Masterbatches – Sustentabilidade norteia os novos desenvolvimentos

Até pouco tempo atrás, a busca pelas tendências em cores e efeitos especiais orientava parcela significativa dos desenvolvimentos empreendidos pelos produtores de masterbatches – concentrados de cores, aditivos ou mistura de ambos –, sinônimo de dispersão e distribuição adequada dessas substâncias no processamento do plástico. Os transformadores compreenderam de modo rápido os benefícios e disseminaram o uso das cores em concentrados. Demoraram mais a tirar vantagens dos aditivos nesse formato, mas também os incorporaram rotineiramente à produção. Agora, conceitos de sustentabilidade ditam as tendências. Especialistas conduzem experimentos para forjar nos laboratórios produtos em consonância com os cuidados requeridos para a preservação do meio ambiente. Concentrados de colorantes, de aditivos, e a mescla dos dois, acompanham esse novo paradigma global e redesenham o quadro do setor com traços e tons ecológicos.

Implantado no país há dezessete anos, o programa Atuação Responsável, da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), conceitua a sustentabilidade como parte integrante do ciclo de vida de um produto, abrangendo toda a sua cadeia de valor: da sua concepção até o consumidor final. Termina na reciclagem ou descarte de resíduos. Os masterbatches se inserem nesse contexto. De nada adianta um produto plástico estampar a origem renovável ou a biodegradabilidade se os colorantes ou aditivos nele incorporados não se inserirem no contexto sustentável.

Essa preocupação embasou os desenvolvimentos empreendidos pela Cromex em parceria com a Braskem, no ano passado. Muito antes de partir a sua fábrica de polietileno baseado em eteno derivado do etanol da cana-de-açúcar, a petroquímica buscou insumos coerentes com a sua proposta sustentável.

A tradicional fabricante de masterbatches ficou incumbida de burilar em seus laboratórios concentrados especiais de cores e aditivos para os polietilenos verdes, respeitando o conceito de sustentabilidade dessas resinas.

Mãos à obra, a Cromex desenvolveu uma gama de cores, das opacas e transparentes às mais elaboradas, com efeitos diferenciados como o perolado e o metalizado, além de aditivos especiais (antibloqueio, barreira aos raios ultravioleta, antiestáticos, antifog e outros) para otimizar o processamento do polímero e o desempenho do produto final. Agora só falta a Braskem dar partida à sua nova fábrica, de 200 mil toneladas, em Triunfo-RS, prevista para entrar em operação até o final deste ano.

Plástico Moderno, Masterbatches - Sustentabilidade norteia os novos desenvolvimentos
Embalagem biodegradável traz cor veiculada em PLA

Na avaliação do gerente de projetos e produtos da Cromex, Enio A. Ferigatto, as principais demandas tecnológicas atuais carregam forte apelo de sustentabilidade e envolvem temas como os biopolímeros, redução energética, diminuição no consumo de água e de emissão de carbono, bem como a compensação deste último. “Sustentabilidade não é mais um indicador de tendência, é obrigatoriedade”, enfatiza.

As pesquisas da Cromex voltadas a formulações para atender à nova solicitação do mercado também culminaram em lançamento recente de uma linha de concentrados de cores e aditivos biodegradáveis com base no ácido poliláctico (PLA), derivado de plantas, resultado de outra parceria – desta vez com a Cargill.

Batizado de Ingeo, o bioplástico da Cargill, desenhado para aplicações em segmentos variados (embalagens, brinquedos, agricultura e outros) se decompõe no prazo de três a quatro meses, em condições de compostagem. Atuante em âmbito global com produtos e serviços nas áreas alimentícia, agrícola, financeira e industrial, a Cargill é uma das maiores indústrias de alimentos do país.

Além das amplas opções em cores, os novos masterbatches desenvolvidos pela Cromex se prestam também a conferir características de alto desempenho aos produtos elaborados com PLA, em consonância com as propriedades fundamentais de sustentabilidade da resina.

