Cargas Minerais – Negócios em alta favorecem investimentos

Negócios em alta favorecem investimentos em produtos de maior valor agregado

Agregar valor. A expressão, motivo de desejo para empresários de todos os setores, soa como música aos ouvidos dos fornecedores de cargas minerais para plásticos.

Empresas do ramo prometem ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de fórmulas com maior teor tecnológico. O interesse dos fornecedores nacionais em investir tem um aliado: o atual momento da economia. As vendas estão aquecidas, os negócios cresceram em índices muito satisfatórios em 2010.

O otimismo para os próximos anos é significativo. O sentimento é reforçado pela realização de dois grandes eventos no país nos próximos anos, a Copa do Mundo e a Olimpíada.

Graças a eles, são esperadas muitas obras capazes de esquentar ainda mais a demanda. A fase aquecida da construção civil e da indústria de bens duráveis também anima. A se confirmarem as expectativas, o fôlego financeiro do setor ganhará reforço importante. A perspectiva é tão boa que alguns empresários demonstram preocupação com um possível desabastecimento por falta de oferta necessária de cargas minerais nos próximos anos.

Em paralelo, o grande desafio é convencer o mercado das vantagens proporcionadas por aditivos mais sofisticados. A tarefa não é tão fácil. No Brasil, as cargas têm forte histórico de commodities, ainda são vistas por boa parte dos usuários como forma barata de “engordar” o peso das matérias-primas, substituir parte da resina a fim de reduzir custos da linha de produção.

Os compradores muitas vezes se pautam apenas nos preços na hora de fazer as encomendas. Os valores praticados são quase sempre modestos. A incorporação dos minerais, no entanto, pode oferecer muito mais vantagens. Conforme o caso, eles permitem o aumento do desempenho mecânico das peças e maior resistência às chamas ou a ambientes químicos agressivos, entre outras características.

Vale a pena uma ressalva: o esforço em busca de produtos mais sofisticados começa a encontrar reconhecimento entre os clientes ligados aos segmentos de tecnologia de ponta, como transformadores de autopeças, componentes para a indústria de eletroeletrônicos ou de alguns produtos para a construção civil.

Por falta de oferta de fórmulas nacionais, essas empresas muitas vezes são obrigadas a importar. Isso a despeito do Brasil contar com jazidas de qualidade em várias regiões. Não por acaso, empresas internacionais muitas vezes compram nossos minérios, os beneficiam no exterior e depois os comercializam por aqui.

O atraso dos produtos nacionais se encontra tanto nos processos de extração quanto nos de beneficiamento. De acordo com especialistas, na faixa de produtos com reduzido valor agregado, muitas vezes os gastos com o frete são o principal componente dos custos. Isso porque com frequência as jazidas se encontram distantes dos grandes centros consumidores.

Pequenos cuidados tomados pelos fornecedores são bem-vindos. Fornecer os minérios embalados em pallets, por exemplo, combate desperdícios e é visto com bons olhos para quem não pensa apenas no preço na hora de adquirir produtos. Oferecer os minérios em grãos de tamanhos regulares é outra providência capaz de diferenciar um fornecedor, por exemplo, entre clientes mais sofisticados.

Entre os minerais usados pelos transformadores de plástico, podemos citar o carbonato de cálcio (calcita) e o talco entre os mais procurados. A calcita tem como principal mercado a transformação do PVC, embora também seja incorporada ao polipropileno e polietileno.

  • No caso do polietileno, seu uso é restrito a filmes – atua como agente anti-blocking.
  • O polipropileno é o filão mais apetitoso para os fornecedores de talco.
  • Outros mercados para a carga são os da transformação de PEBD e PEAD, PVC, PS e PA.

O talco, além de aumentar a rigidez da resina, é eficiente no aumento da temperatura de deflexão térmica, entre outras características. Também ganham destaque alumina hidratada, mica, caulim, entre outros.

Necessidade – A questão de sofisticação das cargas minerais é uma necessidade

A indústria brasileira de transformação precisa compreender as vantagens de utilizar produtos com maior valor agregado. O país também não pode ser tão dependente quanto hoje de importações de produtos de alto desempenho.

Foto: Cuca Jorge
Ricardo Aurélio da Costa – Itatex

A opinião é de Ricardo Aurélio da Costa, assessor técnico da Itatex, empresa localizada em Campinas-SP e especializada em soluções tecnológicas em aditivos e cargas minerais para termoplásticos, tintas e revestimentos, elastômeros e produtos farmacêuticos e agrícolas.

“Não podemos nos acomodar em ser fornecedores de commodities, isso é muito preocupante”, afirma.

Para o especialista, um aspecto pode “dar um empurrão” para os fabricantes nacionais mudarem de atitude. Os clientes de ponta estão procurando por materiais com características diferenciadas.

“Nesse cenário, a Itatex tem um comportamento sui generis. Toda a vida, a empresa sempre investiu em tecnologia. Tem a preocupação constante de nacionalizar produtos importados”, garante.

A estratégia vem assegurando o crescimento constante da empresa. “Não queremos competir com os fornecedores de minerais, queremos vender produtos com valor agregado”, explica.

Quando o assunto é alta tecnologia, um dos campos apontados como promissor pelo consultor é o da nanotecnologia. “No exterior já temos alguns nanocompósitos no mercado, com especificação agregada. Aqui no Brasil surgiram algumas coisas, feitas pela Braskem”, informa.

As experiências nacionais são quase todas feitas com a adição em resinas de argilas organofílicas importadas. Não por acaso, a nacionalização dessas argilas foi um feito recente da Itatex. A empresa lançou três versões comerciais para a produção de nanocompósitos de poliolefinas e termofixos (resinas epóxi, poliéster e fenólicas).

Outro produto destacado por Costa é a linha de antichamas ecológicos com fórmulas baseadas no hidróxido de magnésio. O produto é revestido com organosilano vinílico e aminosilano e termicamente estável se processado e vulcanizado em temperaturas até 300ºC. “Na Europa, a legislação não permite mais o uso de retardantes à chama não ecológicos. Por aqui, o mercado dos ecológicos vem se desenvolvendo bastante”, explica. Outra linha de sucesso da empresa é a de calcinados. Um desses produtos, o silicato de alumínio ultracalcinado e micronizado é recomendado para minimizar o desgaste abrasivo produzido por composições elastoméricas em contato com superfícies metálicas como roscas, canais de alimentação dos moldes e em outras situações.

Para Costa, no campo das commodities, as importações podem ajudar a “apagar um incêndio”. O mercado está aquecido e, se prosseguir evoluindo de forma rápida, existe a ameaça de faltar produtos. “Quando a procura é maior do que a oferta, a tendência é os preços subirem”, revela. Caso isso ocorra, com o dólar desvalorizado, a chegada de produtos internacionais poderia ajudar a equilibrar os preços internos.

Construção civil

A Carbomil está completando cinquenta anos de atuação no mercado de carbonatos de cálcio.

Na década de 70 lançou sua linha de carbonato de cálcio cretáceo, apropriada para a indústria do plástico. Hoje, a empresa possui três unidades fabris, instaladas em Fortaleza-CE, Limoeiro do Norte-RN e Cachoeiro do Itapemirim-ES. A planta do Rio Grande do Norte é a mais recente, inaugurada no ano passado. Com investimento de R$ 15 milhões, produz calcita precipitada. No ramo dos plásticos, o produto é indicado para aplicações sofisticadas, caso de peças com rigorosas exigências de aparência. Ele também é muito utilizado pelas indústrias de tintas, fármacos, cosméticos e pastas de dente. Até a inauguração, a produção nacional do produto era insuficiente.

A Carbomil possui as maiores minas de carbonatos de cálcio naturais do tipo cretáceo da América Latina, com reservas de mais de um milhão de toneladas no Ceará. O cretáceo é proveniente de sedimentos de conchas marinhas datadas de 65 milhões de anos e se caracteriza pela alta pureza in natura.

É o tipo mais indicado para a indústria do plástico. Os principais usuários do produto são os transformadores de tubos, conexões, fios e cabos para a construção civil, fabricados com compostos de PVC.

Também fornece a variedade cristalina, extraída em minas no Espírito Santo. O cristalino, derivado de formações rochosas metamórficas com cerca de um bilhão de anos, possui pureza em geral menor, devido à presença do magnésio e da sílica e, em alguns casos, de óxidos de ferro e de alumínio.

Esse ano, os negócios da empresa devem crescer em torno de 12% em relação a 2009. Para 2011, a expectativa é bastante otimista.

Foto: Cuca Jorge
Leonardo de Pontes Vieira – Carbomil

“Estamos confiantes no mercado, a construção civil se encontra em um momento bastante aquecido”, revela Leonardo de Pontes Vieira, diretor executivo.

Entre os motivos do otimismo se encontram as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, em especial o programa Minha Casa, Minha Vida, e a realização da Copa do Mundo e da Olimpíada. Ele também se mostra esperançoso com a isenção de IPI para os materiais de construção civil, concedida pelo governo durante a crise econômica e que pode ser prorrogada.

Vieira ressalta o aumento da exigência do mercado, em especial dos grandes fabricantes de tubos e conexões, por carbonatos com maior valor agregado.

“Os clientes estão cobrando por tecnologia”, diz. A demanda inclui a oferta de grãos micronizados de tamanho uniforme e a presença de alguns aditivos capazes de oferecer características diferenciadas.

