Integração petroquímica é tema de reunião no Sul

O tema da nova Braskem, alçada ao posto de gigante latino-americana do setor petroquímico ao adquirir a Quattor, foi o ponto alto da reunião mensal do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Nordeste Gaúcho – Simplás. O evento aconteceu em primeiro de março, em Caxias do Sul, e o vice-presidente corporativo do braço petroquímico do grupo Odebrecht, Rui Chammas, foi o porta-voz das decisões do grupo para a cadeia petroquímica.

As palavras de um executivo da primeira linha diretiva da Braskem podem ter aliviado a preocupação dos transformadores gaúchos relacionada com o surgimento do novo monopólio na cadeia produtiva do plástico, o que na visão desses empreendedores os tornaria atrelados a uma política de preços sem a lei da oferta e da procura dentro de um ambiente de competição, pois, com a aquisição, a Braskem ocupará 73% do mercado de resinas no país – antes eram 52%. Segundo Chammas, a Braskem permanece como empresa privada e preocupada com o crescimento de seus clientes.

O vice-presidente corporativo destacou o comprometimento corporativo com todos os elos da cadeia petroquímica, oferecendo soluções diferenciadas e possibilitando o crescimento em conjunto, um dos pilares de sua estratégia. A mesma filosofia operacional vale para os novos clientes que serão herdados por conta da compra da Quattor.

Para Chammas, a integração petroquímica é natural porque os antigos players não ofereciam mais condições de operar na nova configuração da escala global firmada com as megacorporações, como é o caso da Braskem, que passo a passo vem construindo uma superestrutura capaz de colocá-la na disputa da liderança mundial. Ele assegurou que o portfólio de produtos Quattor será mantido no mercado pelo menos por enquanto. “Não existe intenção de eliminar grades de produtos”, assegurou.

O vice-presidente enalteceu a pesquisa tecnológica em busca de novas matérias-primas de fontes renováveis a ser reforçada. “A Braskem é a empresa com maior volume de investimentos em matérias-primas como é o caso do polietileno verde que sairá aqui do Rio Grande do Sul pela rota do etanol”, enfatizou o executivo.

Ao mesmo tempo, revelou que a Braskem abortou o projeto inicial para a produção do polipropileno verde, mas contratou uma empresa para tentar uma tecnologia capaz de atender às expectativas do grupo com relação à qualidade do produto e em condições de competitividade. Ele não quis comentar as razões da decisão. Nem a empresa contratada para recomeçar as pesquisas.

Diretrizes e reconfiguração – Diversificação das matérias-primas, aumento de escala e complementaridade geográfica, fortalecimento e competitividade de toda a cadeia produtiva, equilíbrio da estrutura de capital, valor agregado aos seus acionistas, e consolidação das participações da Odebrecht e da Petrobras nas atividades do setor, essas são as principais diretrizes traçadas pela diretoria da Braskem nesta etapa pós-aquisição do conglomerado Quattor.

De acordo com Chammas, a aplicação dessas diretrizes começa por assegurar a liderança da corporação nas Américas como direcionamento estratégico. O vice-presidente esclareceu ainda como fica a recomposição de ativos com a aquisição em curso da Quattor. Confirmou que 50% da Carbocloro e 33,3% da Polibutenos serão da Braskem. Os 60% da Quattor Participações serão igualmente da organização e os outros 40% ficarão sob controle da Petrobras. O braço petroquímico da Odebrecht abocanha ainda 100% da Unipar Comercial, 94,11% da Quattor Química – 5,89% serão Petrobras –, 65%, 98% da Riopol e 99,30% da Quattor Petroquímica. Vinte e cinco por cento da Riopol permanecem com a BNDESpar.

Quanto ao caminho a ser percorrido, Chammas confirmou: para a conclusão da transação, a Braskem terá um aumento de capital de R$ 1 bilhão, originário da Odebrecht, R$ 2,5 bilhões ficam a cargo da Petrobras, e entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão estão sob controle dos acionistas minoritários. Com isso, a Odebrecht deterá mais de 50% do total de ações ordinárias.

Enquanto a integração acionária não ocorre, Braskem e Quattor operam independentes. Na recomposição diretiva, a Petrobras aumenta a quantidade de representantes no Conselho de Administração da empresa de três para quatro. Atualmente a Braskem conta com 4.600 funcionários, 17 plantas com integração entre 1ª e 2ª geração petroquímica – BA, RS, AL, SP (não-integrada). Detém ainda 52% do mercado brasileiro de resinas com capacidade total de 3 milhões e 585 mil toneladas de resinas: 510 mil t de PVC, 1 milhão de t de polipropileno e 1 milhão, 995 mil t de polietilenos.

