Aditivos e Masterbatches

Negro de fumo: Tipos especiais avançam com a sofisticação das aplicações

Marcelo Fairbanks
11 de agosto de 2014
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    Na avaliação de Bordonco, existe alguma capacidade ociosa de produção de masterbatches no Brasil porque foram feitos investimentos grandes na esperança de um crescimento de mercado que, infelizmente, ainda não veio. “Esse segmento está muito concorrido”, comentou.

    Nas tintas automotivas, embora a produção nacional de carros esteja crescendo, Araújo aponta uma importante mudança no mercado: a cor branca aumentou sua participação no total fabricado. “Preto, prata e branco ainda são as cores mais vendidas nesse mercado, mas o branco ampliou sua fatia”, explicou. E a participação dos pigmentos no peso total de uma tinta é muito pequena. “As tintas automotivas consomem mais negro de fumo do que as imobiliárias, nas quais ele entra como matizante de outras cores”, reforçou.

    “Nós precisamos oferecer a tonalidade desejada com o menor custo possível”, afirmou Bordonco. O setor automotivo é o melhor cliente para negros de fumo especiais, pois, assim como o setor de plásticos, é muito exigente em qualidade. “Pena que se produza tanto carro branco”, brincou.

    A companhia lançou na última Abrafati, no ano passado, dois produtos da linha Emperor, 1200 e 1600, ambos com tecnologia Softbead (pellet suave), com fácil dispersão para tintas de base solvente. Esses produtos oferecem alto poder tintorial, com subtom azulado.

    Nas tintas gráficas, a participação do negro de fumo varia de 8% a 15% no peso da formulação final. Outros usos, como em selantes e refratários – nesse caso aproveitando a condutividade térmica do pigmento para evitar trincas –, apresentam uma demanda instável, variando muito de ano para ano.

    A Cabot oferece dois grades específicos para a produção de fibras mono e multifilamento de polipropileno (PP). A extrusora apresenta um diferencial de pressão antes e depois do cabeçote, mas esse indicador não pode subir muito, o que poderia sinalizar o entupimento da tela. “Qualquer impureza pode provocar o entupimento e a elevação do delta P, prejudicando o processo”, comentou. Os grades específicos conferem um subtom azulado, tem fácil dispersão na resina e apresentam baixa abrasividade, além de contar com pureza elevada. A intenção da companhia é suprir os produtores nacionais de masterbatches para essa aplicação e, dessa forma, substituir os similares importados. “Precisamos atuar em conjunto”, disse Bordonco.

    As perspectivas para 2014 não estão suficientemente claras. Segundo Flavio Rodrigues, os resultados dependem do comportamento da economia nacional e, em especial, da atividade industrial. “Da nossa parte, buscamos alternativas contra as variações de mercado e desejamos manter o crescimento orgânico na América do Sul, para tanto precisamos ser eficientes e criativos”, concluiu.

    Contando com 130 anos de atuação, dos quais 44 no Brasil, a Cabot mantém uma sólida posição no mercado regional e espera aproveitar as oportunidades que se apresentarem em 2014. “Esperamos recuperar o mercado perdido para os artigos finais importados, precisamos ajudar a reindustrializar o país”, comentou Bordonco.

    A Cabot é a única dos fabricantes locais a oferecer negros de fumo em pó, produzidos em Mauá-SP, na unidade denominada moinho. “O pó é a forma mais fácil para aplicação em tintas e resinas”, afirmou. A companhia também fornece produtos na forma de pellets e como dispersões aquosas para tintas ink-jet. A linha Monarch pode ser entregue na embalagem desejada pelo cliente, até em minibags, geralmente requeridas para sistemas de alimentação automática. Como informou, a companhia elabora projetos para a manipulação correta do produto nas instalações dos clientes.

    “Estamos em uma fase de elevada concorrência pelos clientes, mas a Cabot não abre mão de sua política de preços e de volumes, que são coerentes com a oferta de produtos qualificados, serviços e inovação”, enfatizou Bordonco.

    A Cabot ampliou sua capacidade de produção na região, com fábricas no Brasil, Argentina e Colômbia, mediante a aquisição, em outubro de 2013, da participação do grupo Kuo, de 60%, na joint venture Nhumo, maior produtora de negros de fumo do México, assumindo o controle total do empreendimento. “É uma fábrica do tamanho da que operamos em Mauá, mas voltada para os mercados do México e dos EUA”, explicou. As fábricas da região conseguem suprir a maior parte da demanda, sendo o restante suprido por outras unidades da companhia na Europa e nos EUA.



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