DSM Engineering Plastics avalia investir no Brasil

O potencial de negócios no país continua sendo classificado como elevado, apesar do desempenho tíbio verificado neste ano.

A DSM Engineering Plastics, empresa do grupo internacional de origem holandesa, finaliza os estudos para incluir um projeto de produção local desses materiais no Brasil no seu próximo plano quinquenal, para o período de 2015 a 2020.

O potencial de negócios no país continua sendo classificado como elevado, apesar do desempenho tíbio verificado neste ano.

A unidade de negócios veio ao Brasil com força em 2010, como previsto no plano de 2010 a 2015.

Na ocasião, a companhia global decidiu estabelecer estruturas próprias nas economias de alto crescimento econômico, identificadas pelo acrônimo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Infelizmente, o desempenho atual desse grupo de países é lamentável, muito abaixo do esperado.

Apesar disso, montar uma fábrica local continua sendo mais que uma aposta, pois o potencial de demanda segue elevado, justificado pela presença das mais relevantes montadoras de automóveis no mundo, com produção anual combinada acima de 3 milhões de unidades/ano.

Richard Pieters, presidente da DSM Engineering Plastics Americas - Revista Plástico Moderno, grandes aplicações no setor automotivo e eletrônico
Richard Pieters, presidente da DSM Engineering Plastics Americas

“O Brasil é muito grande, um continente que fala a mesma língua e com tradição multicultural, comprovada pela imigração variada ao longo de sua história, refletindo a boa recepção dada aos estrangeiros”,

Richard Pieters, presidente da DSM Engineering Plastics Americas.

A presença dos maiores fabricantes globais de peças e partes automotivas (os tiers) também é um fator de atração para investimentos dessa empresa, com faturamento anual de 1,2 bilhão de euros.

A DSM operou com a mineração de carvão até a década de 1960, tendo desenvolvido uma complexa cadeia de derivados carboquímicos e petroquímicos, incluindo as commodities plásticas (polietilenos e polipropileno), posteriormente vendidas para a Sabic.

“O grupo decidiu concentrar seu foco em produtos de alto desempenho e alta tecnologia, com ramificações em biotecnologia, alimentação humana e materiais especiais”, explicou.

O grupo DSM participa, por exemplo, da primeira fábrica de etanol de segunda geração (2G) dos Estados Unidos, em associação com a Poet, fornecendo as enzimas necessárias para a digestão do material celulósico.

No Brasil, ela fornece as enzimas para a unidade da GranBio que está iniciando a produção de etanol 2G em Alagoas.

No campo dos plásticos de engenharia, o binômio eficiência e sustentabilidade norteia as operações.

“Nossos produtos permitem construir motores automotivos mais leves e isso resulta em menor consumo de combustível e, portanto, diminui a poluição do ar”, considerou.

Embora não seja fácil definir exatamente o que é um plástico de engenharia – a grosso modo, são resinas plásticas que suportam altas temperaturas e esforços mecânicos.

A DSM avalia que um carro moderno carregue entre 6 kg e 12 kg desses materiais avançados, substituindo metais, principalmente.

Componentes estruturais feitos com plásticos de engenharia conseguem suportar impactos e solicitações mais elevadas que os metais, com peso muito inferior.

Mas a atenção maior é dedicada às aplicações no comportamento do motor (under the hood).

“A temperatura na região do motor é elevada e os materiais precisam apresentar estabilidade dimensional, ou seja, não podem se deformar com o calor”, comentou.

A DSM oferece as poliamidas 6 e 6.6 (linha Akulon) e 4.6 (Stanyl) para esse tipo de aplicação.

Durante a feira Fakuma (realizada em outubro, na Alemanha) a empresa apresentou a série Diablo de poliamidas das famílias Akulon e Stanyl, capazes de suportar temperaturas contínuas de 220ºC e 230ºC, respectivamente.

Para picos de temperatura de curta duração, avaliados em HDT (temperatura de deflexão sob carga), a Stanyl Diablo chega a 267ºC, enquanto a nova Akulon vai a 245ºC.

Isso permite seu uso em sistemas de exaustão de gases, nos quais além da temperatura é preciso resistir à presença de resíduos da queima de hidrocarbonetos.

Pieters comentou que existem mais homologações internacionais das montadoras para uso da poliamida 6 do que para a 6.6.

“A poliamida 6 é mais fácil de injetar e dá um acabamento de qualidade superior às peças”, salientou.

O Brasil usa mais a PA 6.6 (também presente no portfólio da companhia) em projetos automotivos, ele reconhece, bem como a maior resistência natural à temperatura desse material.

“A PA 6, adequadamente aditivada, consegue acompanhar o desempenho da 6.6”, afirmou, apontando coletores de admissão feitos com aquela resina.

Na avaliação da DSM, o mercado automotivo brasileiro está sob forte estresse financeiro.

“Não queremos brigar por preço de venda, mas oferecer soluções completas com melhor relação de custo/benefício”, explicou.

O fato de contar com várias homologações nos países de origem das montadoras aqui instaladas é um trunfo importante para a companhia.

