Materiais plásticos proporcionam mais conforto e economia – Construção

Maior demandante de produtos plásticos no país, a construção civil é dos setores mais afetados – se não o mais prejudicado – pelas agruras recorrentes da economia brasileira.

Agruras que se mantêm a despeito da troca de governo e, nos primeiros três meses deste ano, acarretaram queda de 9% na produção de artigos plásticos para esse mercado, destino de quase um quarto da produção da indústria transformadora nacional (ver quadro com mais números).

A construção civil consome não apenas grande volume de plásticos, mas também uma diversificada gama de resinas: polietileno para proteção de pisos, preenchimento de juntas, isolação térmica e acústica; polipropileno em fôrmas e em fibras para reforço de concreto; poliestireno expandido em fôrmas para lajes, enchimento de pisos, isolação térmica e recheios de painéis; ABS e ASA em artigos sanitários e telhas, entre outros plásticos e aplicações.

Isso sem contar o PVC que, na forma de tubos, conexões, fios, cabos, telhas, forros, entre outros artigos, torna o setor amplamente hegemônico na demanda por essa resina, respondendo, segundo diferentes estimativas, por algo entre 70% e 90% do total. Há, porém, espaço para presença ainda maior dessa resina na construção civil, até pelo surgimento de novas tecnologias, como o laser, capaz de imprimir os mais diversos padrões e desenhos nas chapas.

As esquadrias de PVC, por exemplo, no Brasil ainda são menos difundidas que em países europeus e mesmo em comparação à vizinha Argentina.

“Diferentemente do alumínio, aqui mais usado nessa aplicação, o PVC é um isolante térmico, característica importante para essas regiões mais frias”, justifica Daniela Tavares, diretora comercial de PVC da Unipar na América do Sul.

No Sul do país, onde o clima é mais frio, esquadrias de PVC já são bem demandadas, observa Antonio Rodolfo Junior, responsável por engenharia de aplicação e desenvolvimento de mercado de vinílicos da Braskem.

“O conforto acústico promovido por essa solução deve ser crescentemente valorizado no restante no país, não mais somente pelo setor hoteleiro – no qual já é consagrada –, mas também pelo consumidor final”, prevê.

Rodolfo Junior projeta expansão das aplicações dessa resina também em pisos, conhecidos usuários de PVC flexível: “Esse tipo de piso vem sendo muito bem aceito pelos consumidores brasileiros e sua oferta por produtores locais está crescendo”, observa.

Também Daniela, da Unipar, visualiza expansão dos pisos de PVC que, comparativamente à madeira, têm a vantagem adicional de emitirem menos ruídos.

Plástico Moderno - Daniela: PVC pode crescer nas maçanetas e painéis decorados
Daniela: PVC pode crescer nas maçanetas e painéis decorados

“Também começam a se tornar muito comuns em países europeus e nos Estados Unidos as maçanetas de PVC, bem mais leves que as de metal, e extremamente resistentes”, diz a profissional da Unipar, que cita ainda várias outras aplicações dessa resina mais disseminadas em outros mercados e com potencial de expansão no Brasil.

É o caso das placas em alto relevo para substituir o gesso na decoração de paredes, ou que, submetidas a gravação a laser, decoram banheiros e cozinhas.

A gravação a laser, aliás, começa a se inserir também no segmento dos forros de PVC.

“Algumas empresas já utilizam essa tecnologia do laser no Brasil, mas ela ainda é mais cara”, observa Luiz Perin, presidente da Afap (Associação Brasileira dos Fabricantes de Perfis de PVC para Construção Civil, que reúne fabricantes de perfis de PVC destinados basicamente à oferta de forros).

No Brasil, mais de 90% dos forros de PVC são produzidos em cores claras e seu principal destino é formado pelas habitações de interesse social (tipo Minha Casa, Minha Vida).

Mas eles aparecem também em escritórios, barracões industriais, igrejas, supermercados, lojas e postos de combustível.

“Em edificações um pouco mais sofisticadas – como hotéis –, eles são utilizados em banheiros, áreas de serviço e sacadas. Por sua vez, os forros com pintura ou recobrimento são mais comuns em casas de campo e em outros ambientes onde se exige visual mais requintado”, ressalta o presidente da Afap.

No ano passado, houve uma atualização da norma ABNT NBR 14.285, dedicada aos perfis de PVC para forros. Ela abrangeu, afirma Perin, principalmente os testes de análise de desempenho dos produtos.

“As associadas da Afap atendem às exigências dessa atualização”, afirma.

Usos gerais e específicos – Poliolefinas também são usuais na construção civil.

O polietileno (PE) aparece não apenas em proteção de pisos, preenchimento de juntas, isolação térmica e acústica, mas também em reservatórios, tubos de infraestrutura e geomembranas, entre outras aplicações.

O polipropileno (PP) tem, entre outros usos, os geossintéticos – empregados em estradas, taludes, aterros e proteção de encostas –, além das fôrmas e das fibras para reforço de concreto e fibrocimento (incluindo o uso em lajes e pré-moldados).

E há potencial para mais: “Considerando-se as principais tendências setoriais, como a industrialização da construção, redução de mão-de-obra, padronização, redução do impacto ambiental e gestão inteligente da obra (BIM), há grandes possibilidades de desenvolvimento de novos produtos e aplicações em PE e PP nesse mercado de obras”, avalia Jorge Alexandre, responsável por desenvolvimento de mercado da Braskem.

Ele cita, entre esses novos desenvolvimentos, as estruturas para jardins verticais, os pisos alveolares, as mantas e filmes para proteção de pisos, caixilharia e sistemas construtivos de lajes, entre inúmeros outros.

Também as resinas estirênicas já fincaram pé nesse mercado. Caso do ASA, mais associado a autopeças – como grades frontais e retrovisores –, mas utilizado nos Estados Unidos e em países europeus em telhas, decks e calhas, entre outros produtos aos quais, na forma de uma fina camada coextrudada com PVC, confere maior resistência à radiação UV.

“No Brasil, algumas empresas já produzem telhas com perfis coextrudados de PVC e ASA”, informa Fabio Bordin diretor na América do Sul da fabricante de resinas estirênicas Ineos Styrolution.

Os perfis de PVC, ele complementa, podem receber também pós de ABS ou AMSAN (uma variação de SAN) para adquirir maior resistência térmica.

Por sua vez, o ABS, mesmo no Brasil, substitui em escala crescente os metais em artigos sanitários, como torneiras, ralos e chuveiros, oferecendo até a possibilidade de cromação das peças pelo uso de um grade específico.

Plástico Moderno - Bordin: ABS cromado substitui metais em artigos sanitários
Bordin: ABS cromado substitui metais em artigos sanitários

“Há casos de migração, como ocorreu com nosso produto Novodur P2MC, um ABS especialmente desenvolvido para processos de cromação de peças da indústria automotiva que hoje é usado também em peças sanitárias”, relata Borin.

Existem ainda plásticos por enquanto aproveitados em projetos e nichos específicos, porém com potencial para maior emprego na construção civil.

Caso do policarbonato, matéria-prima de chapas posicionadas como alternativas ao vidro e também aos metais, em fachadas e em outras aplicações.

Representante da Plaskolite – empresa dos EUA que no ano passado adquiriu o negócio de chapas de PC da Covestro no mercado norte-americano –, a distribuidora paulistana PolyBrasil oferece chapas de PC em várias modalidades, algumas com capacidade de proteção balística e até capazes de resistir a explosões.

De acordo com Eduardo Senger, gerente desenvolvimento de negócios e produto da Polybrasil, mais usuais nos Estados Unidos e em países europeus, placas de PC com características especiais de luminosidade e resistência à chama já foram utilizadas também no Brasil, em projetos como a troca, há cerca de dois anos, da cobertura de auditórios do centro de convenções do Anhembi, em São Paulo.

Uma chapa de PC, compara Senger, pode ter resistência 250 vezes superior à de uma placa de vidro de mesma espessura. E tem outras vantagens:

“Ela dura mais que o vidro blindado, cujas camadas superficiais se quebram após os primeiros impactos de projéteis ou de objetos, exigindo manutenção constante”, informa.

“Apresentamos projeto para substituir as portas de vidro do BRT (sistema de transporte coletivo), do Rio de Janeiro: além de muito mais resistentes, as portas de PC são mais leves e por isso requerem motores menos potentes para sua movimentação, e também mecanismos antiesmagamento mais baratos e mais eficientes”, acrescenta o profissional da PolyBrasil, distribuidora cujo portfolio inclui, entre outros itens, chapas de PVC com características antibacterianas da alemã Röchling, para uso em ambientes como hospitais e frigoríficos.

Diferenciais e potencial – A capacidade de combinar resistência e leveza é das características mais favoráveis ao plástico na construção civil, ressalta José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast.

“Além disso, a utilização de plástico e material reciclado nas obras contribuem para a obtenção da Certificação LEED [concedida pelo US Green Building Council para estimular construções mis sustentáveis]”, destaca Roriz.

Plástico Moderno - Materiais plásticos conquistam aplicações e proporcionam mais conforto e economia - Construção

O uso de plásticos também agrega produtividade e reduz custos, por exemplo, quando eles servem como matéria-prima de sistemas modulares, ou no sistema construtivo de lajes ‘bubbledeck’, no qual esferas plásticas são inseridas entre as telas de aço, eliminando o concreto que não exerce função estrutural e reduzindo o peso.

“E cada vez mais os plásticos são utilizados em soluções arquitetônicas, como estruturas para jardins verticais, pisos com características e design diferenciados, mantas para isolamento acústico, em áreas molhadas como piscinas e decks, em pisos suspensos para jardins”, detalha o presidente da Abiplast.

Mas no Brasil, observa Alexandre, da Braskem, o uso de plásticos – e particularmente de PE e PE –, no mercado composto por construção civil e infraestrutura (que ele agrega na sigla CC&I), ainda é inferior àquele registrado em países como Estados Unidos, Japão, China, nações da Comunidade Europeia e mesmo outros países da América do Sul.

No caso do PE, afirma Alexandre, cerca de 9% das vendas nacionais destinam-se a aplicações em CC&I, contra 17% na Comunidade Europeia, 14% nos EUA e 11% na China. “Para PP, acredita-se em diferenças semelhantes”, ele afirma.

“Há um espaço interessante para crescimento do uso dessas resinas em CC&I no Brasil, tanto por conta de aplicações existentes em outros países e que podem ser trazidas para cá, quanto no desenvolvimento de soluções caseiras, como foi o caso das cisternas em PEAD destinadas ao programa Água para Todos, do governo federal”, pondera Alexandre.

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