Notícias – Basf comemora cem anos de Brasil

A terceira frente de negócios consiste em buscar oportunidades químicas que possam ser desenvolvidas dentro dos princípios da companhia. “Nos próximos cem anos, o setor químico deverá se reposicionar para atender às novas megatendências de mercado, incluindo novos combustíveis e iniciativas da química renovável”, ressaltou.

No campo das novas oportunidades deve se incluir o potencial de crescimento advindo da aquisição de companhias globais como a Ciba, a Engelhardt e a mais recente, da Cognis. “A Ciba nos abre caminhos novos na construção civil, a Engelhardt nos catalisadores automotivos e a Cognis representa a entrada da Basf nos oleoquímicos de origem vegetal, todos esses campos são absolutamente complementares ao portfólio da Basf”, comentou. Os produtos e o conhecimento dessas companhias ainda precisam ser totalmente integrados à estrutura da Basf para permitir a conquista de sinergias, gerando novas aplicações.

A integração dos negócios da Cognis aos da Basf no Brasil deve ser completada até outubro deste ano. O sítio oleoquímico de Jacareí-SP terá suas operações mantidas e está sendo ampliado para abrigar toda a estrutura técnica da área de higiene pessoal e cosméticos (care chemicals) local.
Além disso, a Basf firmou um memorando de entendimento com a Braskem para estudar um possível fornecimento de propeno para alimentar a produção de ácido acrílico no Brasil. A Basf estaria propensa a instalar uma unidade local de produção de ácido acrílico, projeto que havia anunciado há cerca de dez anos e do qual desistiu, alegando excesso de produto no mercado global. “Naquela época, o investimento não era viável, mas agora a companhia está refazendo esses estudos e, se for confirmada a viabilidade, o projeto caminhará adiante”, disse Gislaine.
Com o ácido acrílico, a Basf poderia produzir no país polímeros superabsorventes (para fraldas e produtos higiênicos) e acrilatos diversos. A companhia é a única produtora local de acrilato de butila (50 mil t/ano de capacidade, em Guaratinguetá), principal insumo para a produção de resinas para tintas imobiliárias, porém importa o ácido. Os estudos devem definir a capacidade e a localização da planta. A Braskem possui um excedente de propeno em Camaçari-BA, estimado em 120 mil t/ano, que hoje são exportadas.

Além de garantir a rentabilidade do empreendimento e disputá-lo com outros interessados – a Elekeiroz tenta há anos conseguir suprimento de propeno e viabilizar projeto semelhante no país –, a unidade brasileira precisa vencer uma batalha dentro da própria organização para tocar o projeto. “Um dos nossos maiores desafios é concorrer com a filial chinesa pelos investimentos em novas plantas”, explicou Gislaine.

Embora o Brasil seja visto no exterior como um dos países mais promissores do mundo, ainda há muitos obstáculos para torná-lo mais competitivo. “Temos sérias deficiências em infraestrutura e na formação de pessoal técnico qualificado, aspectos no qual a China está bem servida”, disse a diretora. A unidade brasileira se esforça para suprir parte dessas deficiências, ampliando seu programa de trainees para a área de engenharia e elaborando estratégias de transporte sofisticadas, por exemplo. “Nós somos competitivos até a porta da fábrica, mas daí por diante dependemos de investimentos e políticas estatais”, concluiu.

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