Moldes – Ferramenteiros adotam padronização e estimulam venda de componentes

Fabricantes de peças como lâminas extratoras, buchas, pinos, molas e outros produtos utilizados nos moldes para injeção de plásticos vivem bom momento. De acordo com as empresas do setor, o aquecimento das vendas não é reflexo apenas da atual fase positiva da economia. A expectativa otimista se deve também ao fato de os fabricantes de ferramentas estarem se conscientizando dos benefícios proporcionados pela utilização de itens padronizados. Ainda na opinião de os fornecedores, o mercado descobriu que a prática reduz custos e torna mais ágil a execução dos projetos.

Os fabricantes dessas peças atendem três diferentes nichos de mercado: os de porta-moldes; de moldes novos, feitos com placas usinadas pelos próprios fabricantes das ferramentas; e os de reposição. Os clientes atendidos são extremamente pulverizados. Para se ter uma idéia de segmentação, apesar de não existirem estatísticas oficiais, se estima que o número de ferramentarias no Brasil esteja entre dois e três mil, computando-se as unidades presentes em transformadores de plástico que atuam de maneira vertical. A grande maioria dessas empresas é de pequeno e médio porte.

Também faltam dados confiáveis, mas se acredita que entre 50% e 70% das ferramentas novas produzidas no Brasil surjam com a aquisição de porta-moldes. Como os porta-moldes são comercializados com todos os itens incluídos, não é de se estranhar que alguns dos seus fabricantes tenham se transformado em nomes de destaque entre os produtores de componentes. Outros fornecedores de porta-moldes, no entanto, preferem terceirizar a operação e se tornam bons clientes das empresas especializadas.

As vendas de padronizados também acontecem de forma expressiva entre as ferramentarias que não adquirem porta-moldes. Fabricar as placas internamente pode ser operação compensadora em determinados casos para os produtores de matrizes. Mas o raciocínio é outro quando o assunto é a verticalização da produção de pinos, de buchas e extratores, entre outros itens.

Esses componentes são produzidos em operações complexas. Eles apresentam tolerâncias dimensionais muito rígidas, exigem a aquisição de materiais especiais e a contratação de empresas de tratamentos térmicos. Por isso, a aquisição de peças padronizadas fornecidas por empresas especializadas na maioria das vezes apresenta custos mais atraentes para os ferramenteiros.

A opinião dos transformadores, os usuários finais dos moldes, pesa muito. Entre eles, a padronização é muito bem-vista. Ela permite ajustes rápidos dos componentes com o molde na máquina de injeção. Também ajuda quando surgem problemas de manutenção – caso, por exemplo, da quebra de pinos extratores, fato corriqueiro nas linhas de produção. Nesse caso, encontrar peças com medidas dentro das normas permite reposição fácil e reparo rápido.

Serviço completo – Os fabricantes de porta-moldes, por dever de ofício, são grandes usuários de componentes padronizados. O fato fez com que algumas dessas empresas investissem na verticalização e se especializassem também no fornecimento das mais variadas peças para as ferramentarias.

Um exemplo é o da Polimold, líder brasileira no mercado de porta-moldes e uma das principais fornecedoras de diversos itens para ferramentas de injeção. A empresa, com 380 colaboradores e equipada com mais de cinqüenta máquinas CNC, processa em média 350 toneladas de aço por mês. Ao todo oferece 600 mil combinações de porta-moldes com duas placas e mais de 300 mil com três placas e exporta boa parte de sua produção para países da Europa, Ásia e América Latina.

“No campo dos componentes, nós oferecemos desde itens básicos, como buchas, colunas e pinos extratores, até o que chamamos de componentes de engenharia, que são mais sofisticados”, informa Cleber Jesus Silva, gerente de desenvolvimento e marketing da empresa. O executivo lembra que a procura por esses produtos tem sido crescente nos últimos anos. “O uso de peças padronizadas traz uma série de vantagens, torna a concepção das ferramentas mais fácil e permite reduzir o tempo de fabricação de um molde entre 30% e 40%, além de reduzir o custo global e simplificar a substituição dos elementos”, diz.

Entre os produtos oferecidos pela empresa, Silva destaca os chamados itens de engenharia, indicados para funções como facilitar a adoção da geometria da peça moldada, melhorar os processos de extração e refrigeração, além de dispositivos indicados para aprimorar o desempenho mecânico do molde, o alinhamento das placas e uma série de outras funções.

Plástico Moderno, Moldes - Ferramenteiros adotam padronização e estimulam venda de componentes
Produtos oferecidos pela Polimold

O gerente aponta, por exemplo, produtos como gavetas, suportes de deslizamento, pinças planas, aceleradores de refrigeração, distribuidores telescópicos, postiços, datadores, contadores de ciclos e válvulas de ar.

Outra tradicional participante do mercado de porta-moldes, a MDL-Danly, empresa de origem norte-americana hoje controlada por investidores brasileiros, nasceu como fabricante de bases para estampos há 35 anos. Há 18 entrou no ramo de ferramentas pré-fabricadas.

A empresa possui três fábricas no Brasil. A localizada no município de São Paulo conta com equipamentos de usinagem de grandes proporções, voltados para a produção de moldes de grandes dimensões, uma de suas especialidades.

