Plásticos nos Automóveis – Caminhões e Utilitários

Montadoras de veículos de produções menores, como caminhões e utilitários, começam a empregar mais o plástico em suas peças e componentes

Entre as aplicações, o executivo destaca as extensões do caminhão, como para-lamas, para-choques, grade frontal e lateral dos veículos. “O fato de o termofixo não se reciclar é outro problema que acaba impactando pela pressão de uso de materiais sustentáveis”, diz.

Termoplásticos abrem espaço em grade frontal de caminhões

O apelo ecológico é acompanhado das vantagens de melhor acabamento, menor densidade e peso dos injetados de termoplásticos. Peças de poliamida, por exemplo, podem ser fabricadas com design mais complexo e com menor espessura.

Para ganhar espaço, os novos materiais vão ter que vencer a cultura do SMC, que usa matéria-prima mais barata e é fácil de ser processado, além de demandar ferramentas simples.

Contra essa tecnologia, Maróstica cita alguns desafios: só se pode fabricar componentes simples, ou seja, não há liberdade de design; exige-se grande esforço para retrabalho, a qualidade da superfície dos materiais não é boa, e é comum que essa superfície seja retrabalhada; além do fato de serem produzidas peças com alta densidade, o que significa dispositivos pesados.

Divulgação
Anderson Maróstica – gerente técnico da Lanxess

Maróstica argumenta que o aumento de volume de produção justifica a adoção de novos materiais plásticos.

Componentes como teto, defletor de ar, para-choques e para-lamas, entre outros, atualmente fabricados com SMC, já começam a ser produzidos com termoplásticos. O mesmo acontece com grades e extensões laterais. Montadoras como Mercedes e Iveco participam desse processo de mudança fora do Brasil.

Um exemplo são os para-choques de caminhões da montadora italiana, fabricados com o Pocan TS 3220, da Lanxess. Trata-se de uma blenda PBT/PET, reforçada com 20% de fibra de vidro. Já a Mercedes-Benz usa o Durethan, uma poliamida 6, na produção da grade do radiador do modelo de caminhão Actros.

“As barreiras incluem um preconceito criado contra os plásticos de alta tecnologia, e o convencimento passa por uma análise estrutural das peças, comprovando que elas são técnica e economicamente viáveis”, avalia Maróstica. Para ele, o acompanhamento constante dos projetos, como tem sido feito com grandes montadoras em nível mundial, também ajuda. O pacote de suporte envolve simulação em 3D, entre outros recursos.

Avanços recentes também incluem o mercado de ônibus, com a substituição do alumínio por poliamida 6 nos compartimentos de carga. “É uma evolução, que começa com um tipo de plástico e envolve um trabalho de formiguinha”, completa.

Peças de SMS na mira dos Termoplásticos – Fonte: Lanxess

Tal ação, de acordo com o executivo, vai ganhar o reforço no caso da Lanxess, que amplia sua equipe comercial para estar mais próxima dos segmentos de caminhões e ônibus. O movimento já repercute a compra internacional da Bond-Laminates.

Com a aquisição, a empresa passa agora a fabricar e vender chapas de compósitos, ampliando seu range no mercado automobilístico. Tais chapas substituem suas similares metálicas e podem ser aplicadas em regiões de maior energia e com demandas de grande resistência à torção, caso dos capôs.

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