Moldes – Sofisticados nacionais concorrem com europeus, e chineses incomodam ferramentarias simples

Plástico Moderno, Moldes - Sofisticados nacionais concorrem com europeus, e chineses incomodam ferramentarias simples

Traçar o perfil do mercado nacional de moldes para transformação de termoplásticos não é tarefa fácil. Inexistem informações precisas sobre as cifras que o segmento movimenta na economia e até mesmo sobre o número de empresas que ele envolve. Nem mesmo no foro criado para o setor existem informações confiáveis. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) tem uma câmara de discussão voltada para ferramentarias e modelação. “Lá existem poucas empresas associadas e não temos dados representativos”, informa Alexandre Fix, integrante da câmara e diretor da Polimold, empresa líder do mercado brasileiro de porta-moldes.

Plástico Moderno, Alexandre Fix, integrante da câmara e diretor da Polimold, Moldes - Sofisticados nacionais concorrem com europeus, e chineses incomodam ferramentarias simples
Fix: resultado de 2006 não trouxe retorno

O que se tem certeza é de que o setor é formado por algumas centenas de ferramentarias. A grande maioria dessas empresas é de pequeno porte, inúmeras são as criadas por profissionais do ramo interessados em ter seu próprio negócio. Outra constatação não deixa dúvidas. O Brasil conta com três grandes pólos produtores, instalados na Grande São Paulo e nas cidades de Joinville-SC e Caxias do Sul-RS.

Como faltam estatísticas e sobram dúvidas, para se ter idéia do mercado de moldes é preciso utilizar alguns parâmetros. Profissionais experientes do mercado estimam que de 50% a 70% das matrizes para injeção de plástico no Brasil são feitas com base na compra de porta-moldes. Esse dado faz do desempenho dos principais fabricantes desses produtos um bom termômetro para se avaliar como anda o setor das ferramentarias.

Duas empresas nacionais de destaque no ramo de porta-moldes, Polimold e Miranda, vivem momentos semelhantes quando a conversa recai sobre os resultados das vendas. O ano de 2006 não foi dos melhores para elas. O primeiro trimestre de 2007, no entanto, apresentou recuperação e as perspectivas para este ano são bem mais otimistas.

Entre as explicações para o fraco desempenho no ano passado se encontram velhos problemas da economia brasileira, causadores de choradeira generalizada entre representantes das indústrias dos mais diversos segmentos. Na opinião dos empresários, valorização do real, juros elevados e carga tributária excessiva são gargalos que inibem o crescimento da economia, brecam investimentos na produção e aumentam a competitividade dos importados. Basta uma análise do crescimento do PIB do ano passado para confirmar o desempenho nada animador apresentado pela indústria.

“No ano passado crescemos 5%. Pode parecer um resultado razoável, mas nosso negócio exige muitos investimentos e esse número é pífio”, avalia Fix. Para justificar sua análise pessimista, o executivo lembra do grande investimento feito pela empresa nos últimos anos. Hoje ela conta até com um galpão climatizado para garantir tolerâncias nas operações de usinagem das placas de aço que fazem parte de seus produtos.

O dirigente também ressalta o investimento feito pela empresa para que seu catálogo passasse a possibilitar desde o ano passado mais de 600 mil combinações de medidas para os compradores, número três vezes maior que o oferecido anteriormente. “O catálogo aumentou muito nosso potencial de vendas, mas os negócios não corresponderam às expectativas”, afirma.

A Polimold surgiu em meados dos anos 80 ocupando um pequeno pedaço da Bracofix, transformadora de peças plásticas que pertencia à família de Alexandre Fix. Hoje, ocupa cinco prédios, instalados em um terreno de 15 mil metros quadrados localizado em São Bernardo do Campo. A empresa conta com um time de 400 colaboradores e, além de ser líder do mercado interno, exporta para países da Europa, Ásia e América Latina. A Polimold também representa no Brasil a fabricante norte-americana de porta-moldes DME.

Amaury Alves, gerente-comercial da Miranda, concorrente da Polimold no território nacional, faz leitura parecida do mercado. “O que posso dizer é que em 2006 tivemos de lutar muito para vender”, explica. As vendas de porta-moldes representam 35% do faturamento da empresa, que também atua nos mercados de bases de estampo e de outros produtos.

A Miranda tem planta industrial localizada no município de Suzano-SP e no ano passado também trabalhou no desenvolvimento de um novo catálogo, que possibilita mais de 500 mil combinações de medidas, contra as 50 mil a 60 mil oferecidas antes. “O novo catálogo já está à disposição do mercado, mas vamos fazer seu lançamento oficial na Brasilplast”, revela Alves.

