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26 de setembro de 2009

Notícias – Acrílico peca pela falta de informações

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    Apesar do trabalho de divulgação das propriedades e vantagens do acrílico realizado pelo Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico (Indac) desde o começo da década, o mercado ainda se ressente da falta de informações sobre o plástico. Não que inexistam dados à disposição dos profissionais. Mas eles não têm chegado eficientemente aos ouvidos de quem deveria. É o que se conclui pela opinião de palestrantes do Fórum Acrílico 2009. O encontro, em sua nona edição, teve a companhia do Salão do Acrílico, realizado, pela primeira vez, com a participação de cerca de 40 expositores e a missão de triplicar o consumo da resina no Brasil.

    Plástico, Alexandre Lazzarotto, atual diretor-presidente do Indac, Notícias - Acrílico peca pela falta de informações

    Lazzarotto confia em crescimento mais acelerado nos próximos anos

    O ciclo de exposições programado para acontecer no Centro Fecomércio de Eventos, em São Paulo, foi aberto por Alexandre Lazzarotto, atual diretor-presidente do Indac, comentando a recuperação do mercado brasileiro de acrílico após a crise financeira. Lazzarotto afirmou que o mercado está “despiorando” – neologismo utilizado para denotar a melhora da demanda por via de uma recuperação sem o vigor que todos gostariam. Os números do Indac comprovam as palavras do seu diretor-presidente: o mercado consolidado de chapas acrílicas (incluindo chapas cast e extrudadas), com volume de cerca de 900 toneladas mensais por volta de setembro do ano passado, despencou depois da deflagração da crise internacional, chegando a um mínimo de pouco mais de 200 t em fevereiro de 2009. Desde então, os volumes mensais têm sido crescentes, mas ainda não atingiram o patamar praticado antes do último trimestre de 2008. “Gostaríamos de estar com uma curva de crescimento melhor, isso é possível. Mas a curva cresce em um exponencial muito bom, talvez acima de outros segmentos do mercado”, disse o presidente, referindo-se à boa tendência futura que a extrapolação dos gráficos por ele apresentados evidenciava. Apesar da redução no consumo das chapas de acrílico, Lazzarotto demonstrou otimismo, ao afirmar que sua crença se baseia no fato de a cadeia do acrílico estar se direcionando para um mercado crescente em volumes, mas principalmente em qualidade e valor das resinas. “O volume cai, mas a percepção da qualidade do acrílico não. No próximo Fórum esses números de crescimento serão bem diferentes”, disse. O mercado de resinas de acrílico, por sua vez, não experimentou decréscimo na mesma intensidade que as chapas, “salvo” pelo consumo do mercado automotivo, seu principal cliente.

    Versátil, mas ilustre desconhecido– Convidado a falar sobre a consolidação do acrílico na comunicação visual externa, Carlos Dränger, sócio do escritório Cauduro Associados, enfatizou a importância crescente do acrílico na reprodução fiel de marcas em ambientes exteriores. Marcas valiosas, segundo Dränger, reduzem a disputa de preços, aumentam as margens, permitem melhor competitividade, podem criar relacionamentos com as pessoas, construir valores associativos e visuais e gerar diferenciação e identidade. A importância é tamanha que, em alguns casos, a marca

    Plástico, Carlos Dränger, sócio do escritório Cauduro Associados, Notícias - Acrílico peca pela falta de informações

    Dränger reclama da falta de informação

    é o principal ativo estratégico da empresa, como no exemplo do McDonald’s, apresentado por Dränger: enquanto a companhia norte-americana fatura US$ 23 bilhões, sua marca, sozinha, é avaliada em US$ 31 bilhões. E, para que os atributos planejados para determinada marca (ou seja, sua “personalidade”) sejam comunicados em todas as ocorrências com o público, os logotipos precisam ser reproduzidos sempre da mesma maneira. Amparado por propriedades como a excelente difusão de luz, várias alternativas para recorte, gama de cores prontas, e possibilidade de adesivação, pintura e montagem, o acrílico tem se destacado como a matéria-prima de tótens e luminosos. “O acrílico dá vida às marcas”, disse Dränger. Mas ele também afirmou que ainda existe uma grande distância entre quem especifica o acrílico (os arquitetos) e quem o fabrica em virtude da falta de informações. “Acho provável que os especificadores estejam usando pouco acrílico por desconhecerem novas possibilidades surgidas com a evolução do material”, comentou o arquiteto, acrescentando que, mesmo estando no mercado há 44 anos, até a realização do Fórum nunca havia ouvido falar “da” Indac.

