Moldes – Ferramenteiros marcam presença institucional, mas aproveitam para divulgar a carteira de produtos

O número não é preciso, mas se estima que no Brasil existam entre duas e três mil ferramentarias. Diante de tamanha pulverização, alguém menos avisado poderia imaginar que o setor estaria muito bem representado na Brasilplast. Na prática, ocorreu o inverso. Raríssimas empresas nacionais do ramo estiveram presentes na feira.

Alguns fatores ajudam a explicar a participação tão tímida. Composto, em sua grande maioria, por empresas de pequeno porte, o setor conta com raros representantes em condições de investir na aquisição de espaço em evento tão concorrido. Não bastasse a verba escassa, nesse nicho de mercado a Brasilplast sofre a concorrência da Intertooling Brasil, feira e congresso internacional de tecnologia de ferramentas. O evento será realizado de 24 a 27 de julho no Centro de Exposições Imigrantes, também na capital paulista.

Como exemplo dessa interferência, podemos citar a ausência na Brasilplast da Btomec, ferramentaria localizada na cidade de Joinville-SC. A empresa é uma das principais do mercado nacional e atende o nicho de mercado formado pelos transformadores que trabalham com tecnologia de ponta. “Preferimos expor na Intertooling por se tratar de um evento especializado”, resume de forma clara Wiland Tiergarten, diretor da empresa catarinense.

Mesmo considerando decepcionante a presença de ferramentarias na feira, os profissionais interessados no assunto que foram ao Anhembi não perderam a visita: puderam conferir produtos tradicionais e lançamentos de vários fornecedores de componentes para moldes. As novidades apresentadas mostraram de matérias-primas mais resistentes a câmaras quentes e porta-moldes, além de vários outros itens usados na produção de matrizes.

Ferramentarias – A encomenda de uma ferramenta é feita com base na necessidade dos transformadores de produzir determinada peça. Envolve reuniões demoradas, nas quais se discutem a máquina onde a peça deve ser fabricada e o desenvolvimento do projeto mais adequado para a matriz. Em uma feira onde dezenas de pessoas circulam entre os estandes, fechar um negócio desse gênero é praticamente impossível.

“A presença das ferramentarias na Brasilplast tem função institucional, é uma boa chance para nos relacionarmos com os principais parceiros e clientes”, explica Peter Schulze, coordenador de vendas da Moltec. A empresa é nome bastante tradicional do setor. No mercado desde 1971 e com um time de 300 colaboradores, ela foca seus serviços na área de embalagens e produz moldes para injeção e sopro.

Plástico Moderno, Peter Schulze, coordenador de vendas da Moltec, Moldes - Ferramenteiros marcam presença institucional, mas aproveitam para divulgar a carteira de produtos
Schulze: presença na mostra reforça laços com os clientes

Entre as especialidades da Moltec se encontra a produção de matrizes para tampas, pré-formas e garrafas de PET, mercado que anda bastante promissor nos últimos tempos. O PET vem conquistando espaço no campo das embalagens por suas boas propriedades físico-químicas e também pelo preço competitivo em relação a outras matérias-primas – caso do polipropileno, por exemplo.

De acordo com Schulze, a feira foi uma oportunidade para a empresa demonstrar sua especialização nessa área. “Existe a tendência das empresas de personalizar garrafas, frascos e tampas e nós ajudamos os clientes a obter embalagens diferenciadas, mas que respeitem a identidade das marcas”, garante.

Outra demanda do mercado é por embalagens que, apesar de manter a resistência, sejam cada vez mais leves. “Ajudamos a criar projetos que privilegiem esse aspecto. Cada seis ou sete gramas que economizamos por embalagem proporciona grande economia ao transformador”, explica.

