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9 de Janeiro de 2011

Mercado da reciclagem do PET cresce no país

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Publicado por: Renata Pachione
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    O mercado nacional do polietileno tereftalato (PET) reciclado cresceu 3,6% em 2009. Mesmo em meio às adversidades pelas quais a indústria do plástico passou entre o ano passado e o anterior, foram reciclados 262 mil toneladas de material pós-consumo contra 253 mil t em 2008. O montante corresponde a uma recuperação de 55,6% das 471 mil t de novas embalagens produzidas no país, como aponta o 6º Censo da Reciclagem do PET no Brasil, divulgado pela Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) no início de dezembro.

    Os índices, obtidos em levantamento feito com 462 empresas recicladoras de 21 estados, destacam o Brasil no cenário mundial, pois representam que o país reciclou mais do que a Europa, cuja taxa de recuperação foi de 48,4%, e os Estados Unidos (28%). Para Auri Marçon, presidente da Abipet, o índice deve ser comemorado. “Em um período fortemente afetado por uma crise financeira, a reciclagem de PET cresceu no país”, enfatizou.

    No entanto, seguindo o mesmo raciocínio de comparação, nota-se que outros países avançaram muito mais no mesmo período. O Japão hoje recicla 77,9% contra 36,7% registrados em 2004. Para ficar mais próximo da realidade brasileira, vale mencionar a Argentina. O país recuperava 13,7% há seis anos, e neste momento o índice chega a 34%. Em tempo: enquanto o Brasil recicla pouco mais de 50% do seu material pós-consumo, em 2004 (data do primeiro censo), recuperou 47%, o equivalente a volume de 167 mil t.

    Plástico Moderno, Auri Marçon, Presidente da Abipet, Mercado da reciclagem do PET cresce no país

    Marçon: uso do material reciclado é motivo de orgulho para as empresas

    Porém, independentemente de números, o mercado da reciclagem embute outras questões que sustentam o otimismo da Abipet. Segundo o levantamento, 83% dos pesquisados planejam investimentos para os próximos doze meses. O gargalo ainda se mantém na coleta seletiva, o que contribui para uma capacidade ociosa superior a 30%. Não por acaso, o censo mostrou que 35% das empresas consideram difícil a compra de PET.

    O setor, no entanto, tem a seu favor o crescente índice de aplicações do material recuperado. O segmento têxtil, como dita a tradição, continua o principal consumidor do produto, mas tem dividido a demanda com novas áreas. “Os recicladores estão mais sofisticados, e vendendo produtos de maior valor agregado”, afirma Leandro Fraga, da Nous Consulting, empresa responsável pelo censo.

    Marçon aponta outra boa notícia. Segundo ele, o estigma negativo do reciclado caiu por terra. No passado, as empresas que utilizavam o material não divulgavam a informação e nos dias atuais fazem questão de ressaltar isso. “O que antes era motivo de vergonha, hoje é de orgulho”, comenta.

    Mais um ponto positivo diz respeito à solidez do setor, pois 86% dos entrevistados têm no mínimo cinco anos de existência. Segundo Fraga, esse fato prova que o mercado do PET reciclado está consolidado. Quanto ao seu tamanho, não houve alterações. Desde o primeiro censo, mais de 50% deles processam no mínimo 100 t por mês. Dentro desse porcentual, hoje, 15% reciclam mais de 500 t/mês (em 2004, a taxa era de 11%).

    Mercado – A indústria do PET também cresceu. Em 2009, o faturamento líquido do setor avançou cerca de 6%, alcançando o montante de R$ 3,38 bilhões ante os R$ 3,18 bilhões em 2008. O consumo aparente da resina, por sua vez, teve alta de 7,4%, com registro de 521,8 mil toneladas no ano passado. “O final de 2008 foi o pico da crise, mesmo assim houve crescimento, porque nossa indústria atende muito às classes C e D, e estas não sentiram muito os efeitos do período”, revela Marçon. E não se trata um movimento isolado, pois, segundo a Abipet, o consumo aparente de PET deve evoluir para 565 mil t neste ano.