A planta localizada em Mairinque-SP é dirigida para a produção das estruturas dos porta-moldes que comercializa. A terceira planta, situada em Sorocaba-SP, conta com 250 funcionários e é voltada unicamente para a produção de componentes, como buchas, pinos e vários outros itens.

Plástico Moderno, Cleber Jesus Silva, gerente de desenvolvimento e marketing, Moldes - Ferramenteiros adotam padronização e estimulam venda de componentes
Silva: uso de peças padronizadas agiliza fabricação de moldes

As peças fabricadas em Sorocaba, além de atender o mercado nacional, são utilizadas pelas plantas que a empresa mantém na França e no México, além de serem exportadas para os Estados Unidos e diversos países da Europa e Ásia. “Essa estrutura nos permite a pronta entrega de qualquer pino ou bucha solicitado pelo cliente”, revela o gerente de vendas Estevam Horvate.

De acordo com Horvate, a evolução do mercado dos componentes para moldes impressiona. “Nos últimos três meses, as vendas cresceram 17%”, informa. O que por um lado é uma boa notícia, por outro é motivo de preocupação. O gerente ressalta que hoje muitas ferramentarias de pequeno porte têm máquinas de usinagem com controle CNC e estão aproveitando esse fato para produzir as placas que compõem os moldes. “Estão se tornando miniprodutoras de porta-moldes. Isso nos ajuda a vender componentes, mas atrapalha a comercialização das ferramentas pré-fabricadas”, justifica.

Plástico Moderno, Estevam Horvate, gerente de vendas, Moldes - Ferramenteiros adotam padronização e estimulam venda de componentes
Horvate: procura por componentes prejudica vendas de porta-moldes

No mercado há catorze anos, a Tecnoserv é uma empresa localizada em Diadema-SP e conta com cerca de 50 funcionários. No campo da injeção de plásticos, seus produtos mais tradicionais são os porta-moldes e as câmaras quentes, oferecidos em vários tamanhos e combinações.

A empresa também comercializa componentes variados para as ferramentas, entre eles buchas, colunas, pinos extratores, molas, placas deslizantes para gavetas e outros. “Temos uma linha bastante completa”, revela o gerente técnico Wilson Teixeira.

O executivo avalia que a venda desses componentes este ano será bastante positiva.

Plástico Moderno, Roberto Carlos Montá, supervisor de vendas da Motiwak, Moldes - Ferramenteiros adotam padronização e estimulam venda de componentes
Montá: crescimento do ano passado superou expectativas da Motiwak

“Estamos esperando um crescimento de 20% nas vendas em 2007, contra uma evolução de 6,5% verificada no ano passado”, estima. Para ele, os bons resultados também se devem em boa parte à conscientização dos clientes sobre as vantagens do uso de elementos padronizados.  Um aspecto interessante lembrado por Teixeira é o da influência nos negócios da incômoda concorrência feita aos ferramenteiros nacionais pela entrada dos moldes vindos do Oriente. “Os moldes da China e de Taiwan chegam aqui em prazos mais rápidos e preços bem competitivos. Isso tem obrigado as ferramentarias brasileiras a utilizar mais peças normatizadas, para competir em melhores condições”, ressalta.

Entre as peças que a Tecnoserv oferece ao mercado, o gerente técnico ressalta as resistências elétricas para bicos e manifolds destinados à reposição de peças, itens que oferece no regime de pronta entrega.

Na contramão – Ao contrário do que ocorreu com outros fabricantes de porta-moldes, que partiram da produção de ferramentas pré-usinadas para o fornecimento de componentes, a Três-S-, no mercado há 39 anos, com 110 funcionários e localizada em Guarulhos-SP, está fazendo o caminho inverso. Tradicional fornecedora de peças para ferramentas de injeção de plásticos, a empresa há dois anos passou a fabricar porta-moldes.

Plástico Moderno, Alberto Onofre Reis, gerente de vendas , Moldes - Ferramenteiros adotam padronização e estimulam venda de componentes
Reis: sucesso da venda de peças fez Três – S fabricado os porta-moldes

Ao todo, a empresa já oferece quatro linhas de matrizes pré-fabricadas, que permitem a oferta de mais de 10 mil combinações. A idéia é aproveitar a compatibilidade das duas linhas de produtos para diversificar as vendas.

“Passamos a produzir ferramentas pré-fabricadas para atender aos pedidos de muitos de nossos clientes”, justifica Alberto Onofre Reis, gerente de vendas da empresa. Isso não significa que a comercialização de componentes deixou de ter participação importante no faturamento da Três-S-. De acordo com estimativa de Reis, eles respondem por 40% das receitas da empresa. “A demanda por componentes padronizados está cada vez maior. Em 2007, estimamos um crescimento em torno de 15% na venda desses itens”, informa o executivo.

Os porta-moldes são responsáveis por outros 20% das receitas. Os 40% restantes resultam das vendas de produtos para estamparia, outra especialidade da casa.