Schulze lembra que para chegar ao projeto ideal, a Moltec presta serviços de engenharia que contam com sofisticado equipamento computadorizado. “Todo o nosso desenvolvimento é feito com o uso de imagens tridimensionais”, revela. Antes de chegar ao design final da embalagem, a ferramentaria procura aperfeiçoá-la com base na manufatura de réplicas, ou mock-ups, o que ajuda a visualizar a solução encontrada. “Temos condições de fazer mock-ups até flexíveis”, garante.

Toda a tecnologia da Moltec foi utilizada para chegar aos moldes da embalagem de PET com capacidade para 400 ml da Coca-Cola Zero, que está chegando ao mercado. O molde e a nova garrafa do refrigerante fizeram sucesso entre os visitantes do estande da empresa.

“A Brasilplast oferece a oportunidade de fazer contatos muito positivos”, resume José Antonio Costa, diretor-geral da Moldit. A unidade brasileira da empresa de origem portuguesa está instalada na cidade de Camaçari-BA. “Temos capacidade de fabricar moldes com até 50 toneladas e para diferentes tecnologias, como injeção, injeção a gás, injeção sobre tecidos, biinjeção e matrizes de compressão”, conta o dirigente.

Plástico Moderno, Emerson Cheng, gerente de projetos da Easton, Moldes - Ferramenteiros marcam presença institucional, mas aproveitam para divulgar a carteira de produtos
Cheng: molde chinês é até 50% mais barato que o brasileiro

Entre os diferenciais da empresa, Costa aponta a possibilidade de fabricar em Portugal moldes de maior porte, em prazos menores, e a custos mais compensadores do que os produzidos no Brasil. “Lá conseguimos comprar placas de aço de grande dimensão a preços mais competitivos e com entrega mais rápida do que aqui”, justifica. Para atender às encomendas feitas pelos transformadores brasileiros, no entanto, a empresa raramente conta com suas instalações localizadas no Velho Continente. “Quase tudo que vendemos aqui é feito na Bahia”, informa.

Asiáticas – Ferramentarias orientais deram o ar da graça na Brasilplast em modestos estandes. A intenção de fechar bons negócios, no entanto, não foi nada modesta. Atraentes por apresentarem preços competitivos, em especial em época de real forte, essas empresas aproveitaram a feira para fazer vários contatos com transformadores nacionais.

Um dos objetivos dos fabricantes orientais de moldes foi promover o rompimento de determinadas barreiras que atrapalham os negócios, como a grande distância entre o Brasil e os países daquela região, idiomas muito distintos e dificuldades para a prestação de serviços de manutenção.

“Conforme o caso, os preços dos moldes chineses podem ser de 30% até 50% mais baratos do que os fabricados no Brasil”, diz Emerson Cheng, gerente de projetos da Easton, empresa taiwanesa, com fábricas localizadas em Taiwan e na China, especializada em moldes de injeção. Ferramentas voltadas para peças de eletrodomésticos da linha branca respondem por 40% das encomendas da empresa. O setor automotivo (20%) e o de informática (15%) são outros importantes clientes.

Plástico Moderno, Cleber Jesus Silva, do departamento de desenvolvimento e marketing da Polimold, Moldes - Ferramenteiros marcam presença institucional, mas aproveitam para divulgar a carteira de produtos
Silva oferece quase um milhão de combinações de porta-moldes

Cheng, um taiwanês que morou alguns anos no Brasil e agora trabalha na sede da Easton, em Taiwan, explica, com seu sotaque carregado, que a empresa fica mais competitiva nas encomendas de maior porte. “Um molde que exige 50 horas de trabalho chega ao Brasil com preço muito próximo do praticado aqui. Já um molde que necessite de 300 horas fica bem mais barato, pois o custo da mão-de-obra chinesa é bem mais baixo”, conta.

O mesmo raciocínio vale para as encomendas de um número grande de ferramentas, mesmo as de pequeno porte. Tais encomendas são feitas por produtores de grandes quantidades de peças e compradores de número elevado de moldes.

