Máquinas e Equipamentos

Moldes: Fabricantes buscam mais eficiência no conceito 4.0

Jose Paulo Sant Anna
24 de outubro de 2018
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    De acordo com Braga, a resposta das empresas tem atendido as expectativas. “No setor de moldes houve investimentos com potencial ganho de produtividade. O setor gerou atratividade para o desenvolvimento de novos produtos no Brasil até 2020”. Ele informa que alguns fornecedores da cadeia produtiva de ferramentaria estão investindo na sofisticação, aplicando recursos em tópicos da indústria 4.0, na implantação de robôs e na aquisição de células de usinagem mais modernas. “Está havendo a conscientização empresarial da necessidade da construção de sinergias para atender a demanda”.

    Os fornecedores de produtos para as ferramentarias também têm ajudado na busca por excelência. Na fase de projetos das peças a serem fabricadas e seus respectivos moldes, o uso dos softwares de CAE/CAD/CAM são praticamente obrigatórios. Com o avanço impressionante da informática, os fabricantes desses softwares oferecem produtos mais velozes e precisos a preços bem mais atraentes do que no final do século passado, quando a tecnologia começou a ser adotada.

    Outra indústria a colaborar com a qualidade dos moldes é a de componentes padronizados. São encontrados no mercado porta-moldes com centenas de milhares (literalmente) de combinações, além de itens os mais variados, como buchas, pinos, parafusos, gavetas e outros que tornam mais ágil o desenvolvimento dos projetos. Um capítulo à parte vai para a oferta das câmaras quentes, cada vez mais requisitadas pelo mercado graças às vantagens que proporcionam às matrizes. Elas evoluíram e hoje são oferecidas em versões dotadas com tecnologia de ponta. “Podemos afirmar que a utilização de câmaras quentes continua forte nos moldes de baixa e alta complexidade”, resume Braga.

    Moldes gigantes – O pulverizado mercado das ferramentarias conta com representantes de todos os portes, mas a grande maioria é formada por pequenas e médias empresas. Muitas são especializadas em determinados nichos de atuação. Um dos que chamam a atenção é o das capacitadas para produzir moldes para a transformação de peças de grande porte.

    Química e Derivados, Molde de 40 t fabricado pela Matrizes Belga

    Molde de 40 t fabricado pela Matrizes Belga

    Ligada ao grupo português Durit, especializado em produtos de precisão feitos em metais, a Moldit, ferramentaria com atuação bastante importante em Portugal, conta com filial instalada na região de Camaçari-BA. A empresa possui capacidade instalada para construir moldes com até 30 toneladas. “A crise da indústria automobilística nos últimos anos atrapalhou nosso desempenho, mas conseguimos compensar com a conquista de clientes no setor de móveis, como os fabricantes de mesas e cadeiras, que existem em bom número aqui no Nordeste”, explica Joaquim La-Salete, técnico comercial da filial brasileira.

    Com a diversificação, o executivo prevê um ano melhor do que o de 2017. “No primeiro semestre, os negócios da empresa cresceram na ordem de 30% a 40%”. O anúncio recente do lançamento de dois novos projetos da Ford, que mantém fábrica na Bahia, é outro motivo de otimismo. “Acredito que teremos bom volume de serviço nos próximos meses”.

    Entre as últimas encomendas atendidas pela empresa se encontram matrizes com elevado grau de sofisticação. Entre elas, algumas voltadas para a injeção simultânea de dois materiais. Outros pedidos envolvem a tecnologia de injeção com compressão SMC, indicada para a produção de peças plásticas com reforço de fibra de vidro. Os últimos investimentos da empresa, realizados já algum tempo, foram para a construção de novo galpão e aquisição de máquinas injetoras alemãs voltadas para a realização de tryouts.

    A Matrizes Belga, de Caxias do Sul-RS, produz moldes de tamanho médio a 40 toneladas. Conta com histórico de mais de cinco mil moldes fabricados para os segmentos automotivo, eletroeletrônico, eletrodoméstico, agricultura, construção civil, telefonia e outros. Para José Alceu Lorandi, diretor geral, o segmento de matrizarias é caracterizado pela sazonalidade de projetos e desenvolvimentos dos principais mercados atendidos.

    Química e Derivados, Lorandi: sazonalidade dos projetos de moldes é habitual

    Lorandi: sazonalidade dos projetos de moldes é habitual

    Para o dirigente, os impactos de crise, pelas características do setor, não podem ser medidos com projeção segura. “O ano de 2018, comparado com os anteriores, não apresentará crescimento de vendas”, avalia. Ele acrescenta que a crise tem destacado as empresas estáveis e éticas perante clientes cada vez mais exigentes. “Acreditamos na necessidade de se reinventar constantemente no âmbito de gestão, treinamento humano, investimentos em máquinas e equipamentos, na ampliação estrutural e na regulamentação de processos”.



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