Entidades propõem consumo consciente de sacola plástica

Conscientizar a população e os supermercadistas sobre o uso responsável das sacolas plásticas, além de reduzir o seu consumo em no mínimo 30% em todo o Brasil está entre os objetivos do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, apresentado durante a APAS 2008 – 24° Congresso de Gestão e Feira Internacional de Negócios em Supermercados, realizada de 26 a 29 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo.

A sustentabilidade na indústria e no varejo foi um dos grandes temas da exposição – palco ideal para o debate sobre o uso das sacolas plásticas, tão discutidas nos últimos dois anos.

O programa resulta da parceria entre três entidades do setor plástico – a Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, o Instituto Nacional do Plástico (INP) e a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief) – com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e com a Associação Paulista de Supermercados (Apas).

As cinco entidades firmaram o compromisso de parceria durante a cerimônia de abertura da exposição, que contou com as presenças do governador José Serra, do prefeito Gilberto Kassab e de empresários do setor plástico, do varejo supermercadista e de indústrias de alimentos, cosméticos, entre outras.

O programa propõe a confecção e uso de sacolas plásticas mais resistentes, produzidas de acordo com a norma ABNT 14.937. As novas “sacolinhas” trazem impressas informações importantes sobre reciclabilidade dos plásticos e o peso que suportam.

O modelo apresentado, com alça do tipo camiseta e solda no fundo, tem capacidade nominal para 6 kg de produtos.

Confeccionada em polietileno de alta densidade (PEAD), mede 40 cm x 50 cm (considerando sanfona lateral e alça) e tem espessura total de 27 micras.

Plástico Moderno, Notícias - Entidades propõem consumo consciente de sacola plástica
Embalagem mais resistente suporta maior peso

A reportagem de Plástico Moderno testou as novas sacolas que agüentaram a carga proposta de 6 quilos de produtos. Foram colocados na embalagem: 2 kg de feijão, 1 kg de arroz, 1 kg de açúcar, 1 kg de farinha de trigo, 500 g de lentilha e 500 g de milho para pipoca. A sacola não rompeu na alça ou na solda.

Porém, quando os mesmos produtos foram transferidos para uma sacola não normatizada, distribuída em rede de supermercados de São Paulo, o resultado foi o oposto: a embalagem se rompeu no momento em que foi suspensa do balcão.

Além de aumentar a segurança no transporte e manuseio das compras, o modelo dispensa a sobreposição de embalagens, ação bastante comum na boca do caixa, em razão do fraco desempenho da maioria das sacolas distribuídas no varejo.

O próximo passo é convencer o consumidor, acostumado com a fragilidade das sacolinhas, que o novo produto pode ser usado sem receio e com segurança.

Segundo as entidades envolvidas no projeto, embora as novas embalagens sejam mais caras, o varejo não vai arcar com custos mais altos para abastecer-se, uma vez que poderá encomendar à indústria um volume menor de sacolas.

Nos últimos anos, as sacolas plásticas distribuídas nos supermercados têm sido alvo de inúmeras críticas. Porém, pesquisa realizada pelo Ibope com 600 consumidores, no final do ano passado, mostrou que 71% são favoráveis ao uso do material.

Os entrevistados consideram esse tipo de embalagem ideal para o transporte de compras.

A pesquisa revelou ainda que 100% dos entrevistados usam as embalagens para o descarte do lixo doméstico, dispensando a compra de sacos específicos para essa finalidade.

“O desafio, portanto, está em promover ações capazes de sensibilizar as pessoas sobre a importância de usar responsavelmente as sacolinhas”, disse Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida.

Esmeraldo destaca ainda que o reaproveitamento das sacolas tornou-se comum nas áreas urbanas, sem que houvesse estímulo da indústria para isso.

Tal ação favoreceu o acondicionamento dos resíduos de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, sem acréscimo nas despesas das famílias. “Os consumidores perceberam a vantagem e fizeram a troca.”

De acordo com o presidente da Plastivida, tanto o programa quanto a campanha de conscientização para a mudança de comportamento levam em conta os hábitos e os desejos dos consumidores.

“O melhor caminho é oferecer às pessoas alternativas sem deixar de atender às necessidades práticas do seu dia-a-dia”, afirmou.

Com base nas com simulações realizadas pela Plastivida, é possível reduzir em pelo menos um terço a distribuição das sacolinhas nos supermercados com a melhoria da qualidade.

Plástico Moderno, Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida, Notícias - Entidades propõem consumo consciente de sacola plástica
Esmeraldo assina acordo com o presidente da Apas, João Sanzovo

“É preciso pôr fim ao desperdício agindo em várias frentes”, afirma Esmeraldo.

A etapa seguinte previu a implantação de projeto piloto, iniciado no dia 28 de maio em 18 lojas da Grande São Paulo.

“São 14 pertencentes à rede Pão de Açúcar e Carrefour e quatro de outras bandeiras.”

Depois, o projeto deverá ser ampliado para o restante do país.

Ainda estão previstas ações educativas para conscientizar os consumidores sobre a importância de utilizar apenas a quantidade de embalagens necessária para o transporte das compras, evitando o desperdício.

Durante a APAS, a Plastivida distribuiu as novas sacolinhas e material informativo aos visitantes e iniciou a campanha de conscientização dos consumidores e supermercadistas sobre as vantagens do produto.

Consumo sustentável – Durante o evento, a Associação Paulista de Supermercados (APAS) divulgou a pesquisa Retrato do Varejo 2008. De acordo com o documento, os consumidores brasileiros estão mais preocupados com as questões sociais e ambientais.

O documento mostra que 93% dos consumidores valorizam as empresas que praticam programas de responsabilidade social, e 46% optam por marcas que praticam ações voltadas para essa área, mesmo com preços superiores aos do concorrente. Em 2005, esse índice era de 35%.

A pesquisa mostra ainda que as empresas estão atentas a essa tendência, pois 63% dos supermercados e 57% dos fornecedores planejam aumentar os investimentos em sustentabilidade.

Os demais entrevistados alegam que vão manter, e nenhuma empresa declarou que vai reduzir os valores investidos nessa área.

Outro dado interessante se refere aos hábitos de consumo. Segundo a APAS, 32% dos consumidores compram em hipermercados (lojas com mais de 50 check-outs), 94% no varejo comum, 73% se mantêm fiéis às tradicionais vendas porta a porta e 18% em atacado de auto-serviço.

O potencial de consumo da classe C também foi evidenciado na pesquisa. Em 2007, 2,15 milhões de famílias ascenderam na pirâmide do consumo.

De acordo com o presidente da APAS, João Sanzovo Neto, a classe C representa hoje 34,1% da população brasileira, índice que deve influenciar cada vez mais na estratégia de atuação do varejo e no lançamento de novos produtos por parte das indústrias.

A pesquisa retratou que 76% dos lares brasileiros se abastecem em mais de um canal de vendas e vai ao supermercado a cada dois dias.

A exposição, que priorizou a sustentabilidade, empregou madeira certificada na montagem dos estandes. A APAS contratou ainda a empresa Reciclagem, especializada em responsabilidade sócio-ambiental, cuja função na feira foi divulgar ações e estratégias relacionadas à gestão de resíduos, seleção de materiais e uso consciente da água e energia.

Durante os quatro dias da feira, foram adotadas várias medidas sustentáveis para diminuir o impacto causado pelo evento ao meio ambiente.

Com a gestão de resíduos gerados na montagem e desmontagem, foram selecionadas 250 toneladas de madeira, 36 toneladas de resíduo orgânico e mais de 36 toneladas de recicláveis.

De acordo com a APAS, esse material será utilizado na geração de energia e reciclagem.

Outra iniciativa é o plantio de árvores para compensar a quantidade de CO2 durante a feira. A organização do evento estima que serão plantadas aproximadamente mil árvores.

Estima-se ainda que a exposição recebeu 63 mil visitantes, 7,5% a mais que a edição 2007, e gerou negócios da ordem de R$ 4 bilhões.

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