“Eles querem trabalhar em regime de maior produtividade, cobram soluções para que suas extrusoras produzam maior metragem de tubos por minuto”, explica. Para atender aos pedidos, a empresa vem investindo. Recentemente adquiriu dois equipamentos voltados para moagem e granulação. Com eles, consegue produzir grãos regulares de tamanhos inferiores a um micra. “Temos que aumentar nossa competência nas linhas de produção”, resume.

Oferta dobrada – Investir para duplicar a produção nos próximos cinco anos.

Esse é o projeto da Minérios Ouro Branco, empresa que completa 43 anos no próximo mês de janeiro e é especializada no beneficiamento e vendas de cargas.

Para a indústria de plástico, os produtos mais vendidos são os carbonatos de cálcio natural e precipitado, caulim natural e calcinado, talco e pigmentos. Este ano, a Ouro Branco estima elevar seu faturamento em 30% em relação ao alcançado em 2009. Os fabricantes de bens duráveis, cujos resultados estão amplamente favoráveis, estão entre os principais clientes da empresa.

Foto: Cuca Jorge
José Carlos Bartholi – Minérios Ouro Branco

Para os próximos anos, o crescimento pode ser ainda maior. “Caso não aconteça nada que nos surpreenda, estamos prevendo uma alta demanda do mercado nos próximos anos”, justifica José Carlos Bartholi, diretor comercial da empresa.

Ele associa a expectativa em especial à realização dos dois grandes eventos esportivos a serem realizados no Brasil nos próximos anos. Por conta desse cenário, o diretor demonstra preocupação com o setor em um futuro próximo. Para ele, pode haver uma crise de oferta e, em consequência, uma explosão de preços.

“Nós estamos aumentando nossa produção, nos preparando. Não sei se os demais fornecedores estão”, explica.

Bartholi também destaca o aumento da preocupação dos clientes com o desempenho dos produtos oferecidos. “Antes esses produtos eram vistos como simples commodities, ao longo do tempo o mercado tem aumentado a cobrança por melhores características técnicas”, diz.

O esforço da empresa também tem sido orientado nesse sentido. “Procuramos estar na vanguarda, temos laboratório preparado para trabalhar em parceria com os clientes, desenvolver soluções de acordo com as necessidades de cada um”, garante.

Entre as novidades apresentadas recentemente se encontra o caulim calcinado, que confere propriedades dielétricas (isolantes) para os plásticos.

O produto permite a redução do uso de óxido de titânio, substância cuja produção mundial enfrenta problemas de produtividade e ambientais. A empresa também lançou dois novos pigmentos, o de alumínio e o perolado. O de alumínio é indicado em especial para plásticos de engenharia e aproveitado pelas indústrias moveleiras e de automóveis. O perolado é indicado para todos os compostos plásticos e permite a produção de peças com cor que varia de acordo com o ângulo de visão do observador.

Especialidades

A Imerys, multinacional de origem francesa, se autoproclama a maior produtora mundial de cargas minerais do mundo.

A empresa oferece 29 tipos de especialidades para inúmeras aplicações, entre as quais muitas para o mercado do plástico. A empresa mantém fábrica no Brasil.

Foto: Cuca Jorge
Victor Trevisani – Imerys
Seu principal produto nacional é o carbonato de cálcio.

“As vendas esse ano estão 25% acima do ano passado”, revela Victor Trevisani, gerente nacional de vendas. Os nacionais respondem por 75% de seus negócios. Os 25% restantes das vendas são de importados, em geral especiarias com elevado teor de tecnologia.

A sofisticação da procura por parte dos clientes faz com que a empresa tenha a esperança de alterar essa composição.

“Os compradores estão procurando por cargas que proporcionem maior retorno e isso favorece a venda dos importados. Nossa meta é dividir o mercado por igual entre nacionais e importados”, conta.

O executivo aponta o forte controle das dimensões das partículas como um dos diferenciais mais importantes. A empresa mantém, em todo o mundo, um time de 250 cientistas pesquisando novas fórmulas.

Esse trabalho rende com frequência a chegada de novos produtos no mercado. Um deles é fabricado no Brasil. Trata-se de um carbonato de cálcio precipitado especialmente desenvolvido para a produção de forros de PVC. “Ele apresenta controle do tamanho de partículas, resistência à umidade e abrasividade e não aglomera. Os forros produzidos com o produto não apresentam desvios de cor, há um controle da alvura”, afirma.

Outros lançamentos vêm de fora. Um deles é uma mica especial para plásticos de engenharia.

“Indicada para a indústria automobilística, ela melhora o desempenho principalmente do polipropileno e pode substituir parcialmente a fibra de vidro”, revela. Outra novidade é um caulim extensor de titânio, indicado para poliolefinas e PVC. “Ele substitui até 10% do uso de dióxido de titânio.”

Dois novos tipos de carbonatos de cálcio completam a lista de novidades. Um deles é voltado para os fabricantes de filmes respiráveis. Outro para tecidos e não-tecidos de polipropileno.

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