Plástico Moderno, Amaury Alves, gerente-comercial da Miranda, Moldes - Sofisticados nacionais concorrem com europeus, e chineses incomodam ferramentarias simples
Alves: número de empresas é um mistério

A boa notícia para as duas empresas é que desde o fim de 2006 os negócios estão em alta. “No ano passado nosso lucro foi zero. Neste ano, tivemos um pequeno lucro no primeiro trimestre. As vendas evoluíram, mas ainda estamos trabalhando com rentabilidade muito baixa”, diz Fix. “A expectativa para esse ano é boa, o mercado vem se aquecendo e há mais confiança entre os nossos clientes”, emenda Alves.
A análise feita pelos representantes da indústria de porta-moldes coincide com a percepção de mercado de profissionais experientes das ferramentarias. “O ano passado foi fraco para o setor, mas este ano está começando muito bem”, garante Alan Miguel Ayres, gerente-comercial da Btomec, localizada na cidade de Joinville-SC.

A empresa, uma das principais do mercado nacional, encontra-se no seleto clube das que atuam com tecnologia de ponta. Entre suas especialidades está a fabricação de moldes de múltiplas cavidades e de stack molds.  A mesma informação é dada por Nelson Gonçalves, gerente de engenharia da paulistana Moltec e presidente da câmara de engenharia da Abimaq.

No mercado desde 1971 e com um time de 300 colaboradores, a Moltec é uma das maiores do ramo no País. Atua exclusivamente na área de embalagens e também produz moldes de sopro. Uma das suas especialidades são as matrizes para tampas e pré-formas de PET.

Número desconhecido – Mesmo para os executivos das duas companhias que se destacam entre os fornecedores nacionais de porta-moldes, é difícil calcular o número de fabricantes de moldes instalados no País. Fix revela que a Polimold conta em seu cadastro com os nomes de 4,8 mil clientes. “Mas esse número não espelha a realidade”, ressalta. O diretor da Polimold informa que muitas dessas empresas não realizam compras há um bom tempo e podem estar inativas. Outras são transformadores que não costumam terceirizar a produção dos moldes que utilizam. Alves, por sua vez, prefere nem arriscar palpite. “Não tenho idéia de quantos produtores de moldes existem no País”, resume.

Plástico Moderno, Alan Miguel Ayres, gerente-comercial da Btomec, Moldes - Sofisticados nacionais concorrem com europeus, e chineses incomodam ferramentarias simples
Ayres: vendas do início do ano são animadoras

Lideranças do setor de ferramentarias também não têm noção exata deste número. Gonçalves, da Moltec, estima entre dois mil e três mil empresas. Wiland Tiergarten, diretor da Btomec, calcula em três mil, entre ferramentarias e empresas de usinagem. Mas nenhum dos dois põe a mão no fogo na hora de garantir se esses números estão próximos da realidade.

Na região paulista, o número de empresas existentes é um mistério. Nos outros dois pólos, localizados em cidades de menor porte, a projeção é mais fácil de ser realizada. “Em Joinville existem mais ou menos 400 fabricantes de moldes e especialistas em usinagem”, acredita Tiergarten. “Temos mais de 200 ferramentarias em Caxias do Sul, voltadas para segmentos bem diversificados”, calcula Mari Lucia Scolaro, coordenadora de marketing da Belga Matrizes, empresa apontada como uma das principais referências do mercado gaúcho. A Belga está no mercado há 28 anos e conta com 120 colaboradores. Em sua fábrica já produziu moldes de até 40 toneladas.

Seus principais clientes são da indústria automobilística, mas a empresa também atende os transformadores de peças para eletrodomésticos da linha branca e linhas de produtos agrícolas, entre outros segmentos.

Sofisticados e simples – As ferramentarias brasileiras têm tamanhos e características muito diferenciados e prestam serviços variados. Em uma análise simples, elas podem ser divididas em duas categorias, as especializadas em ferramentas sofisticadas e as que fabricam moldes de menor precisão.

O número de empresas que atuam com tecnologia de ponta talvez não chegue a meia centena. Por isso, elas sofrem bem menos com a concorrência interna. Esse nicho pode ser subdividido em dois segmentos. Um é formado pelas que trabalham para atender os transformadores de peças de grande precisão dimensional, caso, por exemplo, das fornecedoras de autopeças. Outro, pelas que fabricam moldes de múltiplas cavidades, voltados para produtores de grandes volumes de produção, em especial para a indústria de embalagens. São muito poucas as ferramentarias sofisticadas que vagam pelos dois segmentos, que têm capacidade de produzir moldes tanto para fabricação de peças com elevada precisão dimensional quanto para elevadas produções.

