Masterbatches: Avanço da reciclagem estimula fornecedores

Fornecedores de Masterbatches reforçam portfólios com novas aplicações

Integrando-se aos esforços de toda a cadeia na qual atua, a indústria de masterbatches se engajou na busca por aplicações mais condizentes com a economia circular dos plásticos. E aloca nesse processo as possibilidades e as potencialidades de todos os ingredientes de suas formulações, especialmente dos aditivos, cada dia mais ressaltados pela capacidade de reduzir quantidades de matérias-primas, favorecer a reciclagem, melhorar as qualidades de resinas recicladas e de biopolímeros. Mas também expandindo a oferta de masterbatches veiculados em resinas de pós-consumo (PCR) e em bioplásticos; e, em escala ainda menor, disponibilizando pigmentos oriundos de fontes renováveis.

E, se em um passado não muito distante pareciam priorizar os transformadores em suas estratégias, fornecedores de masterbatches hoje destacam em seus portfólios também soluções para outros elos dessa cadeia, como os recicladores, indispensáveis para uma indústria do plástico realmente alinhada com a economia circular.

A Ampacet, por exemplo, assim como outros fornecedores de masterbatches, disponibiliza para recicladores produtos capazes, entre outras coisas, de retirar odor, reduzir níveis de oxidação, amarelamento e umidade das resinas recicladas. Tem também, ressalta Eliton da Silva, gerente estratégico de negócios de flexíveis da empresa na América Latina, produtos que agilizam o processamento dessas resinas, como os melhoradores de fluxo específicos para reciclagem, que agem diretamente nas moléculas (diferentemente dos auxiliares de fluxo, utilizados com resinas virgens, que atuam como uma espécie de revestimento).

Além disso, lembra Silva, mesmo recebendo materiais compostos por muitas cores, recicladores precisam oferecer resinas com padrões mais consistentes de cores: para ajudá-los a superar esse desafio a Ampacet desenvolveu a tecnologia Equal PCR, que equaliza as cores de materiais reciclados, garantindo a manutenção de padrões. “Isso é feito com masterbatches tailor-made, desenvolvidos para necessidades e cores específicas”, enfatiza.

Para transformadores que necessitam melhorar as qualidades das resinas recicladas com as quais trabalham, a Ampacet também oferece aditivos (antioxiodantes, antiodores, corretores de umidade, entre outros) e uma tecnologia denominada Color Tune, que possibilita a utilização de resina reciclada em aplicações com uma vasta gama de cores, inclusive as bem claras.

Masterbatch: Avanço da reciclagem estimula fornecedores a reforçar portfólios ©QD Foto: iStockPhoto
Silva: reciclador precisa de master feito sob medida

“Aplicações como embalagens claras de produtos de higiene pessoal, por exemplo, hoje podem conter cerca de 70%, ou algo próximo disso, de resina PCR”, destaca Silva.

Na última K, a Ampacet lançou o Gastop Flex, que permite reduzir para índices inferiores a 5% as quantidades de resina EVOH utilizada como barreira nas embalagens de PE que acondicionam embutidos e carnes, entre outros produtos, mantendo-as assim recicláveis. “Podemos também oferecer masterbatches veiculados em PCR ou em bioplásticos. Embalagens de e-commerce hoje utilizam PLA (poliácido lático), e para elas fornecemos master com esse material”, complementa Silva.

Também o portfólio da Avient inclui produtos capazes de contribuir de diversas maneiras para as aplicações plásticas mais adequadas à economia circular, ressalta Alessandra Neves, gerente sênior de marketing e sustentabilidade da empresa na América Latina. Por exemplo, pela redução do consumo de energia proporcionada pelo Smart Heat, aditivo do tipo re-heat que diminui o tempo dos processos realizados por sopro. Ou então, com masterbatches veiculados em PCR.

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Alessandra: master de origem biológica ainda é um nicho

“Já fornecemos masterbatches com resinas recicladas de PE e PP, mas podemos fornecer também com PET, poliamidas, estirênicas, entre outras”, informa. “Fornecemos também masterbatches em biopolímeros: PLA, PHB, Mater-Bi (da Novamont), entre outros”, acrescenta.

No portfólio da Avient há ainda produtos capazes de reduzir o peso das peças sem perda de propriedades: um deles, o agente de espumação Hydrocerol, que, de acordo com Edson Marçal, gerente sênior de tecnologia da empresa na América Latina, permite reduzir gramaturas em até 30%. “Temos também agentes nucleantes, utilizados para reduzir paredes de peças injetadas e sopradas”, diz Marçal.

Entre os diversos aditivos da Avient que contribuem com o aumento do uso de resinas PCR, ele destaca o A4R, que combina antioxidantes primários e secundários com outros ingredientes para facilitar o processamento de resinas recicladas e, ao mesmo tempo, reduzir a quantidade de géis e de pontos pretos, além de melhorar propriedades como a resistência química, permitindo elevar os percentuais de resinas recicladas mesmo nas aplicações mais exigentes.

