Mesmo reduzida, área dos insumos traz boas atrações

Os espaços reservados para as resinas e aditivos passaram a ser nos últimos grandes eventos do setor de plásticos os menores. Muito provavelmente isso pode ser explicado pela concentração do setor, mas também passa pela estratégia das empresas de enxugar suas apresentações em estandes mais acanhados ou até mesmo escondidos em espaços fora dos pavilhões (caso da Dow Chemical). Enfim, pode-se acrescentar também o fato lógico de essas empresas não precisarem do mesmo espaço que os fabricantes de máquinas necessitam para colocar seus equipamentos em exposição.

Nessa NPE, não foi diferente. Ao entrar no pavilhão sul, dedicado aos materiais, apenas dois grandes estandes se destacavam logo na entrada, mas bastava ultrapassá-los para se notar que as demais empresas, mesmo grandes grupos, optaram por criar espaços menores, mas não por isso menos pródigos em algumas novidades.

Os dois grandes estandes logo de entrada eram de dois atuais grupos de peso na área de resinas: o da Sabic e, para orgulho tupiniquim, o da Braskem. Mas a semelhança entre os dois acabava por aí, pelo tamanho de cada espaço – se bem que o da Sabic ainda assim era o maior. A diferença mais evidente era a maior fluência de pessoas, de novidades, de produtos transformados em exposição, de especialidades demonstradas; enfim, um aparato de marketing mais ativo e profissional da Sabic. O estande da Braskem era extremamente institucional, com pouca preocupação em atender o público e a imprensa, com um simples cartaz remetendo ao já desgastado marketing sobre o polietileno com eteno derivado de cana-de-açúcar, uma novidade em termos tecnológicos com mais de 40 anos, iniciada quando o polo alcoolquímico de Alagoas naufragou por desinteresse nacional no começo da década de 70.

Embora seja uma das maiores produtoras de polipropileno do mundo, depois das aquisições dos negócios da Dow e da Sunoco, com cinco plantas de escala mundial, e esteja vendo crescer suas vendas do plástico “verde” produzido em Triunfo-RS, talvez ainda falte um pouco de ousadia para a Braskem se mostrar em eventos do porte da NPE, com uma estratégia mais agressiva para atender e atrair os visitantes ao seu estande. O que se viu por lá foi a fórmula muito usada nas feiras brasileiras, onde estandes de grandes empresas ficam parecendo mais um restaurante com mesas ocupadas e pessoas pouco interessadas em intrusos que por lá entrassem. As tentativas da reportagem de Plástico Moderno para falar com algum executivo da Braskem foram frustradas com a desculpa de que ninguém na feira tinha autorização para falar em nome da empresa.

Já o estande da Sabic funcionava diferente. Bastava, por exemplo, o visitante se atentar para uma das atrações expostas, e logo ele era assediado por algum representante ou técnico da empresa para prestar esclarecimentos ou colocar o interessado em contato com o responsável da área. Um cavalo mecânico de um grande caminhão da Volvo, por exemplo, chamava a atenção não só por sua beleza, como por representar uma solução ambientalmente correta para a fabricação de suportes do sistema de deflexão de ar lateral em todos os setes modelos da plataforma de caminhões pesados Volvo VN 2012.

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Caminhão inovou e trouxe uma solução de baixo impacto ambiental ao setor, de acordo com Gilbert

“Trata-se da primeira aplicação feita com material reciclado em caminhões norte-americanos”, revelou o gerente-geral da divisão Innovative Plastics da Sabic, Michael Gilbert. A resina em questão é o polibutileno tereftalato (PBT) Valox iQ, que incorpora em sua síntese garrafas de PET pós-consumo. A resina pode conter até 60% de conteúdo reciclado e ajuda a reduzir a pegada de carbono em até 49% em relação às resinas de PBT virgem. E ter material reciclado não significa perda de qualidade. “O Valox iQ tem desempenho comparável ou superior ao dos materiais convencionais, com excelente resistência ao impacto, a produtos químicos e à fadiga”, disse Gilbert. Basta lembrar que a Volvo é reconhecida por produzir veículos com alto nível de segurança.