    Essa opinião foi compartilhada por Mario Della Libera Filho, membro do conselho técnico da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv) e representante comercial da Telasul PDV. Acostumado a lidar com profissionais de arquitetura e marketing, ele relatou que se depara com casos em que esses interlocutores se vêem indecisos sobre a escolha do acrílico. “Alguns perguntam se o acrílico não é um material que risca demais, ou quais as diferenças em relação ao vidro”, exemplificou.”

    O membro da Abiesv apresentou estudos de casos muito interessantes sobre a valorização de ambientes com acrílico na comunicação visual interna e em pontos de venda (PDVs). Segundo ele, testes em lojas revelaram que, na comparação entre prateleiras de acrílico, metal e MDF (medium density fiberboard, ou placa de fibras de madeira de média densidade), aquelas equipadas com o plástico prendiam a atenção do cliente por maior tempo, e os produtos dispostos nessas mesmas prateleiras eram vendidos mais rapidamente.

    Segundo Libera, lojas-conceito (flagship stores), principalmente de grandes marcas esportivas, como Nike, Reebok e Adidas, têm utilizado bastante acrílico. Os lançamentos costumavam ser posicionados em peças de vidro, mas, nesse tipo de loja, hoje, o produto novo é destacado com acrílico. “As lojas que focam muito em volume talvez não queiram utilizar o acrílico, mas nos segmentos em que o valor agregado do produto precisa ser ressaltado, o plástico está mais presente. A percepção do produto pelo cliente, em cima de acrílico, é de maior valor agregado”, afirmou o representante comercial.

    Contra o acrílico, pelo jeito, só aparece mesmo a falta de informação. Libera afirmou que, “incrivelmente”, nem todos conhecem o material, que ainda possui a imagem de arranhar muito e quebrar facilmente. Pontos positivos, como a facilidade para ser parafusado e colado, por outro lado, são pouco conhecidos. Para mudar isso, o membro da Abiesv elencou diversas sugestões: a criação de manuais técnicos e catálogos reunindo cores, medidas, espessuras e casos de aplicação, pois muitas vezes o fabricante realiza testes que não são mostrados para varejistas e arquitetos. Amostras e protótipos também ajudariam e, melhor ainda, um profissional especializado para visitar escritórios de arquitetura e ajudar a informação a fluir.

    Outro ponto importante a ser ressaltado é a reciclabilidade do acrílico. Leonardo Koboldt de Araújo, diretor-executivo da agência Gad Retail, reforçou a ideia de que o material tem sido utilizado no suporte à comunicação em PDVs com vários exemplos de marcas famosas, como

    Vodafone, Nokia, Motorola, Palm e Apple. Porém, reforçando a temática da falta de informação, revelou ter se deparado com dúvidas quanto à sustentabilidade do acrílico. E, pior, o cliente em questão achava que o plástico não era reciclável. “É importante ser mais divulgado que o acrílico é reciclável, porque há uma demanda crescente por materiais que possam ser reaproveitados”, disse.

    Exposição auspiciosa – Junto com o Fórum do Acrílico, o Centro Fecomércio de Eventos também abrigou o Salão do Acrílico, a primeira exposição nacional com empresas exclusivamente da cadeia do acrílico, realizada em parceria com a Craft Design. O Salão reuniu produtores de matérias-primas e produtos auxiliares, distribuidores, fabricantes de equipamentos e transformadores, em um total de 42 empresas.

    Plástico, Leonardo Koboldt de Araújo, diretor-executivo da agência Gad Retail, Notícias - Acrílico peca pela falta de informações

    Koboldt: cliente não sabia da reciclagem

    O evento tem a missão de reverter o quadro de baixo consumo per capita de acrílico no Brasil, de 38 g, principalmente em comparação a países como Chile (70 g), Argentina (60 g) e México (110 g). O mercado de chapas acrílicas no Brasil, em 2008, foi de 9 mil toneladas, a maior parte utilizada em comunicação visual. Informações da Craft Design dão conta de que mais de 4 mil visitantes compareceram ao Salão nos três dias do evento, demonstrando grande procura pelo desenvolvimento de PDVs, peças de decoração e mobiliário. O sucesso foi tanto que deverá ser decidida a realização de uma segunda edição, dessa vez, provavelmente, em local mais amplo e que também possa abrigar máquinas em exposição, em resposta ao interesse demonstrado pelos visitantes.

     

     

     

     

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