Nanotecnologia – País vê surgimento dos primeiros fornecedores locais especializados

Compatibilidade desafiadora – Com a carga nanoestruturada em mãos, entra em cena a etapa de estudo da incorporação à matriz plástica, que promete consumir boas horas da dedicação dos pesquisadores da Embrapa. “São muitas situações inéditas e de difícil comparação com o que está disponível na literatura, pois as pesquisas existentes não têm se direcionado a processos convencionais de transformação, como a extrusão e a injeção. De modo geral, ainda é um desafio obter produtos”, explica Marconcini.

Plástico Moderno,José Manuel Marconcini, pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária, Nanotecnologia - País vê surgimento dos primeiros fornecedores locais especializados
Marconcini, da Embrapa, fala em linhas de pesquisa inéditas

Apesar de ser um material orgânico, a celulose é bastante hidrofílica e polar, o que torna sua compatibilização e dispersão na matriz termoplástica uma dificuldade específica para cada tipo de resina. O mercado pode esperar novidades, pois a empresa pública investiga ainda outras substâncias pouco empregadas na obtenção de cargas nanoestruturadas para plásticos, mas o segredo, novamente, é necessário.

Por estar muito ligada à produção de alimentos, uma outra linha de pesquisa é essencial para a Embrapa: a determinação da nanotoxicologia, isto é, os efeitos adversos dos nanocompósitos em organismos vivos. Uma das preocupações mais óbvias recai sobre a possibilidade de migração das nanopartículas, principalmente no caso das embalagens. Sempre há um coeficiente de difusão e permeação das partículas para a superfície da matriz, seja ela polimérica, metálica ou cerâmica. Esse coeficiente é característico de cada combinação plástico versus nanopartícula e deve ser conhecido, para fornecer duas informações básicas: a ocorrência ou não de migração das nanopartículas para os produtos embalados, e, no caso de migração, a máxima concentração de nanopartículas segura para a saúde humana, presumida a ingestão do embalado.

Dos mais de quarenta centros de pesquisa da Embrapa, dezessete desenvolvem pesquisas dedicadas à nanotecnologia. Na companhia de outras 13 universidades, formam uma rede de nanotecnologia financiada pela Embrapa, voltada ao

Plástico Moderno, Henrique Carparelli Mattoso, coordenador da Rede de Nanotecnologia para o Agronegócio, Nanotecnologia - País vê surgimento dos primeiros fornecedores locais especializados
Para Mattoso, diferencial está nos biopolímeros

agronegócio e que conta com 90 pesquisadores. Esse esforço conjunto já rendeu resultados, um dos mais conhecidos, talvez, o do sensor polimérico conhecido como língua eletrônica. Mas o grande diferencial da empresa pública, na visão de Henrique Carparelli Mattoso, coordenador da Rede de Nanotecnologia para o Agronegócio, é a obtenção de produtos derivados de biopolímeros, em resposta à busca por alternativas ao petróleo. Nesse contexto, e somados à liderança do país na agricultura, materiais como o amido, a celulose, a quitosana e as fibras naturais ganham importância. Além disso, a Embrapa desenvolve novas variedades de muitos desses materiais oriundos de fontes renováveis. Os biopolímeros, entretanto, costumam apresentar muitas limitações no desempenho mecânico e nas propriedades de barreira, mas, juntando o nano com o bio, Mattoso acredita que é possível chegar a biopolímeros com propriedades melhoradas pela nanotecnologia.

O coordenador também crê no potencial das biorrefinarias, instalações industriais que usam biomassa para a fabricação de produtos tradicionalmente obtidos de combustíveis fósseis pela indústria petroquímica. Muitos coprodutos de biorrefinarias contêm biopolímeros e fibras naturais, e poderiam se tornar bons substitutos para produtos de origem fóssil, como já acontece, seguindo conceito similar, com a alcoolquímica e o plástico derivado de cana-de-açúcar.

Não é só pelas mãos de instituições públicas, porém, que a nanotecnologia está se desenvolvendo no Brasil. Iniciativas locais também estão gerando empresas privadas envolvidas com a nanotecnologia.

É esse o caso da Nanum, de Belo Horizonte-MG. A empresa produz materiais nanoparticulados obtidos por uma via química por ela criada, em que o “pulo do gato” está no processo, e não nos insumos em si. Estes, “nada muito diferentes do que pode ser oferecido por fornecedoras nacionais de produtos químicos”, dizem J. Fernando Contadini e Tarik Della Santina Mohallem, respectivamente, diretor-presidente e diretor de P&D da Nanum.

Propriedade intelectual – Como os outros nanoatores do mercado local, a Nanum tem seus segredos industriais, invoca patentes, e pouco fala sobre como obtém suas nanopartículas: reatores, equipamentos de secagem, de mistura e instrumentos de controle rodam produtos químicos disponíveis no Brasil – e é só isso. O portfólio, nem um pouco top secret, exibe óxidos metálicos nanoparticulados, como aluminas alfa e beta, ferritas e óxidos de zinco, magnésio, zircônio e cobalto. Recentemente, foi adicionado o óxido de cobre e, em parceria, o dióxido de titânio com prata. O parceiro? Mistério!… A Nanum
também descobriu que o mercado poderia se interessar pelos respectivos hidróxidos de seus produtos, intermediários de sua rota proprietária, e o portfólio ganhou essa alternativa, no caso específico da alumina.

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