Moldes – Renovação de modelos de carros aumenta a venda de ferramental avançado

Múltiplas cavidades

Por ser um setor pulverizado e também contar com bom número de empresas especializadas em diferentes nichos de atuação, a crise não atingiu todas as ferramentarias da mesma maneira.

Algumas se deram melhor, outras estão sofrendo mais. Depoimentos de responsáveis por algumas empresas bastante conhecidas reforçam essa realidade.

A Moltec, empresa paulistana especializada no projeto de moldes de injeção com múltiplas cavidades de resinas variadas e de moldes para as diversas opções de injeção e sopro para a produção de embalagens em PET, não se queixa do momento atual.

“Estamos em um bom momento, melhor do que no ano passado, que já não havia sido ruim”, explica Bruno Chagas, gerente técnico geral.

Plástico Moderno, Chagas: ciclos rápidos exigem ligas e projetos especiais
Chagas: ciclos rápidos exigem ligas e projetos especiais

Chagas credita a fase positiva ao esforço da empresa em oferecer soluções adequadas aos clientes.

“Temos uma equipe 100% formada por técnicos, além de contarmos com acordos de troca de tecnologia com empresas especializadas dos Estados Unidos e Europa”.

Ele destaca uma iniciativa tomada no ano passado, a criação de um departamento voltado para gerir todas as etapas de um projeto em paralelo à engenharia e manufatura.

A missão do novo departamento é captar informações, gerar gráficos, fazer todo o processo de acompanhamento do projeto e atualizar o cliente. “Para construir dois moldes para peças bastante similares, as soluções adotadas para um cliente podem ser muito diferentes das adotadas para outro.

As injetoras podem ser diferentes, uma pode utilizar robôs laterais, outra prefere extrair as peças por gravidade. Os tipos de refrigeração, conforme o caso, devem ter desenhos diferenciados”, detalhou.

Uma das demandas do mercado para moldes de múltiplas cavidades é contar com linhas de produção cada vez mais rápidas, que trabalham com ciclos onde décimos de segundo proporcionam grande economia. Para os fabricantes de moldes, essa é uma preocupação crescente.

“Os moldes para ciclos rápidos precisam contar com ligas de alto desempenho, tratamento térmico e revestimentos caríssimos, que permitam o trabalho em alta velocidade e a repetibilidade na qualidade das peças”.

Moldes grandes

Moldes de maior porte, dirigidos às indústrias automobilística e de móveis, são a especialidade da MoldIT, ferramentaria com sede em Lisboa e filial na cidade de Camaçari-BA.

Plástico Moderno, Farinhas: indústria automotiva voltou a programar encomendas
Farinhas: indústria automotiva voltou a programar encomendas

“Nosso maquinário é voltado para moldes de 4 a 30 toneladas.

Conforme o caso, se fecharmos um pacote de encomendas com um cliente, podemos fazer moldes de menor porte a partir da aquisição de porta-moldes”, explica Erasmo Farinhas, diretor comercial.

“A indústria automobilística programou lançamentos e já temos algumas encomendas, por sua vez a indústria moveleira continua bem parada”

Para a MoldIT, esse ano apresentará melhores resultados do que 2016.

Ele cita, por exemplo, encomendas feitas pelas fábricas de caminhões Scania e Mercedes-Benz, que garantem um bom nível de atividade para o segundo semestre. Poderia ser melhor.

“Tínhamos expectativa de novas encomendas, mas a crise política faz com que os clientes se sintam inseguros, paralisem projetos já engatilhados até que as coisas se acalmem”.

Um diferencial da ferramentaria é contar com duas máquinas injetoras, adquiridas para realizar operações de tryout. Para melhor aproveitar os equipamentos, a empresa também presta serviços de transformação de peças. “Não queremos concorrer com nossos clientes.

Transformamos peças quando um comprador de nossos moldes necessita realizar uma operação de manutenção em sua linha de produção, damos a ele a possibilidade de não paralisar a fabricação de peças”, explica.

Farinhas destaca que a ferramentaria se preocupa com alguns aspectos tecnológicos importantes para o bom desempenho da ferramenta. Entre eles, seleção adequada do aço, acabamento, desenho da refrigeração e a realização de estudos reológicos dentro de critérios rigorosos. “Hoje existem dois fatores importantes para os clientes, a necessidade de fazer peças robustas e que atendam às normas do Inmetro com menor quantidade de plástico e alcançar tal fabricação em ciclos cada vez menores”.

Stack-molds

A catarinense Herten, com sede em Joinville, foca sua estratégia de mercado na versatilidade. A empresa faz moldes diversos segmentos da economia, como indústria automotiva, de linha branca, para peças com paredes finas (embalagens e descartáveis) e outras.

Entre os diferenciais da empresa se encontram o know how no projeto e produção de stack-molds e também na produção de moldes de grande porte, até 42 toneladas.

“Em relação ao ano passado, o pior dos 36 em que estamos no mercado, 2017 está um pouco melhor, mas não o suficiente.

Os segmentos mais ativos até o momento são os de linha branca e de escovas de dentes”, informa Edson Hertenstein, diretor comercial. Em relação às perspectivas para o segundo semestre, a situação parece não muito clara.

“O mercado vinha dando sinal de aquecimento, mas os escândalos políticos inibem os investimentos. Pelos contatos que estamos tendo com os clientes, acreditamos que a partir de agosto possamos contar com novo período de aquecimento”.

Página anterior 1 2

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios