Notícias

Notícias – Itália oficializou o uso de bioplásticos

Plastico Moderno
5 de maio de 2007
    -(reset)+

    Plástico Moderno, Notícias - Itália oficializou o uso de bioplásticos

    Catia Bastioli, presidente da Novamont Spa

    Na era caracterizada pela substancial dependência de fontes de combustíveis não renováveis, como o petróleo, basta pouco para provocar irreversíveis danos ambientais. Inocentes gestos cotidianos como acender a luz para ler um bom livro, fazer compras ou dirigir o próprio veículo são fortes aliados de verdadeiras agressões ao meio ambiente.

    No mundo todo, estima-se que a fabricação de plástico derivado do petróleo supere 150 milhões de toneladas e que somente na Europa Ocidental chegue a 44 milhões de toneladas.

    Na Itália são produzidas anualmente 1 milhão e meio de toneladas de produtos descartáveis derivados do plástico, além de outras 300 mil toneladas de sacolas de polietileno, o que corresponde a um consumo energético de 430 mil toneladas de petróleo e nada menos que 200 mil toneladas de gás colocados na atmosfera.

    No âmbito europeu, calcula-se que 100 bilhões de sacolas plásticas são inseridas no ambiente a cada ano, exigindo, em média, dois séculos para completa sua decomposição. Apesar da gravidade do problema, Bruxelas ainda não definiu um amplo programa comunitário para reverter o impacto que tais produtos causam ao ecossistema.

    Plástico Moderno, Notícias - Itália oficializou o uso de bioplásticos

    Amido de milho e óleo de girassol compõem o Mater-Bi

    De qualquer maneira, boas notícias para a sustentabilidade ambiental chegam de alguns países do velho continente. Em março, uma associação britânica chamada “We are what we do” (Somos o que fazemos) lançou no mercado uma sacola de tela com o logotipo “I am not a plastic bag” (Não sou uma sacola de plástico). O resultado? A disputa por um de seus primeiros oito mil exemplares provocou filas somente comparadas àquelas para a compra do último best seller de Harry Potter.

    Plástico Moderno, Notícias - Itália oficializou o uso de bioplásticos

    Sacola de “bio-shoppers” se decompõe em seis meses

    Os bio-shoppers – Em outras nações vizinhas como a França, a novidade é a adoção de uma instrução normativa que atinge positivamente um dos filões mais importantes da indústria de plásticos, que é o de embalagens. Recentemente, entrou em vigor naquele país uma lei que proíbe a comercialização de sacolas de plástico tradicional e prevê, até 2010, a completa substituição de tais artigos por bio-shoppers, ou seja, sacolas de material biodegradável. A medida segue as rigorosas indicações da norma européia EN 13432 (Requirements for packaging recoverable through composting and biodegradation).

    Iniciativa idêntica foi proposta pelo governo de centro-esquerda italiano liderado por Romano Prodi. Atualmente, cada sacola plástica vendida nos supermercados italianos custa 5 centavos de euro, mas após dezembro de 2009 só será permitida a comercialização de sacolas ecocompatíveis, que hoje custam cerca de 8 centavos de euro. Segundo os dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente italiano, a medida garantirá a emissão de 250 mil toneladas de CO2 a menos que a atual e uma economia energética de aproximadamente 40%, que equivale a retirar de circulação uma frota correspondente a 100 mil automóveis.

    A implantação desse novo sistema será possível graças à tecnologia desenvolvida por uma empresa química nacional líder em seu setor: a Novamont Spa.

    Plástico Moderno, Notícias - Itália oficializou o uso de bioplásticos

    Fábrica em Úmbria produz o biopolímero

    Nasce o Mater-Bi – Localizada na cidade de Terni, na região da Úmbria, a indústria produz um material inovador chamado Mater-Bi.

    Trata-se de uma linha de biopolímeros derivados de matérias-primas renováveis, como o amido de milho não modificado geneticamente e o óleo de girassol. O produto apresenta a forma de um grânulo e pode ser utilizado na fabricação de objetos similares aos realizados com o plástico tradicional. Além disso, são inteiramente biodegradáveis e se deterioram completamente em apenas seis meses. Trata-se, pois, de uma resposta à demanda de produtos de largo consumo com baixo impacto ambiental.

    Em seu estado natural, o amido apresenta moléculas lineares (amilose) e ramificadas (amilopectina). Com a ruptura da estrutura original do amido, os pesquisadores da empresa conseguiram criar uma nova ordem supramolecular graças à formação de complexos entre a amilose e moléculas naturais ou sintéticas. Estes complexos produzem uma nova ordem cristalina, aumentando a resistência à água e modificando as propriedades mecânicas do amido original, sem interferir em sua estrutura química.

    O resultado de mais de uma década de pesquisas é um material termoplástico extremamente flexível. Na prática, o Mater-Bi pode ser aplicado nos mais diversos setores e não só na produção de sacolas plásticas – desde objetos descartáveis como garrafas, pratos, talheres ou fillers para as indústrias farmacêuticas e cosmética, até a produção de brinquedos.

    Plástico Moderno, Notícias - Itália oficializou o uso de bioplásticos

    Bioplástico pode produzir copos e outros descartáveis

    Em 2006, o Ministério do Meio Ambiente italiano promoveu a primeira edição do prêmio intitulado “Impresa Ambiente” e o vencedor foi Ecotoys, produtor italiano de brinquedos ecológicos produzidos em Mater-Bi. Mas os destaques dessa nova tecnologia não se restringem apenas à indústria.

    Vantagens agrícolas – Na verdade, o Mater-Bi também está influenciando a agricultura. Para conservar a umidade do solo e defendê-lo do sol e do gelo, em vez de cobrir um terreno com filmes em polietileno e copolímeros de etileno vinil acetato (EVA), os agricultores italianos preferem a bioplástica, que também é certificada para biodegradar diretamente no solo.

    Outro benefício garantido é a revitalização da cultura do girassol, até então desprezada no país. Graças a um acordo assinado entre a Novamont Spa e a Coldiretti, associação de categoria que representa os agricultores italianos, mais de 10 mil hectares de terra serão destinados ao cultivo do girassol. “A medida representa um incremento de 30% no faturamento do agricultor e, assim, o girassol volta a ter remuneração atrativa como há alguns anos”, comenta Giulio Federici, responsável pela Coldiretti, da cidade de Terni.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *