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Notícias – Itália desenvolve sistemas para combater pirataria

Anelise Sanches de Roma
3 de maio de 2011
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    emissão de luz cuja intensidade dependesse da força da radiação UV.

    Para atender a essas exigências, os pesquisadores do CNR de Nápoles concentraram os próprios esforços no desenvolvimento de uma tecnologia baseada na utilização de quantum dots (pontos quânticos), também conhecidos como átomos artificiais ou nanocristais semicondutores, cuja luz, emitida por fluorescência, depende do tamanho da partícula.

    Segundo os pesquisadores italianos, essas estruturas de dimensão nanométrica, mas extremamente avançadas, podem representar uma nova classe de aditivos para polímeros termoplásticos. A grande vantagem é que, se exposto à radiação ultravioleta, de uma frequência específica, o material libera uma fluorescência típica de semicondutores como o silício e o germânio, e dificilmente reproduzível.

    Para obter esses resultados, os estudiosos concentraram as próprias pesquisas em um novo tipo de química coloidal baseada na utilização de dispersantes poliméricos e também no estudo de uma classe de compostos organometálicos pouco conhecida: a dos mercaptides metálicos. O professor Carotenuto comenta que se trata de compostos orgânicos de enxofre com capacidade de se decompor termicamente a baixas temperaturas de calor, provocando a formação de átomos e estruturas metálicas “quase atômicas” no interior de um material plástico.

    A principal característica desse material inovador é a emissão de uma intensa luz colorida quando submetido à radiação ultravioleta de determinada frequência e uma grande vantagem é que a tonalidade cromática de tal luz pode ser controlada empregando ligas de ouro ou de prata em vez de partículas de metais puros. Isso porque existem técnicas capazes de gerar diretamente em matrizes poliméricas (síntese in situ) clusters de ouro luminescentes ou clusters semicondutores. “Assim, se eventualmente uma combinação de cores fosse interceptada, teríamos a oportunidade de criar uma nova imediatamente”, sublinha o professor. Em outras palavras, a composição das nanopartículas poderia ser alterada, assim como o proprietário de um cofre que decide adotar um novo segredo.

    Na opinião de Carotenuto, o grande benefício desse sistema antifraude é a sua simplicidade e o fato de ele não ser sujeito à oxidação ou à contaminação superficial. “A cor emitida pelos quantum dots metálicos pode ser modificada continuamente, e para verificar a sua autenticidade, em vez de máquinas caras e complexas, basta utilizar uma simples luz UV de determinada frequência”, observa. “Além disso, os aditivos fluorescentes nanoestruturados englobados em qualquer polímero termoplástico produzem um material extremamente versátil, que pode ser processado de diversas maneiras ou aplicado diretamente sobre a superfície de uma etiqueta, impresso, fiado ou pulverizado”, completa.

    Outra instituição acadêmica italiana que está estudando novas soluções para proteger a autenticidade de uma marca é o departamento de engenharia mecânica da universidade de Pádua, em colaboração com o Civen (Coordinamento interuniversitario Veneto per le Nanotecnologie) e a ISIA (Istituto Superiore per le Industrie Artistiche), de Florença.

    Considerando que a tecnologia baseada nas propriedades de luminescência de alguns materiais é uma grande aliada contra a falsificação de uma marca, a universidade realizou, recentemente, uma atividade de experimentação com polímeros luminescentes obtidos com a dispersão de óxidos dopados com terras raras, um grupo de 17 elementos químicos conhecidos pelas suas propriedades ópticas de luminescência. Entre eles, o térbio, que emite luz de cor verde; o európio, de luz vermelha; e o túlio, da luz azul, estão entre os elementos mais usados pela indústria.
    Segundo os estudiosos, com essa técnica é possível produzir polímeros que adquirem a característica de luminescência, mas sem perder suas propriedades originais e com a capacidade de gerar códigos complexos identificáveis somente através de uma lâmpada UV ou outra fonte de luz, devidamente regulada.

    Uma das principais vantagens da luminescência proveniente de terras raras é a chamada persistência luminosa, ou seja, a capacidade de emitir luz por muitas horas após o período de exposição, e espera-se que o trabalho de pesquisa logo possa trazer benefícios para vários setores, entre eles o biomédico, de moda, design, automotivo e em todos os outros ramos nos quais a legitimidade de uma marca deve ser garantida.

    Ainda na Itália, outra iniciativa análoga foi desenvolvida por pesquisadores do Consorzio Interuniversitario Nazionale per la Scienza e Tecnologia dei Materiali (INSTM) do polo de nanotecnologia da cidade de Terni, junto com a universidade de Perugia. Os estudiosos italianos desenvolveram os chamados Mpid (Materiali Plastici Informativi Decodificabili), ou seja, plásticos que possuem uma espécie de código genético único e inimitável em sua própria estrutura molecular.

    De acordo com o professor José Maria Kenny, coordenador da pesquisa, essa tecnologia é o resultado da sinergia entre nanotecnologia e biotecnologia. O Mpid, explica, é obtido graças à inserção de moléculas inorgânicas e orgânicas complexas, ou ainda de micro-organismos não patógenos, como o fermento, em uma matriz polimérica. “A combinação desses elementos não altera as propriedades mecânicas e funcionais dos materiais plásticos, mas gera uma variação controlada e reproduzível do espectro eletromagnético do polímero usado como base do Mpid”.



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