Entre os componentes oferecidos, o gerente de vendas destaca os extratores de longo comprimento. “A Três-S- é a única empresa da América Latina que fabrica extratores com quatro a 45 milímetros de diâmetro e comprimento de até 1.700 milímetros.

Plástico Moderno, Moldes - Ferramenteiros adotam padronização e estimulam venda de componentes
Teixeira: importados obrigam nacionais a reduzir custos

Nossos concorrentes fornecem extratores com esses diâmetros com no máximo 1.200 milímetros de comprimento”, declara. Reis também ressalta que os extratores têm cabeças forjadas e seguem a norma DIN/ISO 6751 (1530A).

Especialista – Nem todas as fornecedoras de componentes são fabricantes de porta-moldes. Também existem empresas que se preocupam em fabricar apenas itens normatizados. Nesse universo se encontra a paulistana Motiwak, fundada em 1993. Com uma equipe de 42 funcionários, ela conta em seu portfólio com peças como extratores, molas de compressão, buchas e colunas, entre outras.

“Para nós, esse ano não está sendo tão bom, o mês de fevereiro foi muito ruim”, revela Roberto Carlos Montá, supervisor de vendas da Motiwak. Ele lembra que no ano passado o faturamento da empresa cresceu 13%, resultado considerado bastante positivo. “Por isso, nosso objetivo é o de pelo menos manter os resultados que alcançamos no ano passado. Para nós, isso já será um bom negócio”, revela. Apesar do início do ano não muito entusiasmante, ele acredita que a demanda pelos produtos da empresa tem ótimo potencial de crescimento. “Santo de casa não faz milagres, as ferramentarias estão percebendo que fabricar esses itens internamente custa mais caro”, explica.

O grande diferencial dos componentes produzidos pela Motiwak, de acordo com o supervisor de vendas, se encontra nos investimentos que a empresa faz para garantir a qualidade dos produtos. A preocupação se encontra em todas as etapas da fabricação e começa na aquisição das matérias-primas. “Compramos os aços da Villares”, conta. As operações de usinagem das peças são exaltadas. “Temos investido muito na modernização de nossos equipamentos de retífica”, revela. Os procedimentos de tratamento térmico também ganham destaque do executivo. “Contratamos empresas de renome para realizar as operações, caso da Brasimet, por exemplo”, emenda.

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A operação de injeção de termoplásticos conta com produtos fornecidos por empresas voltadas para facilitar a vida dos transformadores. Essas empresas são as fornecedoras de componentes e produtos voltados para as operações que acontecem em paralelo dentro das linhas de produção de peças plásticas.

São os casos das fabricantes de peças que facilitam a montagem dos moldes nas máquinas, como a Muck Maq, cujo carro-chefe são soluções em produtos voltados para colocar em funcionamento os sistemas de resfriamento líquido ou pneumático das ferramentas, caso dos engates rápidos, manifolds, prolongadores e espigões. A empresa também fornece componentes para fixação dos moldes, pinos, buchas extratoras, pinças magnéticas, bujões e braçadeiras.

José Carlos Ludgério da Silva, coordenador de engenharia da empresa, explica que a venda desses sistemas vem evoluindo graças a uma tendência parecida com a que ocorre com a procura de componentes normatizados para moldes. O mercado está cada vez mais atento a soluções que signifiquem redução de custos e agilidade. A preocupação atinge principalmente os transformadores de maior porte, que fazem muitas trocas de ferramentas durante os expedientes. “As pessoas não podem mais se dar ao luxo de perder duas horas para engatar as mangueiras de líquidos de refrigeração quando montam os moldes nas injetoras. Com os engates rápidos, a operação leva cinco minutos”, exemplifica. A empresa também atende um mercado bem pulverizado. “Temos mais de dois mil clientes”, revela.

Entre eles, a maioria é formada por transformadores que servem as indústrias automobilísticas, de brinquedos e de peças plásticas voltadas para o segmento hospitalar, entre outros. A demanda vive um bom momento. Silva conta que as vendas da Muck Maq em 2007 estão superiores às do mesmo período do ano passado. As conexões rápidas produzidas pela Muck Maq, na maioria das vezes, são feitas em latão, embora existam aquelas produzidas em aço inoxidável. A empresa conta com vários tipos e tamanhos de engates. Entre os modelos, merecem destaque os que permitem elevada vazão. Um trunfo recente da empresa foi a obtenção do certificado das normas NBR ISO 9001, no ano passado.

Outros produtos – A Tecnoserv, fabricante de porta-moldes e de componentes, também oferece vários outros produtos voltados para a fabricação de peças injetadas. Wilson Teixeira, gerente técnico da empresa, destaca duas novidades que a Tecnoserv passa a oferecer no mercado nacional.

Uma delas é o lançamento de placas de isolação térmica. Importadas da Alemanha, elas evitam a passagem de calor das máquinas injetoras para os moldes. Quando montadas, suportam pressão de 340 MPa a uma temperatura de 23ºC, e de 120 MPa, quando estão a 200ºC. O outro lançamento da empresa é um pó químico que age como desmoldante e pode ser adicionado ao polímero que será transformado. “O produto é atóxico e permite ao transformador trabalhar com menor pressão de extração”, revela  Teixeira.

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