o mercado deverá se normalizar.

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Lorandi investiu no aprimoramento de sua fabricação

“Mesmo com crescimento zero na economia do país, a indústria de plásticos deverá crescer uns 3%”, aposta Lorandi.

Em questões relacionadas a moldes, o empresário Josemar Boeira Martins, de Caxias do Sul, é praticamente um catedrático.

Há quase vinte anos no mercado, Boeira estima mais de 800 fundições capazes de suprir a terceira geração petroquímica, somente no sul do país: são 400 firmas num raio de 50 quilômetros na região de Caxias do Sul, e outras 400 no mesmo raio no entorno de Joinville.

“É um mercado ainda em expansão. Todo ano surgem umas dez novas empresas aqui em Caxias”, resume. A grande vantagem, aponta o empresário, é o acesso amplo a todas as tecnologias disponíveis, independentemente do porte da empresa.

Dessa maneira, desde o pequeno até o grande ferramenteiro, todos têm acesso a softwares de projeto e de simulação.

A diferença é que as pequenas precisam fazer quatro ou cinco moldes para faturar US$ 100 mil. Já uma grande fundição faz US$ 1 milhão em uma única encomenda.

É uma questão de escala. A metalúrgica Boeira produz moldes especialmente para sopro e injeção, mas aceita qualquer tipo de encomenda, assim como ferramentas para extrusão e termoformagem.

Mercado ganha novas opções em isolação

A Armacell, líder mundial na fabricação de isolamento térmico flexível, apresenta ao mercado brasileiro dois lançamentos: o Armatube e o ArmaSound.

O primeiro é um isolamento térmico com estrutura celular fechada, não-fibroso e feito de polietileno (PE) expandido, enquanto a outra novidade se trata de um absorvedor acústico de alto desempenho projetado para aplicações exigentes.

Desenvolvido na Alemanha, o Armatube é indicado para tubulações de água quente e de sistemas de ar-condicionado, incluindo curvas e reduções, com temperaturas entre -50ºC e 102ºC. Livre dos gases clorofluorcarbono (CFC) e hidroclorofluorcarbono (HCFC), o produto tem Ozone Depression Potencial (ODP) zero e atende às normas de qualidade ISO 90001:2000 e ISO 140001:1996.

Segundo o fabricante, o Armatube pode ser instalado com facilidade, de modo rápido, seguro e limpo, seja encamisando a tubulação com o isolamento durante sua montagem ou abrindo o isolamento longitudinalmente, no caso da tubulação já estar montada.

O lançamento está disponível ainda na versão Armatube S; este é recoberto com uma película protetora de PE, capaz de aumentar sua resistência à intempérie.

O ArmaSound, por sua vez, é fabricado em espuma elastomérica e conta com uma estrutura de células abertas, com elevada densidade e alta resistência ao fluxo de som.

Resultado de quatro anos de pesquisa, esse absorvedor acústico garante níveis elevados de absorção em vasta faixa de frequência e pode ser aplicado em sistemas de atenuação acústica e de amortecimento e isolamento de vibrações causadoras de ruído estrutural.

De acordo com o fabricante, em comparação a materiais tradicionais, da mesma espessura, o ArmaSound absorve duas vezes mais a energia acústica. (Renata Pachione)

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