Aditivos e Masterbatches

Negro de fumo: Tipos especiais avançam com a sofisticação das aplicações

Marcelo Fairbanks
11 de agosto de 2014
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    Há várias aplicações para a inovação. A começar pela incorporação de alguns filetes aditivados com ele em tramas de ráfia de PP ou PEAD para a confecção de big bags. Esses filamentos permitiriam a descarga de eletricidade estática acumulada durante a manipulação e o transporte. Produtos como farinhas e açúcar podem até se incendiar com essa corrente elétrica, causando acidentes. “Embalagens de produtos eletrônicos também podem se beneficiar dessa aditivação”, informou. Bocais de tanques de combustíveis e chapas termoformadas para a confecção de chips eletrônicos também são clientes em potencial.

    Segundo ele, as propriedades do aditivo são permanentes, não sofrendo migração para a superfície. Isso permite reciclar o material na mesma aplicação com economia do aditivo. “Somando tudo isso, a diferença de preço em relação aos produtos usuais é facilmente superada”, comparou. A companhia estuda a possibilidade de lançar outro negro condutivo em 2014.

    A Cabot já conta com seis tipos de negro de fumo aprovados pela Anvisa, além de outros aceitos pelo FDA, para contato direto com alimentos. “A demanda brasileira por esses tipos é pequena, mas existe, e os clientes delas exigem laudos que atestem a qualidade”, explicou. Além dos ensaios oficiais, conduzidos em laboratório aceito pela Anvisa, a Cabot faz testes de qualidade dos graus FDA em suas instalações.

    Em comum, os setores de plásticos e de tintas apresentam o desejo de eliminar etapas intermediárias de produção. Como reflexo dessa atitude, os transformadores de plásticos usam os masterbatches, concentrados de aditivos e pigmentos que são adicionados ao processamento da resina virgem. No caso das tintas, é crescente o uso de pigmentos pré-dispersos ou de concentrados de cor, uma opção mais recente.

    “Já existem fornecedores dessas bases de cor bem estabelecidos e eles são altamente qualificados e exigentes em qualidade”, comentou Araújo. A resistência dos clientes em mudar seus procedimentos se explica pelo alto poder tintorial dos pigmentos e pela dificuldade de reproduzir com exatidão as cores e os tons desejados. “Qualquer alteração no pigmento proporciona um resultado importante; o tamanho das partículas proporciona subtons azulados ou amarelados ou avermelhados”, informou. A introdução de novidades no campo dos pigmentos geralmente é feita com o lançamento de novas linhas de tintas.

    Bordonco, da Cabot, atesta a dificuldade de introdução de novos produtos especiais, mas salienta existir alta receptividade à inovação. “O mercado aceita novidades que tragam benefícios, principalmente redução de custos e na melhoria da qualidade final”, afirmou.

    A facilidade de dispersar o pigmento durante a fabricação das tintas é um item fundamental para a seleção de materiais. O tempo necessário para executar cada formulação determina a capacidade de produção da fábrica de tintas. Qualquer alternativa que acelere essa etapa permite aumentar a produtividade da instalação, com reflexos econômicos evidentes, incluindo uma redução no consumo de energia com moinhos e dispersores.

    Araújo explicou que as formulações de base solvente e aquosa podem usar os mesmos tipos de negro de fumo. “Basta usar o agente dispersante mais adequado à polaridade do meio, respeitando a viscosidade e o equipamento de processo”, disse. Os negros pós-tratados adquirem caráter ácido, o que os torna mais compatíveis com resinas alcalinas. Em tintas alquídicas, por exemplo, os pós-tratados dispersam tão bem que podem reduzir a adição de aditivos. “São produtos mais caros, mas trazem vantagens para o processo pela redução do tempo de moagem”, salientou.

    Os tipos usados pela indústria de tintas recebem tratamentos superficiais, como o Raven 5000UII, empregado nas linhas automotivas. Esses itens são importados de uma fábrica da Birla nos Estados Unidos que se especializou nisso e exporta para as demais unidades do grupo.

    No caso dos plásticos, as fábricas de Cubatão e de Camaçari conseguem atender a uma boa parte das necessidades dos clientes nacionais, oferecendo a linha Copeblack. O Copeblack 35 é um tipo commodity muito usado pelo setor de plásticos. A produção de tintas para flexografia e rotogravura conta com o tipo Copeblack 450, de baixa estrutura. “As aplicações em heatset offset [com secagem por ar quente] pedem pigmentos especiais tratados como os Raven 1100 e 1035, que oferecem mais brilho”, indicou.

    A venda dos tipos especiais requer mais atenção no pós-venda. “Sem suporte técnico, os clientes vão embora, por isso preferimos manter relacionamentos de longo prazo”, disse Araújo. Especialistas ajudam a resolver problemas de diferenças de cor e de dispersão provocados por variadas causas.

    O panorama de negócios dos especiais apresenta algumas turbulências. Nos plásticos, o problema está na importação de produtos acabados e também de masterbatches. Dependendo da aplicação, um master pode conter até 50% em peso de negro de fumo.

    Bordonco, da Cabot, também sente a demanda retraída no campo dos plásticos pela importação de masterbatches pretos. “A exportação também está complicada porque cada país criou suas proteções em época de crise, mas os Estados Unidos e a Europa começam a se recuperar e a mudar o cenário”, avaliou.



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