Masterbatches Melhora o Desempenho dos Plásticos Reciclados

Pigmentos e Aditivos permitem melhorar o desempenho dos plásticos reciclados

A rota rumo à sustentabilidade vem sendo traçada pelo mercado de masterbatches com afinco. Na história do setor, nunca o tema foi tão divulgado e debatido. É a demanda de maior crescimento da atualidade. No entanto, apesar dessa mobilização e de iniciativas relevantes da indústria, por ora, ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Há algum tempo, a indústria do plástico está envolvida com o conceito da economia circular.

Para o sócio-diretor da Macroplast, Christian Uwe Braun, os produtores de masterbatches veem nesse mercado reais possibilidades para expansão do seu negócio, considerando que se trata de uma novidade e esta desponta com grande intensidade.

Masterbatches: Melhor desempenho dos plásticos reciclados ©QD Foto: Divulgação
Braun: empresas valorizam mais a sustentabilidade dos insumos

“Mais e mais empresas estão buscando na política da sustentabilidade o desenvolvimento de produtos para tal fim. Porém não é uma tarefa fácil e ainda são poucos os que conseguiram”, afirma.

De qualquer forma, o prognóstico é positivo.

 

Estudos de mercado revelam que, na indústria de masterbatches, o emprego de resinas recicladas em suas aplicações pode chegar a 30% da produção.

De acordo com o diretor da Procolor, Roberto Clauss, este dado denota uma demanda crescente para os próximos anos.

Segundo Giovanni Dias, coordenador de tecnologia de produto da Cromex, nos últimos cinco anos, por causa dos objetivos da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e da pressão exercida pela sociedade sobre o mercado de plástico, a busca por soluções que dialoguem com a economia circular se intensificou.

Fortemente atacado em campanhas midiáticas, o plástico carrega o estigma de grande vilão do meio ambiente.

Na opinião de Francielo Fardo, diretor da Colorfix Masterbatches, é papel de toda a indústria desmistificar este conceito e procurar soluções amigas do meio ambiente, sendo os fabricantes e fornecedores de masterbatches um dos principais aliados nesta missão.

Para ele, a fim de que essa transformação tenha êxito em sua totalidade, é imprescindível a participação deste segmento.

Masterbatches: Melhor desempenho dos plásticos reciclados ©QD Foto: Divulgação
Fardo: demanda por produtos mais sustentáveis segue firme ©QD Foto: MARCELO ELIAS

“Não há como um produto ser sustentável sem passar também pelo masterbatch”, diz.

Masterbatches em Ação: Por isso, diversas são as soluções desenvolvidas com o apelo da sustentabilidade.

Há uma grande mobilização para abastecer o setor com opções inovadoras e amigáveis do meio ambiente. Um exemplo dessa postura se refere à Avient.

A empresa desenvolveu o Rejoin PCR Masterbatch, com poliolefina reciclada pós-consumo (PCR) como resina veículo para aplicações em embalagens feitas de poliolefinas.

Lançado em março do ano passado, o produto pode permitir que uma garrafa ou embalagem seja fabricada com 100% de PCR.

Segundo Alessandra Neves, gerente de Marketing Sustainability, Latin America Avient Corporation, o desenvolvimento pode combinar pigmentos e aditivos funcionais em uma única solução, sem afetar negativamente a cor ou as propriedades mecânicas.

Masterbatches: Melhor desempenho dos plásticos reciclados ©QD Foto: Divulgação
Alessandra: opção para cliente alcançar meta de 100% de PCR

“Ele pode ser adicionado durante a produção, usando equipamento padrão, com pouco ou nenhum impacto no processamento, e permite a reciclagem total do produto final”, explica.

O Rejoin PCR Masterbatch foi criado para atender à demanda das principais empresas de bens de consumo, que estabeleceram ativamente metas de sustentabilidade para embalagens poliolefínicas 100% PCR.

“Entendemos que muitos consideram o uso de corantes e aditivos que dependem de veículos de resina virgem para negar a utilização de 100% de PCR, por isso, trabalhamos para desenvolver uma solução que pudesse ajudar nossos clientes a cumprir plenamente seus compromissos de sustentabilidade”, afirma Bob Lee, diretor de Marketing Cores & Aditivos Asia da companhia.

O nome Avient surgiu no mercado de masterbatches em 2020. Em julho desse ano, a PolyOne adquiriu a Clariant Masterbatch e renomeou a empresa combinada desta forma.

“Sob esta nova marca, reunimos dois líderes globais para criar uma empresa especializada focada em soluções sustentáveis”, diz o presidente e CEO da Avient, Robert M. Patterson.

A companhia produz o Rejoin nas fábricas de Itupeva-SP e Suzano-SP.

Com a matriz em Curitiba-PR e unidades em São Caetano do Sul-SP e Jaboatão dos Guararapes-PE, a Colorfix Masterbatches está no setor desde 1990 e, recentemente, tem focado seus esforços no slogan “é preciso recriar o futuro”, por meio da marca Revora.

“Tem aberto diversas portas, pois percebemos que a busca por soluções sustentáveis é uma crescente no mercado, uma vez que estamos lidando com clientes finais cada vez mais engajados ambientalmente”, diz Fardo.

Não por acaso, a linha integra o recente lançamento da Natura, Kaiak. Foram desenvolvidas quatro cores para as embalagens dos perfumes, feitas com 50% do plástico retirado do litoral brasileiro.

Entre os vários itens analisados para a escolha da Colorfix, Fardo explica que pesou o fato da empresa estar trabalhando a cadeia circular, na qual todos os fornecedores envolvidos no processo de concentrados contribuem com sua responsabilidade socioambiental.

Em parceria com a perfumaria, foram homologadas 16 cores utilizando-se a resina PCR.

A marca inclui quatro categorias de aditivos e concentrados de cor: Revora PCR – focada, como o nome sugere, no uso de resinas pós-consumo –, Revora Bio – para resinas biocompostáveis (conta com um catálogo de cores já desenvolvidas para poliácido láctico, o PLA) –, o Revora Verde – destinado às resinas de origem renovável, e Revora Adi.

Este último é uma linha de aditivos destinada às resinas convencionais que contribuem para a redução de custos dos processos.

Outro destaque do portfólio é a linha Marble. São mais de 70 cores de masterbatches de efeito que imitam rochas, madeira e a técnica de tingimento de tecidos Tie Dye.

Fardo reforça que além de trazer acabamento único em peças de plástico, esses insumos representam uma solução sustentável, uma vez que podem ser aplicadas em PCR.

Masterbatches Mais produtos

A Macroplast também tem uma linha de masterbatches para PCR.  Segundo Braun, os termoplásticos reciclados, tanto pós-consumo quanto pós-indústria (PIR), são vistos como subfamílias dos polímeros originais, e os masterbatches e aditivos proporcionam sua revitalização alcançando padrões de qualidade comparáveis aos da resina virgem.

O produto de maior sucesso da Macroplast é o compatibilizante, que além de melhorar as propriedades da resina recuperada, forma um link entre as moléculas dos polímeros, minimizando a incompatibilidade entre as cadeias moleculares.

Exemplos ficam a cargo do poliestireno (PS) com polietileno (PE), acrilonitrila butadieno estireno (ABS) com PS e polipropileno com PS, entre outros.

Em seu portfólio de masterbatches em PCR, a Procolor destaca os redutores de odor e composto de purga, além do antimicrobiano e antiviral. Mas sua inserção na economia circular vai além desse portfólio.

A empresa inaugurou uma unidade de reciclagem no ano passado, em Embu das Artes-SP.

Os primeiros fluxos se dão ao recebimento e reaproveitamento do material próprio, sobretudo os resíduos da fabricação de masterbatches na matriz.

Masterbatches: Melhor desempenho dos plásticos reciclados ©QD Foto: Divulgação
Clauss: mercado pede opções compostáveis e biodegradáveis

“Nosso principal objetivo é proteger o meio ambiente e dar o destino correto ao plástico”, afirma Clauss.