A Easton atendeu um cliente brasileiro do gênero no ano passado. Trata-se da Itautec, que adquiriu lote de 30 moldes fabricados na China. Eles serão utilizados para a fabricação de componentes de computadores oferecidos ao mercado pela Itautec.

O excelente potencial doméstico vem sendo explorado há alguns anos pela Oriental Precise Mould, ferramentaria com sede em Taiwan especializada em moldes de injeção. A empresa marcou presença pela sexta vez consecutiva na Brasilplast. “Participamos da feira para manter os clientes que já nos conhecem e fazer novos contatos”, informa Guillermo Su, gerente de vendas.

Plástico Moderno, Moldes - Ferramenteiros marcam presença institucional, mas aproveitam para divulgar a carteira de produtos
Polimold destacou sistema valvulado para câmara quente

A Oriental exporta para o Brasil em torno de 20 a 30 moldes por ano. “Temos mais de 150 moldes em funcionamento por aqui”, orgulha-se o gerente. O nicho de mercado que responde por grande parte das receitas da empresa no Brasil é formado por transformadores fabricantes de móveis, como cadeiras e mesas voltadas para jardins. As matrizes são todas de grande porte.

Componentes – Os ferramenteiros não apareceram de forma marcante na Brasilplast, mas estiveram presentes vários fornecedores dos mais variados componentes para moldes. Entre eles, destaque para os fabricantes de porta-moldes, que se mostraram aptos a oferecer milhares de combinações de modelos, com diversos tamanhos e características.

No Brasil, estima-se que de 50% a 70% das ferramentas são fabricadas utilizando porta-moldes.A Polimold, maior empresa brasileira do ramo, divulgou sua linha, composta por quase um milhão de combinações feitas com base em 53 tamanhos diferenciados. “Temos 600 mil combinações de porta-moldes com duas placas e mais de 300 mil com três placas”, informa Cleber Jesus Silva, do departamento de desenvolvimento e marketing da empresa.

Plástico Moderno, Moldes - Ferramenteiros marcam presença institucional, mas aproveitam para divulgar a carteira de produtos
Ferramenta da Polimold injetou o pára-choque

Para Alexandre Fix, presidente da empresa, a feira estava bem animada e foi uma ótima oportunidade para estreitar o relacionamento com os clientes. “Tivemos a possibilidade de conversar com um número imenso de representantes de clientes com os quais não conseguimos ter contato direto no dia-a-dia.

Também aproveitamos para conversar com clientes do exterior”, disse. A grande atração do estande da Polimold foi um dispositivo de sistema valvulado para câmara quente, projetado e construído pela empresa para a produção de pára-choques de automóveis.

“O mesmo dispositivo que mostramos aqui já foi exibido com sucesso em feiras nos Estados Unidos, Japão, Holanda e Canadá, e também será exposto este ano na K, na Alemanha”, afirma Fix.

Plástico Moderno, Alberto Onofre Reis, gerente de vendas, Moldes - Ferramenteiros marcam presença institucional, mas aproveitam para divulgar a carteira de produtos
Reis exibiu porta-moldes em feira pela primeira vez

O sistema valvulado é bastante sofisticado e indicado para a fabricação de peças em moldes com mais de um ponto de injeção. O produto permite a fluência “inteligente” do material dentro do molde e tem como finalidade evitar o surgimento de linhas de emenda ou de pontos com menor resistência mecânica.

Fernando Miranda, presidente da Miranda, também fornecedora de porta-moldes, aproveitou a presença da empresa na feira para lançar seu novo catálogo, composto por mais de 500 mil combinações de produtos. Com o lançamento, a empresa espera elevar sua participação nesse mercado. Os porta-moldes são responsáveis por aproximadamente 35% do faturamento da Miranda, que também atua no mercado de bases de estampo e de outros produtos. “Essa foi a maior Brasilplast dos últimos catorze anos, tivemos chance de fechar muitos negócios”, garante o presidente.