A DSM também oferece para aplicações automotivas os elastômeros termoplásticos (TPE) da linha Arnitel, com várias possiblidades de emprego em mangueiras, tubos, coifas e também em peças para contato com os ocupantes dos veículos, com efeito soft touch.

Outro ramo de atuação da DSM Engineering Plastics está nos poliésteres técnicos, como os tereftalatos de etileno (PET) e de butileno (PBT), além de suas blendas, com versões reforçadas e sem reforço, algumas delas com efeito natural antichama.

“São materiais de alto desempenho técnico, produzidos sobre especificações rígidas da indústria eletroeletrônica e automotiva, em especial”, afirmou.

A eliminação dos retardantes de chama é apontada como fator de sustentabilidade, por facilitar a reciclagem e a disposição final dos transformados.

A miniaturização dos eletroeletrônicos também representa um campo extenso para aplicações dos plásticos de engenharia.

“A redução do tamanho dos equipamentos é acompanhada pelo aquecimento interno dos componentes e estes precisam suportar essa condição sem apresentar deformação, porque os contatos são desenhados com altíssima precisão”, comentou Pieters.

Uma alternativa com apelo sustentável na área dos materiais avançados é a linha Ecopaxx, fabricada com base em óleos vegetais de fonte renovável, como o de mamona (presente em cerca de 70% dos itens dessa família) e de canola.

São poliamidas 6.10, 6.11 e 6.12 fabricadas na Europa para aplicações especiais.

“Estamos apresentando essas resinas a clientes brasileiros que exijam desempenho técnico elevado ou procurem materiais com melhor pegada ambiental, por exemplos, fabricantes de peças e partes de peças de mobiliário”, comentou.

Filmes avançados – A poliamida 6 também encontra aplicação na produção de filmes especiais para embalagem de alimentos.

As carnes exportadas pelo Brasil, por exemplo, precisam ser acondicionadas em filmes capazes de suportar o congelamento e a manipulação sem que apareçam trincas ou rasgos que permitam a contaminação do produto.

Pieters informou que a PA 6 é a base para a elaboração de diversos grades que respondem à demanda por resinas para diferentes aplicações alimentares e também aos métodos de produção dos filmes (extrusão, sopro, casting), em mono ou multicamadas.

Além da resistência mecânica, a poliamida (fabricada na Europa e na Ásia, com anúncio de uma unidade a ser construída nos Estados Unidos até 2016) atua como barreira ao oxigênio em filmes multicamadas com outros materiais.

“Podemos oferecer uma tecnologia de impermeabilização controlada, que permite a oxidação do produto embalado, de forma a ajudar os consumidores a identificar com facilidade quando um produto está estragado, por exemplo, nos pescados, de rápida deterioração”, explicou.

Compósitos – As resinas de engenharia da DSM são fabricadas em plantas globais na Ásia, Europa e Estados Unidos.

Aliás, a sede da empresa de plásticos de engenharia da companhia está localizada em Singapura, próximo dos maiores e mais promissores mercados de consumo desses materiais.

Grande parte das aplicações exige a produção de compósitos, com a agregação de cargas e fibras de reforço correta e convenientemente especificadas.

“Atualmente, importamos as poliamidas 6 e 6.6 e mantemos um contrato com a Petropol para fabricação de parte da linha de compósitos no Brasil, porém alguns itens do portfólio são trazidos para cá prontos para uso”, informou.

Na sua avaliação, o Brasil possui cargas minerais e fibra de vidro com fornecimento local, com boa qualidade e preços.

Outros materiais precisam ser importados, como as fibras de carbono.

“Temos nossas fibras de polietileno de ultra-alto peso molecular (UHWPE, linha Dyneema), mais resistentes que a aramida, por exemplo”, comentou.

A formulação dos compósitos deve ser feita a partir das exigências e necessidades dos clientes, buscando oferecer a solução mais adequada para cada caso.

“Temos uma visão global das aplicações e proporcionamos suporte técnico aos clientes com base na experiência acumulada em vários lugares do mundo”, salientou.

O Brasil ainda é mais consumidor do que gerador de tecnologia, pois possui poucas plataformas de desenvolvimento local de produtos, tanto em eletroeletrônicos (dominados pela Ásia), quanto no setor automotivo.

“A tendência atual é de usar motores turbinados, de alta eficiência e potência, e a Europa domina esse conhecimento”, comentou.

Algumas aplicações das poliamidas sofrem com a aplicação de impostos de importação elevados.

“Temos tecnologia pra a fabricação de tubulações de alta resistência e grandes diâmetros, mas fica muito caro vender aqui com 14% de imposto de importação na resina virgem”, avaliou.

A unidade da DSM pretende apresentar ao conselho mundial do grupo um plano de investimentos que contemple a ampliação da unidade que ocupa em Mauá-SP, ao lado da parceira Petropol, para abrigar seus estoques e iniciar produção própria de compostos. Isso exigirá a instalação de extrusoras, acessórios e de um laboratório adequado.

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