Compra de Moldes Plásticos ocorre em Relação de confiança entre Comprador e Ferramentaria: Ferramenteiros se Reúnem em Evento

A aquisição de moldes não é uma operação que se compare à compra de produtos distribuídos no varejo. Ela ocorre por meio de uma relação de confiança entre comprador e ferramentaria, exige sintonia entre as partes interessadas e muita conversa para que o projeto e a execução da ferramenta agradem os dois lados.

Dentro deste cenário, durante uma exposição, é difícil para os ferramenteiros fecharem negócios.

O ambiente, no entanto, é bastante favorável para que eles se apresentem aos prováveis compradores ou estreitem os relacionamentos com os clientes mais fiéis, práticas que favorecem o fechamento de futuros negócios.

Esse foi o espírito dos participantes da segunda edição da Intertooling, feira voltada para o setor realizada entre os dias 24 e 27 de julho no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.

O evento foi organizado pela Messe Brasil Feiras e Promoções e contou com a presença de vários representantes do pulverizado setor de fabricantes de moldes para termoplásticos, que, no Brasil, estima-se contar com de 2 mil a 3 mil empresas. Também estiveram presentes fornecedores de componentes e prestadores de serviços ligados ao ramo.

Plástico Moderno, Notícias - Ferramenteiros se reúnem em evento
Prototipagem rápida esteve em destaque

Algumas ferramentarias aproveitaram o momento para apresentar ao mercado estratégias mercadológicas um tanto ousadas. Foi o caso da gaúcha NTC, ligada ao grupo Luiz Participações e Administração de Bens.

A empresa, situada em Caxias do Sul-RS conta com 250 funcionários e, além de ferramentaria, também é transformadora de peças injetadas. “Somos uma ferramentaria que faz tryouts dentro de nossa própria casa”, conta Roberto Pilot, gerente-comercial da empresa. Cerca de 80% dos moldes produzidos são para terceiros. Os 20% restantes atendem produção própria: o grupo é dono da Plastrela, empresa localizada no município de Estrela-RS especializada na transformação de plásticos flexíveis.

Numa época em que a chegada de moldes asiáticos causa arrepios entre os especialistas brasileiros, a NTC aproveita as armas utilizadas pelos chineses para ganhar mercado no Brasil.

O segredo é simples: a empresa conta com seis fábricas licenciadas e homologadas na região de Shenzen, na China, e está fechando contrato para abrir mais duas plantas em território chinês. “Toda a inteligência do projeto, assim como a montagem final são desenvolvidas em nossa matriz localizada em Caxias do Sul”, diz.

Segundo Pilot, realizar parte do processo na China torna o preço do molde tão competitivo quanto os importados. “O custo de produção no país asiático é 25% inferior ao nacional e temos a vantagem de oferecer assistência técnica no Brasil”, alega.

O retorno da iniciativa tem valido a pena. “No ano passado fizemos 19 moldes na China e, neste ano, apenas no primeiro quadrimestre já são 39 projetos”, orgulha-se. Como essa tática foi colocada em prática? “A empresa pertence a uma família de descendentes de chineses, o que ajudou muito”, revela.

Plástico Moderno, Roberto Pilot, gerente-comercial, Notícias - Ferramenteiros se reúnem em evento
Pilot anunciou criação denovas fábricas

As novidades não pararam por aí.

O grupo gaúcho está investindo R$ 20 milhões em duas novas unidades em Aparecida do Taboado-MS, dedicadas à transformação de plásticos.

Uma será filial da NTC e outra da Plastrela. “Queremos que as novas fábricas abasteçam os mercados do Centro-Oeste e Sudeste. Vamos produzir peças para a indústria automotiva, de eletrodomésticos e de outros segmentos, além de produtos próprios, em especial para a suinocultura”, revela Pilot.

A NTC de Mato Grosso do Sul contará, no início de suas atividades, com cinco injetoras, com forças de fechamento de 100 toneladas a 1.300 toneladas de força. “A nova planta da Plastrela tem como maior atração a única extrusora de oito cores instalada no Brasil”, garante Pilot.

Outra empresa gaúcha que marcou presença no evento foi a Belga Matrizes, também sediada em Caxias do Sul. “Estamos há 28 anos no mercado e somos pioneiros no Brasil na produção de ferramentas de injeção de grande porte. Somos a única empresa totalmente nacional com estrutura para produzir moldes de até 40 toneladas”, garante Mari Lucia Scolaro, responsável pelo departamento de vendas da ferramentaria.

A estrutura da Belga conta com parque industrial com capacidade produtiva de 20 mil horas/mês de trabalho.

Plástico Moderno, Mari Lucia Scolaro, responsável pelo departamento de vendas da ferramentaria, Notícias - Ferramenteiros se reúnem em evento
De acordo com Mari, vendas estão aquecidas desde abril

A unidade industrial da empresa conta com várias máquinas CNC dotadas com características de elevada velocidade, caso de fresadoras de cinco eixos. “Um dos nossos marcos foi o de ter construído o molde de injeção bicolor da lanterna do Honda Civic, um dos mais complexos construídos no Brasil”, revela.

Mari Lucia explica que a participação da empresa no evento foi institucional. “O objetivo principal é o de manter o bom relacionamento com os clientes”, diz.

Sobre o atual momento das vendas, não tem do que se queixar. “Depois de um início de ano um pouco tumultuado, quando muitos projetos se encontravam parados, as vendas aqueceram a partir de abril. Hoje temos encomendas que vão ocupar nossa fábrica até o final do ano”, revela.

Consolidar-se no mercado. Por isso a Indústria Brasileira de Moldes (IBM), ferramentaria criada há dois anos e meio na cidade de Joinville-SC, resolveu montar um estande na exposição.

“Somos uma empresa nova, mas formada por profissionais com muitos anos de experiência no ramo”, conta Carlos Zanandrea, diretor-comercial. Para reforçar sua afirmação, ele lembra que já trabalha com moldes há mais de 25 anos.

A IBM conta com 52 funcionários e tem duas unidades, uma voltada para a produção de moldes para injeção de termoplásticos, outra para injeção de alumínio.

A unidade especializada em plásticos tem 30 pessoas. “Em nossa equipe temos 16 profissionais com curso superior, seis com pós-graduação e dois estão fazendo mestrado”, orgulha-se Zanandrea.

Plástico Moderno, Luciano Assis Santana, técnico da NCS, Notícias - Ferramenteiros se reúnem em evento
Santana: lançamento faz análise de todas as fases da produção

O perfil dos colaboradores revela que a empresa dirige seus esforços para atuar no nicho dos moldes sofisticados. “Não somos competitivos no segmento de moldes de baixa tecnologia.

Temos como modelo a escola européia”, explica. Para o diretor, hoje o mercado está tão competitivo que ter equipe altamente especializada não significa uma enxurrada de encomendas.

“É o que precisamos para ficar no mercado”, define.

Ele também acha uma boa gestão indispensável para o sucesso das ferramentarias. “Muitos ferramenteiros abrem suas empresas e não alcançam sucesso porque não têm cabeça de empreendedor”, resume. Entre os clientes da IBM, podem ser citados Multibras, Honda e Peugeot, entre outras empresas.

Especializada em moldes de injeção de termoplásticos, a Socem é uma ferramentaria que nasceu na cidade de Leiria, em Portugal, há 25 anos.

Depois de exportar e de criar uma boa base de clientes no Brasil, a empresa resolveu abrir uma filial por aqui, em Joinville-SC.

A inauguração da planta nacional ocorreu há seis anos. “Nossa especialidade é a construção de moldes com até oito toneladas, a maioria deles voltados para a produção de peças técnicas”, informa Audenir Bento, gerente técnico da Socem.

A empresa atende principalmente os clientes da indústria automobilística e fabricantes de eletrodomésticos da linha branca. “Trabalhamos em todas as etapas de produção, fazemos de protótipos e moldes para os protótipos até a ferramenta definitiva”, garante.

Protótipos – Durante o evento, várias empresas especializadas em produtos e serviços de prototipagem marcaram presença.

Entre elas a Robtec, uma das mais conhecidas no País. A empresa, de Diadema-SP, aproveitou a exposição para divulgar a inauguração da sua primeira filial.

O novo escritório tem sede a muitos milhares de quilômetros da matriz. Trata-se de mais um caso de empresa que se rendeu às condições de produção oferecidas pelo país de Mao Tse-tung. O novo endereço da empresa se encontra no município de NingBo, na China.

De acordo com Erik Diniz, coordenador de marketing da Robtec, a iniciativa tem como objetivo oferecer aos clientes uma mescla da excelência dos serviços prestados no Brasil com os preços vantajosos dos produtos chineses. “Lá a mão-de-obra é bem mais barata e os prazos de construção dos produtos são bem menores”, revela.

A Robtec é especializada na construção de variados protótipos de peças plásticas, além de também produzir moldes voltados para a confecção dos protótipos. “Atendemos a todos os tipos de segmentos, caso das indústrias automotivas, de eletroeletrônicos, de embalagens e outras”, conta Diniz.

A Sisgraph é revendedora exclusiva no Brasil dos equipamentos de prototipagem rápida produzidos pela empresa norte-americana Stratasys. As máquinas operam com base em informações do design das peças oferecidas por arquivos de imagens em três dimensões.

As informações conduzem as operações de fundição de “tabletes” de plástico e de deposição desse material no formato desejado.

As peças podem ser confeccionadas em vários tamanhos, com matérias-primas como ABS, policarbonato ou polifenilssulfona. “Em muitos casos os protótipos podem ser feitos com o próprio material com o qual a peça foi projetada”, informa Fernando Schmiegelow, diretor de marketing da Sisgraph.

No caso de peças que precisam de algum tipo de base de sustentação que não faça parte de seu projeto original, essa base pode ser feita com material, exclusivamente desenvolvido pela Stratasys, que depois da operação se dissolve na água.

Para Compra MOLDES PARA INJEÇÃO

“Trabalhamos com dois grupos de clientes”, conta Schmiegelow. Um deles é formado pelas indústrias que precisam produzir grande variedade de peças. São empresas como General Motors, Arno, Itautec, Bosch e outras.

O segundo grupo é formado por escolas técnicas, que utilizam as máquinas para ensinar os alunos e, eventualmente, prestar serviços para o mercado. Neste caso se encontram o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e as escolas técnicas do Senai.

Plástico Moderno, Audenir Bento, gerente técnico da Socem, Notícias - Ferramenteiros se reúnem em evento
Bento aposta em molde para peças técnicas

Softwares – O uso no Brasil de programas de CAD/CAM tem sido corriqueiro na hora de desenvolver o design de peças plásticas e de transferir essas informações para as máquinas responsáveis pela usinagem das ferramentas.

Um outro tipo de recurso, os aplicativos de CAE, utilizados fartamente nos países avançados, ainda são aproveitados de maneira incipiente no Brasil.

O CAE permite a simulação dos processos de produção de peças plásticas, corrigindo problemas que, sem os recursos eletrônicos, só são detectados na prática, com a utilização de técnicas de tentativa e erro.

Algumas empresas marcaram presença na Intertooling para demonstrar as vantagens, como redução de custos e prazos, proporcionadas pelos softwares de CAE.

Uma dessas empresas foi a NCS, distribuidora no Brasil de aplicativos de CAE/CAD/CAM voltados para o desenvolvimento de ferramentas.

A principal novidade mostrada pela NCS foi o lançamento do Visi-Flow, representado pela empresa com exclusividade no Brasil. “Permite a análise no computador de todas as fases de produção de peças termoplásticas”, assegura Luciano Assis Santana, técnico da NCS.

O Visi-Flow permite, por exemplo, a análise da fusão termofluidodinâmica para garantir as melhores condições de preenchimento e o cálculo de contração e empenamento determinados pelo equilíbrio das tensões internas causadas pelo processo de injeção.

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