Masterbatches – Sustentabilidade norteia os novos desenvolvimentos

Porque ainda há demanda de mercado, Vanessa, da Procolor, mantém em linha os produtos em pó. Admite, contudo, que o seu manuseio requer cuidados e, dependendo do processo, a dispersão não é tão eficaz como a do produto granulado. A empresa atua com os dois tipos de concentrado, mas procura dissuadir os clientes de utilizar os primeiros. “Sempre indicamos os produtos em grãos”, reforça.

O concentrado em pó tem, em certos casos, o aval da gerente técnica-industrial da Macroplast. Para Sandra, os grãos possibilitam altas coberturas, melhor desempenho e custo, e são mais convenientes no caso de cores opacas. Aos concentrados em pó, imputa maior eficiência em termos de homogeneização, e justifica. Segundo ela, os dry blends abrangem uma área superficial maior, por conta do tamanho menor de suas partículas. Não deixa, no entanto, de ressalvar a inconveniência do seu manuseio, contaminação e maior tempo de set up nas trocas de cores, efeitos colaterais que conduzem os transformadores a preferir o concentrado granulado, de melhor manuseio e também capaz de assegurar homogeneidade e produtividade, quando formulado apropriadamente. “Seu manuseio é mais simples, não havendo problemas sérios de contaminação caso ocorra derramamento; os masterbatches em pó também são flexíveis quanto à utilização, mas o risco de contaminação é maior”, pondera.

O diretor-comercial da Colorfix, Amarildo Bazan, discorda. No entender dele, os produtos em pó não são tão flexíveis, pois exigem o emprego de dosadores, requeridos para uma aplicação correta da cor. Isso sem contar com a limpeza obrigatória das máquinas a cada troca de cor.

No entender de Guzmán, os concentrados em pó ainda têm a preferência de uma parcela de transformadores porque, aparentemente, configuram a forma mais econômica de colorir. Uma avaliação mais técnica, porém, comprova o contrário: o produto em pó apresenta sérias deficiências quanto à dispersão e consistência da produção, somados aos outros problemas já mencionados em uníssono pelos produtores de concentrados.

Marina, da Techmer, engrossa o coro e sugere os granulados, atestando a sua capacidade de proporcionar melhor dispersão da cor, com resultado mais uniforme, e ainda por compreenderem produtos mais limpos, fáceis de dosar, que geram menos desperdício, facilitam as trocas e agilizam o processo produtivo.

E os líquidos? – Também enfrentam barreiras, embora com menos intensidade que os concentrados em pó. Sandra, da Macroplast, vê os líquidos como mais vantajosos na obtenção de cores transparentes e no alto grau de uniformidade na peça, independente de seu tamanho. Os senões ficam por conta da exigência de dosadores – o que eleva o investimento –, e o seu manuseio, mais delicado, por conta de evitar riscos de derramamento. A gerente ainda avalia como de extrema importância a definição do veículo e dos aditivos utilizados, a fim de assegurar formulações sem sedimentação e garantir uma concentração balanceada do produto durante o processo produtivo.

A gerente da Ampacet pesa as limitações de uso. “Como todo processo, há restrições, desde a utilização em larga escala a aplicações”, como a extrusão de filmes. Na avaliação de Solange, a injeção é uma excelente opção para os líquidos, assim como o processo de sopro – o de PET em particular. A extrusão de poliolefinas, porém, é complicada.

A obrigatoriedade de um dosador para os concentrados líquidos não chega a ser um problema para os transformadores, pois a maioria dos fabricantes do insumo faculta o equipamento em comodato para os clientes, isentando-os desse custo. “Mas há um alto investimento para o treinamento do pessoal”, pondera Solange. Ela também propõe a análise de outros aspectos, como o fato de os tempos de mudança de cores serem maiores, o de nem todos os aditivos compatibilizarem com os concentrados líquidos e, ainda, o de a combinação com resinas líquidas poder gerar problemas de gosto e odor nos produtos finais. “Em aplicações de injeção é preciso ajustar as temperaturas do processo, o que gera um aumento do uso de energia”, acrescenta. Entre os prós, Solange menciona aplicações inferiores a 0,5% com excelente homogeneização e custos mais baixos na produção de cores transparentes.

Produtora de concentrados granulados e líquidos, a Cromex concede o dosador em comodato aos transformadores que escolherem a segunda opção. Quanto à melhor opção, Enio Ferigatto contemporiza: “Ambos propiciam os mesmos benefícios, mas há casos nos quais os resultados são melhores com o líquido, como a aplicação em garrafas de PET.” Por ser higroscópica, essa resina requer desumidificação. Quando o masterbatch utilizado emprega esse mesmo polímero como veículo, precisa igualmente passar pelo processo de desumidificação. O concentrado líquido queima essa etapa.

Ele ressalta ainda outro ganho: “Para uma garrafa de PET verde obtida com grãos dosados a 0,1%, se consegue a mesma cor com o master líquido a 0,04%.” E quanto maior a concentração, ressalta, menor o custo de coloração e aditivação.

No concentrado em grão, a resina-veículo é igual ou compatível com o polímero ao qual o master será adicionado. Os líquidos geralmente são formulados com óleos minerais. “Esses óleos têm basicamente a mesma função, que é dispersar os pigmentos e corantes, e variam na formulação de acordo com a resina que será processada”, explica Ferigatto.

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