Notícias – Chinês compra fábrica local da Owens Corning

Principal importadora de commodities brasileiras, a China se tornou desde maio deste ano uma grande competidora direta do setor de fibras de vidro no Brasil, ao adquirir a fábrica da norte-americana Owens Corning, em Capivari, no interior paulista. A primeira pergunta que vem à tona perante o investimento chinês se vincula a uma possível mudança na política de preços. Mas a hipótese foi afastada pelos atuais dirigentes da empresa que, primeiro, pretendem se ambientar à demanda local e estudar possíveis diversificações na oferta com produtos mais alinhados com aplicações automotivas, para construção civil, energia eólica e para eletrônicos.

Vitalizar a oferta e a diversidade de produtos é, portanto, o objetivo inicial desse empreendimento fabril, adquirido pela chinesa Chongqing Polycomp International Corporation (Cpic), pelo valor de US$ 60 milhões. Destacada no rol dos maiores fabricantes de fibras de vidro do mundo, com patrimônio de US$ 1,14 bilhão, a Cpic representa formalmente uma joint venture, formada pelo grupo chinês Yuntianhua, pelo árabe Amiantit e pelo fundo Carlyle.

Instalada em Capivari-SP, desde 1992, em área de 200 mil m², dos quais 24 mil m² construídos, a fábrica já pertenceu à Cia. Vidraria Santa Marina – Divisão Vetrotex, e esteve sob o comando do grupo francês Saint-Gobain, até 2008, quando viria a ser adquirida pela Owens Corning. Passados três anos, porém, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça do Brasil, vetou a transação de compra da fábrica pela Owens Corning, em fevereiro de 2011, mas autorizou, por outro lado, a venda da unidade para a chinesa Cpic, em maio último.

Em meio a mais de uma centena de convidados presentes à solenidade de comemoração da aquisição pelos chineses e demais grupos de investidores, realizada no dia 13 de julho, autoridades e empresários não pouparam comentários positivos às alianças e aos negócios firmados entre as duas maiores economias em desenvolvimento do mundo.

“As relações entre China e Brasil já ultrapassaram o plano bilateral e assumiram importância estratégica”, afirmou em português fluente o ministro Zhu Qingqiao, da Embaixada da República Popular da China na República Federativa do Brasil.

A presença da Cpic no Brasil, que ilustra a primeira aquisição global de uma fábrica de fibras de vidro no exterior, integrando plano de expansão da internacionalização das empresas chinesas, “é o símbolo da evolução do intercâmbio entre China e Brasil e mais um resultado de nossa aproximação iniciada entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Hu Jintao, quando as nossas relações comerciais passaram a evoluir muito rapidamente, baseadas na confiança recíproca, e culminaram com a elaboração entre os líderes dos dois países de um plano de ação conjunta para execução no quinquênio entre 2010 e 2014, envolvendo cooperações, compras de aviões executivos da Embraer, compras de alimentos, além de grandes projetos nos setores econômico, financeiro, comercial, ciência e tecnologia e turismo, entre outros, que mais tarde receberam o referendo da presidente Dilma Rousseff”, afirmou o ministro chinês.

Ao pronunciar-se sobre a aquisição, o vice-gerente geral da Cpic Brasil Fibras de Vidro Ltda. (nome que passou a ter após as negociações), Zhou Bin, enalteceu a crescente demanda por fibras de vidro para materiais compósitos, cujo crescimento é duas vezes superior ao do PIB (Produto Interno Bruto), graças às compras realizadas pelos setores automotivo, de infraestrutura e de mercados em plena expansão, como o de equipamentos para a produção de energia eólica, setor no qual a China se destaca por ser o maior produtor mundial desses equipamentos.

“Conseguimos abrir novos mercados com muito esforço e dedicação e somos, agora, protagonistas de um novo momento ao apresentar a Cpic Brasil Fibras de Vidro Ltda. Estamos certos de que continuaremos a escrever uma história de sucesso porque para nós não existem barreiras e sim disposição para evoluir e para crescer com as mudanças buscando renovações contínuas nos negócios”, afirmou Zhou Bin.

Também convidado a manifestar-se, Marcio A. Sandri, vice-presidente global glass reinforcements da Owens Corning, afirmou que a concorrência tornará a empresa mais criativa. A unidade de produção de fibras de vidro de Rio Claro continua sob o comando da Owens Corning. Disse ainda que as maiores aplicações por fibras de vidro continuarão a surgir em virtude do crescimento da demanda por equipamentos para energias renováveis, automóveis mais leves e construções mais duráveis, áreas nas quais os compósitos ainda têm muito a contribuir. “O crescimento no mercado de compósitos no Brasil continuará ocorrendo nos próximos cinco a dez anos a taxas duas vezes superiores às taxas globais”, considerou Sandri.

Com três bases de manufatura, onze linhas em operação, e produção de 540 mil toneladas por ano, a Cpic ingressou no ramo de fibras de vidro na China desde a década de 70, sendo a primeira a produzir fibras de vidro do tipo E pelo processo de fusão direta, no ano de 1986, ocupando, atualmente, a liderança na produção de vidros E e ECR, considerados estes últimos de alta performance para aplicações em tubulações, tanques para acondicionar ácidos e materiais para isolamento.

Os produtos fabricados pela Cpic na China também incluem fios têxteis e grande variedade de reforços, como rovings, mantas (emulsões/pós), tecidos, fios picados e fibras longas para aplicações em termoplásticos, entre outros.

Produzindo 40 mil toneladas de fibras de vidro do tipo ECR na China, a empresa atende às exigências mais rigorosas quanto à resistência química e para trabalhos em ambientes mais agressivos. A empresa também se destaca na produção de fibras de vidro livres de bório e de flúor, como o ECT e o TM, este último apresentando maior resistência à corrosão química e capaz de resistir a altas temperaturas, e cuja utilização ocorre em aplicações de pás eólicas e perfis pultrudados.

Com a linha de fibras de vidro TM, a empresa atende também os setores que requerem alta resistência mecânica e alto módulo de elasticidade para as peças, tendo, ainda, cumprido grande papel, ao liderar projeto de desenvolvimento de fios para uso em eletrônicos e criar inovações muito importantes para aplicações em Ipads e celulares, nos quais lidera os fornecimentos mundiais para o beneficiamento de sílicas.

No Brasil, a Cpic Brasil detém as certificações ISO 9002, ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001. Nas exportações, a empresa já se consagrou em mercados dos Estados Unidos, Europa, Ásia e países da América Latina, atendendo os vários segmentos de compósitos, como construção civil, bens de consumo, esporte e lazer, setor agrícola, eletroeletrônicos, infraestrutura, indústria química, entre outros.

A relevância das fibras de vidro em sua participação em compósitos é observada em vários setores. Os capôs de carrocerias de automóveis se tornam mais leves e permitem moldagens mais versáteis em formas aerodinâmicas. Os feixes de fibras ópticas reforçados com revestimentos em fibras de vidro mantêm a integridade do material. Os laminados utilizados em circuitos impressos também alcançam alto desempenho graças às propriedades dielétricas e mecânicas das composições com fibras de vidro. Os perfis para distribuição de energia fabricados com compósitos de resinas com fibras de vidro garantem segurança e integridade às instalações. As pás empregadas em conversores de energia eólica aliam baixo peso e alta resistência e flexibilidade. Em instalações sanitárias, os compósitos reforçados com fibras de vidro são altamente resistentes e leves e permitem moldagens mais anatômicas.

Nas obras de infraestrutura, as tubulações em compósitos com fibras de vidro aliam resistência à corrosão, baixo peso e superior resistência à tração, comparada à do aço. Os perfis pultrudados com compósitos de plásticos reforçados com fibras de vidro são especificados para construções de pontes pela rapidez das montagens e alta durabilidade, mesmo sob condições críticas de uso em ambientes marítimos e muito sujeitos à corrosão.

O grande parceiro chinês – Maior destino das exportações brasileiras desde 2009, quando passou a absorver 15,2% do total exportado pelo Brasil, a China também é o segundo país para as importações brasileiras, que crescem em ritmo acelerado, somando mais de US$ 25 bilhões em 2010. Acredita-se, porém, com base em indicadores, que a China passe também a ser a principal fonte das importações brasileiras já em 2011 em virtude do crescimento acelerado nas transações e dos investimentos que estão sendo alocados no Brasil em vários setores pelos chineses nos últimos três anos, principalmente.

Segundo estudos do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), as importações realizadas pelo Brasil de produtos de alta tecnologia da China aumentaram significativamente na última década, alcançando cerca de US$ 10 bilhões em 2010. Em 2009, as importações de produtos chineses envolveram, principalmente, máquinas e aparelhos elétricos (33%), caldeiras e máquinas mecânicas (20%), químicos orgânicos (7%), entre outros. Por outro lado, as exportações do Brasil para a China em 2010 se concentraram em minérios (40%), oleaginosas (23%), combustíveis minerais (13%), embora em anos anteriores também tenham sido observados significativos volumes exportados para a China nos setores de soja, laminados, madeiras, celulose, papéis, sucos de laranja etc.

A China ocupa atualmente a vigésima posição entre os países investidores no Brasil, mas sua participação nos negócios cresce muito rapidamente. De acordo com o fluxo de investimento direto estrangeiro (IDE) da China no Brasil, em 2008, os investimentos chineses aportaram no comércio atacadista de defensivos agrícolas, adubos, fertilizantes e corretivos de solo (37%), e também na produção de semiacabados de aço (14,1%) e na fabricação de malte e cervejas (13,7%).

Em 2009, os investimentos se diversificaram e foram canalizados para bancos múltiplos (73,2%), comércio atacadista de defensivos agrícolas, adubos, fertilizantes e corretivos de solo (4%) e serviços (4%). Em 2010, o IDE chinês no Brasil foi estimado entre US$ 13 bilhões e US$ 17 bilhões, mas esses números ainda não estão fechados, podendo incorrer na superação desses valores.

As aquisições chinesas de empresas que operam no Brasil também se acentuaram nos últimos dois anos. Entre 2009 e 2010, o número de operações saltou e em valores passou de US$ 0,4 bilhão (aquisição no setor de mineração e siderurgia), para US$ 14,9 bilhões, em 2010.

No ano passado, tais aquisições se concretizaram nos setores de petróleo (US$ 10,17 bilhões), financeiro (US$ 1,8 bilhão), mineração (US$ 1,22 bilhão) e energia elétrica (US$ 1,72 bilhão), que constituem alguns dos setores preferenciais dos chineses.

 

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