    A capacidade produtiva do setor tende a acompanhar essa expansão. Hoje o segmento é monopolizado pelo grupo M&G, que abastece a indústria com 550 mil t, mas com a partida da Petroquímica Suape, em Pernambuco (sob a batuta da Petrobras), estima-se que o Brasil irá produzir 1 milhão de t de PET daqui a três anos.

    De todo o refrigerante produzido, cerca de 80% foi envasado em PET, o que torna esse segmento o maior consumidor da resina, respondendo por 61% do mercado. Em seguida, vem a água mineral e o óleo comestível como responsáveis por 14% e 13% do total de resina virgem colocada no mercado brasileiro, respectivamente.

    Iniciativas – A Abipet aproveitou o anúncio dos números do setor para apresentar algumas novidades, como a criação do LevPet, serviço por meio do qual serão fornecidas orientações a respeito dos pontos de descarte das embalagens pós-consumo de PET. Ao acessar os sites www.levpet.org.br ou www.abipet.org.br, o usuário terá à disposição uma lista de pontos de entrega voluntária, cooperativas de catadores, postos de coleta e afins, ou seja, locais mais próximos de sua residência onde possa entregar as embalagens pós-consumo. Segundo Marçon, a Abipet, dessa forma, ajuda a combater a falta de um sistema público abrangente de coleta seletiva. Mas, antes disso, a entidade tem outro desafio: tornar-se conhecida do consumidor comum.

    Na ocasião, Marçon também divulgou a criação do núcleo de tecnologia, a partir do qual fornecedores de máquinas e equipamentos passaram a fazer parte da entidade, como a Krones, Gneub, Piovan, Husky e Bühler. “Essas empresas, de alguma forma, estão envolvidas com o processo de reciclagem”, aponta Marçon. A reciclagem, aliás, mereceu um evento à parte. A associação realizou ainda a 11ª edição do Prêmio EcoPET, na qual homenageou os trabalhos de destaque nas áreas de Educação Ambiental, Ação de Empresa, Arte e Moda, Coleta e Separação, Pesquisas e Processos e Reportagem Ambiental.

    Lanxess compra fábricas de borrachas de EPDM

    A holandesa Royal DSM N.V. assinou um acordo de venda da DSM Elastômeros para a Lanxess por 310 milhões de euros, à vista e livre de dívidas, em negócio que envolve a incorporação de duas fábricas da DSM Elastômeros: uma em Triunfo-RS, com capacidade anual de 40 mil toneladas; e outra em Sittard-Geleen (sede da empresa), na Holanda, de 160 mil toneladas/ano. Produtora da borracha sintética de monômeros de etileno propileno dieno (EPDM), sob a marca Keltan, a DSM Elastômeros deve faturar cerca de 380 milhões de euros em 2010. O desfecho da transação depende da aprovação das autoridades antitruste e deve ser concluída nos primeiros meses de 2011.

    A aquisição será integrada à unidade de negócios Technical Rubber Products (TRP) da Lanxess, que comercializa EPDM sob a marca Buna PE, com produções em Marl, na Alemanha, e em Orange, nos Estados Unidos; uma capacidade anual combinada de 120 mil toneladas. A unidade de negócios TRP faz parte do segmento Performance Polymers da  Lanxess, responsável por um faturamento de 2,4 bilhões de euros em 2009. Também incorporam o portfólio da unidade TRP as borrachas de policloropreno, nitrílica, nitrílica hidrogenada e de etileno vinil acetato.

    De acordo com informações da Lanxess, a transação pretende fortalecer a sua base tecnológica por meio do acesso à tecnologia ACE, considerada mais econômica em termos de custos com energia e de produção de EPDM em comparação aos processos convencionais. Ademais, amplia as possibilidades de aplicação da borracha. Segundo informações da Lanxess, a DSM está em processo de implementação desta tecnologia em uma escala maior na sua planta de Sittard-Geleen.

    Velha conhecida em diversas aplicações na indústria automobilística, a borracha de EPDM também é tradicionalmente usada como aditivo modificador de impacto para plásticos, e utilizada nos segmentos de cabos e fios, construção e óleos aditivos. Suas propriedades incluem densidade muito baixa, boa resistência ao calor, à oxidação, a produtos químicos e a intempéries, assim como boas propriedades de isolamento elétrico. O mercado global prevê um crescimento percentual de um dígito por ano, nos próximos dez anos, desse tipo de borracha, impulsionado pelo aumento das demandas no Brasil e na China.

    Maria Aparecida de Sino Reto

    Feira de ferramentas e moldes estreia no Sul

    A organizadora de eventos técnicos Messe Brasil e a Demat, uma reconhecida empresa privada de organização de feiras da Alemanha, firmaram uma joint venture para realizar a EuroMold Brasil – Feira de Fabricantes de Moldes, Ferramentas e Design, programada para estrear no país em 2012. O evento deve seguir os padrões da EuroMold, tradicional feira mundial para o segmento, que ocorre anualmente em dezembro, em Frankfurt.

    A Demat também organiza e promove a AmericaMold, em Cincinnati, nos EUA; a AfriMold, em Johannesburg, na África do Sul; a DieMould Índia, em Chennai, na Índia; a RosMould, em Moscou, na Rússia; e a AsiaMold, em Guangzhou, na China.

    No entender da Messe Brasil, a criação do novo evento nasceu de análises de mercado e da identificação de necessidades entre os expositores internacionais. A exposição foi programada para 20 a 24 de agosto de 2012, em Joinville-SC, e deve acontecer em paralelo à Interplast 2012 – Feira e Congresso de Integração da Tecnologia do Plástico. A intenção da realização conjunta é agregar valor à cadeia de moldes, ferramentarias e design.

    A divulgação da EuroMold Brasil começa já em janeiro de 2011 e cabe à Messe Brasil a sua promoção e comercialização no Brasil e nos demais países da América Latina. A Demat fica encarregada dos expositores e visitantes dos demais continentes interessados em negócios no Brasil.

    M. A. S. R.

    Maxiquim sinaliza grande movimentação com commodities

    O ano começa com forte pressão por matérias-primas no mercado petroquímico. O indicativo fica por conta do embarque de 500 mil toneladas de nafta da Europa para a Ásia no último mês de 2010. O Oriente Médio não tem o volume de etano que pensava ter para abastecer o mercado mundial com petroquímicos básicos provenientes das reservas de gás natural e irá pressionar ainda mais a procura por nafta no primeiro semestre de 2011.

    Mesmo que a principal razão para a forte demanda por nafta ocorra por conta das reservas de gás natural menores no Oriente Médio, ainda assim os produtores daquela região terão margem maior porque a conversão gasoquímica do etano em eteno é mais rentável do que a obtenção do petroquímico básico pela rota da nafta petroquímica. Neste aspecto, dois pequenos players da petroquímica mundial ganharão maior importância no mercado: Chile e Bolívia, ricos em gás natural, deverão adquirir mais espaço no mercado mundial de eteno em 2011.

    Segundo Otávio Gattermann de Carvalho, sócio-diretor da Maxiquim, consultoria especializada na projeção de cenários e de ambiente de negócios na cadeia produtiva do plástico e na petroquímica em geral, os preços continuarão em alta, os custos de logística elevados. A respeito do Brasil, Carvalho considera interessante ficar atento sobre o comportamento dos negócios com resinas. Ele avalia que o polietileno de baixa densidade não terá novos investimentos em plantas. Poderá ganhar características de especialidades principalmente para filmes de contração.

    Ele avalia que o polietileno linear tem potencial de crescimento maior em laminados e embalagens de cereais. Nesses casos, o problema é que o parque industrial de extrusoras está defasado para rodar a pleno vapor com polietileno linear. “As máquinas vão ter de rodar com menor velocidade e com alguns problemas de solda”, avisa o sócio da Maxiquim. Com efeito, os polietilenos metalocênicos, os de base octeno e hexeno, ganharão mais espaço.