Além do PBT com material reciclado, também faz parte do projeto ecológico dos caminhões o uso das resinas Noryl GTX (PA + PPE) nos para-lamas e Cycoloy (PC/ABS) para as grades frontais. Ambas as resinas ajudam a economizar combustível ao reduzir o peso em componentes dos veículos grandes, substituindo o metal tradicional e outros materiais mais pesados do que o plástico de engenharia.

Outro lançamento da Sabic que causou frisson na feira foi o anúncio de que a famosa Canon Electronics selecionou a

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Canon produziu digitalizador com material reciclado da Sabic

resina de alto desempenho Xenoy iQ ENH (PBT), com 60% de conteúdo reciclado pós-consumo, para a produção do seu novo modelo de digitalizador de alta velocidade “image Formula DR-M160”. Antes, a Canon usava resinas PC/ABS virgens. A Xenoy iQ incorpora quimicamente PETs reciclados obtidos de garrafas pós-consumo. Este conceito, ao contrário da reciclagem mecânica, assegura qualidade e propriedades mais uniformes e o desenvolvimento de cores mais consistentes, como o cinza pálido escolhido pela Canon. A Xenoy iQ também conta com alta retardância à chama, sem usar aditivos bromados ou clorados, tornando-a adequada para equipamentos de escritório e eletroeletrônicos.

E havia vários outros lançamentos da divisão de produtos Innovative. O portfólio de materiais de policarbonato (PC) Lexan, por exemplo, passou a  contar com uma versão copolimérica Lexan CFR, que inclui a propriedade de retardante à chama sem bromo, cloro, fosfato ou teflon, em conformidade com os principais protocolos ambientais. A resina também é ideal para projetos de paredes finas, com fluxo e processabilidade aprimorados em comparação com o PC transparente e de retardância à chama convencional. Um grade de resina de Lexan CFR com índice de fluidez (MFI) de 18 pode ter um fluxo em espiral semelhante ao de um PC com retardância à chama com MFI de 28.

Poliamidas – Outras empresas da área de especialidades também levaram novidades. Foi o caso da alemã Basf, que apresentou suas novas poliamidas 6 ou 66 de alto impacto Ultramid Structure. Reforçada com 40% de fibras de vidro longas, a nova resina produziu e mostrou a primeira roda totalmente de plástico do mundo, para um carro-conceito da também alemã Daimler, e que pesa 30% menos do que uma roda similar de alumínio, segundo explicou o gerente de desenvolvimento de mercado da Basf, Alejandro Ruiz Pedreiro.

Outro náilon destacado foi o Ultramid Endure, da família 66, que pode substituir o metal e outras resinas (PPS e PPE) em várias aplicações em motores automotivos, com alta resistência à temperatura e, logicamente, ganhando em peso e reduzindo o custo para os clientes. Outro grade em destaque era o Ultramid BG50XFi, uma PA 6 com impacto modificado, que pode substituir PC/PBT em várias aplicações, e ainda ter uso em peças grandes para jardinagem, por exemplo, e em moldes de injeção de paredes finas que requeiram alto brilho, resistência mecânica e resistência ao UV. Também um grade para injeção de PA 6, o Ultramid B3ZG7, com 35% de fibra de vidro, foi desenvolvido para aplicações agressivas, de alto impacto e estabilização ao calor, que demandem alta resistência química e mecânica. Ele substituiu o aço e o alumínio, por exemplo, no depósito de óleo da Grand Cherokee, peça em exposição.

Plástico, Mesmo reduzida, área dos insumos traz boas atrações
Pedreiro destacou roda fabricada com as poliamidas Ultramid Structure da Basf

Mas não era só em poliamida o interesse de divulgação da Basf. Também da linha Elastollan de TPU (poliuretano termoplástico) havia dois novos grades. O 785 10HPM melhorou o seu desempenho sob compressão, em altas temperaturas e ainda sua resistência a combustíveis e químicos. “Ele tem uma textura parecida com o couro e é ideal para cabos usados em sistemas antilock de segurança”, afirmou o técnico da área de TPU da Basf, Brad Martin, completando ainda que o novo grade substitui com muito mais eficiência a borracha e os TPEs. O segundo grade era o 1185A, livre de halogênio, de baixa geração de fumaça, excelente para uso contínuo como fio ou cabo em ambientes até 150ºC, como em motores de carros. “Ele tem ainda excelente resistência à abrasão, robustez, flexibilidade para baixas temperaturas e resistência a fungos”, completou Martin.

Plástico, gerente de negócios, Mesmo reduzida, área dos insumos traz boas atrações
Andreas Scheurell: quer difundir uso de PA em carro

A também germânica Lanxess destacou em seu estande a terceira geração de sua tecnologia híbrida de compósitos que permite a construção de peças automotivas externas de metal e plástico. Pela primeira vez, a tecnologia utiliza chapas de um ultraleve PA 6 (Durethan) reforçado com fibra de vidro (30%), injetado dentro da peça frontal metálica do Audi A8, substituindo o alumínio. “O plástico, além de distribuir melhor a força de um impacto, pesa 20% menos do que o seu equivalente, economizando combustível”, disse o gerente de negócios, Andreas Scheurell.

Segundo o gerente, embora a tecnologia por enquanto seja usada apenas na Alemanha, a ideia é expandir esses avanços por todo o mundo, inclusive o Brasil. “Temos contatado todas as montadoras instaladas no Brasil para difundir o uso da poliamida nos carros”, disse. “E o mercado automotivo lá está se desenvolvendo, com diversificação, e podemos em breve introduzir pelo menos a 2ª geração das peças híbridas”, disse. E em 2013, segundo ele, a Lanxess tem planos de passar a produzir todas as resinas necessárias para isso em Porto Feliz-SP, como a PA 6, PA 66 e o PBT.

Para ele, as chapas de náilon incluídas na tecnologia híbrida são um passo muito importante para o desenvolvimento de carros mais eficientes em termos de consumo de combustível. “Elas tornam os carros muito mais leves, mas mesmo assim com igual, ou melhor, resistência mecânica. Os esforços de pesquisa e vendas da Lanxess para incluir mais plástico no carro envolvem aplicações nos compartimentos de air bag, suportes dos motores, estruturas das portas, pedais e para-choques.

Verdes – No mesmo pavilhão das resinas, havia uma área dedicada a alternativas sustentáveis, o chamado Sustainability Pavilion. Ele era até patrocinado pela Braskem, que mantinha também no local um pequeno estande para divulgar mais o seu plástico de matéria-prima renovável.

Várias empresas mostravam, sobretudo, soluções de materiais ecoamigáveis, como bioplásticos e plásticos biodegradáveis. Dentre elas, a brasileira Extrusa-Pack, considerada a segunda maior transformadora de sacolas plásticas

Plástico, Mesmo reduzida, área dos insumos traz boas atrações
Vero (esq.) e Paulo uniram forças para oferecer ao mercado sacola biodegradável

do Brasil, apresentava sua parceria com a também brasileira TIV Plásticos, representante de um aditivo biodegradável da norte-americana EcoLogic. “É um dos únicos produtos que criam um masterbatch de PE, PP e PS para produzir sacolas biodegradáveis em ambiente anaeróbico”, explicou o diretor da TIV, Tamas Vero.

Segundo ele, o produto tem componentes orgânicos que abrem a cadeia molecular da superfície do plástico para permitir que os micróbios, no ambiente anaeróbico, também atraídos por componentes do aditivo no masterbatch, degradem a sacola. “Em um ano, conforme teste em laboratório independente, sem precisar de oxigênio ou compostagem, eles se biodegradam”, disse Vero. O produto já foi testado e aprovado em testes laboratoriais com PET, PE, PP/BOPP, PS, PVC e EVA. Ao final da decomposição, transformase em húmus e libera traços de metano.

A Extrusa-Pack é uma das transformadoras brasileiras que já produzem sacos com o aditivo. A empresa até distribuía sacolas na feira como brinde, as quais eram feitas também com a resina de polietileno com eteno derivado de cana-de-açúcar da Braskem (que por sinal é igual quimicamente ao polietileno petroquímico, portanto nãobiodegradável). “Esta é uma solução muito melhor para o meio ambiente, ao contrário dos aditivos oxibiodegradáveis, que precisam de oxigênio e ainda deixam resíduos nos solos, e dos bioplásticos, dependentes da compostagem”, completou Marcelo Paulo, o diretor comercial da Extrusa-Pack, com cinco unidades produtivas no Brasil e sede em Guarulhos-SP.

Para ser biodegradável, o aditivo deve corresponder a, no máximo, 3% da espessura do produto e da atividade microbiana. Normalmente, o transformador emprega 1% na mistura da resina acondicionada no alimentador. A TIV Plásticos, de Diadema-SP, além de representante exclusiva no Brasil do aditivo, é distribuidora de filmes flexíveis. Segundo Vero, mais de dez transformadores de sacolas já utilizam o produto no país e a tendência, conforme o mercado começar a perceber a vantagem do aditivo sobre principalmente a alternativa oxibiodegradável, é o seu uso se alastrar.

A tendência de os transformadores e produtores aderirem a soluções biodegradáveis, aliás, se alastra em outros lugares do mundo. Uma empresa taiwanesa, a Minima, é especializada em criar soluções turn-key de unidades de injeção, sopro ou extrusão ou em criar produtos, como copos, sacolas, talheres, embalagens em geral, que envolvam resinas biodegradáveis ou compostáveis. “Se a empresa quer ter sua própria unidade, nós montamos. Se ela quiser que façamos o produto, também”, disse o gerente-geral da Minima, Chien-Ming Huang.

A empresa trabalha com várias tecnologias, menos com os aditivos oxibiodegradáveis, segundo revelou o Phd em química Huang, “por ser muito perigoso para a natureza, por gerar resíduos com traços de metais, o que pode contaminar o solo”. A empresa pode montar unidades balão com tecnologia Ecoflex da Basf, PLAs (ácido polilático), poliésteres alifáticos, além de vários outros tipos de processos ou produtos. “Temos certificação de todos os organismos internacionais para transformação de produtos biodegradáveis ou compostáveis”, orgulhou-se.

Mais uma mostra de que o tema sustentabilidade contagia quase todos os fornecedores de materiais era o fato de a Milliken, empresa americana especializada em aditivos para plásticos, ter destacado os benefícios “sustentáveis” de uma nova linha de clarificantes para polipropileno. Trata-se da linha Miland NX 8000.

Segundo explicou o gerente global de aditivos plásticos da Milliken, Wim Van De Velde, o novo aditivo é mais solúvel em PP do que outros clarificantes, permitindo aos transformadores processar o material com temperaturas 10% a 15% menores. “Isso traz ganhos evidentes em redução de consumo de energia, mas também em emissões de carbono”, explicou De Velde.

Além disso, continuou o gerente, há também ganhos de produtividade por meio de ciclos até 10% mais rápidos e a sua melhor capacidade de clarificação substitui produtos mais perigosos, usados para aperfeiçoar a aparência de embalagens de PP. Para demonstrar a capacidade do novo clarificante, a empresa também mostrava um aplicativo para computador que permite ao cliente acompanhar as economias e ganhos obtidos com a tecnologia, disponibilizando ferramentas para medir consumo de energia, redução de emissões e redução de horas de produção.

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