PVC: Nanotecnologia e compostos inovadores agregam aplicações

Mercado interno – A versatilidade do PVC alivia a demanda retraída por conta da crise econômica. Não é suficiente, no entanto, para contrabalançar a redução pela procura no mercado interno. A expectativa para o ano é de queda de 5% nas vendas por aqui, isso depois de três anos bastante difíceis para os fabricantes da resina. O maior problema está na fraca atividade do setor de construção civil, que apresenta pouca perspectiva de recuperação dos negócios no segundo semestre. O setor habitacional está longe de viver seus melhores dias e as obras públicas estão estagnadas

De acordo com números da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), a capacidade anual instalada de produção de PVC no país é de aproximadamente um milhão de toneladas, divididas entre 710 mil da Braskem e 290 mil da Unipar Carbocloro (que também atua na produção de 220 mil t/ano de PVC na Argentina, pela Unipar Indupa). Vale um registro. A Unipar Carbocloro era fornecedora de dicloroetano (DCE, intermediário para a síntese de PVC) para o mercado, também para a Solvay Indupa, mas comprou em 2016 os negócios de cloro, soda e PVC dessa transnacional na América do Sul. Por uma decisão de caráter estratégico mundial, o grupo Solvay passou a se dedicar ao segmento de plásticos especiais e químicos avançados. Por isso, deixou de produzir PVC em quase todos os países onde investia nessa atividade – mantém apenas uma fábrica na Rússia, inaugurada há pouco tempo e cujos negócios são considerados de bom potencial.

Plástico Moderno, Esquadrias de PVC são leves e oferecem proteção termoacústica
Esquadrias de PVC são leves e oferecem proteção termoacústica

O consumo aparente nacional em 2016 esteve muito próximo da capacidade de produção. No ano passado, ele alcançou 967 mil toneladas. Desse total, 656 mil foram produzidas internamente (68%) e 311 mil importadas (32%). A produção total brasileira de PVC no ano passado foi de 788 mil toneladas, das quais 132 mil foram exportadas. No primeiro trimestre de 2017, as vendas atingiram a casa das 251 mil toneladas, resultado similar ao observado no primeiro trimestre de 2016.

Palavra de fabricante – Diversificação de portfólio, atuação em diferentes segmentos e investimento em inovação e tecnologia são ações que fazem parte da estratégia da Braskem para obter melhores resultados nos momentos de crise. A empresa tem procurado participar de diversos projetos em muitos clientes para que esses pudessem buscar diferenciação. “Acreditamos que esses transformadores colherão os frutos dessa parceria”, avalia Ana Carolina Viana, diretora de PVC.

A executiva informa que a principal preocupação é garantir o atendimento ao mercado interno, mantendo o pleno suprimento dos transformadores brasileiros. “Uma vez cumprido esse objetivo, buscamos a exportação. O volume de PVC exportado em 2016 foi o suficiente para se obter uma operação vinílica economicamente viável”. Como as previsões locais para esse ano são negativas, a expectativa é atuar com maior agressividade no mercado externo. “Acreditamos que as vendas internas em 2017 serão cerca de 5% menores do que no ano passado. Com isso, devemos ter um incremento nas exportações”. A estimativa pode ser reavaliada conforme evolução da demanda no Brasil.

A Braskem tem duas unidades industriais de PVC, localizadas na Bahia e em Alagoas. Nelas são buscadas inovações, muitas das quais têm apresentado resultados considerados muito positivos pela direção da empresa. As principais inovações têm sido nos segmentos de perfis, seja na busca de novos sistemas construtivos ou por novas aplicações. “O segmento de janelas tem apresentado significativo desenvolvimento e já indica soluções excelentes para diversos segmentos da construção civil”.

A telha de PVC também tem sido alvo constante de aperfeiçoamentos na busca por maior participação no mercado de coberturas. “Além disso, segmentos como pisos de PVC e soluções logísticas têm tido avanços importantes com a aplicação de nossas resinas em soluções de menores custos e excelentes desempenhos”. A busca por adaptação de soluções já existentes em outros países à realidade brasileira também é apontada como constante.

Compostos – Merecem menções as empresas especializadas na pesquisa e desenvolvimento de compostos, que prestam serviços imprescindíveis para centenas de transformadores. Entre elas, a Dacarto Benvic, outra empresa que mantinha sociedade com o Grupo Solvay e passou a atuar sozinha. Também como consequência da saída do grupo multinacional do mercado de PVC, foi anunciada recentemente a venda de sua participação de 50% ao ex-parceiro de joint venture. A conclusão desta transação está prevista para o final de 2017 e sujeita às aprovações usuais, inclusive das autoridades governamentais de defesa econômica.

A Dacarto Benvic tem sede em Osasco-SP e conta com 450 funcionários em escritórios e instalações industriais em São Paulo e na Bahia. Maria Marquez Rocha, diretora superintendente, explica que o investimento feito na aquisição reforça a estratégia da empresa no sentido de continuar seu crescimento sem perder o compromisso de oferecer os melhores produtos e serviços aos clientes. “A versatilidade além da abrangência das aplicações dos compostos de PVC demanda constante inovação para desenvolvimentos de novos e melhores produtos”. A diretora destaca as crescentes demandas no desenvolvimento de produtos para o segmento de calçados. “Há busca por fórmulas que permitam maior leveza, plastificantes alternativos e blendas com outras resinas”.

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