Dirigentes do sul confiam em crescimento sustentado

Dois mil e onze será um ano de crescimento nos dois principais polos de transformação de termoplásticos do sul do país: Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Essa é a perspectiva apontada no âmbito do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS) e do Sindicato da Indústria de Material Plástico de Santa Catarina (Simpesc).

No Rio Grande do Sul, o presidente do Sinplast-RS, Alfredo Schmitt, comemora um crescimento de 9,2%.

Ele confia num aumento dos negócios com transformação de plásticos de 5% em 2011 sobre o porcentual de 2010, ou seja, crescimento menor sobre base forte.

De acordo com a pesquisa encomendada pelo Sinplast-RS à consultoria Maxiquim, o crescimento do consumo agrícola foi uma mola propulsora dos negócios no Rio Grande do Sul, pois impulsionou um enorme consumo de embalagens flexíveis de alimentos.

A outra indústria responsável pelo forte crescimento foi a da construção civil, por sinal a que mais cresceu no país e também respondeu por uma produção elevada de embalagens para tintas, argamassa, material elétrico, condutos, tubulações de PVC, entre outros.

Apesar do crescimento, os transformadores gaúchos diminuíram as encomendas de resina da Braskem em Triunfo, em 18%. Na contrapartida, importaram 34% mais resinas.

O consumo de resinas recicladas subiu 4%. Embora o estado esteja crescendo, o polo exporta muito polietileno; o polipropileno chega de São Paulo. Tem ainda a importação via Santa Catarina, onde muitas matérias-primas foram nacionalizadas e vendidas como produto interestadual.

Plástico Moderno, Alfredo Schmitt, Presidente do Sinplast-RS, Notícias - Dirigentes do sul confiam em crescimento sustentado
Previsão de Schmitt (ao centro) aponta expansão dos negócios

Segundo Schmitt, essa ainda é uma tendência para 2011, embora o objetivo do Sinplast-RS seja o de manter mais resina produzida no Rio Grande do Sul dentro do estado.

Como complementou o presidente, a exportação de polietileno da Braskem ocorre principalmente para a Argentina, o que obriga os transformadores a buscar alternativas fora do estado e do país.

“A matéria-prima do polo perdeu competitividade no mercado do Rio Grande do Sul também por uma motivação fiscal, porque o governo não paga os chamados créditos tributários.

Conforme o presidente do Sinplast-RS, a recuperação desses créditos é complicada. “Eu sou um exportador e tenho um crédito, mas não posso comprar um carro com créditos”, exemplificou Schmitt.

Outra questão tributária que incomoda os transformadores gaúchos é a diferença do ICMS cobrada dos transformadores. Eles compravam as resinas pagando 17% do ICMS estadual, enquanto Santa Catarina paga 12%.

Nos últimos anos, por conta de acordos provisórios com o governo, eles conseguiram diferimento para alguns segmentos como filmes em geral e embalagens flexíveis.

Após 30 reuniões, o Sinplast-RS conseguiu no final do ano o diferimento geral para os demais segmentos da cadeia de transformação até o final de 2011, englobando embalagens flexíveis, utilidades domésticas e outros produtos.

Por enquanto, o diferimento cria isonomia entre o Rio Grande do Sul e os estados que aplicam 12% de ICMS sobre as resinas termoplásticas. Mas é uma situação precária e provisória. No Rio Grande do Sul, o executivo foi assumido em primeiro de janeiro pelo Partido dos Trabalhadores.

Antes estava com o PSDB. São diretrizes de política tributária divergentes em alguns pontos e o diferimento pode ter seus dias contados.

Outro tema importante de atuação do Sinplast-RS é o aspecto ambiental. Para tanto, o sindicato criou a coordenação de reciclagem energética a cargo do diretor Luiz Hartmann. Em 2011, por conta do novo organismo, será criado o programa Energiplast de reciclagem energética.

No ano passado, um primeiro fórum preparatório do projeto reuniu 200 participantes entre técnicos e empresários interessados em debater o assunto.

Hartmann explica que o programa da reciclagem energética objetiva a implantação de usinas termelétricas movidas por resíduos sólidos urbanos em que o plástico é o principal combustível.

