Câmaras Quentes – Mercado incorpora tecnologia de ponta

Os fabricantes de sistemas de câmaras quentes acompanharam a evolução do mercado da transformação de plásticos por injeção e incorporaram recursos de ponta em seus desenvolvimentos.

 

Linha evolutiva

Independentemente de números, o mercado evoluiu no quesito tecnológico.

O consumidor solicita, por exemplo, mais sistemas com muitos pontos de injeção e, de alguma forma, sinaliza que os moldes produzidos se destinam para grandes volumes.

Esse cenário, por sua vez, incita outro movimento: a maior aceitação dos sistemas valvulados. “Trata-se de um produto elitizado, mas que possibilita recursos preciosos para quem produz peças técnicas”, argumenta Agenor Gualberto, gerente da área de câmara quente da Polimold.

Os benefícios são diversos: pontos de injeção praticamente invisíveis, baixa pressão de injeção e possibilidade de ter um controle individual sobre os bicos, podendo injetar peças grandes com vários pontos de ataque em tempos separados, eliminando as linhas de junção do produto. “O valvulado é sem dúvida o produto do momento”, reforça Gualberto.

Ao garantir ciclos mais rápidos e peças mais planas ou com menor deformação, os sistemas ganham a preferência das montadoras, em aplicações como para-choques e painéis de instrumentos. “O tamanho das peças exige sistemas com bicos valvulados”, acrescenta Rollmann, da Incoe.

Mas outros setores se abriram para essa tecnologia. Entre as aplicações, Kaiser destaca algumas. “Hoje temos muitos sistemas valvulados em moldes de bandejas, de pré-formas, de portas de gabinetes, de caixas elétricas, de visores etc. Mesmo com a diferença de custo para o sistema convencional, os benefícios têm atraído mais clientes”, comenta.

Muitos projetos nascem também porque as peças injetadas necessitam atender a padrões de qualidade elevados. E, como a transformação nacional está cada vez mais exigente, fica fácil perceber o porquê desse aquecimento nas vendas. Porém, não é hora de euforia.

Sobre o tema, Pavezzi traz à tona um ponto crítico. Para ele, nem todos tendem a adquirir os sistemas valvulados, pois estes são destinados a casos especiais, nos quais sua adoção se faz realmente necessária. “O que irá determinar se a câmara quente será valvulada ou não é o produto”, diz.

Quanto ao uso de softwares de CAE (Computer Aided Engineering), a adesão ainda é insuficiente. “Temos baixo aproveitamento destes recursos. Embora a análise de fluxo esteja bem difundida, poucas empresas dispõem destes recursos de CAE para auxiliar em seus projetos”, comenta Nunes, da Husky.

Segundo Pavezzi, apesar da ampla disponibilidade de softwares no mercado, muitas companhias substituem o uso dessa ferramenta pela experiência. O que é um erro. Uma parte do CAE, por exemplo, o estudo de fluxo, é ideal para peças complexas, no sentido de

estudar sua reologia interna na cavidade. “Isso elimina muitos problemas; e, quando eles aparecem, já é tarde demais para corrigi-los, ou seu custo se torna mais elevado do que se tivesse sido feito o estudo ainda no projeto”, avisa.

Por causa da forte disseminação dos produtos chineses no país, os projetos de moldes precisam ser mais ágeis, e um grande aliado são os softwares, sobretudo porque auxiliam a antecipar etapas que eram empíricas.

Cuca Jorge
Ricardo Ulrich – Thermoplay Brasil Sistemas de Injeção

“As ferramentas para simulações de injeção ajudam bastante a prever situações como o bom preenchimento do produto”, observa Ulrich.

Mas ele reconhece que apesar de não restarem dúvidas acerca dos benefícios, o investimento inicial é considerado alto. “Creio que este seria um dos motivos do baixo aproveitamento”, comenta.

Independentemente da demanda, os fabricantes têm apostado nessa tecnologia. A Husky aponta um exemplo de seu por­tfólio­. O projeto de refrigeração da placa porta manifold hoje é feito e auxiliado por sistemas de CAE, para atender a premissas como redução de ciclo.

O desenvolvimento é de um molde de 96 cavidades, no qual a variação de temperatura em toda a placa deve ser menor que 10oC.

Tanto os sistemas valvulados como os softwares são emblemáticos quanto às mudanças sofridas pelo mercado das câmaras quentes, no entanto, muitos outros avanços tecnológicos movimentaram os projetos.

Luciano Cavalcanti, da Fator, destaca alguns deles, como a fabricação de sistemas com autovedação, a eliminação de parafusos dos blocos de aquecimento e os aperfeiçoamentos da

fixação da resistência elétrica sobre o corpo do bico quente. “Isso reflete diretamente no desempenho do molde e na qualidade do produto injetado”, afirma. Outras melhorias ilustram essa trajetória evolutiva. A citar: os aperfeiçoamentos de insumos como o aço.

Segundo Kaiser, no portfólio da Delkron esse conceito se traduz na vida útil mais longa dos equipamentos, que hoje está acima de quinze anos, com trabalho contínuo. “Conseguimos isso graças às ligas de aço inoxidável que desenvolvemos e ao tratamento térmico exclusivo”, comenta Kaiser.

Além disso, os novos desenvolvimentos disponíveis no mercado também ganharam agilidade na troca de cor e na qualidade da peça final.

Na avaliação de Pavezzi, os fabricantes já superaram o problema da vida útil das resistências, que se dava pela dificuldade de se elaborar a matéria-prima adequada e pelos sistemas de controle, que não possuem soft start (o aquecimento das resistências até a retirada total da umidade da cerâmica que lhe dá o suporte).

Segundo ele, a evolução das resinas, dos aços e dos equipamentos de usinagem, ao longo dos anos, contribuiu para a confecção de câmaras quentes mais rápidas e precisas, e com distribuição térmica mais equilibrada.

 

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