Como nos produtos baseados no biopolímero da Braskem, os veiculados no PLA também disponibilizam ampla gama de cores – opacas, transparentes, de efeitos especiais – e de aditivos que conferem características como antibloqueio, barreira aos raios ultravioleta, antiestática e outras. A nova linha atende às normas internacionais (ASTM 6400, DIN V 54900-1, EM 13432, GreenPla PL Ver. 2009.4 e Anvisa) e se aplica a variados processos produtivos: injeção, sopro, extrusão e termoformagem.

Plástico Moderno, Enio A. Ferigatto, Gerente de projetos e produtos da Cromex, Masterbatches - Sustentabilidade norteia os novos desenvolvimentos
Ferigatto comprova avidez por produtos sustentáveis

Para se ter uma ideia do tamanho da movimentação provocada no mercado pelos produtos envoltos no conceito de sustentabilidade, a Cargill mudou os planos de um lançamento previsto para entrar no mercado brasileiro apenas neste ano, antecipando-o para o final de 2009. “Isso denota a avidez do mercado por soluções desse gênero”, comenta Ferigatto, aludindo ao forte apelo ecológico embutido nesses produtos. Trata-se de uma embalagem em tubo processada com PLA, criada em parceria com outra empresa, a Védat, com cores da Cromex, veiculadas também com PLA.

As novidades não param por aí. O novo nicho de mercado impulsionou ainda outras prospecções, que devem resultar em mais opções de produtos da Cromex com viés ecológico. Desta vez, as conversas acontecem com a Basf e o possível desenvolvimento de concentrados veiculados nos seus polímeros biodegradáveis, que carregam as marcas Ecobras, Ecoflex e Ecovio (ver PM 422, dezembro de 2009, pág. 12), resinas também pertencentes à família dos poliésteres, como o PLA.

As pesquisas em andamento na Cromex também contemplam produtos nanotecnológicos, outra pauta muito em voga na indústria. Os estudos, em parceria com a Nanox, de São Carlos-SP, empresa dedicada à nanotecnologia, pretendem a veiculação da nanoprata em quatro matrizes poliméricas: o polietileno, o polipropileno, o poliestireno e o PET grau garrafa.

O master aditivado em escala nano, de função bactericida e bacteriostática, beneficia em particular a indústria de alimentos com embalagens que conferem aos produtos maior tempo de prateleira. Porém, suas características o endereçam às mais variadas aplicações, que devem ser isentas de contaminação por bactérias.

Plástico Moderno, Marina Howley, Representante internacional de marketing, Masterbatches - Sustentabilidade norteia os novos desenvolvimentos
Marina: nova linha viabiliza o uso do PLA em não-tecidos

Descartáveis verdes – A preocupação com produtos amigáveis ao meio ambiente chegou também aos laboratórios da Techmer, empresa americana com atuação no mercado brasileiro mais direcionada ao setor de não-tecidos, que concebeu concentrados baseados no ácido poliláctico.

Representante internacional de marketing, Marina Howley comemora a obtenção das fórmulas, que agregam corantes e aditivos, em particular estes últimos, por embutirem uma solução para um problema dos transformadores: a rigidez do PLA. Por conta dessa característica, durante a confecção dos não-tecidos é corriqueiro o rompimento das fibras. Além disso, são ásperos.

Os desenvolvimentos da Techmer auxiliam o usuário a aliviar os dois sintomas. Um tipo de concentrado baseado em PLA contém substância capaz de facilitar o processamento e melhorar o alongamento da fibra na ruptura. Outro confere características de maciez. O principal mérito dessa nova linha de masterbatches, no entender de Marina, consiste em viabilizar a comercialização do PLA no segmento de não-tecidos: “Muitas empresas não o utilizavam por causa da rigidez e agora contam com essas opções.”

O bioconcentrado PLAM14249 melhora as propriedades sem interferir na biodegradabilidade do polímero. Ao minimizar a ruptura das fibras, o produto ainda contribui para elevar a produtividade do transformador.

Os novos produtos seguem, na opinião de Marina, a tendência do mercado global de utilizar cores veiculadas em resinas biodegradáveis, o que requer maior trabalho de desenvolvimento e pesquisa das empresas. Daí que, embora as formulações de cores veiculadas com PLA sejam endereçadas em especial ao mercado de não-tecidos, sua tecnologia possibilita o desenvolvimento de novas cores e a extensão do seu uso também a outros segmentos, como filmes.

A demanda dos produtos biodegradáveis tende ao crescimento, na avaliação da representante internacional, pois sintonizam com o conceito de sustentabilidade requisitado pela indústria. Ainda com esse viés, a Techmer disponibiliza novos produtos antichama livres de halogênios, para aplicação em processos de injeção e de não-tecidos.

Outra tecnologia muito em voga, a nanotecnologia também dispõe de espaço nos laboratórios da Techmer, em associação com materiais biodegradáveis, ou dentro do conceito de sustentáveis. Entre as vantagens, a fabricante de masterbatches ressalta o uso de dosagens menores em nanocompostos, sinônimo de economia de peso e material. O cardápio de produtos sustentáveis da Techmer também inclui o bioplástico polihidroxialcanoato (PHA) e agentes de processamento para resinas recicladas.

Dos últimos investimentos, Marina relata a conclusão, em junho último, de negócio que resultou na aquisição da tecnologia de formulação do aditivo hidrofílico da Basf conhecido pelo nome comercial de Irgasurf HL. A nova linha complementará e fortalecerá a atuação da Techmer no mercado de fibras e não-tecidos. O acordo inclui a transferência de propriedade intelectual e informação técnica – a marca, não.

Plástico Moderno, Débora Costa, Sênior marketing South America, Masterbatches - Sustentabilidade norteia os novos desenvolvimentos
Débora: as ações sustentáveis começam dentro da empresa

Postura estratégica – O comprometimento em desenvolver soluções sustentáveis tem cunho essencial nos planos de crescimento da vetusta Ampacet (são mais de setenta anos de atuação no ramo), listada entre as maiores produtoras globais de concentrados de cor e de aditivos para a indústria do plástico. “Há objetivos agressivos para cada uma de nossas unidades industriais ao redor do mundo”, declara Débora Costa, sênior marketing South America.

O propósito de poupar os recursos renováveis envolve funcionários dedicados a definir e monitorar o cumprimento das metas, em período integral. Comprometimento que remeteu a Ampacet ao grupo World Research Institute (Instituto Internacional de Pesquisa), como membro oficial e coadjuvante na criação de uma norma de medição das emissões de CO2.

As medidas adotadas pela Ampacet para melhorar a saúde do meio ambiente se estendem a metas de ordem interna, como reduzir as emissões de CO2. Cada uma das plantas da empresa espalhadas pelo mundo segue projetos para o uso mais eficiente de energia, água e matérias-primas. Entre outras providências, Débora menciona o aproveitamento da energia térmica residual originada no processo produtivo: a água quente usada no sistema de refrigeração das máquinas é reutilizada no circuito de aquecimento dos escritórios e no fornecimento de água quente para os vestiários dos funcionários. Implantada em Tortuguitas, na Argentina, essa iniciativa resulta na economia de mais de 20.400 m³/ano de gás natural.

Além da incumbência de seguir os critérios de desenho LEED (Leadership in Energy Efficient Design), a unidade industrial brasileira, em Camaçari-BA, conta com sistema de aproveitamento de águas pluviais para a irrigação e usos higiênicos; tratamento de efluentes líquidos e sistema de controle de poluição; aproveitamento máximo do uso de luz natural; e, ainda, sistema de renovação de ar, para oferecer boas condições de trabalho aos funcionários.

A postura interna reflete a preocupação no seu campo de atuação. A Ampacet possui um bom elenco de masterbatches de colorantes amigáveis ao meio ambiente. Denominada NaturBlend, a linha oferece produtos desenvolvidos com base em resinas de fonte renovável, compostáveis e biodegradáveis, enquanto as cores incorporam pigmentos em acordo com exigências estabelecidas pelas normas EN 13432 e ASTM 6400D, que tratam de características associadas à biodegradabilidade e degradação em ambiente de compostagem. Débora não informa as resinas usadas como veículos desses concentrados. “Como parte da política global da Ampacet, preferimos não fornecer dados particulares sobre formulações ou carriers de nossos produtos”, justifica.

A empresa ainda disponibiliza outras soluções sustentáveis, desenhadas para reduzir o impacto ambiental no processo produtivo, no uso de polímeros e no produto final. Concentrados de purga e antioxidantes, por exemplo, contribuem para diminuir o consumo de energia, a geração de resíduos, o uso de resina durante o processo de purga, o desgaste da máquina e ainda ajudam a remover depósitos de carbono. Há auxiliares de processo, formulados para prolongar a vida útil do equipamento e reduzir os tempos de transição de cores, do consumo de energia e do tempo de limpeza da máquina; e antioxidantes que permitem a reciclagem de maior percentual de material, sinônimo de menos desperdício e impacto ambiental. Os masterbatches antilensing possibilitam maior aproveitamento de reciclados (e maiores níveis de reutilização da resina), sem perda de propriedades na peça acabada.

Entre os últimos desenvolvimentos, Débora ressalta o novo antioxidante 100900 de alta eficiência, desenhado para aumentar a estabilidade no processamento de resinas e permitir a incorporação de maior percentual de material reciclado, sinônimo de menor impacto ambiental. Segundo estudos realizados pelo centro global de pesquisa e desenvolvimento da Ampacet, esse concentrado contribui para reduzir as emissões de dióxido de carbono a 660 kg por tonelada de polímero processado. “Altamente econômico, pode ser usado com ótimos resultados em baixas concentrações, na ordem de 0,5% a 1%, como no caso da utilização de materiais recuperados em mais de 10%, sem produzir efeitos secundários às propriedades do filme”, garante Débora.

Plástico Moderno, Masterbatches - Sustentabilidade norteia os novos desenvolvimentos
Clariant lança novos concentrados de cores e aditivos compostáveis

Sustentável há tempos – Outra renomada produtora de masterbatches, a Clariant lança seus holofotes sobre o desenvolvimento de produtos ecologicamente corretos há longa data. Há quinze anos concentra esforços na criação de formulações verdes, baseadas em resinas de fonte natural, em acordos de cooperação tecnológica com os fabricantes desses polímeros. Uma das pesquisas teve um braço brasileiro: a equipe nacional liderou o desenvolvimento de uma linha especial de masterbatches baseada em resinas, pigmentos e aditivos 100% naturais, lançada oficialmente há três anos, na última feira alemã K.

Os produtos carregam as marcas Renol-natur e Cesa-natur. A primeira compreende corantes combinados com sistemas portadores de biopolímeros. A outra engloba variados tipos de agentes (antibloqueio, estabilizadores de raios ultravioleta, antioxidantes e outros), igualmente associados com substâncias naturais em um portador de biopolímero. As duas linhas derivam 100% de matérias-primas renováveis (as resinas – PLA, PHB e PHA – procedem de fonte como milho, amidos e cana-de-açúcar) e são biodegradáveis.

Os investimentos da Clariant se sustentam na estimativa de uma expansão mundial da ordem de 40% na demanda por essas tecnologias. O gerente de marketing para a América Latina, Roberto Guzmán, atenta para o fato de os países desenvolvidos impulsionarem uma cultura robusta sobre o tema de sustentabilidade. Existem no país e na América Latina aplicações pioneiras, em nível piloto, em embalagens rígidas (copos e bandejas). Ainda neste ano, o mercado terá disponibilidade de matéria-prima suficiente para evoluir para uma escala industrial. “As maiores expectativas de crescimento estão na área de embalagens”, anseia.

Nessa toada, a empresa aposta na ampliação da linha de masterbatches para aplicações nos biopolímeros, respeitando as especificações de normas europeias e americanas sobre a biodegradação. Batizadas Renol Compostable e Cesa Compostable, as novidades agregam aditivos e pigmentos convencionais, sem alterar as propriedades de compostabilidade das resinas. Por conta dos ingredientes convencionais, as novas linhas oferecem maior elenco de cores e aditivos e contribuem para aprimorar o processamento e as aplicações aos produtos manufaturados com os bioplásticos.

