Notícias – Ferramentarias se reúnem no sul em prol do crescimento do setor

Com o objetivo de discutir estratégias de desenvolvimento para o segmento, e debater a concorrência internacional, melhoria na gestão das empresas, sustentabilidade do negócio e estudo da legislação, foi realizado, em maio, o 5º Encontro Nacional de Ferramentarias, no auditório da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul-RS. O evento, organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer) e Virfebras, organização virtual de ferramentarias do Brasil, reuniu 200 empresários do setor, além do coordenador do evento, Gelson Oliveira; do presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Orlando Marin; do presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs), Getúlio Fonseca; do presidente da Associação Empresarial de Joinville (Acij), Getúlio Paulo Zluhan; e do presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), Carlos Heinen.

Plástico, Getúlio Fonseca, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs), Ferramentarias se reúnem no sul em prol do crescimento do setor
Getúlio Fonseca: ressaltou a necessidade de o BNDES facilitar os financiamentos

De acordo com Christian Dihlmann, presidente da Abinfer, esse encontro foi mais um passo no crescimento institucional do setor ferramenteiro, que precisa melhorar sua representação nos poderes Executivo e Legislativo. “Estamos trabalhando para que possamos ser ouvidos pelas autoridades e termos uma representatividade própria para esse segmento da indústria, ressaltou Dihlmann, lembrando que já se avançou em alguns aspectos, como a criação de uma bancada parlamentar de apoio aos ferramenteiros no Congresso Nacional. “Nossas reuniões em Brasília já contaram com a participação de diversos parlamentares”, destacou.

O dirigente da entidade observou que alguns temas pontuais precisam ser enfrentados pela Abinfer ainda este ano. Ele citou a regulamentação do comércio exterior de moldes com a necessidade de instituição da obrigatoriedade de um responsável técnico para os produtos importados. “É preciso que haja uma competição isonômica com a indústria nacional que tem esse custo”, argumentou.

Dihlmann manifestou preocupação também com o novo regime automotivo que vai entrar em vigor em 2013 no país. “A lei já está aprovada, mas precisamos estar atentos na sua regulamentação”, disse o industrial. “Para tanto, precisamos apresentar sugestões voltadas para uma agenda propositiva e assim inserir melhor nossa atividade nesse importante segmento econômico.”

Sobre o desempenho atual da indústria ferramenteira no Brasil, Dihlmann disse que o setor está encolhendo, porque está

Plástico, Christian Dihlmann, presidente da Abinfer, Ferramentarias se reúnem no sul em prol do crescimento do setor
Christian Dihlmann: aumento das importações fez a indústria nacional encolher

ocorrendo um grande aumento das importações. A alteração cambial recente traz um otimismo para a fábrica nacional. “Passamos a ser mais competitivos”, advertiu.

O custo das matérias-primas preocupa a indústria nacional na comparação com os concorrentes internacionais. Conforme Dihlmann, o aço tipo PV20 usado pelas fábricas custa no Brasil US$ 5,00 o kg, enquanto na Alemanha é US$ 2,50; e na China, US$ 1,20. Esses valores acabam impactando no preço final do produto.

Quanto à eficiência do setor ferramenteiro, Dihlmann aponta que tem vários nichos de mercado em que a nossa indústria é top. “Precisamos evoluir em alguns segmentos como moldes para micropeças, precisão, área hospitalar, bi-injeção, tri-injeção”, indicou.

Em relação aos números de importações, o dirigente diz que os dados mais recentes são de 2009, que apontam para compras internacionais na ordem de US$ 500 milhões. Ele observa que os números não são confiáveis, pois existem “moldes novos que ingressam no país como usados, além de subfaturamentos nos valores declarados das aquisições do exterior”.

Os maiores desafios para a indústria ferramenteira no Brasil, segundo a liderança da Abinfer, são a preparação de mão de obra para atuar com maior eficiência no processo industrial, a busca de melhores condições tributárias e fiscais para a competição com outros países e a melhor preparação dos nossos gestores. “Não se pode botar toda a culpa no governo, precisamos ser mais ousados e produtivos”, finalizou Dihlmann.

As indústrias automobilística, de embalagens, construção civil, linhas branca e marrom da indústria eletroeletrônica são os maiores clientes do setor ferramenteiro. A recente redução do IPI para automóveis, anunciada pelo governo federal, motiva o setor, pois a redução das vendas dos carros estava afetando o volume de negócios.

Plástico, Orlando Marin, presidente do Simplás, Ferramentarias se reúnem no sul em prol do crescimento do setor
Para Marin, mercado ainda tem muito a crescer para ser mais competitivo

Para o presidente do Simplás, Orlando Marin, o setor de ferramentarias precisa crescer muito ainda para tornar as empresas fortes e mais competitivas. “Atualmente, 90% das indústrias do setor têm menos de 100 empregados e precisamos vencer uma série de obstáculos como burocracia, taxas e impostos para mudar de patamar”, observou.

Orlando Marin ressaltou que para se ter plástico são necessárias ferramentas, que estão presentes em todos os produtos fabricados. O empresário manifestou preocupação com a não valorização da cultura do trabalho no país, ressaltando que uma nação só é pujante se contar com uma indústria atuante, que gere postos de trabalho e riqueza.

Getúlio Fonseca, presidente do Simecs – sindicato patronal atuante em 17 cidades da serra gaúcha e com 2.900 empresas associadas –, revelou que o setor de ferramentaria é muito importante para a economia da região. “São 300 empresas que geram 8 mil postos de trabalho”, disse, ressaltando que medidas de incentivo ao setor passam pela desoneração da folha de pagamento e financiamentos mais acessíveis no BNDES”, finalizou.

O encontro das ferramentarias buscou uma maior parceria com a rede de ensino que forma profissionais para o setor. Neste sentido, foram convidados palestrantes do Senai. Rolando Vallejos, da diretoria nacional de ensino da instituição, destacou que o setor empresarial precisa estar organizado e mobilizado para conseguir verbas para cursos na sua área de atuação.

Plástico, Rolando Vallejos, da diretoria nacional de ensino da instituição, Ferramentarias se reúnem no sul em prol do crescimento do setor
Rolando Vallejos anunciou investimentos na modernização das escolas do Senai

Vallejos disse que o desafio da indústria é aumentar a competitividade e o Senai é parceiro nesta meta. “A nossa meta é ter 4 milhões de matrículas até 2014. Para isso, estamos investindo R$ 1,9 bilhão na modernização e ampliação de escolas, bem como na criação de novos Institutos Senai de Tecnologia e Institutos Senai de Inovação, distribuídos em 28 setores da economia em 809 unidades”, anunciou.

Já Luiz Eduardo Leão, da Diretoria Nacional de Inovação do Senai, ressaltou que a Rede Senai de Ferramentaria visa a contribuir para o fortalecimento do setor, provendo soluções em pesquisa e tecnologia. “A rede opera no momento nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Amazonas”, informou.

O seu funcionamento ocorre por meio de um conselho técnico formado por empresas, associações de classe, Abinfer, sindicatos e universidades. Conta ainda com equipes multidisciplinares compostas por engenheiros, técnicos, especialistas, mestres e doutores.

Segundo Leão, na pauta do grupo estão temas que passam pela análise e projeto do sistema de gestão de ferramentaria, aplicação do laser como ferramenta de fabricação e usinagens especiais. Ainda são relevantes para a Rede de Ferramentaria do Senai o desenvolvimento de projetos de micromoldes e microinjeção, oficina, tecnologia para

Plástico, Luiz Eduardo Leão, da Diretoria Nacional de Inovação do Senai, Ferramentarias se reúnem no sul em prol do crescimento do setor
Luiz Eduardo Leão anunciou uma parceria feita com o maior centro de pesquisa da Europa

melhoria no processo de fabricação de moldes e matrizes e a certificação de moldes e micromoldes.

A parceria com o instituto alemão de pesquisa aplicada Fraunhofer também foi destacada por Leão, pela reconhecida capacidade da organização, considerada o maior centro de pesquisa da Europa. “Uma equipe de técnicos do Senai e de empresas interessadas irão a Berlim para realizar treinamentos e adquirir novos conhecimentos provavelmente em novembro deste ano”, informou. Em assembleia da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentarias ficou definido que o 6° Enafer será realizado em São Paulo, em 2013; o 7º será em Joinville-SC, em 2014; e a 8ª edição voltará novamente para Caxias do Sul em 2015.

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