Molde de injeção: Indústria 4.0

Ferramentaria moderna: Fabricantes investem para acompanhar indústria 4.0

Muitos investimentos vêm sendo feitos por indústrias brasileiras interessadas em se integrar ao que há de mais moderno em termos de tecnologia. A preocupação atinge todos os equipamentos e acessórios presentes nas linhas de produção. Entre eles, os moldes de injeção, protagonistas para lá de importantes na fabricação de peças plásticas as mais distintas.

Um dos desafios atuais das empresas é integrar os moldes nos princípios da indústria 4.0, definida como o uso das informações recolhidas pelos controles de todos os componentes ligados a geração de um produto para o contínuo aprimoramento do processo.

Hoje praticamente todas as injetoras oferecidas no mercado permitem a captação e troca de informações com os demais equipamentos envolvidos em uma linha de produção.

No caso dos moldes, a adoção de soluções que permitem essa integração é prática bem mais recente. Os primeiros dispositivos que permitem essa aplicação começaram a se popularizar há três anos na Europa.

No Brasil, ainda são poucos os transformadores preocupados em sofisticar suas linhas de produção que estão atentos às vantagens proporcionadas pela tecnologia. Entre os pioneiros se encontra o Grupo Boticário, empresa brasileira presente em cinquenta países, uma das maiores fabricantes do mundo de produtos de beleza.

O grupo adquiriu o sistema de gerenciamento operacional eMoldino, oferecido pela empresa sul-coreana com o mesmo nome.

O sistema tem como objetivo melhorar a produtividade e eficiência das linhas de produção, e foi adquirido depois de análise da área de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia. Utiliza tecnologia sem fio por meio de sensores instalados nas ferramentas e permite o monitoramento em tempo real das linhas de produção.

Com ele é possível transmitir dados cruciais para o servidor, como contagem de batidas, tempo de ciclo, temperatura, pressão e localização. As informações fornecidas são armazenadas e processadas por meio do software original da empresa sul-coreana e resultam em relatórios personalizados.

Moldes de injeção: De Campinas para o mundo

Sistemas similares ao adquirido pelo Grupo Boticário são oferecidos ao mercado nacional por duas empresas multinacionais de origem alemã, a Bosch, com estrutura própria no país, e a Strack Normalien, representada pela Tecnoserv, fabricante nacional de porta-moldes, câmaras quentes e revendedora de vários outros produtos para ferramentarias.

O produto oferecido pela Bosch é chamado de Tooling Monitoring e possibilita a digitalização de moldes de injeção de plásticos e também de estampos para metais.

Ferramentaria moderna: Indústria 4.0 ©QD Foto: Divulgação
Bosch oferece o sistema Tooling Monitoring que permite monitorar dados de moldes de injeção e estampos metalúrgicos

Motivo de orgulho para a indústria brasileira, ele surgiu em 2018 para sanar dificuldades que a empresa apresentava no gerenciamento de ferramental de sua unidade fabril de Campinas-SP.

Com os resultados positivos obtidos internamente, em 2021 a solução passou a ser disponibilizada para o mercado brasileiro e também internacional. Ele é composto por sensores instalados nos moldes que enviam os dados monitorados a um software de gerenciamento.

A gestão do ferramental ocorre por meio da coleta de dados qualitativos e quantitativos de modo contínuo e em tempo real. São captados indicadores de produtividade, qualidade, rastreabilidade, antifraude, levantamento de informações para planejamento de manutenções e demais parâmetros de análise, além de permitir integração com outros sistemas de administração da empresa.

Pelo sistema podem ser monitorados dados como quantidade de peças produzidas, tempo de ciclo e eficiência de cada ferramenta.

Quando há uma parada de produção, o proprietário do molde pode classificar o tipo de parada, gerando uma estratificação dessas perdas produtivas e ajudando os times de fábrica no direcionamento da solução dos problemas.

De acordo com a quantidade de ciclos utilizados, o software também permite o gerenciamento da manutenção preventiva dos ferramentais.

Para quem conta com fornecedores que utilizam suas ferramentas é possível gerenciar se essas manutenções estão sendo executadas dentro dos prazos corretos a partir da emissão de mensagens de alertas.

Além disso, é possível monitorar a localização do ferramental via GPS.

A Bosch comercializa o Tooling Monitoring por meio de contrato de serviço de no mínimo três anos.

Tag e Log

O sistema oferecido pela Strack Normalien se chama Tim. Ele opera a partir da instalação nos moldes de um pequeno aparelho chamado de Tag e de outro pequeno aparelho batizado de Log, colocado na máquina injetora onde o molde irá operar – no caso do molde trabalhar em várias injetoras o Log pode ser instalado em diferentes máquinas.

Os resultados da comunicação entre Tag e Log são visualizados por meio de um software. O sistema permite o controle da documentação de todos os dados da ferramenta, como gravação de ciclos, horas de operação, verificação da necessidade de manutenção e outros.

De acordo com Wilson Teixeira, diretor técnico da Tecnoserv, além do controle do número de peças fabricadas, o Tim permite a adoção de um planejamento de manutenção mais eficiente.

Outra consequência importante do uso do sistema ressaltado pelo dirigente é a possibilidade de controlar de maneira mais eficiente o uso correto dos moldes durante a produção das peças realizada por prestadores de serviços terceirizados.

“É possível saber o momento em que o molde foi utilizado, quantas peças produziu e outras informações que evitam o mau uso da ferramenta”.

Para Teixeira, por exemplo, pode ocorrer de o prestador de serviço fabricar um número maior de peças do que o combinado e depois comercializar essas peças de forma paralela.

Para adquirir o Tim, o interessado precisa pagar pelo serviço de instalação do equipamento e pelo aluguel do sistema.

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Moldes de injeção: Vacuum forming

O vacuum forming e a injeção concorrem em várias aplicações. Quando ocorre a competição, um fator tem grande influência na escolha do transformador: os moldes de vacuum forming são muito mais acessíveis.

Ferramentaria moderna: Indústria 4.0 ©QD Foto: Divulgação
Luana: alumínio domina linha de moldes para vacuum forming

“Costumo dizer que o vacuum forming é o primo pobre da injeção. A qualidade é inferior, porém é o processo é muito mais acessível”, afirma Luana Tavares, sócia proprietária da Vacuum Center, empresa que fornece máquinas e moldes para esse método de fabricação de peças plásticas.

Os moldes de vacuum forming podem ser feitos de vários materiais. Os mais usuais são o alumínio e algumas resinas.

Em alguns casos também podem ser feitos em MDF, Medium Density Fiberboard ou, em português, Painel de Fibra de Densidade Média, material feito com fibras de madeira e resina sintética.

Luana explica que a escolha ocorre a partir de alguns parâmetros, como a quantidade de peças a serem moldadas e a capacidade de investimento dos clientes.

“Sempre é recomendável o de alumínio”, ressalta.

Conforme o material e aplicação aos quais se destinam, os moldes podem ser projetados de diferentes maneiras. Quando o molde é feito em resina, geralmente se usa um processo artesanal ou impressoras 3D.

“Quando é de alumínio, o modelamos em um software de desenho 3D e posteriormente utilizamos um software CAM para usiná-lo”.

Ferramentaria moderna: Indústria 4.0 ©QD Foto: Divulgação
Molde multicavidades fabricado pela Vacuum Center

Lançamento

A Vacuum Center acaba de lançar a máquina modular Plug & Play, indicada para automatizar o processo em determinadas linhas de produção.

“É a maior novidade desse mercado, uma máquina que molda, corta e empilha entregando o produto final pronto com ferramentas convencionais de baixo custo e fácil operação”.

Luana avalia que no início do ano as vendas de equipamentos e moldes estão um pouco tímidas por conta da mudança de governo. “Mas não está ruim, a Plástico Brasil está mudando esse cenário. A feira foi um sucesso”.

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