Plástico Moderno, Sandra Piva, Gerente-técnica industrial, Masterbatches - Sustentabilidade norteia os novos desenvolvimentos
Sandra guarda a sete chaves formulações em fase de teste

De acordo com informações da empresa, cerca de 80 pigmentos entram na expansão da oferta de masterbatches na linha Renol Compostable. A recém-chegada família de concentrados Cesa Compostable inclui também estabilizantes UV e antioxidantes.

A Clariant também capitaneia soluções importantes em nanotecnologia direcionadas à indústria do plástico. A gerente de marketing para o segmento de aditivos para a América Latina, Liliana Rubio, conta que o uso da tecnologia em concentrados envolve formulações para atuar como protetores à ação dos raios ultravioleta e oferecer efeito antimicrobiano.

Há, ainda, outras empresas comprometidas com pesquisas e desenvolvimentos de produtos sustentáveis, porém, restritos ainda aos laboratórios e testes. Essa é a situação da Macroplast. A gerente técnica-industrial, Sandra Piva, admite procedimentos com formulações baseadas em biopolímeros. E só. Nenhuma informação além. “Neste momento, esses projetos ainda são confidenciais.” O silêncio se justifica: há clientes testando produtos quanto à melhoria no desempenho e custo, e sua viabilidade no mercado.

Também a nanotecnologia despertou o interesse e, neste caso, já conquistou um espaço na área da Macroplast dedicada à produção de compostos. Os produtos, com propriedades mecânicas aprimoradas, beneficiam em particular os fabricantes de eletroeletrônicos e de automóveis.

Plástico Moderno, Vanessa Falcão, Supervisora comercial, Masterbatches - Sustentabilidade norteia os novos desenvolvimentos
Vanessa quer persuadir clientes a adotarem produtos ecológicos

A Procolor chegou até a empreender alguns projetos de cunho sustentável, mas os colocou em hibernação porque não obteve do mercado o retorno almejado. “Temos a consciência da importância, principalmente dos produtos biodegradáveis, porém, em algumas situações, os projetos são interrompidos na oferta para o cliente em razão de o consumidor final não estar disposto a pagar pela diferença entre um produto tradicional e um biodegradável”, relata a supervisora comercial, Vanessa Falcão.

Mesmo assim, a empresa procura despertar em seus clientes uma consciência ecológica, incentivando-os a investir na adoção de produtos sustentáveis. Recentemente, a Procolor lançou concentrados com efeito madeira, com insumos de origem sintética, mas seus pesquisadores já estudam o aproveitamento de fibras naturais para compor esse master, como algodão, coco e sizal. Além disso, a fabricante evita, há algum tempo, o uso de pigmentos com metais pesados. “Enfatizamos para os clientes as vantagens em usar os pigmentos orgânicos e quanto os mesmos contribuem ecologicamente com o planeta”, diz Vanessa.

Além do concentrado de efeito madeira, a empresa desenvolveu um agente desmoldante em pellets, para substituir o spray aerossol de silicone (que migra e provoca oleosidade na peça). Entre outros benefícios, o novo produto aumenta a produtividade, possibilita ciclo contínuo da produção, facilita a montagem e reduz o índice de peças reprovadas. O aditivo pode ser incorporado aos masterbatches.

A capacidade produtiva da Procolor dará um salto no segundo semestre, por conta de uma nova extrusora dupla rosca que será agregada à fábrica. Vanessa comemora a expansão para mais de 500 toneladas mensais, contra as atuais cerca de 350 t. Os investimentos também devem contemplar novos equipamentos para o seu laboratório.

Plástico Moderno, Amarildo Bazan, Masterbatches - Sustentabilidade norteia os novos desenvolvimentos
Bazan aposta em novidades nanotecnológicas

Projetos voltados aos biopolímeros despertam a atenção também da Colorfix. “Estamos investindo para podermos atender à demanda crescente deste tipo de material”, informa, sem mais pormenores, o seu diretor-comercial, Amarildo Bazan. Ele prefere mencionar outras novidades, como a linha Bactfix, um bactericida à base de nanotecnologia de prata. A nanotecnologia embasa, ainda, o estudo de materiais na área de modificadores de impacto e antichamas.

A família dos concentrados convencionais da Colorfix cresceu. Ampliaram-se as opções com a nova linha Fix de masterbatches de aditivos e, ainda, com formulações de cores com efeitos (de borda, fotoluminescente, fluorescente, termocrômico). O Blackcooler constitui um produto capaz de reduzir a absorção de calor pelo composto plástico em até 20% (na indústria automotiva, por exemplo, contribui para melhorar a eficiência do ar condicionado). Para aperfeiçoar a produção do transformador, a empresa desenvolveu o Selofix, selante para injetoras, que aumenta a eficiência nas partidas da produção; e o Purgafix, que reduz o custo e o tempo nas trocas de cores.

Investimentos previstos nos planos de atualização tecnológica devem promover, ainda neste ano, um aumento na capacidade de produção da Colorfix. De acordo com Bazan, a injeção de recursos contempla a aquisição de três novos equipamentos de produção e diversos outros de laboratório.

Igualmente disposta a aprimorar seu parque industrial, a Macroplast também está investindo na compra de equipamentos. Sandra também considera estratégico o desenvolvimento de produtos específicos para plasticultura. “Esse mercado possui uma alta taxa de crescimento em relação a outros segmentos”, revela.

Esse segmento conta com concentrados pretos, brancos, coloridos e de aditivos, além de produtos específicos, com o objetivo de melhorar o desempenho dos agrofilmes e oferecer maior período de cultivo e melhor qualidade no plantio. “Esses masterbatches propiciam um período maior de proteção, bem como resistência a agentes agroquímicos; os produtos são especificados para cada região e tipo de cultivo”, explica Sandra.

Pó, grão ou líquido? – Desperdício, sujeira, suspensão no ambiente e riscos de contaminação. Pesam mais contras do que prós sobre os concentrados em pó, também conhecidos como dry blends. Porém, uma parcela considerável de transformadores brasileiros ainda faz uso deles, a despeito dos efeitos colaterais deletérios. “É mais trabalhoso de manipular, fica em suspensão, gera perdas e exige limpeza criteriosa das máquinas e periféricos na troca de cores”, atesta Ferigatto, da Cromex, que não fabrica produtos do gênero. Da sua fábrica só saem grãos e líquidos.

Os masterbatches na forma de pó estão perdendo cada vez mais espaço no mercado, por conta das contaminações, dificuldades de manipulação e exigência de licença ambiental, segundo a opinião de Solange Gamboa, gerente de vendas no Brasil da Ampacet. Ela ainda enxerga, porém, um nicho de mercado para esses produtos: “Estes concentrados são indicados para rotomoldagem, graças à homogeneização”, lembra.

Porque ainda há demanda de mercado, Vanessa, da Procolor, mantém em linha os produtos em pó. Admite, contudo, que o seu manuseio requer cuidados e, dependendo do processo, a dispersão não é tão eficaz como a do produto granulado. A empresa atua com os dois tipos de concentrado, mas procura dissuadir os clientes de utilizar os primeiros. “Sempre indicamos os produtos em grãos”, reforça.

O concentrado em pó tem, em certos casos, o aval da gerente técnica-industrial da Macroplast. Para Sandra, os grãos possibilitam altas coberturas, melhor desempenho e custo, e são mais convenientes no caso de cores opacas. Aos concentrados em pó, imputa maior eficiência em termos de homogeneização, e justifica. Segundo ela, os dry blends abrangem uma área superficial maior, por conta do tamanho menor de suas partículas. Não deixa, no entanto, de ressalvar a inconveniência do seu manuseio, contaminação e maior tempo de set up nas trocas de cores, efeitos colaterais que conduzem os transformadores a preferir o concentrado granulado, de melhor manuseio e também capaz de assegurar homogeneidade e produtividade, quando formulado apropriadamente. “Seu manuseio é mais simples, não havendo problemas sérios de contaminação caso ocorra derramamento; os masterbatches em pó também são flexíveis quanto à utilização, mas o risco de contaminação é maior”, pondera.

O diretor-comercial da Colorfix, Amarildo Bazan, discorda. No entender dele, os produtos em pó não são tão flexíveis, pois exigem o emprego de dosadores, requeridos para uma aplicação correta da cor. Isso sem contar com a limpeza obrigatória das máquinas a cada troca de cor.

