Moinhos: Normas de segurança e política de resíduos sólidos favorecem produtores locais

O desempenho da economia local no ano passado não colaborou e 2015 começou um tanto estranho, marcado pela guinada à direita dada pelo governo federal na condução do ajuste fiscal e pelo transcorrer da operação Lava Jato, gerando incertezas entre os empreendedores. Esse cenário influi de forma negativa nas vendas dos fabricantes de moinhos para plásticos e elastômeros.

Porém, por uma série de fatores, essa carga negativa talvez seja um pouco menor do que a percebida pelos fornecedores de outros tipos de equipamentos.

Tanto que o ano começou com resultados razoáveis para empresas importantes do setor, marcas presentes no mercado há décadas e muito reconhecidas, casos da Seibt, Rone e Primotécnica.

Ninguém espera desempenho excepcional, mas a ideia é superar neste ano os resultados alcançados em 2014.

Para Comprar Moinhos para Plásticos e outros produtos consulte o GuiaQD

Links Rápidos de Consulta:

Vale lembrar: os moinhos são oferecidos por bom número de empresas, fabricantes de dezenas de modelos com as mais variadas capacidades de produção, usados em finalidades distintas.

Existem, por exemplo, os de pequeno porte instalados junto aos equipamentos de transformação nas linhas de produção, até as portentosas centrais de moagem, indicadas para grandes operações de reciclagem.

As vendas variam de acordo com as linhas oferecidas. Como não existem estatísticas oficiais sobre o faturamento do setor como um todo, fica difícil avaliar o real desempenho.

Fator positivo para os fornecedores de moinhos para peças pós-uso é a crescente atenção dada ao reaproveitamento de produtos os mais variados, entre os quais, por exemplo, se encontram as garrafas de PET.

A despeito do desempenho da economia, a procura por esses equipamentos tem a seu favor a importância crescente dada pela sociedade à reciclagem e preservação do meio ambiente.

Nas duas últimas décadas tem havido evolução constante da atividade.

Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)

Um reforço dessa preocupação foi o fato do governo federal ter sancionado em 2010 a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), pela qual poder público, fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, com a colaboração da população em geral, precisam trabalhar para reciclar percentual significativo dos resíduos sólidos.

A lei estava prevista para entrar em vigor em agosto de 2014, mas ainda não “pegou”.

Um dos grandes entraves é a falta de preparo demonstrada por muitas prefeituras em todo o país para atender as exigências previstas.

Em médio ou longo prazo, no entanto, os procedimentos previstos devem ganhar corpo de forma irreversível, gerando boas perspectivas de negócios para os fornecedores de equipamentos, em especial os de grande porte.

Outro aspecto favorável para os representantes do setor é causado por duas normas de segurança no trabalho lançadas no início desse século.

A ABNT NBR 15107, promulgada em 2004, especifica os requisitos de segurança necessários da alimentação da máquina à área de descarga.

O rigor com a defesa dos trabalhadores foi acentuado pela promulgação pelo Ministério do Trabalho da NR 12, de 2010, norma que define referências técnicas, princípios fundamentais e medidas de proteção para garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores que operam máquinas e equipamentos de todos os tipos.

A lei obriga os usuários de moinhos a investir na modernização ou substituição de equipamentos fora dos padrões recomendados, fato visto com bons olhos pelos fabricantes dos equipamentos.

Na prática, ainda há resistência às recomendações por parte dos transformadores.

Como a fiscalização das autoridades está longe do ideal, os compradores nem sempre levam ao pé da letra as obrigações legais. Muitas vezes, ignoram as precauções a serem tomadas e compram máquinas sem as configurações necessárias.

Dessa forma fogem dos preços mais “salgados” dos modelos projetados com todos os requisitos necessários.

Entre os empreendedores que seguem a norma à risca, nem todos preferem investir na substituição de antigos moinhos por novos modelos.

Muitos adaptam antigos equipamentos para que eles passem a atender as exigências previstas. A reforma de máquinas acabou virando fonte interessante de recursos para os fabricantes que realizam esse tipo de operação.

Um pesadelo que assombra fabricantes de diversos equipamentos não atinge com tanta força a indústria brasileira de moinhos.

Trata-se da importação. A concorrência, em especial a de máquinas chinesas, é maior entre os modelos de menor porte e mais simples.

Para importantes dirigentes do setor, no entanto, a indústria brasileira é competitiva e ganhou força com a valorização do dólar nos últimos meses.

Tanto que alguns fabricantes estão atentos à possibilidade de exportar com maior intensidade seus produtos, estratégia nos últimos anos bastante prejudicada pela taxa cambial.

A boa qualidade das máquinas nacionais quando comparada com as asiáticas é outro fator a favorecer a escolha dos clientes pelos equipamentos brasileiros, garantem os fabricantes.

 

Plástico Moderno, Triturador PMPS 200, indicado para pneus, fios e cabos
Triturador PMPS 200, indicado para pneus, fios e cabos

Melhorou – Moinhos

A Primotécnica, de Mauá-SP, surgiu há meio século como empresa especializada na fabricação de moinhos. Hoje possui ampla linha de moinhos, trituradores e outros equipamentos voltados para operações do gênero.

Oferece em torno de trinta modelos de moinhos, com capacidades de 80 kg/h a 12 t/h. Em média, vende trinta unidades deste equipamento por mês.

O campeão de vendas é o modelo PTR 600, projetado especialmente para moer borras plásticas nas empresas de transformação. “Ele é muito procurado”, informa Dante Casarotti, diretor comercial.

De acordo com o diretor, o ano de 2014 foi ruim. “Nossas vendas caíram em torno de 40% em relação ao ano anterior”.

O desempenho do primeiro bimestre apresentou agradável surpresa. “Em janeiro e fevereiro fechamos bons negócios, acho que o ano será bem melhor”.

A expectativa é de pelo menos repetir os resultados de 2013.

O otimismo do dirigente é reforçado pela realização da Feiplastic. “A feira sempre ajuda bastante, é uma oportunidade para fazer contatos com clientes antigos e prospectar negócios. Mesmo que não fechemos vendas durante o evento, há a oportunidade de encaminhar conversas”, diz.

Entre os mercados atendidos pela empresa, Casarotti destaca o de reaproveitamento de embalagens plásticas como um dos mais promissores dos últimos tempos.

Ele acredita que os negócios devem ser aquecidos quando a PNRS for levada a sério.

“Acho que a procura por parte de prefeituras e prestadoras de serviços públicos será boa, mas tudo ainda está muito incipiente”. Com um pouco mais de força, o fenômeno também deve ocorrer entre os modelos já dotados com todos os itens de segurança previstos pela lei.

Uma novidade da Primotécnica será lançada na Feiplastic. “Trata-se de um equipamento voltado para triturar pneus”.

Sua principal particularidade se encontra na capacidade de produção, estimada em três toneladas por hora. “Projetamos o moinho para atender a demanda do mercado por uma máquina de porte menor à que fabricamos para essa mesma finalidade. Ele tem características técnicas similares ao outro modelo, projetado para 10 toneladas por hora”, revela.

Bom começo – A gaúcha Seibt, de Nova Petrópolis, chegou aos 40 anos em 2014.

Fundada por um imigrante de origem germânica, a marca sempre teve o mercado de moinhos como seu carro chefe.

Hoje oferece variada linha de moinhos, trituradores, extrusoras, sistemas de reciclagem e outros equipamentos voltados para esse tipo de operação. “

Temos próximo de 350 modelos, uma gama bastante ampla para esse tipo de operação”, informa Adão Braga, gerente comercial.

Para dar uma ideia da amplitude da linha, o menor modelo da empresa tem capacidade de moer 20 kg/h, enquanto o maior, indicado para moinhos centrais de linhas de produção de porte ou para empresas de pós-consumo, chega a 1,5 t/h.

“Entre os nossos modelos, um de destaque é o 320 RLX, com capacidade de 100 kg/h, que opera em baixa rotação e é indicado para recuperar aparas de sopro e injeção”, diz.

Para o gerente, o ano passado pode ser apontado como razoável, levando-se em conta as dificuldades vividas pela economia.

“Tivemos meses com negócios acima da expectativa, outros muito abaixo”. Fazendo as contas, os resultados se aproximaram aos de 2013. “Nossas vendas caíram entre 4% a 5%”, calcula. A perspectiva para 2015 era de apreensão. Os resultados no primeiro bimestre, no entanto, superaram as expectativas.

“Janeiro foi bom, fevereiro melhor.

As perspectivas para o primeiro semestre são boas, pelos primeiros resultados acreditamos em ano de crescimento”, enfatiza. As vendas atuais se mostram mais fortes entre os clientes interessados em adquirir centrais de reciclagem.