Plástico Moderno, Nelson Gonçalves, gerente de engenharia da paulistana Moltec e presidente da câmara de engenharia da Abimaq, Moldes - Sofisticados nacionais concorrem com europeus, e chineses incomodam ferramentarias simples
Para Gonçalves, setor tem cerca de 3 mil empresas

Em maior número, as que produzem moldes com menor exigência dimensional atendem as transformadoras de peças com medidas mais tolerantes. São os casos dos fabricantes de alguns utensílios domésticos ou de componentes de determinados brinquedos, entre outros. Esse nicho é bem mais concorrido e obrigado a conviver com índices de rentabilidade bem espremidos. Isso faz a luta pela sobrevivência entre as empresas com essas características ser bastante acirrada.

No universo das fabricantes de moldes, não se verifica o fenômeno de fusão de companhias que vem ocorrendo em outros segmentos da economia. Na opinião dos especialistas, o perfil de administração das empresas do ramo dificulta iniciativas do gênero. “Poucos são os empresários do setor considerados empreendedores.

A maioria tem perfil técnico e não gosta de se arriscar fazendo negócios que envolvam grandes riscos. Além disso, poucos têm capital para investir na compra de outras empresas”, analisa Fix. No setor também não se verifica outro acontecimento comum nos dias de hoje, o da chegada de multinacionais especializadas.

Automóveis e embalagens – O desempenho tanto das ferramentarias mais sofisticadas quanto das mais simples tem um aspecto comum. As vendas dependem muito do momento vivido pelos segmentos econômicos nos quais atuam seus clientes. Dois segmentos econômicos são de fundamental importância para os produtores de moldes com maior rigor de qualidade: o automobilístico e o de embalagens.
Nos últimos tempos, quem trabalha para as montadoras não tem do que reclamar. Em 2006, os resultados obtidos pelos fabricantes de veículos foram considerados excelentes. E no primeiro trimestre de 2007 as montadoras bateram o recorde de vendas no período em todos os tempos. De janeiro a março foi registrada a produção de 655,2 mil carros, número 4% superior em relação ao verificado no primeiro trimestre do ano passado, dizem os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Mari Lucia, da Belga, comenta os reflexos da boa fase das montadoras para a sua ferramentaria. “No ano passado, tivemos excelente desempenho. O crescimento do nosso volume de vendas foi de 29%”, informa. As coisas continuam bem em 2007. “Em janeiro e fevereiro, meses que tradicionalmente são fracos, as vendas ocorreram em ritmo normal. Em março se aqueceram e em abril estão bem movimentadas”, revela a executiva.

Marcos D’Aflita, gerente de desenvolvimento de ferramental da Plascar, é outro que comemora o bom momento da indústria automobilística. “Estamos vivendo uma ótima fase. No momento, temos 168 moldes em desenvolvimento”, revela.
A Plascar, uma das principais fornecedoras de peças plásticas para as montadoras, é exemplo de transformadora que mantém ferramentaria própria. A empresa possui três plantas no Brasil e uma na Argentina, que somadas contam com 86 máquinas injetoras. Ao todo, emprega 450 colaboradores.

Plástico Moderno, Moldes - Sofisticados nacionais concorrem com europeus, e chineses incomodam ferramentarias simples
Pavarini: especialização em embalagens garante lucro

Sua ferramentaria é modesta, se comparada com a dimensão da empresa. Ela conta com 17 colaboradores, que têm como finalidade principal executar projetos de moldes que exijam know-how avançado.

“Os moldes mais comuns compramos de fornecedores”, informa o gerente.

O período está tão positivo que a Plascar avalia a possibilidade de ampliar sua estrutura para passar a prestar serviços de ferramentaria para terceiros.

O setor de embalagens apresentou no ano passado resultados bem mais modestos que a indústria automobilística. Houve queda na produção física de 0,18% em relação ao exercício anterior, de acordo com a Associação Brasileira de Embalagens (Abre). Em termos de faturamento, o setor obteve crescimento de apenas 2,13%. Para 2007, a expectativa também não é muito positiva. Estima-se que haverá um crescimento de 2% no volume de produção física.

Os números não empolgam, mas uma particularidade favorece as ferramentarias que atuam para o setor: o plástico continua a ganhar espaço no setor em relação a outras matérias-primas. A entrada do PET em embalagens de alimentos e a forte presença das resinas na indústria de cosméticos são exemplos do momento favorável.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios