Mercado de moldes – Vendas aquecidas fortalecem indústria nacional contra Ásia

Plástico Moderno, Eduardo Cunha, Diretor-executivo da Moltec, Mercado de moldes - Vendas aquecidas fortalecem indústria nacional contra Ásia
Cunha: cada vez mais leves, as embalagens exigem investimentos em processos limpos e controlados

Fabricante de moldes de sopro e injeção de plásticos, a Moltec confirma essa corrente em prol da especialização, pois focou um ramo de atividade: no caso, o criterioso segmento de embalagens. Nesse setor, segundo Eduardo Cunha, diretor-executivo da Moltec, a qualidade dita as novas regras na produção de moldes, estimulando as ferramentarias a se munirem de tecnologia de ponta para poder criar figuras mais elaboradas. Entre os aspectos mais relevantes do momento, figura a exigência de oferecer embalagens de PET cada vez mais leves. “Para atender a essa necessidade, temos de investir no design da embalagem, que é mais complexo”, explica Cunha. Em tempo: para o próximo ano, o mercado de PET pretende apresentar uma pré-forma entre 11 e 12 gramas, para garrafas de 500 ml – hoje o peso é de 15 gramas. Por conta desse cenário, a Moltec adquiriu, recentemente, uma máquina de usinagem CNC de quinto eixo, cuja principal característica é aliar alta produtividade à possibilidade de fazer desenhos mais elaborados e apresentar acabamento superior.

Segundo o diretor-executivo, garantir processos limpos e controlados configura outro paradigma para quem atua no mercado de moldes para embalagens. Por isso, investir em sofisticação não é mais uma opção, mas sim a estratégia para se inserir nos novos rumos do setor. “Nossa fábrica foi preparada para esta fase da ferramentaria. Buscamos ter controle de todas as operações”, observa Cunha. Em novo endereço desde o início deste ano, a Moltec passou de área de 3,5 mil m² para 8 mil m². No entanto, os investimentos focaram não somente o aumento do espaço, mas sobretudo a modernização da unidade. “Estamos prontos para atuar num mercado que exige moldes de alta performance”, diz Cunha.

Com produção enxuta, a companhia conseguiu ser mais competitiva, apostando na personalização do atendimento. Na empresa não há produtos de prateleiras, pois os modelos são confeccionados sob medida. “Foram cinco anos investindo para chegar a esse ponto”, orgulha-se Cunha. São ao todo 23 centros de usinagem CNC, dos quais dez são high speed.

Investimentos – Esse não é um caso isolado, pois de forma geral ferramenteiros e fabricantes de componentes para os moldes estão investindo na modernização das fábricas, a fim de ter agilidade nos processos. A Tecnoserv também endossa o grupo das empresas que estão renovando o parque industrial. “Compramos máquinas mais produtivas e precisas”, avisa Teixeira. Um destaque entre as novas aquisições se trata de um centro de usinagem três vezes mais veloz em relação ao antigo. Por conta do bom momento, a companhia também investiu no aumento do estoque dos sistemas de câmara quente e de acessórios para o controle de temperatura. Um carro-chefe da marca é a linha de porta-moldes totalmente usinada. Hoje fabrica os porta-moldes e importa os sistemas de câmara quente, para os quais também oferece garantia de estoque e manutenção.

Plástico Moderno, Mercado de moldes - Vendas aquecidas fortalecem indústria nacional contra Ásia
Campos: fornecedores asiáticos são competitivos em razão de baixo custo da mãe de obra.

De fora – Toda essa movimentação do setor embute a necessidade iminente de se fortalecer contra os importados. Como ocorre em outras áreas da indústria, a ameaça ao mercado brasileiro de moldes vem sobretudo da Ásia. “A região impôs significativas perdas no volume de vendas”, afirma Campos. Segundo ele, esse fenômeno se deu por conta dos preços competitivos e da agilidade dos fornecedores asiáticos. “Algumas ferramentarias estão quebrando, por causa da entrada do produto chinês que está sendo facilitada pelo governo”, critica Fix. De acordo com ele, a concorrência chega a ser desleal. Estimativas apontam que um molde fabricado na China pode ser adquirido pela metade do preço de um feito por aqui.

Os defensores da indústria nacional tentam exaltar os pontos fracos do adversário. Os ferramenteiros brasileiros alegam que os custos da manutenção necessária, durante as fases de validação dos produtos, têm feito os clientes repensarem suas escolhas. “O custo/benefício oferecido não cobre as dificuldades do ‘life time’ dos projetos”, argumenta Campos. Além disso, muitos alegam que o deslumbramento causado pelos baixos preços fez muitas empresas importarem moldes de qualidade discutível, prejudicando o funcionamento da sua produção.

Os fabricantes brasileiros, no entanto, perdem competitividade por vários fatores. O que efetivamente determina o custo de um molde são as horas de ferramentaria aplicadas na construção, e neste quesito a Ásia mostra-se imbatível. “Lá há grande disponibilidade de mão de obra de baixo custo”, explica Campos. Outra vulnerabilidade se refere ao preço do aço; o tipo made in Brasil é um dos mais caros do mundo. “O aço da Europa e da Ásia para moldes fica mais barato do que o brasileiro, mesmo com as taxas de importação”, argumenta Fix. Soma-se a isso o famigerado custo Brasil, travestido de altas cargas tributárias. “Só perdemos da concorrência estrangeira por causa do preço, pois não devemos nada para ninguém em relação à tecnologia”, reforça Fix.

A invasão asiática comprometeu até mesmo a operação do Consórcio de Exportação de Moldes (Moldexport). Criado em 2000, com o apoio da Agência de Promoção de Exportações (Apex), um grupo de ferramenteiros de Joinville-SC se reuniu sob essa denominação, a fim de promover as exportações de moldes brasileiros. Essa associação segue um modelo administrativo desenvolvido na Itália há mais de cinquenta anos, enquanto as estratégias operacionais baseiam-se na experiência de Marinha Grande, em Portugal, reconhecido polo exportador de moldes.

O grupo Perfil, fabricante de moldes para injeção de plástico e de alumínio, de Joinville, integrou o consórcio na edição de 2004. Segundo o diretor Marcio Poffo, os resultados foram razoáveis, sobretudo porque há três anos conseguiu o feito inédito de exportar 20% de sua produção. Hoje, confirmando a tradição da empresa, não há vendas para o exterior. “Estávamos desbravando uma atividade até então desconhecida pelo nosso setor”, comenta. Hoje a Moldexport não atua com o mercado internacional, em razão da baixa do dólar e da queda dos preços dos moldes da Ásia.

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