Há expectativa em torno de uma adoção mais comprometida do PNRS. “Por enquanto a lei não pegou, a procura aquecida se deve a empreendimentos da iniciativa privada”.

Braga ressalta que o faturamento melhora com a procura por esse tipo de equipamento. “Uma linha completa de reciclagem de PET custa de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões.

Para Comprar Moinhos para Plásticos e outros produtos consulte o GuiaQD

Links Rápidos de Consulta:

Equipamentos de pequeno porte são oferecidos a valores muito menores. Temos que vender 66 moinhos 320 RLX para obter a mesma receita da venda de uma central de reciclagem”, calcula.

O gerente também acredita no aumento do respeito por parte das empresas transformadoras às normas de segurança do trabalhador. “As transformadoras de maior porte já estão bastante adequadas à legislação, as de menor porte, com capital mais restrito, enfrentam maiores dificuldades”.

Eventualmente a Seibt efetua adaptações de moinhos antigos para adequá-los às exigências. “Só fazemos isso em máquinas de nossa marca, na dos concorrentes isso é muito complicado”, afirma.

A realização da Feiplastic aguça o otimismo do executivo.

Para ele, o evento se trata de ótima oportunidade para mostrar seus produtos e conversar com pessoas interessadas em aquisições.

Em seu estande, pretende mostrar um de seus moinhos de maior porte. O lançamento previsto para a exposição é de outro tipo de equipamento fabricado pela empresa, uma estação de tratamento de efluentes.

 

Mais ou menos – Os moinhos são a grande especialidade

A Rone, empresa nacional presente no mercado desde 1982. Com fábrica em Carapicuíba-SP oferece em torno de duzentos modelos em catálogo.

Conforme a necessidade dos clientes desenvolve projetos especiais. Entre os modelos fabricados, a empresa destaca os da linha C, em quatro tamanhos, com potências de 5 a 40 CV.

Atendendo às normas trabalhistas, a linha C conta com unidades com transporte pneumático acoplado, voltado para eliminar as paradas para esvaziamento do recipiente coletor, garantir produção constante e facilitar o acoplamento ao sistema de alimentação automática de equipamentos primários.

Também possui peneira dotada de sistema de encaixe para facilitar a troca de cores e materiais a serem processados.

Para a Rone, o desempenho dos negócios no ano passado foi regular. “Em nossos 33 anos no mercado, 2014 não foi o pior e nem o melhor.

Com algum sacrifício conseguimos empatar com o resultado de 2013”, informa Ronaldo Cerri, diretor comercial. O ano de 2015 começou “mais ou menos”.

“Janeiro não foi bom, mas as vendas melhoraram em fevereiro”. A expectativa para o ano é otimista. “Temos a pretensão de crescer pelo menos 20%”, afirma.

O perfil da Rone tem característica diferenciada.

Apesar de contar com modelos para atender os vários nichos de mercado, a empresa concentra boa parte das vendas entre as empresas transformadoras. “Nós atendemos mais o pré-consumo”. Entre os segmentos atendidos, alguns são citados como importantes.

“Atuamos muito com a linha automotiva e os eletrodomésticos de linha branca”. No momento, esses dois segmentos econômicos não vivem dias muito felizes.

“Nossos clientes desses setores têm muitos projetos nas gavetas, aguardamos a decisão de investimentos”. Nem tudo está perdido, no entanto. “Não estamos parados, nossa carteira está razoável. O setor de utilidades domésticas e a indústria de embalagens estão bem”, comenta.

Para o diretor, a PNRS deve gerar bons negócios para o setor em médio ou longo prazo.

“Ainda existem vários entraves, faltam definições sobre quem vai arcar com os fretes, impostos e outras questões. Mas é uma lei que veio para ficar”. Pensamento similar ocorre com a adoção por parte dos clientes das normas de segurança.

Cerri não demonstra muita preocupação com a concorrência dos equipamentos importados. “Acho que eles atrapalham mais quem fornece equipamentos mais caros, como as injetoras.

No caso dos moinhos não chegam a importunar tanto”. A situação fica ainda mais tranquila com a forte desvalorização do real nos últimos tempos.

Dá até para voltar a pensar em exportar. “Já vendemos alguns equipamentos para a América do Sul, pouca coisa para o México, mas ultimamente o valor do câmbio dificultava muito essa operação”, aponta.

Para Comprar Moinhos para Plásticos e outros produtos consulte o GuiaQD

Links Rápidos de Consulta:

 

Leia Mais sobre o setor:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios