Máquinas e Equipamentos

Moinhos: Normas de segurança e política de resíduos sólidos favorecem produtores locais

Jose Paulo Sant Anna
3 de junho de 2015
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    Plástico Moderno, Micronizador da linhaPKM, da Pallmann, gera pós finos

    Micronizador da linhaPKM, da Pallmann, gera pós finos

    O desempenho da economia local no ano passado não colaborou e 2015 começou um tanto estranho, marcado pela guinada à direita dada pelo governo federal na condução do ajuste fiscal e pelo transcorrer da operação Lava Jato, gerando incertezas entre os empreendedores. Esse cenário influi de forma negativa nas vendas dos fabricantes de moinhos para plásticos e elastômeros.

    Porém, por uma série de fatores, essa carga negativa talvez seja um pouco menor do que a percebida pelos fornecedores de outros tipos de equipamentos. Tanto que o ano começou com resultados razoáveis para empresas importantes do setor, marcas presentes no mercado há décadas e muito reconhecidas, casos da Seibt, Rone e Primotécnica. Ninguém espera desempenho excepcional, mas a ideia é superar neste ano os resultados alcançados em 2014.

    Vale lembrar: os moinhos são oferecidos por bom número de empresas, fabricantes de dezenas de modelos com as mais variadas capacidades de produção, usados em finalidades distintas. Existem, por exemplo, os de pequeno porte instalados junto aos equipamentos de transformação nas linhas de produção, até as portentosas centrais de moagem, indicadas para grandes operações de reciclagem. As vendas variam de acordo com as linhas oferecidas. Como não existem estatísticas oficiais sobre o faturamento do setor como um todo, fica difícil avaliar o real desempenho.

    A realização da Feiplastic, maior evento do setor de plástico do Hemisfério Sul, previsto para maio, em São Paulo, é um dos fatores que melhoram o ânimo dos representantes comerciais dos moinhos. O evento sempre é visto como boa oportunidade para “esquentar” as vendas. Outras explicações ajudam a entender o atual momento.

    Outro fator positivo para os fornecedores de moinhos para peças pós-uso é a crescente atenção dada ao reaproveitamento de produtos os mais variados, entre os quais, por exemplo, se encontram as garrafas de PET. A despeito do desempenho da economia, a procura por esses equipamentos tem a seu favor a importância crescente dada pela sociedade à reciclagem e preservação do meio ambiente. Nas duas últimas décadas tem havido evolução constante da atividade.

    Um reforço dessa preocupação foi o fato do governo federal ter sancionado em 2010 a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), pela qual poder público, fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, com a colaboração da população em geral, precisam trabalhar para reciclar percentual significativo dos resíduos sólidos. A lei estava prevista para entrar em vigor em agosto de 2014, mas ainda não “pegou”.

    Um dos grandes entraves é a falta de preparo demonstrada por muitas prefeituras em todo o país para atender as exigências previstas. Em médio ou longo prazo, no entanto, os procedimentos previstos devem ganhar corpo de forma irreversível, gerando boas perspectivas de negócios para os fornecedores de equipamentos, em especial os de grande porte.

    Outro aspecto favorável para os representantes do setor é causado por duas normas de segurança no trabalho lançadas no início desse século. A ABNT NBR 15107, promulgada em 2004, especifica os requisitos de segurança necessários da alimentação da máquina à área de descarga. O rigor com a defesa dos trabalhadores foi acentuado pela promulgação pelo Ministério do Trabalho da NR 12, de 2010, norma que define referências técnicas, princípios fundamentais e medidas de proteção para garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores que operam máquinas e equipamentos de todos os tipos.

    A lei obriga os usuários de moinhos a investir na modernização ou substituição de equipamentos fora dos padrões recomendados, fato visto com bons olhos pelos fabricantes dos equipamentos. Na prática, ainda há resistência às recomendações por parte dos transformadores. Como a fiscalização das autoridades está longe do ideal, os compradores nem sempre levam ao pé da letra as obrigações legais. Muitas vezes, ignoram as precauções a serem tomadas e compram máquinas sem as configurações necessárias. Dessa forma fogem dos preços mais “salgados” dos modelos projetados com todos os requisitos necessários.

    Entre os empreendedores que seguem a norma à risca, nem todos preferem investir na substituição de antigos moinhos por novos modelos. Muitos adaptam antigos equipamentos para que eles passem a atender as exigências previstas. A reforma de máquinas acabou virando fonte interessante de recursos para os fabricantes que realizam esse tipo de operação.

    Um pesadelo que assombra fabricantes de diversos equipamentos não atinge com tanta força a indústria brasileira de moinhos. Trata-se da importação. A concorrência, em especial a de máquinas chinesas, é maior entre os modelos de menor porte e mais simples. Para importantes dirigentes do setor, no entanto, a indústria brasileira é competitiva e ganhou força com a valorização do dólar nos últimos meses.

    Tanto que alguns fabricantes estão atentos à possibilidade de exportar com maior intensidade seus produtos, estratégia nos últimos anos bastante prejudicada pela taxa cambial. A boa qualidade das máquinas nacionais quando comparada com as asiáticas é outro fator a favorecer a escolha dos clientes pelos equipamentos brasileiros, garantem os fabricantes.



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