A Procolor oferece uma gama vasta de aditivos e masterbatches adequados ao tipo específico da resina e processo para diversos segmentos.

Em cada um deles, há 40 tipos de aditivos, além das produções feitas sob medida.

O carro-chefe são os itens especialmente voltados para a extrusão de filmes, destacando-se os absorvedores de umidade (dessecantes), antiultravioleta, antiblocking, antiestáticos e deslizantes, nessa ordem.

Nos últimos anos, a Cromex tem investido muito em inovação e sustentabilidade, com destaque para o lançamento da linha Act Green.

São aditivos para reciclagem, como extensores de cadeia, compatibilizantes, redutores de odores, entre outros, que facilitam a utilização de resinas PCR.

O portfólio conta também com os masterbatches em PCR e os masterbatches pretos NIR, linha permite que peças pretas sejam detectadas facilmente pelos classificadores, permitindo sua reciclagem.

Por fim, Dias menciona a linha rC-Black, de masterbatches pretos produzidos com negro de fumo recuperado de pneus usados.

Masterbatches: Melhor desempenho dos plásticos reciclados ©QD Foto: Divulgação
Dias: negro de fumo tirado de pneus velhos faz sucesso

“Essa linha é um sucesso, já que atualmente utilizamos cerca de 1,2 milhão de pneus usados por ano em masterbatches pretos, reduzindo mais de 5 mil toneladas de emissão de CO2”, afirma.

Ele conta que há pelo menos uma década a Cromex desenvolve produtos para facilitar a reciclagem e reutilização de aparas por parte dos clientes e já investia no portfólio de biopolímeros no início dos anos 2000.

Pós-consumo: O masterbatch para resina PCR é um material com alta concentração de pigmentos e aditivos que valorizam o produto e melhoram a processabilidade do polímero reciclado.

Segundo Fardo, a grande dificuldade está em encontrar a combinação de materiais que realmente dê vida ao PCR.

E, no caso de aditivos, que proporcionem melhorias de propriedades, permitindo que a resina pós-consumo possa substituir os polímeros naturais.

“O principal propósito é proporcionar a utilização de resina PCR no manufaturado final, pois é neste estágio que estão os maiores desafios e as maiores oportunidades, em termos de volumes transformados de PCR”, afirma Fardo.

A Colorfix atua com linha voltada somente para veículo PCR e outra que utiliza resina natural.

Em geral, como mencionado acima, os masterbatches para resinas recicladas têm mais componentes em suas fórmulas que os usuais para resina virgem, o que dificulta a sua produção em máquinas convencionais.

Na Macroplast, a produção se dá exclusivamente com máquinas dupla-rosca com alimentadores laterais para maximização dessa incorporação.

Para Braun, o mais desafiador para o produtor de masterbatch para esta aplicação é o acerto de cor, pois a resina é mais escura e amarelada por causa da sua degradação.

A Macroplast usa somente resina virgem e preferencialmente a resina que o masterbatch será aplicado.

“A vantagem de usarmos somente as resinas virgens é mitigarmos as variáveis, já que a resina PCR já é por si só um desafio, e a desvantagem é o custo mais alto da resina veículo virgem”, afirma Braun. Vale destacar que a empresa oferece a opção de produzir com o veículo enviado pelo cliente.

Masterbatches: Melhor desempenho dos plásticos reciclados ©QD Foto: Divulgação
Avelino: variação de qualidade das PCR é desafio para master

Rodrigo Avelino, assessor técnico da Procolor, destaca que o masterbatch para resina PCR deve atender às mesmas características para aplicações em resinas industriais, mas com atenção voltada especialmente para questões térmicas e mecânicas.

Ele aponta como desafiador garantir que o masterbatch consiga atender em 100% as diferentes características lote a lote da resina PCR. Avelino também ressalta que, em alguns casos, o preço da resina PCR se assemelha ao da resina virgem.

Para produzir masterbatch em resina PCR é necessário conhecimento técnico em reologia e processo, segundo Dias.

Fácil não é, mas os esforços são válidos até porque quem procura um produto 100% sustentável só vai encontrá-lo na linha de masterbatches fabricada com 100% de resina PCR.

De acordo com Dias, se o veículo for uma resina virgem, o conceito de sustentabilidade, em alguma medida, será afetado. Aliás, a linha de masterbatches PCR da Cromex é produzida 100% com resina pós-consumo.

Alessandra conta que, até o momento, o masterbatch era geralmente feito utilizando material virgem como resina veículo.

Em sua análise, essa escolha significa que nas dosagens comumente usadas, o produto final seria formado por 3% a 5% de plástico não reciclado.

Na opinião dela, os maiores obstáculos na produção de masterbatch para esta aplicação se referem à viabilização da processabilidade para atender às especificações técnicas, ou seja, não afetar a processabilidade da PCR em comparação com a virgem, no parque de máquinas atual dos clientes e sem comprometer as propriedades mecânicas e a aparência procurada pelas marcas.

“É um desafio oferecer cores vibrantes e a qualidade estética que nossos clientes desejam”, comenta.

Mercado de Masterbaches

O primeiro semestre do ano apresentou uma redução significativa de produtos de consumo para o interior das residências, como móveis, artigos de decoração e linha marrom, o que respingou diretamente nos negócios da Colorfix Masterbatches.

No entanto, no último mês, a empresa já retomou os volumes convencionais.

Setores que despontaram foram os de higiene pessoal, cosméticos e alimentação.

“Estamos confiantes que o mercado brasileiro se desenvolverá muito bem nos próximos meses”, afirma Fardo.

Segundo ele, projetos novos têm se alinhado a um crescimento real de volume e valor neste ano.

“Projetos de sustentabilidade estão tomando corpo em todos os segmentos, e nossa Linha Revora está sendo requisitada para diversas aplicações”, destaca Fardo.

Ele conta ainda que neste ano, a Colorfix Masterbatches foi a primeira empresa 100% nacional do segmento a ser homologada e cadastrada no painel de fornecedores mundiais de uma marca automotiva.

Braun cita os aumentos generalizados dos preços e consequentemente a diminuição do poder aquisitivo do brasileiro como agentes complicadores nos primeiros meses do ano para todo o mercado.

No entanto, na Macroplast, o período foi atípico, marcado com muitos desenvolvimentos de produtos e aplicações, o que garantiu estabilidade nos resultados e uma perspectiva mais positiva para o segundo semestre de 2022.

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De acordo com ele, o agronegócio está alguns passos à frente de outros setores da economia e isso se reflete na demanda por masterbatches especiais para essa área.

“Estão liderando as vendas”, comenta. Para o final do ano, as expectativas se voltam para o segmento das embalagens, no qual o masterbatch tem participação relevante.

A Procolor, por sua vez, teve, nos últimos anos, um crescimento exponencial, cumprindo ano a ano as metas planejadas.

Mas ainda assim, Clauss revela cautela para o último semestre de 2022. “Os principais desafios são as incertezas pós-pandemia, os altos preços, a falta de insumos e as oscilações do dólar”, afirma.

De qualquer forma, ele reconhece que o cenário também incita oportunidades de aquisição de equipamentos e de renovação e busca por novas parcerias e clientes.

Segundo Clauss, atualmente, é notória a solicitação por produtos e/ou aditivos que tornem o plástico biodegradável ou compostável.

“Talvez o nosso país ainda esteja à luz dessas solicitações, devido aos impostos e à falta de incentivo por parte dos governantes e reeducação da sociedade”, comenta.

De qualquer maneira, o apelo ambiental tem voz e pede passagem.

Não por acaso, o que mais tem chamado a atenção de Alessandra na história recente do setor é o interesse por soluções sustentáveis e não apenas por resinas recicláveis.

Por isso, o comprometimento da Avient ultrapassa os conceitos da reciclagem e da economia circular, pois se desdobra em outras iniciativas como a redução do consumo de energia e do descarte em aterros sanitários, entre outras. “Não há como trabalhar sem pensar no impacto que temos sobre o planeta”, conclui.

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