Com a aquisição da Quattor, a produção irá crescer para 5,5 milhões de toneladas de resinas: 510 mil toneladas de PVC, 1,9 milhão de t de polipropileno e 3 milhões de t de polietilenos. O número de pessoal envolvido sobe para 6,3 mil funcionários, passa a contar com 26 plantas industriais integradas e 73% de ocupação do mercado. Na rota da internacionalização, Rui Chammas lembrou a aquisição de 100% da planta de polipropileno do grupo norte-americano Sunoco Chemicals por US$ 350 milhões com três plantas capacitadas a produzir 950 mil toneladas por ano de polipropileno.

Outro aspecto importante é a diversificação da matriz de matérias-primas com a integração do gás natural e do propeno de refinaria e etanol aos crackers de processo para nafta. Os novos ativos resultarão em aumento de escala combinada com a complementação geográfica entre plantas de Alagoas, Rio Grande do Sul, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, além da diversificação das matérias-primas básicas para a obtenção de produtos petroquímicos.

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Universidade ganha Sistema Descentralizado de Controle Distrubuído

“Somos uma empresa comprometida com a transparência, com a autonomia da gestão executiva e com a busca de resultados consistentes e sustentados para os acionistas. Com esse movimento, a Braskem dá mais um importante passo em direção à internacionalização do setor petroquímico brasileiro no momento em que o Brasil se projeta como uma força emergente na economia mundial”, afirmou Chammas.

Doação – A Braskem repassou um Sistema Descentralizado de Controle Distribuído (SDCD) à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em cerimônia de assinatura de termo de doação realizada no gabinete do reitor, em 16 de março. O SDCD é o cérebro eletrônico de plantas químicas de processos e de outros sistemas de reação crítica, tais como petrolíferas, plantas farmacêuticas de defensivos agrícolas, entre outras. A universidade gaúcha será a primeira no Brasil a contar com esse tipo de equipamento para uso nos cursos de graduação e pós-graduação.

O SDCD era usado na planta da Unidade de Insumos Básicos da antiga Copesul, em Triunfo, desde 1985. Com a compra da empresa pela Braskem, um novo sistema de última geração entrou em operação recentemente, o que permitiu a doação. A UFRGS também receberá um software atualizado, igualmente doado, mas pela Metso, empresa finlandesa detentora de tecnologia de ponta para programação deste tipo de equipamento.

O equipamento controlava os fornos de pirólise, o coração de um cracker petroquímico, e foi substituído por um sistema de última geração. À disposição da atividade acadêmica funcionará como um simulador de processos, que só poderia ser conhecido algum dia por estudantes da área de química absorvidos por empresas usuárias desse tipo de sistema.

Para o vice-presidente-executivo da Braskem, Manoel Carnaúba, a iniciativa fortalece todos: a universidade, os pesquisadores e a Braskem. Segundo o executivo, o sistema é versátil e pode ser acoplado a computadores comuns vendidos no varejo. Com isso, a interligação aos sistemas existentes dentro de um ambiente acadêmico irá ocorrer sem qualquer dificuldade. “É como um simulador de voo usado na formação de pilotos de avião”, comparou Carnaúba.

Outra vantagem vislumbrada por Carnaúba diz respeito a novas aplicações que poderão resultar do uso do equipamento em cursos de engenharia e de tecnologia da informação e que futuramente poderão ser aproveitados pela Braskem. “Como o equipamento estará dentro de um local de pesquisa, algumas inovações poderão surgir com base em novos protocolos”, confia Carnaúba.

De acordo com o reitor da UFRGS, Carlos Alexandre Netto, a iniciativa da Braskem é o que ele define como “interação de conhecimento” entre a academia e a iniciativa privada e adiantou que o SDCD terá sua utilização ampliada para diversas áreas da universidade. Além da engenharia química, os professores e alunos dos cursos de química, engenharia elétrica e ciências da computação deverão ter acesso ao sistema como forma de entendê-lo e até aperfeiçoá-lo. Na oportunidade, Netto aceitou convite de Carnaúba para conhecer o complexo petroquímico da Braskem, em Triunfo, incluindo o canteiro de obras da planta de polietileno que será produzido pela rota alcoolquímica.

“Os profissionais formados e que trabalharem com esse sistema estarão melhor capacitados a atuar na indústria química”, diz Jorge Trierweiler, professor da Escola de Engenharia da UFRGS. O equipamento tem valor estimado de R$ 500 mil – um novo custa R$ 1 milhão – e atenderá os alunos dos cursos de Engenharia Química, de Engenharia de Controle e Automação e da pós-graduação da universidade.

A cidade gaúcha de Triunfo, além de unidades completas de produção de derivados petroquímicos, reúne os principais ativos para desenvolvimento de pesquisa da Braskem: são unidades piloto e um centro tecnológico (com os laboratórios mais avançados da América Latina), controlados pela iniciativa privada – para atividade petroquímica – onde trabalham um grupo expressivo de doutores, mestres e técnicos – especializados em apresentar soluções e novas aplicações em resinas termoplásticas.

