Compósitos

Notícias: Chega ao mercado o primeiro copo descartável compostável

Maria Aparecida de Sino Reto
5 de maio de 2014
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    Situada no sul de Santa Catarina, estado que concentra a fabricação de embalagens descartáveis, a Minaplast anuncia o lançamento do primeiro copo descartável compostável de fabricação brasileira. Denominado Green by Minaplast, o produto tem por matéria-prima o bioplástico ácido polilático (PLA), derivado de plantas. Em usina, o copo se decompõe totalmente em um prazo de 90 a 120 dias.

    Plástico Moderno, Em ambiente de usina, o produto se decompõe no prazo de 90 a 120 dias

    Em ambiente de usina, o produto se decompõe no prazo de 90 a 120 dias

    A intenção da empresa é produzir 10 milhões de copos de 200 ml e 300 ml no primeiro semestre deste ano, com distribuição gradativa, com início previsto para o final do primeiro trimestre, pelas grandes redes varejistas do sudeste do Brasil. A matéria-prima empregada no Green é da marca Ingeo, importada dos Estados Unidos, que dispõe de todas as certificações internacionais de compostabilidade exigidas também por Europa e Japão. Como o ácido polilático não tem resistência ao calor, os copos compostáveis só poderão ser utilizados para servir bebidas frias ou geladas.

    Mesmo com um custo até 40% acima do valor das matérias-primas empregadas nos copos descartáveis convencionais, a Minaplast aposta no produto pelo seu valor agregado e pela inovação. A empresa chegou a efetuar testes com o bioplástico em 2008, mas desistiu na época, por conta do seu alto custo – na ocasião, o dobro do valor da matéria-prima tradicional. Decidiu retomar os testes em 2012, com as adaptações necessárias nos equipamentos para a nova produção, pois não há no Brasil uma máquina específica para a produção deste tipo de copo. Esse know-how constitui um dos diferenciais competitivos da empresa, que começou sua trajetória como fabricante de máquinas.

    O problema é que o país ainda carece de estrutura para uma destinação adequada da crescente demanda por produtos biodegradáveis e em acordo com uma política sustentável. O meio ideal para a sua decomposição é uma central de compostagem. Mas menos de 5% dos municípios brasileiros dispõem de sistemas de compostagem.

    Diretor da Minaplast, Hemerson De Villa decidiu investir na inovação, apostando no avanço das coletas seletivas e na destinação adequada para os resíduos orgânicos domésticos – aos quais os novos copos de PLA podem ser misturados e encaminhados para compostagem. “Quando armazenado em sacolas compostáveis, o Green pode ser recolhido e tratado junto com os resíduos alimentícios, facilitando e incentivando a separação do lixo doméstico.”

    O diretor reconhece que pela falta de coleta seletiva residencial especializada, boa parte do novo produto será descartada ainda por um tempo em aterros. “Até que todo o setor e o poder público apresentem as soluções necessárias e esperadas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos.”

    Ele ressalta, porém, que mesmo nessas condições desfavoráveis o Green apresenta vantagens sustentáveis: emite 60% menos gases causadores do efeito estufa do que os plásticos tradicionais, consome 50% menos energia não-renovável na sua produção e não utiliza matéria-prima de origem fóssil.

    A empresa catarinense tem 37 anos de atuação no mercado de descartáveis e além de copos produz pratos, potes e tampas, distribuídos em todos os estados brasileiros. A empresa, que faturou R$ 73 milhões em 2013, transforma anualmente da ordem de 8 mil toneladas de poliestireno.



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