Máquinas e Equipamentos

Mercado de moldes – Vendas aquecidas fortalecem indústria nacional contra Ásia

Renata Pachione
12 de setembro de 2010
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    Plástico Moderno, Alexandre Fix, Diretor da Polimold, Mercado de moldes - Vendas aquecidas fortalecem indústria nacional contra Ásia

    Fix: tradição e escala ajudam Polimold a continuar exportando

    Exportação – O setor, por tradição, não é exportador. Na Polimold, historicamente, 20% de sua produção se destina ao mercado externo, sobretudo para os Estados Unidos, Europa e Ásia. No entanto, hoje essa taxa gira em torno da metade disso. Apesar do baixo índice, a Polimold é exceção, pois a maioria dos fabricantes detém taxas pífias. O segredo? Claro que Fix não conta, porém dá algumas pistas. A escala e a tradição de mais de trinta e cinco anos no mercado, obviamente, contribuem de forma significativa, no entanto, o que tem feito a diferença mesmo são margens reduzidas. Ele admite que precisou espremê-las. “O cliente está com menos dinheiro para investir”, argumenta.

    A renovação constante do seu parque fabril também figura na pauta diária de Fix, pois, para ele, manter a qualidade em alta é necessidade de primeira ordem, sobretudo no ramo de câmara quente em que, por embutir um valor agregado, o preço do produto não é tão determinante nas negociações quanto é no caso do porta-molde e dos pinos extratores. “A maior parte das nossas máquinas é de origem japonesa”, comenta o diretor.

    Além disso, são 400 funcionários que se revezam para trabalhar 24 horas por dia. “Tento entregar o produto no menor custo possível”, resume. A infraestrutura também favorece a liderança da companhia. São cinco prédios, divididos de acordo com o tipo de produto: porta-moldes especiais, câmara quente, pinos extratores, placas para porta-moldes nacionais, e placas para porta-moldes para exportação. A empresa conta ainda com uma filial no México, onde produz moldes especiais e algumas placas para porta-moldes.

    Por aqui – No entanto, independentemente de seu tamanho ou da posição que ocupa no ranking do mercado de moldes, as fábricas têm ostentado saldos bastante positivos. É consenso: o mercado doméstico está em ebulição, o que compensa as perdas com as vendas externas. Os financiamentos são os grandes responsáveis por esse bom momento vivido pelo setor, sobretudo por causa do cartão BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). “O cartão abriu uma opção para o cliente pôr em prática seus projetos”, diz Miranda. De setembro de 2008 a maio do ano seguinte, a Miranda acompanhou a queda de suas vendas na ordem de 15%, a ponto de operar com ociosidade, mas a recuperação veio já no início de 2010, sobretudo pela facilidade do crédito.

    “Estamos com a demanda em alta no país”, diz Teixeira, da Tecnoserv. Na opinião dele, nem mesmo a presença dos produtos chineses compromete o faturamento da empresa. Nos últimos três anos os saldos registrados foram satisfatórios. Além dos financiamentos, para ele, as negociações estão facilitadas, porque o preço dos moldes caiu. Um exemplo prático fica por conta de um modelo de 32 cavidades que chegou a custar 250 mil reais e hoje pode ser comprado por 190 mil reais.

    O fôlego para novos projetos também reflete um cenário que se abre para alguns ferramenteiros. O aumento do poder aquisitivo do brasileiro e a constante renovação tecnológica favorecem a demanda por produtos que incitam sua rápida substituição, como os televisores. Os investimentos em moldes seguem o mesmo ritmo, ou seja, os pedidos estão cada vez mais frequentes, obrigando o ferramenteiro a produzir com mais agilidade e, mais do que isso, a fabricar um novo tipo de ferramenta: o de vida curta.

    A realização da Copa do Mundo de Futebol contribuiu com o crescimento das vendas no primeiro semestre e alavancou sobretudo o consumo de televisores, o que afetou diretamente os negócios da Cobrirel, empresa especializada na construção de moldes para os segmentos de eletroeletrônicos, eletrodomésticos, automobilístico, telecomunicações e embalagens. Há três meses, a Cobrirel registrou um incremento de 60% no seu faturamento, em comparação a agosto; na linha branca (por conta da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI), elevou suas vendas na ordem de 30%. Apesar de se tratar de uma venda circunstancial, Antonio Domingos Trevisan, diretor da Cobrirel, está otimista quanto à manutenção dos saldos positivos. Ele aposta em sua linha própria de utilidades domésticas (em geral, produtos de baixo valor agregado) e projeta para 2012 o início das operações de sua nova sede. No próximo ano, iniciará a construção de fábrica com o dobro da capacidade produtiva da atual.

    Dos dois lados – Outro segmento em alta é o da indústria automotiva. Por conta do aquecimento das vendas desse mercado, apesar de contar com ferramentaria própria, a Plascar, uma das principais fornecedoras de peças plásticas para as montadoras, abastece seu negócio com ferramentas de terceiros. “Atualmente, compramos moldes no mercado interno e no exterior, devido ao grande volume”, afirma José Donizeti da Silva, diretor de engenharia da Plascar. Os modelos adquiridos do exterior, na grande maioria, têm procedência da Europa e da Ásia. “Neste último caso, principalmente vindos da Coreia e China”, explica Silva.

    Apesar dessa variedade de fornecedores, para ele, é importante contar com uma ferramentaria interna, pois a companhia tem a necessidade de prover a manutenção preventiva e corretiva dos moldes, bem como a confecção de produtos estratégicos.



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