Máquinas e Equipamentos

Moldes: Fabricantes buscam mais eficiência no conceito 4.0

Jose Paulo Sant Anna
24 de outubro de 2018
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    O transtorno bipolar é caracterizado em pacientes pela alternância entre períodos de euforia e depressão. O diagnóstico é bastante compatível com o dia a dia dos empreendedores industriais. Entre eles, os ligados à fabricação de moldes de injeção. O raciocínio vale tanto para os ferramenteiros quanto para seus fornecedores.

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    A insegurança sobre os rumos da economia atrasa lançamentos da indústria, fato que afeta diretamente a encomenda de matrizes. “Os negócios no primeiro semestre foram mornos quando comparados com o mesmo período de 2017. Em tese, houve empate na evolução do faturamento”, informa Paulo Sergio Furlan Braga, presidente da Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

    O dirigente mostra algum otimismo para os próximos meses. “Há perspectivas de possível aquecimento no segundo semestre”. O setor de ferramentarias é bastante pulverizado. Muitas empresas do setor são especializadas e dependem do desempenho dos segmentos aos quais atendem. Nesse cenário, um setor econômico muito importante se mostra em momento favorável e justifica o pensamento positivo do dirigente. “A indústria automotiva continua sendo a principal propulsora das vendas de moldes e a tendência para esse setor é positiva”.

    Um pouco de números ajuda a entender essa constatação. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou no último dia 6 de julho suas expectativas para 2018. As previsões apontam para um crescimento da produção de veículos automotores e máquinas agrícolas na casa dos 11,9% em relação ao ano passado. A expectativa é de se chegar a 3,02 milhões de unidades fabricadas este ano. O estudo já leva em conta os efeitos da greve dos caminhoneiros. Antes da paralisação, a previsão de crescimento da produção era de 13,2%.

    As ferramentarias que atendem outros segmentos vão depender do desenrolar do consumo. No caso das embalagens, as vendas de produtos como alimentos, de limpeza ou higiene pessoal não sofrem oscilações muito graves e as encomendas de matrizes se mantêm razoáveis, ainda que possa haver queda. Para quem atende o segmento da construção civil, as perspectivas não são as melhores. O mesmo acontece com as áreas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

    Uma notícia não soou muito bem aos ouvidos dos empresários do ramo. Não é de hoje que a concorrência dos moldes vindos da Ásia incomoda as ferramentarias nacionais. Os preços praticados na China e em outros países são apontados como irreais, em especial no caso dos moldes mais simples. No final de 2010, o problema chamava muito a atenção e o Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) atendeu apelos das empresas nacionais na época e elevou a alíquota do imposto de importação aplicada aos moldes de 14% para 30%. No último dia 05 de julho, o mesmo conselho revogou a iniciativa, e o imposto caiu de 30% para 14%.

    Boa parte dos ferramenteiros nacionais garante que os clientes andam ressabiados com a qualidade dos produtos asiáticos. Para eles, os que chegam ao Brasil com preços muito baixos apresentam condições de operação aquém da expectativa e os de boa qualidade não têm preços tão competitivos em relação aos nacionais. Pelo sim, pelo não, resta acompanhar nos próximos meses as consequências da medida tomada pelo governo.

    Tecnologia – A despeito das dificuldades, as ferramentarias mais avançadas se esforçam para se tornarem eficientes. Para tanto, adotam iniciativas voltadas para atender encomendas de moldes sofisticados. Algumas condições das linhas de produção atuais explicam a necessidade do maior rigor na qualidade dos projetos. Os equipamentos de injeção permitem a produção de peças em ciclos menores. A obtenção de peças mais leves, com paredes finas se tornou obrigatória.

    São comuns os pedidos de cavidades com grande precisão dimensional e feitas de aços especiais submetidos a tratamentos térmicos diferenciados. Não raro, as peças plásticas são feitas com materiais sofisticados, em alguns casos enriquecidos com cargas em elevada porcentagem. Não bastassem as dificuldades técnicas, os prazos de entrega dos projetos precisam ser compatíveis com a pressa dos clientes.



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