Indústrias de Embalagens Plásticas Ecológicas Desenvolvem Produtos Amigáveis ao Meio Ambiente

Simpósio Internacional sobre Tecnologia de Embalagem

Tendências e Inovações no Universo da Embalagem foi o tema do II Simpósio Internacional sobre Tecnologia de Embalagem, promovido pela Específica Organização de Eventos, no final de maio, em São Paulo. A despeito dos variados assuntos abordados, as palestras em geral tinham conotação ecológica como pano de fundo, evidenciando a preocupação das indústrias em desenvolver produtos amigáveis ao meio ambiente.

Não à toa, a primeira conferência foi encargo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, de São Paulo, representada pelo coordenador de planejamento ambiental, Casemiro Tércio Carvalho, que falou sobre a política estadual de resíduos sólidos e o papel do estado em atuar junto com o município no seu gerenciamento.

Nesse contexto, ele ressaltou dois Projetos Ambientais:

  • O Projeto Ambiental Estratégico Município Verde, que contém dez diretivas, entre as quais a coleta seletiva, considerada um dos principais gargalos no gerenciamento de resíduos;
  • Projeto Ambiental Estratégico Lixo Mínimo, que privilegia o financiamento da coleta seletiva, como a aquisição de caminhão-gaiola em vez de caminhão-compactador, e galpões de coleta seletiva em detrimento de aterros.
Plástico Moderno, Casemiro Tércio Carvalho, coordenador de planejamento ambiental, Notícias - Embalagens vinculam produção e ecologia
Carvalho: proposta é para aumentar a coleta seletiva

“A política estadual de resíduos sólidos responsabiliza toda a cadeia produtiva, até no pós-consumo.”

Entre outras iniciativas da secretaria, Carvalho mencionou a proposta de estabelecer no estado um crédito de reciclagem e a emissão de um selo para produtos sustentáveis.

Em plena sintonia com a conversa do coordenador de planejamento ambiental, Guilherme Castilho De Queiroz, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), falou, na seqüência, sobre a sustentabilidade no setor de embalagens. “O desenvolvimento já deve prever a revalorização no pós-consumo”, ressaltou logo no início.

Ele lembrou quesitos importantes a serem considerados pela indústria com o objetivo de poupar o meio ambiente: minimização do uso de recursos naturais, do consumo de energia e das emissões; empenho na redução de perdas, reaproveitamento e reciclagem; uso racional e preservação da qualidade da água.

Como ferramentas práticas, Queiroz apontou diversas normas técnicas, disponibilizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e destacou como imprescindível a responsabilidade compartilhada, desde a cadeia produtiva até a ponta (o consumidor), de desenvolvimento e consumo sustentável.

Até para adotar condutas futuras, Erick Boano, da consultoria Datamark, traçou um panorama sobre a evolução do mercado brasileiro de embalagens e apontou que o crescimento dos invólucros plásticos atingiu 76% em dez anos, considerando o período 1996/2006.

As projeções para 2011 indicam alta de 20% só para as embalagens plásticas, com estimativas de demanda acima das 1.500 toneladas anuais e negócios da ordem de US$ 5,7 bilhões.

Na visão dele, no mercado dos rígidos, a lata lidera e o PET estabilizou e se concentra no segmento de refrigerantes, no qual detinha 77% em 2006.

Plástico Moderno, Júlio Harada, conceituado pesquisador, diretor e sócio de duas entidades do setor – a Associação Brasileira de Polímeros (ABPol) e a Society of Plastics Engineers (SPE) –, sócio da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) e, ainda, gerente de desenvolvimento em plásticos da Basf, Notícias - Embalagens vinculam produção e ecologia
Harada esclareceu questões sobre a biodegradabilidade

Embalagens Plásticas Ecológicas: Os ecotemas continuaram na vez de Júlio Harada, conceituado pesquisador, diretor e sócio de duas entidades do setor – a Associação Brasileira de Polímeros (ABPol) e a Society of Plastics Engineers (SPE) –, sócio da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) e, ainda, gerente de desenvolvimento em plásticos da Basf.

O assunto, dos mais interessantes – plásticos de fonte renovável e biodegradáveis/compostáveis –, se perdeu um tanto na pressa em transmitir um grande volume de informação em tempo tão curto (40 minutos). A fala acelerada tornou incompreensível boa parte da palestra. Uma pena.

Harada comentou que os bioplásticos, sejam eles apenas produtos derivados de matérias-primas de fontes renováveis, e/ou biodegradáveis, longe de ser uma febre, chegaram para ficar.

“Um biopolímero não necessariamente biodegradável, pode ser reciclado, e um biodegradável não é necessariamente originário de fonte renovável, pode ser obtido de fonte fóssil”, ponderou.

Uma das principais vantagens dos polímeros de fonte renovável é ajudar a balancear o ciclo de carbono, além de contribuir para a economia de recursos fósseis.

Explicou que o plástico biodegradável também pode associar insumos fósseis e renováveis, como alguns produtos desenvolvidos e comercializados pela Basf.

O tema Tendências e Inovações em Embalagens Flexíveis, abordado pela gerente de serviços técnicos e inovações da Alcan, Olinda Miranda, também incluiu o meio ambiente entre os critérios envolvidos.

Além desse, a inovação deverá considerar também aspectos de segurança, formas, efeitos e cores, e acessórios.

De acordo com sua exposição, as embalagens do futuro devem se sustentar em fundamentos que consideram o crescimento da população mais idosa e as dificuldades a elas associadas.

“O aumento da expectativa de vida impacta a linha de produtos e, conseqüentemente, as embalagens, que não estão adequadas aos idosos.”

Os outros fundamentos envolvem quesitos de segurança, de sistemas de informações mais detalhadas, de versatilidade e agilidade, de embalagens unido-se associadas a variedades (para consumo spot, doses fracionadas para experimentação), evolução do design e integração do produto com a embalagem.

Entre os fortes potenciais, ela destacou os formatos em stand up pouches e as pirâmides, estas últimas consideradas muito interessantes sob o ponto de vista ecológico: “Numa mesma área se consegue colocar 67% mais produto”, assegurou.

Reúso de PET em alimentos

Embalagens Plásticas Ecológicas: Ainda cercada de dúvidas, e polêmica por anos, a utilização do PET reciclado em embalagens para contato com alimentos recebeu aprovação recente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Plástico Moderno, Hans Schnell, diretor técnico da OHL Engineering GmbH PET Recycling Technologies, Notícias - Embalagens vinculam produção e ecologia
Schnell: PET de aterro fica isento de impurezas

O processo que permite o retorno das garrafas provenientes dos lixões à condição de uma resina de qualidade e pureza similar à virgem foi o tema abordado pelo alemão Hans Schnell, diretor técnico da OHL Engineering GmbH PET Recycling Technologies, que detém patente da tecnologia na Europa, México, Alemanha e Estados Unidos, além de aprovação da FDA (Food and Drug Administration).

De acordo com informações do especialista, o processo é empregado na Alemanha há mais de cinco anos.

As principais etapas da tecnologia desenvolvida pela OHL consistem na extrusão e na policondensação das fases sólidas. “A extrusão precisa ser de qualidade para eliminar contaminantes voláteis”, ressaltou.

O equipamento conta com doze roscas individuais e pode processar até 1,5 tonelada por hora. “A descontaminação chega a 85%”, assegurou.

Durante a policondensação, são eliminados os voláteis restantes. O PET passa por um reator, de onde sai com reduzido teor de acetaldeído, viscosidade intrínseca elevada (0,82 dl/g) e granulado sem contaminantes, de acordo com as exigências da FDA.

