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Notícias – Evento foca polímero de alto desempenho

Marcio Azevedo
13 de janeiro de 2007
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    Pelo segundo ano consecutivo, a filial brasileira da Degussa, uma das líderes no mercado mundial de especialidades químicas, organizou o Seminário de Polímeros de Alta Performance para informar aos clientes brasileiros as inovações recentes desenvolvidas pela empresa. O encontro também serviu para o lançamento de um novo polímero de alto desempenho, o Vestakeep, que posiciona a fornecedora como umas das pouquíssimas fabricantes mundiais da poli-éter-éter-cetona (PEEK).

    Plástico Moderno, Dick Heinrich, colaborador da área de gerenciamento de relações com os clientes da Degussa na Alemanha, Notícias - Evento foca polímero de alto desempenho

    Heinrich explicou quais são as principais características do PEEK

    O mercado mundial desse polímero especial já havia sido agitado com a conclusão da compra da divisão de polímeros da Gharda Chemicals pela Solvay Advanced Polymers, no segundo semestre de 2006. A empresa indiana descobriu uma rota alternativa de produção de PEEK utilizando o ácido fenoxibenzóico, e agora é a Degussa quem torna público o seu interesse pelo plástico.

    De acordo com Dick Heinrich, colaborador da área de gerenciamento de relações com os clientes da Degussa na Alemanha, o polímero será fabricado por uma joint venture da empresa alemã com uma parceira chinesa, a Jida, em fábrica instalada na cidade de Changchun, no nordeste chinês. A linha de produção utiliza rota semelhante à criada pela ICI em 1978, baseada em hidroquinona e 4,4’-difluorobenzofenona, e a resina será compostada na Alemanha, de onde partirá para os mercados.

    O consumo mundial de PEEK ainda é muito baixo, devido às características do material e ao seu preço salgado. Em alguns locais do planeta, o polímero é oferecido por apenas um fabricante, e a entrada da Degussa no segmento pode tornar o plástico mais competitivo para os possíveis clientes à medida que a demanda aumente.

    Preço, no entanto, não é um fator preponderante nesse nicho, pois está em foco uma resina que se funde aos 340º C e suporta até 260º C por longos períodos. Esse desempenho é superior ao de materiais considerados bastante especiais, como a polieterimida (PEI), a polifenilssulfona (PPS) e a poliftalamida (PPA).

    A hidrólise do polímero só passa a ser um problema após cerca de 250º C, e a resistência química do PEEK é excelente, bem como a resistência à irradiação e uma capacidade inerente de suportar chamas. Esse conjunto de atribuições permitiu certificações do Food and Drug Administration (FDA), o órgão norte-americano responsável pela proteção dos suprimentos de alimentos e medicamentos, que liberou o uso em aplicações em que há contato direto com os primeiros. O material também tem classificação V0, segundo a norma UL-94, e os graus médicos estão em fase de testes segundo a diretiva 93/42/EEC na Europa. Nos Estados Unidos, devem ser obtidas em breve aprovações segundo a farmacopéia americana.

    Heinrich apresentou oito novos grades: quatro não-reforçados, com viscosidade de baixa a alta, para a injeção de peças como engrenagens e a extrusão de semi-acabados; dois graus reforçados com fibras de vidro ou de carbono, para a injeção de peças com maior rigidez e baixa contração volumétrica, como carcaças; um grau autolubrificante reforçado com PTFE, grafite e fibra de carbono para a injeção de engrenagens e componentes de rolamentos; e um tipo não-reforçado para a extrusão de cabos.
    Entretanto, a combinação incrível de propriedades do PEEK em altas temperaturas obriga processadores a adotar cuidados redobrados em seu processamento. O material requer altas temperaturas de operação, pois os pontos de fusão oscilam entre cerca de 360º C até 400º C.

    Para identificar a necessidade por um material desse tipo, Heinrich sugere que em um universo de seis exigências de desempenho, os clientes sujeitos a duas delas deveriam optar pelo PEEK. Esses requisitos tecnológicos são temperatura de operação contínua por volta de 260º C, classificação UL-94 V0 com baixíssima emissão de fumaça, excelente resistência química, resistência à radiação X, beta e gama, alta resistência ao desgaste e resistência mecânica compatível com substituição de metais.
    As aplicações com esse tipo de necessidade podem ser encontradas no mercado automotivo, como nas engrenagens da transmissão e em peças das bombas de óleo. No campo aeroespacial, o PEEK pode ser utilizado para proteger fios e fibras ópticas, e entre as aplicações industriais, a produção de componentes de bombas, como os rotores, é um dos filões atraentes. A compatibilidade do polímero com resinas epóxi também favorece o uso na indústria eletroeletrônica, pois permite a montagem direta de peças em placas de circuito flexíveis.

    Polímeros em pó – O seminário também ofereceu aos presentes informações sobre a tecnologia de polímeros em pó destinada à aplicação em revestimentos. A Degussa possui em seu portfólio uma poliamida (PA) 12 em pó adequada ao uso em leitos fluidizados, minirrevestimentos, processos eletrostáticos e aspersão por chama (flame spraying).
    Esse pó termoplástico possui ponto de fusão de 176º C, e sua densidade é bastante próxima à da água, ao redor de 1,016 g/cm3. O produto é considerado fisiologicamente não-prejudicial, e uma camada com 500 micrômetros de espessura consome meio quilo de material por metro quadrado. Seus grânulos possuem forma de “batata”, arredondada, e diâmetro médio de 55 micrômetros a 100 micrômetros em D50. De modo geral, o revestimento por leitos fluidizados demanda partículas com tamanho médio ao redor de 100 micrômetros; os minirrevestimentos, tamanho médio maior que 55 micrômetros; o revestimento eletrostático requer valores entre 30 e 50 micrômetros; e cerca de 100 micrômetros no caso da aspersão por chama.


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