    O processo de sopro irá puxar o polietileno de alta densidade. Aplicações em embalagens de cosméticos, produtos de higiene humana e o aumento do consumo de alimentos por conta de uma nova classe emergente irão impulsionar o PEAD. Será uma demanda muito importante para o Brasil e para a China, onde há uma migração de grandes populações do meio rural para os grandes centros industriais, os quais contratam cada vez mais mão de obra.

    O PET terá a nova planta de Suape com investimentos significativos. Carvalho salienta que novas fábricas já foram acionadas, como a da MG, a maior do mundo e que ainda foi expandida. “O polo petroquímico de Suape será o polo do PET em grau garrafa e fibras têxteis. É um novo paradigma”, salienta Carvalho.

    Já o PVC cresceu na casa de 20%, por conta da construção civil que explodiu com os programas habitacionais do governo e milhares de prédios em andamento em todo o país. Carvalho considera interessante prestar atenção nos investimentos em projetos habitacionais do governo. Se criarem um programa sustentado de urbanização exclusivamente nas favelas do Rio de Janeiro irá ocorrer mais uma explosão do PVC para a instalação de redes de transporte de água e de esgoto pluvial e doméstico.

    O polipropileno irá permanecer como a resina dominante da indústria automobilística. Para Carvalho, o PP já foi a resina mais barata em preço relativo. Perdeu vantagem, porém tem um comportamento sustentável. Seu crescimento nunca é forte, mas também nunca cai. Para o especialista, trata-se de uma resina que se sustenta no mercado. Os compostos para a indústria de autopeças crescem bastante e o mesmo ocorre com a ráfia. Além disso, o consumo de BOPP encoraja a compra de novas máquinas não só no Brasil e na América Latina como no mundo todo.

    Por sua vez, o poliestireno perdeu espaço na linha marrom para o ABS por conta do surgimento das televisões LCD e LED, mas deverá recuperar terreno na medida em que esses aparelhos forem se popularizando, exigindo redução dos custos de produção. Na opinião de Carvalho, o PS é uma resina que pode perder nichos, mas sempre movimenta muito o mercado petroquímico, pois está inserida na cadeia dos estirênicos. “É o material mais dinâmico porque existem diversas plantas com operações de compra e venda. A Dow vendeu, a Basf vendeu para a Unigel que reabriu a planta da Dow que estava parada”, pondera.

    No entendimento de Carvalho, a cadeia de estirênicos é extremamente dinâmica também por exigir a produção de diversos monômeros e outras polimerizações para gerar resinas. Tem de ter eteno e benzeno para transformar em etil-benzeno, para produzir estireno e depois poliestireno. O estireno entra ainda em dezenas de compostos de borracha e no próprio ABS.

    Nesse aspecto, Carvalho observa que a Videolar começa a ocupar fatias importantes do mercado, embora tenha gerado alguma desconfiança quando de sua chegada. “Da Videolar ninguém pode mais duvidar. Duvidaram da planta de PS e eles fizeram. Duvidaram da capacidade de fazer BOPP e a máquina está pronta e parte em 2011. Daqui a pouco eles vão fazer ABS, aproveitando o alto fluxo de importação”, complementa Carvalho. “Tem mercado e não tem produção. É tudo que a Videolar gosta.”

    Quanto aos plásticos de engenharia e de alto desempenho, o Brasil continuará extremamente dependente de tecnologias estrangeiras. De acordo com Carvalho, é uma indústria que requer equipamentos delicados. As especificações principalmente em plásticos da medicina são de larga exigência, produzindo barreiras tecnológicas altamente complexas, ainda fora do alcance de uma indústria nacional. “Poderemos ter novos pequenos investimentos de empresas multinacionais como ocorre pontualmente já há anos”, finaliza o sócio da Maxiquim.

    Fernando C. de Castro



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