No entender de Guzmán, os concentrados em pó ainda têm a preferência de uma parcela de transformadores porque, aparentemente, configuram a forma mais econômica de colorir. Uma avaliação mais técnica, porém, comprova o contrário: o produto em pó apresenta sérias deficiências quanto à dispersão e consistência da produção, somados aos outros problemas já mencionados em uníssono pelos produtores de concentrados.

Marina, da Techmer, engrossa o coro e sugere os granulados, atestando a sua capacidade de proporcionar melhor dispersão da cor, com resultado mais uniforme, e ainda por compreenderem produtos mais limpos, fáceis de dosar, que geram menos desperdício, facilitam as trocas e agilizam o processo produtivo.

E os líquidos? – Também enfrentam barreiras, embora com menos intensidade que os concentrados em pó. Sandra, da Macroplast, vê os líquidos como mais vantajosos na obtenção de cores transparentes e no alto grau de uniformidade na peça, independente de seu tamanho. Os senões ficam por conta da exigência de dosadores – o que eleva o investimento –, e o seu manuseio, mais delicado, por conta de evitar riscos de derramamento. A gerente ainda avalia como de extrema importância a definição do veículo e dos aditivos utilizados, a fim de assegurar formulações sem sedimentação e garantir uma concentração balanceada do produto durante o processo produtivo.

A gerente da Ampacet pesa as limitações de uso. “Como todo processo, há restrições, desde a utilização em larga escala a aplicações”, como a extrusão de filmes. Na avaliação de Solange, a injeção é uma excelente opção para os líquidos, assim como o processo de sopro – o de PET em particular. A extrusão de poliolefinas, porém, é complicada.

A obrigatoriedade de um dosador para os concentrados líquidos não chega a ser um problema para os transformadores, pois a maioria dos fabricantes do insumo faculta o equipamento em comodato para os clientes, isentando-os desse custo. “Mas há um alto investimento para o treinamento do pessoal”, pondera Solange. Ela também propõe a análise de outros aspectos, como o fato de os tempos de mudança de cores serem maiores, o de nem todos os aditivos compatibilizarem com os concentrados líquidos e, ainda, o de a combinação com resinas líquidas poder gerar problemas de gosto e odor nos produtos finais. “Em aplicações de injeção é preciso ajustar as temperaturas do processo, o que gera um aumento do uso de energia”, acrescenta. Entre os prós, Solange menciona aplicações inferiores a 0,5% com excelente homogeneização e custos mais baixos na produção de cores transparentes.

Produtora de concentrados granulados e líquidos, a Cromex concede o dosador em comodato aos transformadores que escolherem a segunda opção. Quanto à melhor opção, Enio Ferigatto contemporiza: “Ambos propiciam os mesmos benefícios, mas há casos nos quais os resultados são melhores com o líquido, como a aplicação em garrafas de PET.” Por ser higroscópica, essa resina requer desumidificação. Quando o masterbatch utilizado emprega esse mesmo polímero como veículo, precisa igualmente passar pelo processo de desumidificação. O concentrado líquido queima essa etapa.

Ele ressalta ainda outro ganho: “Para uma garrafa de PET verde obtida com grãos dosados a 0,1%, se consegue a mesma cor com o master líquido a 0,04%.” E quanto maior a concentração, ressalta, menor o custo de coloração e aditivação.

No concentrado em grão, a resina-veículo é igual ou compatível com o polímero ao qual o master será adicionado. Os líquidos geralmente são formulados com óleos minerais. “Esses óleos têm basicamente a mesma função, que é dispersar os pigmentos e corantes, e variam na formulação de acordo com a resina que será processada”, explica Ferigatto.

Os pesquisadores da Cromex trabalham atualmente no desenvolvimento de óleos derivados de fonte renovável e também de pigmentos mais compatíveis com a dispersão, capazes de permitir maior concentração e otimização das fórmulas.