Na ocasião de assinatura do convênio de doação com a UFRGS, os executivos da Braskem anteciparam que a planta de polietileno baseado em eteno via etanol, calculada em R$ 500 milhões, deverá entrar em operação três meses antes do previsto.

[toggle_simple title=”México tem novas opções em plásticos de engenharia” width=”Width of toggle box”]

A fim de ampliar sua presença em regiões de crescimento econômico, a Rhodia Plásticos de Engenharia e Polímeros está reforçando sua posição no México. A empresa decidiu criar  a partir do Brasil (onde possui unidade industrial e laboratório de desenvolvimento de aplicações), uma área comercial e de marketing na capital mexicana, dedicada a atender os clientes da região e buscar novas aplicações para os seus desenvolvimentos.

As resinas de engenharia da Rhodia moldam peças destinadas a diversos segmentos de mercado, mas principalmente o de automóveis, eletroeletrônicos, bens industriais e o de bens de consumo.

“Nosso objetivo, em conjunto com os nossos clientes, é o desenvolvimento de aplicações de valor para o mercado mexicano e da região, melhorando a competitividade do setor, que passa por um período de retomada de suas atividades”, afirma Marcos Curti, diretor para a América Latina.

Na opinião dele, as soluções customizadas oferecidas pela empresa ajudam na melhoria dos processos e resultam em ganhos de produtividade. “Nossas equipes de P&D, comercial e de assistência técnica operam em sintonia fina com a cadeia produtiva do setor para identificar e atender plenamente às suas demandas”, argumenta.

A unidade industrial brasileira deve ser contemplada com um aumento de 10% na sua capacidade produtiva e expandir a oferta em toda a América Latina. Os projetos da empresa também inserem uma possível produção de plásticos de engenharia em local mais próximo ao mercado mexicano.

A Rhodia marcou presença na feira de plásticos do México, a 16ª Plastimagen, de 23 a 26 de março, com uma série de novidades em tecnologia e produtos. A mais recente é uma poliamida sem carga para uso em peças como abraçadeiras, que exigem resistência térmica e mecânica combinada com flexibilidade. “Esse novo produto amplia a linha Technyl Star AFX, uma geração de poliamidas 6.6 que alia uma fluidez excepcional e um nível de reforço jamais alcançado nesse segmento de produtos”, diz Adriana Morasco, gerente de mercado da Rhodia EP&P, especialista destacada pela empresa para atuar diretamente no mercado mexicano de plásticos e polímeros. Segundo ela, além de rigidez inigualável e de elevada resistência à temperatura, essa tecnologia oferece uma incomparável capacidade de processamento.

Outro destaque fica por conta da nova família de poliamida 6.6 Technyl Heat Performance (HP), desenvolvida como uma solução avançada para vencer os crescentes desafios das altas temperaturas sob o capô dos veículos.

Os grades dessa linha propiciam maior retenção das propriedades, especificamente quando expostos a altas temperaturas constantes, em comparação com as poliamidas tradicionais disponíveis no mercado. Além disso, oferecem maior liberdade de projeto para aplicações como circuitos de ar (coletores de admissão, dutos de ar etc).

Criado para aplicação em bicos de injeção eletrônica de combustível, o Technyl A 118 V33 constitui outro produto novo, desenhado para substituir o aço no revestimento exterior. O polímero reduz em 30% o peso dessa peça e contribui com ganhos ambientais, visto que veículos com esse tipo de bico de injeção reduzem em 18% a emissão de hidrocarbonetos.

Além desse benefício, o material da Rhodia pode receber gravação a laser de códigos, assegurando-se a rastreabilidade da peça. A gravação é garantida pela introdução de aditivos especiais, sem afetar as características técnicas exigidas pela aplicação, entre elas a alta resistência mecânica.

A feira mexicana também serviu de palco para a divulgação do Technyl A 218W V30, uma poliamida 6,6 reforçada com 30% de fibra de vidro com certificação W270 (análise biológica de água), diferenciada por sua excelente resistência à hidrólise e ótimo desempenho mecânico. O material é referência para aplicações em contato com água potável. Disponíveis nas versões preto e natural, o polímero foi especialmente criado para uso em sistemas de aquecimento, bombas, válvulas elétricas e aplicativos semelhantes, e também oferece um ótimo aspecto de superfície.

A Rhodia é um grupo químico internacional estruturado em seis empresas e parceiro dos maiores players mundiais em diferentes mercados: agroquímicos e nutrição, automotivo, aromas e fragrâncias, bens de consumo e têxtil, eletroeletrônicos, energia e abatimento de gases de efeito estufa, indústria e processos, saúde, cuidados pessoais e domiciliares. O grupo emprega 13.600 pessoas no mundo e obteve faturamento de 4,03 bilhões de euros em 2009. As ações da Rhodia são cotadas na bolsa de valores de Paris (Euronext).

Maria A. S. Reto

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