Náutica – Embarcações sofisticadas buscam resinas plásticas avançadas

Embarcações sofisticadas buscam materiais plásticos avançados para aprimorar desempenho

Náutica – Mercado de Luxo quer resinas avançadas. As crises econômicas afetam em diferente escala os variados segmentos da economia. Alguns sofrem mais, outros menos. Talvez existam até os que por algum motivo lucrem.

Entre os que sofrem menos, especialistas no assunto apontam as empresas fabricantes de produtos para o público de grande poder aquisitivo. Elas atendem consumidores em geral imunes às turbulências da economia.

O mercado de embarcações de alto luxo para esporte e recreio, voltado para a classe AA, se encaixa nessa categoria. E os resultados de alguns dos principais estaleiros nacionais confirmam a tese.

Eles apresentaram crescimento no ano passado, a despeito do ambiente recessivo. O raciocínio não deve ser estendido para a indústria náutica como um todo.

A procura por barcos de menor valor sente mais os reflexos das dificuldades geradas pela recessão, assim como a indústria naval de grande porte, que naufragou com o cancelamento dos planos de investimento da Petrobras.

Um exemplo é a Intermarine – Náutica

A empresa nacional atuante no mercado desde 1973.

Ela começou fabricando barcos esportivos e, com o tempo, de olho num mercado mais promissor, especializou-se em embarcações maiores e luxuosas, com foco no uso familiar.

Possui 650 funcionários e oferece dez modelos, de 42 a 95 pés. “É claro que a crise econômica afeta o setor de maneira geral, mas no nosso caso não podemos reclamar. De 2014 para 2015, crescemos 40% em vendas e para este ano nossa meta é manter o mesmo volume de vendas do ano passado”, informa Allyson Yamamoto, diretor de marketing.

Para ele, como a empresa trabalha com clientes de poder aquisitivo muito elevado, consegue bons resultados mesmo em momentos econômicos desafiadores. “Esse é um nicho que possui poucos players no Brasil”, ressalta.

Além disso, esse nicho lucrou com a valorização do dólar, fenômeno que favoreceu a indústria nacional. “A importação de embarcações acabou se tornando inviável”.

Para Yamamoto, o potencial do negócio para os próximos anos é animador. “Há perspectiva de crescimento das vendas de embarcações cada vez maiores no mercado interno”. O mercado externo também traz perspectivas otimistas. “Estamos nos preparando para exportar para os Estados Unidos”.

Felipe Berra, diretor de engenharia da Intermarine, informa que os barcos produzidos são feitos em compósitos. “Usamos basicamente resinas termofixas reforçadas com fibra de vidro, fibra de carbono e fibra de aramida.

Os cascos e todos os componentes estruturais são produzidos internamente”, diz.

Os processos de fabricação são o de laminação manual e o de laminação por infusão a vácuo, dependendo do tipo de peça. Também são usadas nos barcos, em outras aplicações, peças produzidas a partir de placas de PVC, polietileno, polipropileno e acrílico. Estas são adquiridas de fornecedores.

Berra se queixa dos tipos de resinas termofixas disponíveis no mercado nacional para laminação. “Elas são muito limitadas em relação ao que existe no exterior. Enfrentamos algumas dificuldades para obter resinas com bom desempenho, principalmente as indicadas para os processos de infusão a vácuo”.

Esse fato acaba por restringir o uso do processo de infusão. “O desenvolvimento interno de resinas mais adequadas a esse processo permitiria ampliar o uso desse método, mais produtivo e confiável do que a laminação manual”.

Águas tranquilas – Náutica Azimut Yachts e Benetti

Maior produtor de iates de luxo do mundo 

Outra empresa a viver bom momento por aqui, o grupo italiano Azimut-Benetti, detentora das marcas Azimut Yachts e Benetti, tem perto de 50 anos de história.

O grupo foi reconhecido este ano, pela 16ª vez, como o maior produtor de iates de luxo do mundo, conforme publicado no Global Order Book 2016 (Show Boats International).

Na Itália, possui cinco fábricas instaladas em área de 450 mil metros quadrados e conta com mais de 1,2 mil colaboradores.

Instalou sua fábrica em território brasileiro em 2010, em uma área de 3 mil metros quadrados.

Hoje a planta nacional já tem mais de 16 mil m² e produz seis diferentes modelos, de 43 a 83 pés, todos com a marca Azimut Yachts.

Por aqui, conta com 300 colaboradores e tem planos de expansão ambiciosos. “O mercado náutico no Brasil ainda é jovem e com grande potencial de crescimento.

O país tem uma costa privilegiada de 8,5 mil km, além de lagos, rios e represas, próprios para navegação durante os 12 meses do ano graças ao clima favorável”, explica Roberto Paião, diretor industrial no Brasil.