Com trinta anos de atuação no mercado, a fabricante elevou recentemente a sua capacidade instalada em cerca de 7%, alcançando 132 mil toneladas anuais ao colocar em operação uma extrusora de 16 mil t/ano, instalada em sua unidade fabril de Simões Filho, na Bahia. O equipamento se destina a atender à demanda de masterbatches de cores e aditivos para o polietileno verde da Braskem.

Plástico Moderno, Roberto Guzmán, Gerente de marketing, Masterbatches - Sustentabilidade norteia os novos desenvolvimentos
Guzmán espera revolucionar o mercado de master líquido

Para revolucionar – Uma nova tecnologia desenvolvida pela Clariant em concentrados líquidos chega ao mercado com a promessa de quebrar paradigmas e ideias pré-concebidas associadas a esses produtos. “A composição química dos novos masterbatches líquidos permite aperfeiçoar o processamento dos plásticos, reduzindo o consumo de energia e o desperdício gerado nas trocas de cor, e melhorando os ciclos de produção”, assevera Roberto Guzmán, gerente de marketing para a América Latina. Os novos produtos, diz ele, permitem trocas de cores mais rápidas, sem problemas de compatibilidade com resinas ou de patinagem na rosca.

Dotada de uma tecnologia inovadora, essa linha de concentrados de cores, aditivos e combibatches (produtos de alto desempenho para acrescentar produtividade e estabilidade dimensional aos concentrados de cor) permite o seu uso em quase todas as resinas processadas por injeção, extrusão, sopro convencional e biorientado, além de fibras, e chega com força à América Latina. A Clariant investiu em três plantas de masterbatches líquidos na região, com flexibilidade produtiva capaz de entregar lotes desde 20 quilos, em baldes recicláveis, até lotes de várias toneladas, em contêineres retornáveis de 500 quilos – versatilidade que permite à empresa suprir qualquer necessidade de fornecimento de seus clientes. “As fábricas são planejadas em um conceito modular e têm capacidade ilimitada de produção”, declara Guzmán. O objetivo do investimento, explica, é disseminar a tecnologia em toda a região.

O gerente assegura que os novos masterbatches líquidos conferem ótima dispersão de altas concentrações de pigmentos e aditivos, ou combinação de ambos, e excelente homogeneização do concentrado dentro da extrusora. “Possibilita uma ótima qualidade a níveis de dosagens menores.” Ele ressalta o fato de os novos veículos utilizados nessas formulações atuarem como agentes de limpeza, mantendo rosca e canhão livres de depósitos sólidos, sinônimo de melhor qualidade na produção, tempos reduzidos na troca de cores e paradas para limpeza e manutenção da unidade de extrusão da máquina. Esses veículos ainda oferecem vantagem no processamento de corantes e aditivos sensíveis ao calor, pois evitam sua degradação térmica durante a fabricação do concentrado.

Concentrados líquidos à parte, a Clariant planeja manter os investimentos em ampliação de capacidade também na produção das formulações granuladas. Em consonância com outros especialistas, Guzmán aponta maior eficiência para os masterbatches sólidos quando a opacidade da cor é relevante. Também vê mais vantagem nos grãos quando o processo exige a incorporação de altas concentrações de cargas ou pigmentos brancos. Há outros casos, ainda, que a natureza específica do pigmento ou aditivo não compatibiliza com os veículos líquidos, restando, como melhor solução, o granulado.

De acordo com Sandra Piva, gerente da Macroplast, a escolha do tipo de concentrado deve passar pela apreciação minuciosa de certos parâmetros como: o produto final, o processo de transformação, os recursos do equipamento do cliente, a qualidade desejada, a produtividade e o custo. O gerente da Clariant adiciona ainda outro peso importante nessa balança: cultura de trabalho. No entender dele, a opção pelos concentrados líquidos impõe ao transformador muita disciplina, em particular no tocante à ordem e limpeza. “Se você entra em uma planta de produção de plásticos e observa pellets e desperdícios jogados no chão, imagine o que acontecerá se concentrados líquidos forem utilizados. Com todas as vantagens que a nossa nova tecnologia oferece, só as empresas que praticam disciplina, ordem e limpeza poderão tirar o máximo proveito dela”, sentencia.

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