Outro nome tradicional do ramo, a MDL-Danly, empresa de origem norte-americana hoje controlada por investidores brasileiros, mostrou na feira seu know-how para fabricação de porta-moldes de pequenas a grandes dimensões. Um dos diferenciais dos produtos da empresa é a utilização nos moldes de buchas com canal de lubrificação que mantém as placas bases guiadas. “Temos exclusividade dessa tecnologia no Brasil. Ela permite que a durabilidade do molde aumente em até duas vezes”, garante o gerente de vendas Estevam Horvate.

O executivo ressalta a participação da empresa no nicho de ferramentas de grande dimensão, muito usadas para produzir peças de automóveis e de eletrodomésticos de linha branca. “Nós conseguimos atender esse mercado porque contamos com equipamentos de usinagem de grande porte, que suportam peças de aço de até duas toneladas”, justifica. Como destaque, ele citou uma furadeira capaz de fazer furos de quatro a 32 milímetros de diâmetro e dois metros de profundidade. Além dos porta-moldes, a empresa também oferece vários componentes para ferramentas, como pinos e buchas.

Há 39 anos no mercado e com cerca de cem funcionários, a Três-S- é bastante conhecida como fornecedora de variados componentes, entre eles molas, punções, pinos, extratores e outros itens que equipam as matrizes. Na Brasilplast, a empresa reforçou para o mercado sua entrada no campo de porta-moldes, produto que passou a oferecer nos últimos meses. “É a primeira feira que participo na qual divulgamos esses produtos”, revela o gerente de vendas Alberto Onofre Reis.

A nova linha da empresa é formada por quatro tipos de porta-moldes: a série normal (com placas de 450 mm a 650 mm); a série com placas flutuantes (340 mm a 500 mm); a de injeção capilar (300 mm a 350 mm); e redondos (diâmetro de 270 mm). As novidades da Três-S- não pararam por aí. A empresa também lançou outros componentes, como novas linhas de bases de estampos e colares de esferas, além de buchas e placas deslizantes, estes dois últimos fabricados em aço e bronze enriquecidos com grafite.

Os produtos apontados como carros-chefe da Tecnoserv, empresa com cerca de 50 funcionários, são os porta-moldes e as câmaras quentes, oferecidos em vários tamanhos e combinações. A empresa também comercializa resistências elétricas para bicos e manifolds destinados à reposição de peças, itens que oferece no regime de pronta entrega.

Na Brasilplast, porém, a Tecnoserv também destacou dois lançamentos voltados para o universo dos moldes de injeção. Um deles é um pó químico que age como desmoldante. “Ele pode ser adicionado ao polímero que será transformado e facilita a retirada das peças do molde. O produto é atóxico e permite ao transformador trabalhar com menor pressão de extração”, revela Wilson Teixeira, gerente técnico da Tecnoserv.

Outra novidade ficou por conta do lançamento de placas de isolação térmica, que evitam a passagem de calor das máquinas injetoras para os moldes. “As placas apresentam planicidade de 0,01 mm por cada 100 mm e suportam pressão de 340 MPA a uma temperatura de 23ºC e de 120 MPA, quando estão a 200ºC”, informa Teixeira. Essas placas são importadas da Alemanha.

Muitos outros componentes puderam ser conferidos pelos visitantes. No campo das matérias-primas, ATP Aços, Böhler-Udeeholm e Villares Metals apresentaram várias alternativas de aços com características especiais para a manufatura de ferramentas. A Stäubli expôs um sistema de troca rápida de moldes com placas magnéticas que pode ser instalado em injetoras com capacidade entre 40 toneladas e 4 mil toneladas. A Husky mostrou suas câmaras quentes, agora projetadas e fabricadas no Brasil, que podem ser instaladas em matrizes de peças dos mais variados pesos e formas. Não faltaram atrações para os interessados em novidades ligadas a esse segmento do mercado.

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