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Notícias: Braskem pede novo índice para nafta

Marcelo Fairbanks
27 de novembro de 2015
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    Fadigas também afirmou que existe outro contrato, este com validade até 2018, para remunerar os fluxos de retorno dos crackers para as refinarias da estatal. Isso abrange correntes gasosas e gasolina. “Esse contrato segue parâmetros internacionais, também”, apontou.

    Segundo o principal executivo da companhia, os seus clientes também se beneficiam da existência de um contrato de suprimento de nafta de longo prazo. “Os clientes químicos da Braskem recebem seus insumos por meio de dutos ligados aos crackers e têm preços definidos igualmente com base no mercado internacional, isso é bom para a cadeia, garantindo previsibilidade e competitividade”, comentou.

    Desde março de 2014, porém, com o término do contrato, têm sido firmados aditivos que estabelecem preços provisórios (de 100% do índice ARA) até a celebração de novo acordo, com o acerto das diferenças verificadas no período, para mais ou para menos.

    A falta de um contrato de longo prazo gera uma incerteza muito grande quanto à manutenção da competitividade da petroquímica nacional, afetando novos investimentos. “Temos um memorando de entendimento com a Styrolution para construirmos uma unidade de ABS na Bahia, da qual teríamos 30% de participação, mas esse projeto só sairá do papel se tivermos um bom contrato para a nafta”, exemplificou. “O contrato de suprimento de propeno para a unidade de acrílicos da Basf, em Camaçari-BA, foi fechado antes de março de 2014, se ficasse para depois, nós não poderíamos firmá-lo.”

    Outra prioridade teve melhor desfecho. A companhia, ao lado de outros consumidores eletrointensivos, já acertou a renovação do contrato de fornecimento de eletricidade com a Chesf até 2037, com valor entre R$ 125 e R$ 130 por MWh. “O acordo está apalavrado, mas falta a formalização”, explicou Fadigas. O contrato que venceu neste ano previa remuneração entre R$ 80 e R$ 130, porém a estatal queria receber valores próximos aos do mercado livre de eletricidade, que já ficaram acima de R$ 500/MWh, cotação impagável para as indústrias que se abastecem dessa fonte (e que contribuíram no passado para a construção desse parque gerador). O acordo, segundo o executivo, prevê que o caixa adicional será usado para formar um fundo para ampliar a capacidade de geração elétrica da região.

    Resultados recentes – Com a recuperação das margens de lucro do setor petroquímico no cenário global, a Braskem conseguiu obter um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) de R$ 2,6 bilhões no segundo trimestre de 2015, 76% acima do registrado no primeiro trimestre, apresentando a margem Ebitda de 22,5%, com lucro líquido de R$ 1,1 bilhão.

    Os crackers de nafta da Braskem no Brasil operaram com ocupação média de 97% no segundo trimestre, enquanto o cracker de etano do Rio de Janeiro ficou próximo de 70%, apenas, prejudicado por suprimento insuficiente do gás. Na média geral, a ocupação ficou em 93%.

    No mesmo trimestre, as unidades produtoras de polipropileno da companhia nos Estados Unidos e na Europa rodaram a 101% da sua capacidade nominal, gerando o recorde de 506 mil t no período. As vendas de PP cresceram 7%, em especial nos EUA.

    No Brasil, a demanda por resinas termoplásticas (polietilenos, PP e PVC) acusaram a retração do consumo local, totalizando 1,2 milhão de t, uma queda de 15% em comparação com o período anterior (e de 8% contra o mesmo trimestre do ano anterior). Os três primeiros meses de 2015, por sua vez, foram afetados positivamente pela recomposição de estoques e antecipação de encomendas de clientes, prevendo elevação de cotações internacionais das resinas. As vendas da Braskem no país sofreram retração de 17% no segundo trimestre, caindo para 792 mil t. “Conseguimos manter nossa posição de mercado, pois perdemos apenas 1% do market share para os fornecedores internacionais”, avaliou Fadigas.

    Em compensação, as exportações de resinas da companhia cresceram 46%, somando 373 mil t no segundo trimestre deste ano. Destaque para as vendas de PP para EUA e Europa. O continente europeu importou mais PP e também polietilenos de origem brasileira no período. “O nosso foco para exportações é a América do Sul, região na qual somos mais competitivos”, comentou.

    A onda do shale gas está impulsionando a cadeia produtiva do eteno, ou seja dos polietilenos e, em menor escala, do PVC. Os crackers de gás não geram propeno suficiente para alimentar unidades de polimerização. Dessa forma, os preços de PP estão mais atrativos, por escassez de oferta, em relação aos dos polietilenos. “Mesmo assim, as margens de PE ainda estão muito boas no mercado internacional e isso vai perdurar até a entrada em operação dos novos crackers de gás nos EUA, prevista para acontecer até 2017, caso dos projetos da Exxon, Dow e Chevron”, considerou Fadigas.

    A Braskem e a Idesa finalizam a construção do projeto Etileno XXI, complexo para produção integrada de um milhão de t/ano de polietilenos em Vera Cruz, México, com partida prevista para o terceiro trimestre deste ano. “Esse projeto terá altíssima eficiência, tem o dobro da capacidade de nossa unidade do Rio, porém com a metade do número de fornos de pirólise”, apontou. A produção mexicana deverá suprir a demanda local, com algumas exportações para o mercado dos EUA.



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