De concreto, existe uma proposta encaminhada para o Ministério da Indústria e Comércio solicitando a criação do marco regulatório capaz de atrair investidores por intermédio de incentivos fiscais.

Hartmann salienta que foram realizados diversos estudos com base nas experiências da Europa e do Japão.

O diretor confia no avanço do debate sobre a reciclagem energética diante da adesão de entidades como a Associação Brasileira da Indústria do Plástico, o Instituto Nacional do Plástico, as prefeituras de Porto Alegre e de São Paulo, mais o grupo Braskem.

“Queremos tirar as usinas do papel independentemente da cidade ou do estado. As outras começarão a pipocar com a experiência acumulada”, propõe Hartmann.

Para ele, o objetivo da reciclagem energética não é acabar com a reciclagem mecânica ou química, mas tem o sentido de complementar, usando materiais impróprios para reciclagem ou aqueles que já foram reciclados e não servem mais à recuperação.

“São aproveitados 20% dos plásticos descartados. Sobram 80% para queimar como fonte energética de energia. É o que acaba no aterro”, justifica o empresário.

Outro programa a ser tocado em 2011, em continuidade, é o Sustenplast, projeto que apregoa o uso consciente e sustentável do plástico. O seu coordenador, Júlio Roedel, lembra que o crescimento do uso do plástico per capita vem superando o do PIB de todos os países em escala global.

Como o descarte é um problema endêmico, principalmente nos centros urbanos menos desenvolvidos, o Sustenplast tem como objetivo desmanchar a imagem negativa construída contra o plástico.

“Como o plástico pode ser nocivo ao meio ambiente se é um material aprovado para embalagens de medicamentos e de alimentos. São produtos atóxicos e inertes”, acentua Roedel.

No seu entendimento, é função do Sustenplast ajudar a melhorar as condições de operação dos centros de triagem, ensinando os catadores a separar os plásticos por resina.

De acordo com o coordenador, experiência neste aspecto foi muito bem-sucedida na cidade de Dois Irmãos, próxima a Porto Alegre, onde a renda média de cada catador saltou de 800 reais para mil e 100 reais.

“Se o descarte for bem feito, o sindicato se compromete a criar mão de obra especializada para reciclar”, assegura Roedel.

Base forte – A estimativa do Sindicato da Indústria do Material Plástico de Santa Catarina, Simpesc, é de 15% de crescimento ou próximo disto, em 2010. É sobre essa base que ocorrerá o aumento dos negócios em 2011.

O presidente do Simpesc, Albano Schmidt, afirma que certamente os segmentos mais dinâmicos foram os que atendem a indústrias de construção civil e de bens duráveis, como a automobilística e a de eletroeletrônicos, embora o crescimento dos setores de embalagens e produtos descartáveis também tenha sido forte.

Ele acredita que o ritmo de 2011 será condizente com o verificado na média dos últimos cinco anos, algo entre 8% e 10%. Em termos de faturamento, os transformadores do segundo polo transformador de plásticos do país – aproximadamente um milhão de toneladas de resinas – deverão atingir R$ 8,5 bilhões, com mais de 31 mil empregos diretos no setor.

“Esperamos alguma desaceleração, mas nada dramático, e que seja mais ou menos uniforme em relação a todos os segmentos”, diz Schmidt. “Devemos superar a barreira de um milhão de toneladas processadas. Será a segunda vez que ultrapassamos essa marca”, prevê.

O presidente do Simpesc lembra que Santa Catarina tem tradição nos processos de extrusão de tubos, de filmes e chapas para termoformagem no sul do estado.

Ele destaca ainda o parque de injeção catarinense, sobretudo o do norte do estado, na região de Joinville, que se desenvolve em função das peças técnicas encomendadas principalmente pela movimentada indústria de linha branca da região, indústrias de compressores, motores e autopeças e peças técnicas direcionadas para a construção civil.

“A maior parte das resinas que consumimos aqui no norte são transformadas pelo processo de injeção”, garante Schmidt.

Leia Mais:  

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios