Máquinas e Equipamentos

Nanotecnologia – País vê surgimento dos primeiros fornecedores locais especializados

Marcio Azevedo
7 de julho de 2009
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    A grande dificuldade enfrentada pelos óxidos nanoparticulados é a sua dispersão. Micronizados, eles até se dispersam bem, mas, em dimensões nanométricas, não. Com partículas nessa escala, a formação de aglomerados é sempre um desafio. Na água, em solventes, ou em plásticos, é muito difícil conseguir uma boa mistura com o pó metálico. Esse fato obrigou a empresa a ir além da estratégia inicial de vender óxidos puros e resultou na decisão de funcionalizar as nanopartículas, o que gerou uma linha de óxidos compatíveis com materiais polares.

    A demanda inicial pelos óxidos da Nanum veio da indústria siderúrgica. Depois do começo promissor seguido de uma queda do consumo pelo setor, a empresa se associou à Clamper, uma fabricante de equipamentos de proteção a surtos elétricos (uma espécie de pararraios eletrônico) que buscava o domínio da fabricação de componentes de seus produtos, em particular, de um componente plástico e outro baseado em óxidos metálicos. Na época, a Nanum tinha uma planta piloto com capacidade de produção de 1 kg/dia, inexperiência administrativa e pouco fôlego financeiro para crescer. Após a união com a Clamper, a Nanum, pesquisando potenciais clientes, percebeu a possível demanda no segmento de plásticos. À planta piloto original, foi adicionada uma linha com capacidade de produção de 10 kg/dia, que alimenta vendas, até agora, de quantidades destinadas principalmente a testes. A demanda ainda é baixa, e os pedidos, individualmente, rondam as ordens de poucos quilos ou gramas. Mesmo assim, a empresa está investindo em uma linha de produção adicional, pois o leque de aplicações é grande. Mohallem aponta potencial de consumo do óxido de alumínio alfa (para aumentar a resistência à abrasão) ou do hidróxido de alumínio (como retardante à chama). Com uma superfície de contato muito maior que a das cargas convencionais, as nanopartículas provocam mudanças mais intensas nas propriedades do material que serve de matriz. Elas possibilitam que propriedades semelhantes sejam obtidas com menor adição de carga, o que costuma ter o efeito colateral de prejudicar algumas características dos plásticos, entre elas a processabilidade. Essa redução no teor de carga pode ser muito grande, como uma fatia de apenas 10% ou 1% da inicial. Os óxidos de zinco, magnésio, titânio e as partículas de prata também têm chance de utilização na indústria de plásticos, como agentes biocidas. No caso do titânio e da prata, a empresa oferece uma solução mais acabada, disponível em dispersões com solventes diferentes para a incorporação em plásticos diversos. A prata, porém, é cara, e o titânio requer uma etapa de ativação por ultravioleta. O magnésio pode ser uma alternativa mais interessante, pois não apresenta esses inconvenientes. O óxido de magnésio ainda parece contribuir para elevar a barreira ao oxigênio, propriedade que está em investigação, e o de zinco ajuda a elevar a resistência ao ultravioleta, com a vantagem de não alterar a transparência. Há concorrentes nessa aplicação, mas eles tornam as resinas opacas, ou escuras.

    Contadini afirma que, no trato com a nanotecnologia, é comum encontrar, durante os testes, outros efeitos positivos diferentes da característica almejada inicialmente. Por isso, o esforço mais importante da Nanum é o de buscar chances para testar as nanopartículas, mas isso nem sempre é fácil, pois as indústrias nacionais ainda se mostram um pouco resistentes aos nanoparticulados. A crise financeira, nesse sentido, até ajudou, explica Mohallem, pois deflagrou, em alguns clientes potenciais, o interesse por soluções que permitem a redução de custos, como acontece frequentemente com a nanotecnologia.

    Além do investimento produtivo que se desenrola, a Nanum está aplicando recursos na sua área gerencial, justamente as duas maiores dificuldades até a união com a Clamper. Já está decidida a criação de uma equipe focada no atendimento ao segmento de plásticos, além de outras para tintas e cerâmicas. Outra decisão que está para ser tomada é o fornecimento dos óxidos nanoparticulados na forma de masterbatches, uma alternativa interessante segundo os sinais enviados pelo mercado de termoplásticos.

    São Carlos também abriga a Nanox, que, assim como a Nanum, tem origem em pesquisadores que decidiram utilizar seus conhecimentos para a viabilização de empreendimentos industriais.

    Tecnologia nano, crescimento macro – O carro-chefe da Nanox são aditivos antimicrobianos nanoparticulados, que conferem maior tempo de prateleira a produtos embalados. Ao lado de alguns outros produtos, os aditivos contribuíram para que o faturamento da empresa rompesse a casa de R$ 1 milhão logo em seu terceiro ano de vida, segundo André Araújo, vice-presidente de marketing. Com um perfil voltado para o desenvolvimento de produtos inovadores, Araújo espera que a Nanox



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