Para ele, apesar do recente crescimento da infraestrutura náutica no país, com a implantação de marinas e centros de serviços para comportar e atender as embarcações, tudo poderia ser melhor se o setor recebesse mais investimentos. “O desenvolvimento do mercado náutico, especialmente na área de luxo, impacta significativamente o crescimento econômico, pois envolve uma série de setores produtivos”.

No ano passado, a Azimut Yachts produziu 35 iates no território nacional, número que representa 15% de crescimento em relação ao ano anterior. “Em dois anos, a meta é duplicar a produção atual”.

O dirigente lembra que com a globalização e o avanço da tecnologia na última década, o brasileiro passou a ter mais acesso a grifes e marcas de luxo, tanto nacionais quanto internacionais, e se tornou mais seletivo.“O mercado de luxo despontou e teve seu auge entre 2010 a 2013, acompanhando o melhor desempenho econômico brasileiro”.

O diretor industrial reconhece que com a crise econômica há maior insegurança por parte do consumidor classe A. “Mas o problema não afeta de forma expressiva o mercado ‘triplo A’.

Por isso, temos atraído consumidores de barcos de maiores dimensões, acima de 60 pés”. Outra preocupação tem sido estimular as exportações, em especial para os países latino americanos. “Já comercializamos iates no Paraguai, Uruguai e Colômbia”.

A empresa também atendeu encomendas e quer incrementar seus negócios com o mercado norte-americano.

Christian Furstenau, um dos responsáveis pelo departamento técnico, informa que o plástico reforçado com fibra de vidro compõe a base da estrutura dos barcos do grupo. “O gelcoat externo branco é importado da Europa, o mesmo utilizado na linha de produção dos barcos na nossa matriz na Itália”.

A empresa usa resina ester-vinílica para a laminação das primeiras camadas do casco. “Todas as peças PRFV produzidas em nossa planta são fabricadas usando processo de infusão a vácuo. São aplicados modernos tecidos multiaxiais de fibra de vidro, fibras de carbono e estrutura sanduíche de PVC expandido”.

Furstenau ressalta que a produção do casco, casaria, convés e demais peças estruturais é parte do core business do grupo. “Cada plano de laminação é desenvolvido segundo os rígidos padrões estabelecidos por normas internacionais de modo a garantir confiabilidade e durabilidade ao nosso produto”, garante.

Nas partes internas, além da fibra de vidro, é utilizado o ABS em carenagens de vidros, janelas e colunas de banheiro, entre outras peças. Elas são fabricadas por injeção, por fornecedores especializados. “Alguns de nossos tanques de água e de rejeitos são feitos de plástico, por rotomoldagem”.

Para o técnico, a versatilidade das resinas plásticas favorece sua aplicação na construção naval.

Por serem facilmente adaptáveis a diferentes tipos de reforços e processos, seu uso cresce a cada ano. “Até pouco tempo, poucos cascos de embarcações com comprimento acima de 30 metros eram fabricados com plástico reforçado com fibra de vidro”, exemplifica.

Hoje essa realidade vem se transformando com o desenvolvimento tecnológico na produção e na aplicação de resinas desenvolvidas especialmente para esta aplicação.

Plástico Moderno, Interior de iates e lanchas combina aplicações de resinas de PVC, PP e acrílicos - Nautíca
Interior de iates e lanchas combina aplicações de PVC, PP e acrílicos

Vento a favor – Fibrafort

“Obtivemos um crescimento de 30% nos últimos cinco anos”, informa Thiago Luís Fagundes, analista comercial da Fibrafort.

O profissional avalia que a atual política econômica tem deixado os consumidores inseguros, o que afeta vários segmentos da economia. “O consumidor náutico, porém, está bem aparado economicamente”.

Para ele, há oportunidade de crescimento das vendas do setor, os brasileiros ainda estão despertando para a possibilidade de possuir uma embarcação.

Para que isso ocorra de forma mais acelerada, a empresa procura instigar o consumidor trazendo novidades. “Recentemente lançamos o modelo FK 330, que traz espaço gourmet integrado à plataforma de popa, e a FK 265 FX, embarcação voltada para esportes aquáticos”.

De acordo com Fagundes, o uso do plástico é de extrema importância. “A principal matéria-prima usada para construção das embarcações é o PRFV, ele traz correlação peso x resistência ideal”.

Os cascos das embarcações da empresa são feitos por meio de laminação manual. Com a evolução das formulações das resinas, surge a oportunidade de outras aplicações para a matéria-prima.

A substituição de madeira por plástico em determinadas peças é um exemplo de como as resinas ajudam a aumentar a durabilidade dos barcos.

Leia Mais:

CHAPAS – PLÁSTICO REFORÇADO COM FIBRA DE VIDRO (PRFV)

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios