Moldes – Renovação de modelos de carros aumenta a venda de ferramental avançado

A economia está longe de viver seus melhores dias e os fabricantes de moldes para injeção de plásticos sentem os efeitos desses momentos pouco agradáveis. Depois de quatro anos difíceis, em especial o ano passado, os primeiros meses de 2017 sugeriam recuperação dos negócios, ainda que em níveis modestos.

Os problemas gerados no campo político nas últimas semanas, porém, deixam no ar um clima de indefinição. Continuará a recuperação? O segundo semestre promete emoções fortes.

Uma boa ideia sobre a situação do setor é dada por Christian Dihlmann, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer), entidade fundada em 2011 para representar a indústria de moldes para plásticos, bases de estampos e demais tipos de ferramentas industriais produzidas no país.

“No ano passado, o setor apresentou 6% de queda no faturamento. Para este ano, nossa meta é de 4% de crescimento”, informa. O presidente estima existir no Brasil duas mil ferramentarias independentes e 3,5 mil departamentos cativos em empresas verticalizadas, quando o assunto é a produção de ferramentas. O segmento do plástico responde por 60% desses números.

De acordo com Dihlmann, o setor sofre queda de faturamento desde 2013, fato que começou a se reverter só a partir do último mês de março. O motor da recuperação está no segmento mais importante para as ferramentarias: a indústria automotiva.

“As montadoras são uma espécie de âncora para nós, quando elas vão bem, cria-se um ciclo virtuoso e todas as demais áreas vão bem”. Houve forte queda nas vendas de veículos nos últimos anos, é verdade. Apesar disso, nesse momento muitas montadoras estão trabalhando no lançamento de novos modelos e isso aqueceu as encomendas de ferramentas.

Plástico Moderno, Moldes de grande porte são fabricados para injetar partes inteiras de veículos automotores
Moldes de grande porte são fabricados para injetar partes inteiras de veículos automotores

O ritmo do avanço, no entanto, pode sofrer um revés. Alguns projetos de novos automóveis estão em andamento e os negócios já gerados foram positivos. Por outro lado, lançamentos muito próximos de serem anunciados podem ser engavetados por causa da insegurança gerada com as recentes denúncias contra os líderes políticos nacionais. “Talvez o início da recuperação ocorra em 2018 e a normalidade só retorne a partir de 2019”, pondera.

Outros importantes clientes apresentam comportamentos distintos.

Plástico Moderno, Desenho dos moldes considera as necessidades de cada cliente
Desenho dos moldes considera as necessidades de cada cliente

As empresas de embalagens, por exemplo, colhem os frutos de seu dinamismo. Para marcar presença nas gôndolas, a indústria sempre lança novos produtos, como xampus, bebidas ou alimentos, entre outros.

Mesmo que o momento peça produtos menos sofisticados e com preços mais acessíveis, torna-se imprescindível o surgimento de novas embalagens. “A crise reduz os pedidos, mas a fabricação de ferramentais sempre é necessária”, explicou o presidente da Abinfer.

Já no setor de construção civil, outro grande usuário de componentes plásticos, a situação se complica. “A construção civil não depende tanto de lançamentos, não precisa inovar seus produtos de forma constante. Grandes marcas, como as fábricas de tubos e conexões, não investem se não tiverem que aumentar a produção”.

Caso a economia volte a se aquecer, os ferramenteiros brasileiros vão enfrentar outro problema. Um período longo convivendo com pequeno número de encomendas os impede de investir em equipamentos de usinagem mais modernos. A defasagem torna difícil a competição com concorrentes de outros países. “Hoje as importações correspondem a 50% dos moldes novos utilizados pela indústria. Nossas exportações atingem valores insignificantes, vendemos para alguns países da América do Sul e México”, comentou.

A principal luta da Abinfer hoje se concentra no convencimento do governo para a renovação do programa Inovar-Auto. O programa foi lançado em 2012, mas sua regulamentação atrasou e só apareceu em 2015.

“Ele chegou ao mercado no meio da crise, não foi possível aproveitá-lo de maneira plena”, lamentou. O benefício fiscal previsto pela iniciativa se extingue no dia 31 de dezembro de 2018.

“Queremos que ele seja prorrogado até 2030”. Outra aposta é a revigoração do programa Minha Casa, Minha Vida, que gera grande volume de encomendas para as ferramentarias que tem entre seus clientes representantes da construção civil.

Múltiplas cavidades

Por ser um setor pulverizado e também contar com bom número de empresas especializadas em diferentes nichos de atuação, a crise não atingiu todas as ferramentarias da mesma maneira.

Algumas se deram melhor, outras estão sofrendo mais. Depoimentos de responsáveis por algumas empresas bastante conhecidas reforçam essa realidade.

A Moltec, empresa paulistana especializada no projeto de moldes de injeção com múltiplas cavidades de resinas variadas e de moldes para as diversas opções de injeção e sopro para a produção de embalagens em PET, não se queixa do momento atual.

“Estamos em um bom momento, melhor do que no ano passado, que já não havia sido ruim”, explica Bruno Chagas, gerente técnico geral.

Plástico Moderno, Chagas: ciclos rápidos exigem ligas e projetos especiais
Chagas: ciclos rápidos exigem ligas e projetos especiais

Chagas credita a fase positiva ao esforço da empresa em oferecer soluções adequadas aos clientes.

“Temos uma equipe 100% formada por técnicos, além de contarmos com acordos de troca de tecnologia com empresas especializadas dos Estados Unidos e Europa”.

Ele destaca uma iniciativa tomada no ano passado, a criação de um departamento voltado para gerir todas as etapas de um projeto em paralelo à engenharia e manufatura.

A missão do novo departamento é captar informações, gerar gráficos, fazer todo o processo de acompanhamento do projeto e atualizar o cliente. “Para construir dois moldes para peças bastante similares, as soluções adotadas para um cliente podem ser muito diferentes das adotadas para outro.

As injetoras podem ser diferentes, uma pode utilizar robôs laterais, outra prefere extrair as peças por gravidade. Os tipos de refrigeração, conforme o caso, devem ter desenhos diferenciados”, detalhou.

Uma das demandas do mercado para moldes de múltiplas cavidades é contar com linhas de produção cada vez mais rápidas, que trabalham com ciclos onde décimos de segundo proporcionam grande economia. Para os fabricantes de moldes, essa é uma preocupação crescente.

“Os moldes para ciclos rápidos precisam contar com ligas de alto desempenho, tratamento térmico e revestimentos caríssimos, que permitam o trabalho em alta velocidade e a repetibilidade na qualidade das peças”.

Moldes grandes

Moldes de maior porte, dirigidos às indústrias automobilística e de móveis, são a especialidade da MoldIT, ferramentaria com sede em Lisboa e filial na cidade de Camaçari-BA.

Plástico Moderno, Farinhas: indústria automotiva voltou a programar encomendas
Farinhas: indústria automotiva voltou a programar encomendas

“Nosso maquinário é voltado para moldes de 4 a 30 toneladas.

Conforme o caso, se fecharmos um pacote de encomendas com um cliente, podemos fazer moldes de menor porte a partir da aquisição de porta-moldes”, explica Erasmo Farinhas, diretor comercial.

“A indústria automobilística programou lançamentos e já temos algumas encomendas, por sua vez a indústria moveleira continua bem parada”

Para a MoldIT, esse ano apresentará melhores resultados do que 2016.

Ele cita, por exemplo, encomendas feitas pelas fábricas de caminhões Scania e Mercedes-Benz, que garantem um bom nível de atividade para o segundo semestre. Poderia ser melhor.

“Tínhamos expectativa de novas encomendas, mas a crise política faz com que os clientes se sintam inseguros, paralisem projetos já engatilhados até que as coisas se acalmem”.

Um diferencial da ferramentaria é contar com duas máquinas injetoras, adquiridas para realizar operações de tryout. Para melhor aproveitar os equipamentos, a empresa também presta serviços de transformação de peças. “Não queremos concorrer com nossos clientes.

Transformamos peças quando um comprador de nossos moldes necessita realizar uma operação de manutenção em sua linha de produção, damos a ele a possibilidade de não paralisar a fabricação de peças”, explica.

Farinhas destaca que a ferramentaria se preocupa com alguns aspectos tecnológicos importantes para o bom desempenho da ferramenta. Entre eles, seleção adequada do aço, acabamento, desenho da refrigeração e a realização de estudos reológicos dentro de critérios rigorosos. “Hoje existem dois fatores importantes para os clientes, a necessidade de fazer peças robustas e que atendam às normas do Inmetro com menor quantidade de plástico e alcançar tal fabricação em ciclos cada vez menores”.

Stack-molds

A catarinense Herten, com sede em Joinville, foca sua estratégia de mercado na versatilidade. A empresa faz moldes diversos segmentos da economia, como indústria automotiva, de linha branca, para peças com paredes finas (embalagens e descartáveis) e outras.

Entre os diferenciais da empresa se encontram o know how no projeto e produção de stack-molds e também na produção de moldes de grande porte, até 42 toneladas.

“Em relação ao ano passado, o pior dos 36 em que estamos no mercado, 2017 está um pouco melhor, mas não o suficiente.

Os segmentos mais ativos até o momento são os de linha branca e de escovas de dentes”, informa Edson Hertenstein, diretor comercial. Em relação às perspectivas para o segundo semestre, a situação parece não muito clara.

“O mercado vinha dando sinal de aquecimento, mas os escândalos políticos inibem os investimentos. Pelos contatos que estamos tendo com os clientes, acreditamos que a partir de agosto possamos contar com novo período de aquecimento”.

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