Notícias – Cresce consumo de chapas acrílicas importadas no país

Reconhecidas pela qualidade e por suas concepções criativas, as chapas acrílicas nacionais atravessam as fronteiras do mercado interno em direção a mercados exigentes e de alto luxo. Na Europa, Estados Unidos e Oriente Médio, esses materiais encontram aceitação garantida em diversas aplicações voltadas à decoração, moda, arquitetura, construção civil, comunicação visual, iluminação e mobiliário. Mas, enquanto os acrílicos nacionais são vistos em peças e composições fora do país, uma constatação vem incomodando entidades como o Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico (Indac), que alerta para o rápido avanço dos importados no mercado brasileiro.

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Cia. Brasileira de Acrílico tem capacidade para 700 t/mês

“A participação de importados, seja em chapas acrílicas ou monômeros de metacrilato de metila, sobre os resultados do nosso setor mais que dobrou no país no último ano”, informou João Orlando Vian, consultor do Indac.

O setor apresentou crescimento de 38% em 2010 em relação a 2009, que, por sua vez, registrou queda de 20% em relação a 2008. Boa parte desse crescimento, porém, se deve à participação dos importados.

Em 2009, as importações somaram 450 toneladas, mas, em 2010, esse número aumentou para 1.100 toneladas, volume considerado muito alto perante o consumo registrado no mercado interno de 6.800 toneladas e de 9.500 toneladas, respectivamente, em 2009 e 2010.
Uma das explicações para o ataque dos importados acrílicos é constatada nas guias de importação. Ao analisar esses documentos oficiais, João Orlando verificou em grande parte dos casos registros de chapas importadas a custos inferiores aos dos monômeros de metacrilato de metila, que contam com produção local e participam das exportações do setor.

“Verificamos que grande parte das chapas acrílicas foi importada com valores correspondentes à metade do preço dos monômeros e passamos a solicitar reforço na fiscalização da Receita Federal, pois as importações estão sendo consideradas desleais e poderão corroer em pouco tempo todos os investimentos que estão sendo realizados no país pelos produtores locais em modernizações e aumentos de capacidade para atender o mercado interno e à demanda das exportações”, informou João Orlando.

Não fossem essas preocupações, os dez anos de atividades do Indac comemorados no final de 2010 poderiam ser mais festivos, conforme observado durante encontro promovido pelo Instituto para a imprensa em fevereiro último, e que incluiu visita às instalações fabris da Cia. Brasileira de Acrílico (CBCril), em Cajamar-SP, com a finalidade de apresentar aos convidados como são fabricadas as chapas fundidas, também conhecidas como chapas cast, e que vêm transformando a produção nacional em referência na produção por esse tipo de processo, realizado com cuidados artesanais.

Com capacidade instalada para produzir 700 toneladas/mês, a Cia. Brasileira de Acrílico é considerada a segunda maior fabricante de chapas acrílicas do país e também especialista na produção de chapas fundidas com efeitos especiais, como bicolor, perolizado e marmorizado – imitando com alto grau de perfeição o mármore carrara –, como as fornecidas para decorar vários ambientes do hotel da Armani, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, um dos mais requintados do mundo, e também em coberturas de locais de grande acesso de público, como estações de trem em Roma, na Itália, contando com grandes estruturas totalmente confeccionadas com chapas cast fornecidas pela empresa brasileira.

Outra inovação recente em chapas cast foi desenvolvida pelo fabricante para compor painéis e divisórias com apelo ecológico. Produzidas com elementos da natureza em seu interior, essas chapas estão sendo requisitadas por clientes na Alemanha e nos Estados Unidos, para serem instaladas em vários ambientes, como restaurantes e escritórios.

Embora a demanda por chapas acrílicas especiais cresça entre 30% e 40% ao ano, os volumes fabricados no país ainda são considerados baixos, não ultrapassando 20 toneladas/mês. Isso, porém, tem servido de estímulo para que a empresa se mobilize para prospectar maior número de clientes no Brasil e no exterior, e continue a apostar na expansão da demanda interna e externa por essas chapas especiais, que agregam valor aos acrílicos, chegando a ser comercializadas a preços 50% superiores aos das chapas cast convencionais, do tipo cristal.

Fundição por autoclave – A produção de chapas acrílicas pelo processo de fundição segue algumas etapas até chegar ao envase e/ou preenchimento de placas de vidro com o pré-polímero de metacrilato de metila, também conhecido como xarope acrílico, até chegar às autoclaves, onde, sob temperatura de 90ºC, irá ocorrer a polimerização. As placas, na realidade compostas por duas lâminas, preparadas para receber o monômero, são de vidro temperado e atuam como moldes. Importadas, essas lâminas contam com poucas empresas dedicadas à sua produção no mundo, como a Saint-Gobain, na França, e a Pilkington, na Inglaterra. Para impedir que o monômero escorra ao ser envasado sob as lâminas, cordões de PVC, com função de vedação, são colocados entre as placas, contornando as extremidades do vidro. Na sequência do processo, pinças também são colocadas nas lâminas de vidro para assegurar a sua junção e só depois é iniciada a operação de envase. Preenchidas com o pré-polímero, as placas de vidro seguirão, então, para a autoclave, onde permanecerão entre 6 e 7 horas, à temperatura de 90ºC e sob pressão de 5 kgf/cm², podendo lá ficar por até 20 horas, caso estejam sendo produzidas chapas mais grossas, até que se complete a polimerização. Cada autoclave existente na CBCril pode receber até 78 composições de lâminas contendo o pré-polímero, resultando na produção de igual número de chapas acrílicas com dimensões em geral padronizadas de 2 m x 2 m, mas podendo chegar a 2 m x 3 m.

Gama de aplicações – Cerca de mil empresas, em sua maior parte de pequeno e médio porte, participam da cadeia do acrílico no país. O maior usuário – 70% – corresponde ao mercado de comunicação visual, no qual a presença dos acrílicos é destacada em fachadas, expositores, componentes e peças, que evidenciam e dão personalidade a marcas de produtos e às próprias empresas.

O uso do acrílico também é relevante na moda, em criações de acessórios e calçados, assinados por estilistas e por grandes grifes, e ainda, em utensílios para uso decorativo e funcional em residências e estabelecimentos comerciais.
O setor moveleiro é um grande consumidor, responsável pelo uso de mil toneladas de chapas acrílicas ao ano, transformadas em peças para decoração de residências, escritórios e instalações comerciais.

Desde os anos 70, as luminárias em acrílico participam de projetos modernos e inovadores de iluminação em virtude do seu alto grau de transparência (92%) e das facilidades de modelagem.
A translucidez, a leveza e a resistência ao impacto e às intempéries são outros fortes atrativos para a escolha de acrílicos para emprego na arquitetura e na construção civil, em coberturas e domos para os mais variados ambientes, bancadas, pias, boxes e banheiras.

A indústria náutica também é parceira, e utiliza acrílicos na produção de embarcações, pela sua comprovada resistência à agressividade da água do mar. Os acrílicos ainda encontram aplicações em para-brisas de aviões por sua elevada qualidade óptica.

No último Salão do Automóvel de São Paulo, realizado no pavilhão do Anhembi, em novembro de 2010, o público que lá compareceu também se encantou com um protótipo de automóvel, totalmente fabricado com acrílico. Concebido com base no Nissan 370Z, foi criado, na Europa, como a principal peça publicitária para um comercial da linha de lubrificantes Helix, da Shell, demonstrando por sua transparência todo o percurso seguido pelo óleo de motor ao ser colocado nos veículos. Essas e tantas outras aplicações fazem dos acrílicos nacionais uma opção bastante interessante para vários setores industriais, mas também exigem das lideranças empresariais certos cuidados para preservar mercados construídos com dedicação há vários anos.

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