Moinhos – Fabricantes aperfeiçoam processo com redução de ruídos e maior segurança

Plástico, Moinhos - Fabricantes aperfeiçoam processo com redução de ruídos e maior segurança
Moinhos – Fabricantes aperfeiçoam processo com redução de ruídos e maior segurança

Moinhos e trituradores para plásticos são equipamentos com tecnologia consolidada e bastante difundida. Nem por isso os fabricantes destes equipamentos deixam de buscar inovações. No momento, a indústria especializada nestes periféricos busca introduzir melhorias relacionadas ao aumento da segurança para o operador, redução de ruídos e maior produtividade. Inovações que geram aumento de custos. A crise internacional atrapalhou os negócios em 2009 e reduziu o interesse por equipamentos com maior valor agregado. Mas os fabricantes de moinhos e trituradores relatam uma retomada dos negócios, agora a expectativa no setor é de um aumento do interesse dos clientes por inovação.

Não existem dados oficiais sobre o tamanho do mercado brasileiro de moinhos e os fabricantes destes equipamentos confessam que é difícil estabelecer a dimensão do mercado. Alguns fabricantes arriscam uma estimativa: por volta de dois mil equipamentos por ano, mas com ressalvas. Entre o último trimestre de 2008 e o primeiro semestre de 2009, as vendas caíram significativamente, por volta de 30% a 40%. Mas praticamente todos os fabricantes consultados para esta reportagem relatam que os negócios já estão se normalizando. É o que diz, por exemplo, Dante Casarotti, diretor de vendas da Primotécnica, que relata vendas na casa de 30 máquinas por mês desde maio deste ano, após amargar queda nas vendas de 30%. “Voltamos ao patamar pré-crise”, afirma. Ronaldo Cerri, diretor da Rone, também informa que as vendas já estão superando a meta da empresa, de 30 máquinas mensais. Adão Braga Pinto, gerente-comercial da Seibt, é outro a situar a recuperação dos negócios no mesmo patamar de 2008. Já Rosilene Rosanelli, diretora da Mecanofar, diz que, apesar da crise, a empresa projeta crescimento nas vendas de 12% para este ano. E Carol Oliveira, executiva de vendas técnicas da Ineal, prevê 10% de crescimento. “Nossa meta era crescer 15%, mas diante do cenário mundial, estamos muito contentes”, afirma. Segundo os executivos do setor, os segmentos que têm puxado a demanda são os de injeção, sopro e extrusão.

As opiniões se dividem quando o assunto é o aumento da concorrência de produtos importados por causa da valorização do real. Rosanelli e Carol relatam que a oferta de equipamentos cresceu muito, contribuindo para acirrar as negociações. Mas a qualidade, assistência técnica e disponibilidade de peças de reposição são fatores determinantes que, por enquanto, desequilibram as negociações a favor dos fabricantes brasileiros. Casarotti, da Primotécnica, afirma que o segmento de máquinas de pequeno porte e mais simples, com preço inferior a R$ 8 mil, sofre concorrência pesada de produtos chineses, que chegam a ser 40% mais baratos.

“Comprador que olha só preço, já opta pelo chinês. Depois muitos se arrependem, uma vez que estes ainda são produtos com menos tecnologia, que exigem mais manutenção e há menor disponibilidade de assistência técnica, e voltam a comprar do fabricante nacional”, afirma. Segundo Casarotti, entre os equipamentos mais sofisticados o câmbio “camarada” aos produtos estrangeiros ainda não motiva a importação de equipamentos alemães e norte-americanos, os mais avançados. Cerri, da Rone, e Braga, da Seibt, porém, afirmam que ainda não sentiram nenhum aumento da concorrência de produtos importados, nem mesmo chineses, em consequência da valorização cambial.

O diretor da Rone, porém, afirma que o câmbio já afeta as exportações. “Como moinhos possuem preço relativamente baixo, qualquer variação do dólar afeta diretamente no resultado das exportações. Em épocas de real valorizado, as exportações diminuem. Em uma média anual, nossas exportações estão atingindo aproximadamente 5% das vendas”, diz o executivo. Basicamente, os produtores brasileiros destes periféricos exportam seus produtos para países latino-americanos. Segundo os relatos, as vendas ao exterior variam de 5% a 20% do faturamento das empresas ouvidas. Braga tem um ponto de vista diferente em relação ao impacto da valorização da moeda brasileira. Para ele, os importadores da América Latina aceitam absorver a valorização do real na compra de equipamentos brasileiros de qualidade, que ainda são mais competitivos do que os produtos cotados em euro.

Reciclagem – Na indústria de transformação do plástico, moinhos e trituradores têm a função de processar refugos industriais e peças pós-consumo. Por um lado, a busca por maior eficiência no processo produtivo tende a diminuir a demanda por reprocessamento das peças em moinhos. Por outro, porém, a pressão da sociedade e as vantagens econômicas estimulam a reciclagem do plástico, aumentando a demanda por moinhos. Segundo pesquisa da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, a reciclagem de plásticos no Brasil vem crescendo significativamente nos últimos anos, tendo passado de 702.997 toneladas em 2003 para 962.566 toneladas em 2007. A reciclagem se divide em industrial, 39% do total; e pós-consumo, 61%. “Os números do Brasil já são bons. O índice de reciclagem mecânica do país é de 21,2%, enquanto na Comunidade Europeia é de 18,3%. A reciclagem industrial já está consolidada. Mas ainda há o que avançar na reciclagem pós-consumo. Hoje, somente 7% dos municípios do país contam com serviços de coleta seletiva de lixo”, afirma a executiva Rosanelli, da Mecanofar.

Segundo Braga, para alavancar este mercado são necessárias políticas que estimulem o correto descarte dos materiais plásticos, favorecendo a chegada deste ao reciclador, que muitas vezes opera com ociosidade. Para Cerri, o setor de reciclagem ainda tem dificuldades quanto a impostos incidentes sobre o reciclado e o alto custo de produção, o que desestimula muitos empresários. Estes problemas resolvidos gerariam um grande estímulo ao crescimento da reciclagem no país, proporcionando ganhos para a sociedade e uma maior demanda por moinhos.

Segurança e ruídos – Conforme relatam os fabricantes de moinhos, a principal evolução em curso nestes equipamentos se refere aos quesitos de segurança do operador das máquinas, como a introdução de mecanismos automáticos que só permitem o funcionamento do periférico com a porta fechada, evitando acidentes. Outra preocupação é com a emissão de ruídos. A norma NR 15 determina que um trabalhador com uma jornada de oito horas não deve ficar exposto a ruídos superiores a 85 decibéis. O nível de ruídos dos moinhos varia bastante, dependendo do fabricante, da configuração da máquina e do tipo de material processado. Mas, em média, os moinhos tradicionais superam a marca de 100 decibéis. A evolução que se busca é o limite de 85 decibéis. Mas em muitas máquinas modernas, acusticamente revestidas, já se chega a níveis bem inferiores a esta marca. Como diz Cerri, o problema é que um equipamento de última geração, dotado de todos os acessórios de segurança adequados e revestimento acústico, chega a custar até 40% mais que uma máquina tradicional, o que afasta muitos compradores, principalmente aqueles com visão de curto prazo, que olham apenas o preço do equipamento. “Hoje os moinhos mais sofisticados respondem por apenas 10% do mercado. Esta participação tem evoluído muito nos últimos anos, mas ainda está longe de alcançar o espaço adequado”, pondera o executivo, para quem só a evolução cultural do empresário e do trabalhador vai levar a uma compra mais sofisticada, que leva em consideração o custo/benefício do equipamento, incluindo nesta conta até mesmo ganhos em saúde ocupacional. “Nas empresas mais organizadas, com CIPA e engenharia de produção, esta preocupação já existe. Com o tempo, ela chegará a um conjunto maior de empresas”, acredita.

Equipamentos e fabricantes– Segundo Cerri, o desenvolvimento de equipamentos mais silenciosos e que privilegiam a segurança do trabalhador é uma preocupação entre praticamente todos os principais fabricantes de moinhos do país. A Rone, por exemplo, está promovendo a modernização gradual de seus modelos com este objetivo. A empresa fabrica exclusivamente moinhos e sua especialidade é produzir equipamentos específicos para cada necessidade.

Plástico, Ronaldo Cerri, diretor da Rone, Moinhos - Fabricantes aperfeiçoam processo com redução de ruídos e maior segurança
Projetos de Cerri atendem às necessidades do cliente

“Costumamos dizer ao cliente: apresente a peça a ser moída que nós fabricamos o moinho certo para você, independentemente do tamanho ou peso desta”, diz. De acordo com o diretor, os projetos da empresa priorizam alguns itens técnicos, como facilidade de limpeza por meio de um sistema exclusivo de fixação da peneira; mancais externos à câmara de moagem eliminando por completo riscos de entrada de materiais indesejáveis nos rolamentos e permitindo a moagem com água.

Rosanelli informa que a Mecanofar considera sua principal vantagem competitiva as inovações tecnológicas voltadas às customizações para a adequação de produtos a processos incomuns, quando solicitados pelos clientes ou identificados por seus técnicos, em testes de laboratório e simulações. “Dessa forma, são agregadas melhorias constantes em nossa linha de produtos, traduzidas como inovações tecnológicas, o que nos permite oferecer soluções personalizadas”, afirma.

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Moinho MTF 600 tritura peças de grandes volumes

A Mecanofar fabrica moinhos granuladores, de alta e baixa rotações, para centrais de moagem ou automatização de processos, com motores de 3 c.v. a 150 c.v. Assim como equipamentos associados: silos, estufas, esteiras, cabines antirruído, e peças de reposição. A empresa programa o lançamento do moinho MTF 600, apresentado na Brasilplast 2009. O equipamento conta com motorização de 15 c.v. até 40 c.v. e se destina à trituração de peças de grandes volumes, porém com paredes de espessuras finas. O limite de operação é de 600 mm por 400 mm. “É um equipamento com alta produtividade e preço atrativo”, diz Rosanelli.

Já a Ineal, informa Carol, produz moinhos de baixa e alta rotação e trituradores, porém de pequeno porte, com câmara de moagem de 220×200 mm ou 310x300mm. Os moinhos de baixa rotação contam com motorização de 3 c.v. a 7,5 c.v., e os de alta rotação com motorização até 10 c.v.; e os trituradores com motorização de 2 c.v. Segundo ela, a vantagem principal na escolha de um moinho triturador é o baixo ruído, em torno de 40 decibéis, e o baixo nível de pó. O problema, porém, é que os trituradores são, em geral, 40% mais caros que os moinhos de facas. Em moinhos, relata a executiva, o principal foco de atuação da Ineal são os clientes que operam com células, isso é, utilizam moinhos de pequeno e médio porte ao lado da máquina, com outros periféricos. Entre as inovações em curso na Ineal, Carol informa que o foco é diminuir o custo de produção para oferecer um moinho com baixo valor de investimento. “Além disso, trabalhamos para diminuir o índice de ruído, assim como a quantidade de pó.”

A Seibt, informa Braga, fez dois lançamentos recentes. Um é o moinho de facas MGHS 1000B, com capacidade para moer

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Modelo MGHS 1000B da Seibt mói cerca de 4.800 quilos/hora

bombonas inteiras de 200 litros com uma produção média de 4.800 khg/h. A outra novidade é o TPS 800, um triturador com rotor de pastilhas para a moagem de borras. “O novo sistema de corte oferecido por este triturador permite a utilização de motores de menor potência sem comprometer o desempenho e a produtividade”, assegura. A capacidade do equipamento atinge a média de 700 kg até mil quilos por hora. No segmento pós-consumo, a empresa oferece linhas completas para reciclagem de PET, PE e PP. Segundo ele, a principal característica da Seibt é a resistência e durabilidade dos equipamentos que produz. “Todos os componentes utilizados na construção das máquinas são de primeira linha, o que permite que nossos equipamentos, muitas vezes, estejam trabalhando há mais de trinta anos sem apresentar danos”, afirma Braga.

Robustez e resistência dos equipamentos também é a marca da Primotécnica, segundo seu diretor de vendas. Outra característica, informa Casarotti, é a produtividade das máquinas. “Nossos moinhos contam com duas facas fixas, enquanto a maioria de nossos concorrentes disponibiliza apenas uma faca fixa em seus equipamentos. Esta diferença representa em média 15% a mais de produtividade”, afirma. A empresa oferece moinhos de variados tamanhos, com capacidades de processamento que vão de 60 kg/h até 5.000 kg/h. O carro-chefe da companhia são os moinhos de porte médio, que respondem por 70% das vendas. São

Plástico, Dante Casarotti, diretor de vendas da Primotécnica, Moinhos - Fabricantes aperfeiçoam processo com redução de ruídos e maior segurança
Casarotti considera seus moinhos os mais produtivos

as linhas P2, com produção de 250 kg/h a 700 kg/h, e a P2G, com produção de 400 kg/h até 1.200 kg/h. A principal novidade da empresa é um equipamento projetado para reciclar pneus, o PMPS 400 Schreder,apresentado na Brasilplast 2009. O equipamento processa desde pneus de motos até pneus inteiros de caminhões e tratores. A máquina possui uma câmara de moagem de 1600 x 1700, dois motores com capacidade de 200 HP cada, 4 eixos e 56 facas intercaladas, produzindo no total até 12 toneladas/hora. “Já comercializamos cinco equipamentos, quatro com um único cliente. Nossa expectativa é comercializar seis máquinas destas por ano”, diz Casarotti.

Micronizadores – A Pallmann, empresa alemã com trinta anos de Brasil, atua no mercado com moinhos de faca e também com micronizadores para rotomoldagem. A linha de moinhos de facas é composta pelos equipamentos PS-L, indicados para o processamento de materiais que serão utilizados em injetoras, e o PS-K, voltado para o segmento de sopro. Alceu Lalli, diretor-geral da empresa no Brasil, informa que os equipamentos não são seriados, portanto são customizados de acordo com a necessidade dos clientes. A principal característica desses periféricos é que são de baixa rotação, com transmissão por motorredutor com 100 r.p.m. “Esta característica resulta em um moinho com nível de ruído baixíssimo. Além disso, nossos equipamentos quase não apresentam geração de pó, garantindo maior homogeneidade no material processado”, afirma o executivo. Lalli reconhece, porém, que a linha de moinhos com faca da Pallmann é pouco competitiva no Brasil. “Temos um preço em média 40% maior que os modelos de mesmo porte no mercado e, no Brasil, as compras ainda se dão mais pelo preço do que pela avaliação custo/benefício do equipamento”, diz ele, que relata vendas mensais de dois a três moinhos com faca no país.

Sob encomenda, a empresa também produz equipamentos para reciclagem de filmes, granulação de borracha e granulação de tubos. A novidade, informa Lalli, é uma linha de moinhos para madeira plástica que compõe o sistema Palltruder. O equipamento processa farinha de madeira e granulado plástico para produzir um granulado composto plástico-madeira adequado para aplicação em máquinas monorrosca, podendo ser utilizado na produção de peças injetadas, placas e perfis. “É um sistema que foi lançado em 2007 na Alemanha e estamos com boas perspectivas de negócios no Brasil, uma vez que já estamos em fase final de negociação com dez clientes no país”, afirma.

Um diferencial da Pallmann é produzir no país moinhos para a micronização de plásticos – segundo Lalli, é a única

Plástico, Alceu Lalli, diretor-geral da Pallmann no Brasil, Moinhos - Fabricantes aperfeiçoam processo com redução de ruídos e maior segurança
Lalli admite que a sua linha de moinhos é pouco competitiva

empresa. O material moído ao estágio de pó é utilizado em processos de rotomoldagem. De acordo com o diretor-geral, a empresa possui cinco linhas diferentes de micronização. Até hoje, o carro-chefe no segmento é a linha PKM utilizada para a micronização de diversas resinas, cuja principal aplicação está na rotomoldagem, para a produção de masterbatch, a resina veículo micronizada e pigmentada. Mas há uma novidade em curso que pode tirar a predominância da linha PKM. Durante a Brasilplast, a empresa lançou no Brasil a linha PMM, também adequada para a produção de masterbatch e compostos. É um moinho em monobloco sem canto virgem e sem solda. Além disso, o material moído é transportado via ventilador, ciclone e válvula, utilizando-se de uma tubulação muito curta, fixada com engate rápido. Este conjunto de características, informa Lalli, permite que a limpeza do equipamento seja muito rápida. “Um equipamento tradicional exige três turnos para a limpeza para a troca de cor do material processado. No PMM, a limpeza é realizada em duas horas”, informa. Além disso, diz Lalli, o processo de moagem com o PMM apresenta um custo entre sete e dez vezes menor do que o apresentado pelo sistema de moagem pelo processo de criogenia. A novidade, porém, é a fusão das características dos moinhos PKM e PMM, formando a linha PKMM, que fará a micronização de várias resinas sem criogenia com foco principal em masterbatch, com capacidade de processamento de 30% a 40% maior que a linha PKM. O equipamento deve chegar ao mercado brasileiro no começo de 2010.

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