Microinjeção – Exigência de precisão desafia os projetistas de ferramentas e os transformadores

Plástico Moderno, Microinjeção - Exigência de precisão desafia os projetistas de ferramentas e os transformadores
Tamanho diminuto e forma complexa são problemas para projetistas

É difícil instalar câmaras quentes em ferramentas de peças tão pequenas. “Em geral, não tem espaço nos moldes. Quando se usa a câmara, é muito complicado definir onde colocar o ponto de injeção”, explica Barneze. A ausência das câmaras resulta na necessidade de injeção de “galhos” no conjunto injetado. “Na maioria das vezes, os galhos chegam a pesar algumas vezes mais do que as peças”, diz Berti.

Isso não quer dizer que as câmaras quentes não sejam bem-vindas. Pelo contrário, quando possível, elas são para lá de recomendadas. A Emicol é uma das poucas empresas do mercado nacional com know-how para desenvolver matrizes equipadas com esse componente. “Sempre procuramos instalar câmaras”, revela Marcelo Erchemberger, gerente de ferramentaria. Para desenhar os manifolds adequados, a empresa conta com a parceria dos fornecedores. Uma curiosidade: nos casos de peças muito pequenas, não é rara a presença de galhos mesmo nos moldes dotados com as câmaras quentes.

Um outro aspecto bastante delicado é o do projeto do conjunto de extração das peças. “Se os extratores deixarem marcas de centésimos de milímetros, isso pode prejudicar o lado funcional da peça”, justifica Barneze. Nas aplicações mais críticas, são adotadas placas extratoras, projetadas de modo que acompanhem o contorno da cavidade dos “machos”. “Aproveitamos o fato de a maioria das peças de pequeno porte fabricadas por nós ter formato de cunha. Em geral, nossos sistemas de extração permitem que, depois de injetadas, elas caiam direto em bandejas”, conta Berti.

Como as peças são muito leves, na hora da injeção, em alguns casos, são adotadas medidas de segurança para retirá-las das injetoras. Entre elas, dispositivos usados para desligar a máquina caso a peça não caia do molde ou, em casos muito extremos, robôs dotados com equipamentos de sucção. Os ciclos muito rápidos, em média de seis segundos, trazem outra dificuldade enorme para os projetistas. “O grande segredo do funcionamento desses moldes é um bom sistema de refrigeração”, ressalta Silva.

Quando possível, as ferramentarias utilizam componentes padronizados na fabricação das matrizes. Entre eles, porta-moldes, pinos, buchas, colunas, extratores e outros. Nem sempre, no entanto, tais componentes são encontrados no mercado com as dimensões desejadas. “Quando não encontramos, fazemos esses componentes em casa ou encomendamos para terceiros”, revela Barneze. Muitas vezes os serviços de tratamento térmico do aço usado nos moldes são terceirizados.

Quem fabrica esse tipo de molde precisa contar com equipamentos sofisticados. Entre eles, o de maior destaque é a máquina de eletroerosão a fio, imprescindível para a fabricação das cavidades e outros componentes de tamanhos reduzidos. “A operação de eletroerosão a fio tem precisão dez vezes maior do que a convencional”, lembra Berti. Também são usados equipamentos de eletroerosão de penetração, capazes de fazer furos de diâmetros ínfimos em blocos de aço, além de máquinas de eletroerosão tradicionais e centrais de usinagem de elevada precisão, muitas delas dotadas com cinco eixos.

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Erchemberger: até tratamentos térmicos são feitos em casa

Integração – Nascida há 43 anos como uma pequena ferramentaria, a Emicol se transformou em uma fábrica de grandes dimensões, fabricante de interruptores, termostatos, componentes para eletrodomésticos, soluções para a indústria eletrônica e outros materiais elétricos, além de desenvolver e produzir soluções para tratamento de efluentes e oxigenação de água. A empresa conta com 1,3 mil colaboradores.

Na área de injeção de plásticos, possui 34 máquinas, com capacidades de 50 a 400 toneladas de força de fechamento. Quando o assunto é a produção de micropeças, as máquinas de 50 toneladas são as utilizadas. A empresa não tem intenções de adquirir modelos com capacidades menores. De acordo com Eduardo Campos, gerente de produção, isso se justificaria se houvesse a produção de itens minúsculos em volumes que exigissem equipamentos com dedicação exclusiva. “Nossa produção é muito variada, realizamos vinte trocas de moldes por dia. As matrizes ficam nas máquinas durante dois ou três dias no máximo”, explica. A empresa possui cerca de 890 moldes, dos quais em torno de 20% são voltados para micropeças.

A ferramentaria da Emicol tem estrutura capaz de fazer inveja a muitas empresas especializadas no ramo. Altamente verticalizada, produz entre 80 e 90 unidades por ano. Entre os equipamentos, possui sofisticados centros de usinagem e máquinas de eletroerosão. Seus profissionais contam com softwares de CAE/CAD/CAM para ajudar na realização das tarefas. Lá são projetados e fabricados muitos componentes das ferramentas e também os eletrodos usados nos equipamentos de eletroerosão. Até o tratamento térmico das peças é feito quase todo internamente. “Fazemos aqui 90% dos tratamentos necessários, só terceirizamos a operação quando usamos aços especiais”, revela Erchemberger.

A divisão conta com noventa colaboradores. É difícil recrutar profissionais com experiência para criar projetos e trabalhar com equipamentos de usinagem de elevada precisão. Formar bons profissionais leva alguns anos. “Temos uma dinâmica interna para a qualificação do pessoal, nossos funcionários passam por treinamentos rigorosos. Quase 40% do nosso time recebeu formação aqui na empresa”, diz o gerente.

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