Segundo o especialista, o processo permite atingir viscosidades e níveis de acetaldeído idênticos aos do PET virgem. Apenas a cor fica ligeiramente alterada. “Ao final do processo, o PET reciclado tem o mesmo padrão do PET virgem, ainda que o reciclado tenha sido retirado de um aterro”, afirmou Schnell.

A propósito, os gráficos apresentados por ele se referiam a um produto contaminado de origem brasileira. “O teste foi feito para comprovar a viabilidade de descontaminação total porque havia dúvidas a esse respeito na Anvisa”, justificou.

Como as propriedades e a qualidade do material reciclado seriam idênticas às do polímero grau alimentício (food grade) recém-retirado dos reatores, não haveria quaisquer restrições à substituição total da resina nova pela revalorizada.

A composição usual, no entanto, é de 50% reciclada e 50% virgem.

O tema desenvolvido pela Tetra Pak contemplou as iniciativas voltadas ao desenvolvimento de tecnologias para reciclar embalagens longa vida e o reaproveitamento do material revalorizado (uma mistura de plástico e alumínio) na produção de diversos itens, como placas e telhas.

Um dos focos da apresentação do diretor de meio ambiente da Tetra Pak América Latina, Fernando Von Zuben, foi a tecnologia de plasma, desenvolvida no Brasil, em parceria com a Alcoa, a Klabin e a TSL Ambiental, que permite a separação total do alumínio e do plástico após a retirada das camadas de papel – os três materiais que compõem a embalagem longa vida.

Ao final do processo, o plástico é transformado em parafina e o alumínio, recuperado em forma de lingotes de alta pureza. O papel mantém seu ciclo normal de reciclagem.

A unidade de plasma, localizada em Piracicaba-SP, pode processar até 8 mil t/ano de plástico e alumínio, volume equivalente à reciclagem de 32 mil toneladas de embalagens longa vida.

De acordo com a empresa, a emissão de poluentes é quase zero. A tecnologia envolve eficiência energética próxima de 90% e é feita sem oxigênio e sem queimas.

Injeção e Sopro: O simpósio ainda contou com a abordagem de tecnologias diferenciadas em injeção e sopro na fabricação de Embalagens Plásticas Ecológica.

O gerente de contas da Arburg, Leandro Goulart, apresentou as injetoras com acionamento via acumulador (full accumulator), destinadas à fabricação de embalagens com características de injeção mais exigentes, com movimentos de maior complexidade.

Por essa técnica, todos os eixos de movimentação da máquina são acionados por acumulador, equivalente à independência total de todos os eixos da injetora. “Uma bomba opera só para encher o acumulador, e uma servoválvula para cada eixo da máquina. O acumulador coloca pressão em todos os eixos da máquina.”

O ganho no ciclo pode chegar em 35%.

A rosca com acionamento por acumulador regula os dois lados do pistão da injeção por meio de servoválvula, o que diminui a inércia da rosca e assegura posicionamento preciso.

Na regulagem da injeção, o dispositivo também garante a manutenção por mais tempo da rosca regulada e velocidade de injeção também mais precisa em percurso maior.

Aplicada à injeção de multicomponentes, a técnica oferece movimentos simultâneos de várias unidades de injeção, redução da técnica de bombas múltiplas. A tecnologia também é indicada na produção de embalagens com espessura de paredes finas.

A injeção de parede fina associada ao processo de rotulagem dentro do molde (in mold labeling – IML) foi explanada por outro convidado estrangeiro, Rüdiger Grings, do departamento de tecnologia aplicada da Netstal-Maschinen, na Suíça, que fabrica equipamentos de alta tecnologia no campo da injeção de ciclo rápido.

“É necessária muita pressão, que atinge em torno de 2.000 a 2.500 bar para preencher a cavidade do molde, exige alta capacidade de plastificação”, explicou.

As injetoras da Netstal operam com unidade de injeção totalmente hidráulica e malha fechada. “A máquina controla a velocidade e a injeção.” Na opinião dele, a rotulagem dentro do molde oferece uma produção mais flexível.

Plástico Moderno, Rüdiger Grings, do departamento de tecnologia aplicada da Netstal-Maschinen, Notícias - Embalagens vinculam produção e ecologia
Grings exaltou as vantagens da técnica in mold labeling

Quanto ao sistema IML, a Netstal dispõe dele há mais de vinte anos. “Na Europa, quase tudo emprega o processo; nos Estados Unidos está começando agora; e deve crescer muito no mercado brasileiro”, disse Grings.

Ele falou das vantagens da técnica aplicada à moldagem de dois componentes: “A operação é feita com sistemas independentes de canal quente e janelas de processo maiores.”

Segundo ele, o equipamento dispõe de amplo espaço para o robô do sistema IML e a injeção é feita sem nenhuma vibração nem redução na pressão de contato dos bicos.

Ele também mostrou os benefícios do IML em moldes do tipo stack.

Neste caso, a produção pode ser até quatro vezes maior, com apenas 10% de espaço extra, com maior precisão de injeção.

Além disso, permite melhor controle de processo. O equipamento promove a remoção e o empilhamento das peças em alta velocidade.

O simpósio ainda contou com o conhecimento de Armin Distler, da equipe de embalagem da Demag Plastics Group, na injeção de tampas e fechos.

Ele ressaltou que na Alemanha o mercado dá maior preferência às tampas especiais em detrimento das padronizadas.

A empresa, porém, dispõe de equipamentos capazes de atender aos dois mercados. Distler tratou das exigências de cada processo e dos requisitos técnicos exigidos das máquinas e dos ferramentais.

“O uso de rosca de barreira oferece plastificação 20% maior em relação à rosca padrão e redução do tempo de fusão.” Ele também destacou a economia energética, da ordem de 20%, no mínimo.

A produção de embalagens sopradas de múltiplas camadas foi abordada por Sidnei Conradt, gerente-industrial da Bekum do Brasil, que vê na co-extrusão a melhor tecnologia para o plástico substituir o vidro, o alumínio e outros materiais.

Ele explicou que o processo se baseia na associação das propriedades das resinas empregadas em cada camada da embalagem.

Com três camadas se confere à embalagem proteção à luz ultravioleta e também se reaproveita material reciclado. Com quatro, adiciona-se resistência química e proteção de barreira.

Para prolongamento da vida de prateleira, as embalagens de seis camadas são as mais apropriadas, com camada de barreira ao oxigênio.

O equipamento para produzir esses frascos exige mudanças nas unidades de extrusão e um cabeçote especial responsável pela união das camadas.

Conradt destacou a experiência de mais de trinta anos da empresa no ramo e ressaltou a importância da constância do parison, da precisão na espessura de cada camada, da solda e da refrigeração do molde como requisitos essenciais para se obter embalagens de qualidade.

Como o simpósio primou em abordagens que ressaltaram as medidas de cunho ecológico adotadas pela indústria, o Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos (Plastivida) marcou presença com a sua assessora técnica, Silvia Piedrahita Rolim.

Ela traçou um panorama da situação atual de reciclagem de plásticos no país e falou sobre os benefícios da reciclagem energética, capaz de recuperar a energia contida nos resíduos sólidos urbanos na forma de energia elétrica ou térmica, tendo no material plástico a fonte combustível.

Silvia reforçou as explicações para mostrar as diferenças entre os biopolímeros, os oxidegradáveis e os biodegradáveis.

O principal gargalo da reciclagem mecânica de plásticos no Brasil é a falta de sistemas de coleta seletiva. “A indústria opera com 40% de ociosidade.”

Como mostrou Silvia, espaço existe, e muito, para aumentar a atividade de reciclagem e, como bem colocou Guilherme Castilho De Queiroz, pesquisador do Ital, os produtos amigáveis ao meio ambiente devem seguir a cartilha da responsabilidade compartilhada na cadeia produtiva, do projeto ao pós-consumo.

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