Masterbatch: Avanço da reciclagem estimula fornecedores a reforçar portfólios ©QD Foto: iStockPhoto
Marçal: aditivos permitem usar alto teor de resinas recicladas

“Lançado na última K, esse produto já está sendo produzido no Brasil e vem sendo bastante demandado”, enfatiza Marçal.

Foco ajustado na indústria de masterbatches

Uma das estratégias implementadas pelos fornecedores de masterbatches para dar mais visibilidade às soluções focadas na circularidade das aplicações plásticas é sua união em portfólios específicos. É o caso do Act Green, lançado no ano passado pela Cromex, hoje composto por quatro linhas, uma das quais a linha de aditivos destinados para facilitar a reciclagem e melhorar a qualidade de PCR. “O compatibilizante é um aditivo bastante demandado, especialmente para a reciclagem de PE no qual há a presença de PET”, ressalta Cesar Ortega, diretor de vendas da Cromex.

Também constam do portfólio Act Green masterbatches coloridos e aditivos veiculados em resinas PCR, além de duas linhas de compostos pretos: uma delas, isenta de negro de fumo, pode ser identificada pela tecnologia NIR (infravermelho próximo), utilizada em separadores ópticos, que tem dificuldades para ler peças escurecidas com esse pigmento; outra, a linha rC-Black, de masterbatches pretos produzidos com negro de fumo recuperado de pneus, já utilizada em filmes e em outras aplicações.

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Aplicações do master Black, fornecido pela Cromex

Na Colorfix, os produtos mais posicionados para a economia circular foram agrupados na linha Revora, que inclui produtos para PCR e para bioplásticos.

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Fardo: sustentabilidade está no foco dos desenvolvimentos

“Aditivos capazes de melhorar a fluidez e a resistência ao impacto são hoje muito demandados por quem utiliza PCR. Mas temos soluções interessantes também para melhoria de filmes de PCR, neutralizadores de odor, bactericidas, entre outras”, ressalta Francielo Fardo, diretor-superintendente da empresa.

Este ano, ressalta Fardo, a Colorfix também lançou a segunda edição de um catálogo de cores consideradas tendências para PCR. Tecnicamente, ele observa, não há limitação nas cores que podem ser usadas com resinas recicladas, cujo desenvolvimento é, porém, muitas vezes mais complexo. “Ter um catálogo de cores específico para esse tipo de material demonstra ser possível chegar a resultados com cor muito bonitos, facilita a compreensão do mercado sobre a viabilidade de obter resultados muito bons com reciclado”, justifica Fardo. “Contamos também com um catálogo de cores para as necessidades da compostabilidade”, acrescenta.

Por sua vez, a Macroplast estruturou há cerca de dois anos a linha Macrogreen, com aditivos destinados a prolongar a vida útil das aplicações: estabilizantes UV, antioxidantes, alguns nanoaditivos, entre outros. “A reciclagem deve ser a última etapa da economia circular, prorrogada o máximo possível. Daí a importância de aplicações mais duráveis”, ressalta Elisangela Melo, diretora comercial dessa empresa, que no mercado dos masterbatches atua em maior escala com resinas de engenharia: ABS, SAN, ASA, PMMA, PC, e outras.

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Peça fabricada com master da Macroplast

O portfólio Macrogreen inclui um serviço de transporte de resíduos e sobras dos processos de clientes para a planta da empresa, onde eles são moídos, aditivados, têm suas cores recompostas e são devolvidos para os clientes, podendo assim retornar aos processos originais, em vez de serem vendidos como aparas. “A demanda por esse serviço vem crescendo na construção civil, em peças de reposição automotiva e em eletroeletrônicos”, relata a profissional da Macroplast, que fornece também resinas tingidas, prontas o uso, nas cores desejadas e com os aditivos solicitados.

Na Procolor, a linha de produtos para atender os preceitos da economia circular inclui masterbatches – por enquanto veiculados em resinas virgens – e aditivos capazes de elevar a qualidade de resinas recicladas: absorvedores de umidade, compatibilizantes, antioxidantes, supressores de odor, clarificantes, entre outros. “Temos também, sob encomenda e em andamento, projetos à base de bioplásticos e reciclados PCR e pós-indústria”, ressalta Rodrigo Avelino, assistente técnico da empresa.

Bioplásticos e pigmentos – Perfazendo um nicho com volume de negócios ainda bem inferior ao das resinas recicladas, biopolímeros também começam a ser trabalhados mais decididamente pelos fornecedores de masterbatches. Entre eles, a Colorfix, que desenvolveu um aditivo que, mantendo a compostabilidade do PLA, aproxima as características desse bioplástico às das poliolefinas. “É um aditivo novo no mercado, está sendo testado por nossos clientes”, destaca Fardo.

Mas haveria mais demanda por produtos para bioplásticos caso no Brasil, pondera Silva, da Ampacet, fosse menos carente a estrutura de compostagem, que permite o pleno aproveitamento do potencial de sustentabilidade desses materiais. “Mas as embalagens de e-commerce hoje utilizam PLA e para elas fornecemos master com esse material”, ressalta.

Também já estão disponíveis, prossegue Silva, pigmentos de origem vegetal, por enquanto caros – até pela reduzida escala de produção – e ainda requerendo a superação de alguns desafios, como a necessidade de maior resistência térmica para suportar a transformação. “Assim, ainda impera a pigmentação tradicional, são pequenas as quantidades de pigmentos de origem vegetal”, afirma o profissional da Ampacet.

Mas a Cromex, afirma Ortega, já fornece para alguns “clientes importantes” masterbatches com pigmentos oriundos de base vegetal.

Masterbatch: Avanço da reciclagem estimula fornecedores a reforçar portfólios ©QD Foto: iStockPhoto
Ortega: já existem pedidos de master sem conteúdo animal

“Temos inclusive clientes que nos solicitam master vegano, sem nada relacionado a animais”, enfatiza.

A Avient também disponibiliza masterbatches com pigmentos provenientes de fontes biológicas: por exemplo, de beterraba, para tonalidades roxas, e de espinafre, para tonalidades verdes, entre vários outros. “São produtos ainda de nicho, até pelo custo mais elevado e por não permitirem ainda que se obtenham todas as tonalidades desejadas, nem a mesma resistência à descoloração dos pigmentos sintéticos”, observa Alessandra.

Mais focada em resinas de engenharia e aplicações técnicas, a Macroplast ainda não trabalha nem com bioplásticos, nem com resinas PCR. Mas já testa, informa Elisangela, vários produtos – compatibilizantes, por exemplo – capazes de melhorar a qualidade das resinas recicladas.

Consolidou-se, como relata, uma conjuntura que conjuga ampla oferta de aditivos desse gênero com um crescente interesse dos clientes por sua utilização.

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Elisângela: compatibilizantes permitem operar bem com PCR

“Mas é preciso fazer os testes, ver se eles não afetam características de resistência mecânica, resistência à tração e fluidez”, ressalta. “Mas em várias aplicações com as quais trabalhamos é hoje possível obter produtos de boa qualidade com PCR”, complementa Elisangela.

Bem mais que um nicho

Mesmo considerando as enormes dimensões atingidas pela cadeia na qual eles se inserem, fornecedores de masterbatches atualmente encontram, nas soluções focadas na economia circular do plástico, um segmento de negócios que já pode ser qualificado como relevante. “Ele é significativo nas diversas vertentes: comercial, estratégica e de economia circular”, ressalta Ortega, da Cromex.

Na Ampacet, destaca Silva, “mais de metade das soluções agora desenvolvidas na América Latina, seja em cor, seja em aditivos, têm esse foco da circularidade, atualmente mais forte nos mercados de higiene e limpeza”.

Marçal, da Avient, confirma a existência de uma elevada demanda por masterbatches mais afeitos às propostas da economia circular: já muito intensa nas indústrias de cuidados pessoais e de limpeza doméstica, e em expansão em setores como a indústria automobilística, que hoje busca soluções que permitam aumentar o uso de PCR tanto em aplicações externas quanto em componentes internos. “Nas autopeças, hoje se usa mais PCR não apenas nas peças injetadas, mas também em fibras de poliéster e PP, utilizadas em carpetes, assentos e cintos de segurança”, detalha. “Também a indústria de eletroeletrônicos vem aumentando o uso de PCR em gabinetes e outros componentes”, acrescenta Marçal.

Na Colorfix a sustentabilidade se consolidou como “o principal foco dos desenvolvimentos”, afirma Fardo, que associa a expansão mais acentuada do uso das soluções para aplicações plásticas mais afeitas à circularidade e à superação de alguns desafios – um deles, um incremento na oferta de resinas recicladas capaz de tornar seus preços mais competitivos. “Mas acredito muito na expansão do uso do reciclado, o valor percebido pelo consumidor é bastante significativo”, pondera.

Avelino, da Procolor, respalda essa análise do custo relativamente aos materiais virgens e convencionais como fator prejudicial à demanda por produtos com resinas recicladas e bioplásticos. Afinal, no Brasil, a cultura comercial ainda privilegia os preços, e resinas recicladas são percebidas como sinônimos de preços menores. Percepção nem sempre correta. “Para se utilizar um material reciclado, ele precisa ter qualidade e rastreabilidade antes de ser inserido e ofertado em um produto, não representanto riscos ao consumidor final”, conclui o profissional da Procolor.

Recicladas

Dióxido de titânio pode conferir às resinas recicladas as mesmas características ópticas das resinas virgens, destaca Marcelo Lopes, diretor comercial da Colortrade. Seu preço não é muito distinto do preço do negro de fumo, pigmento já empregado nas resinas recicladas, geralmente transformadas em peças mais escuras e de menor valor. Embora ainda mais comum na reciclagem de resíduos pós-industriais, ele pode ser utilizado também com PCR, permitindo inclusive que o reciclado conhecido como “canelinha” (sem cor bem definida) assuma tom opaco e mais acinzentado, e possa ser utilizado em aplicações mais nobres, pois além de melhorar propriedades ópticas também atua como um absorvedor UV. “Móveis para ambientes externos parcialmente feitos com resinas recicladas já usam dióxido de titânio”, especifica Lopes.

A Colortrade, além de dióxido de titânio, distribui também aditivos úteis para as práticas da economia circular, pois tanto ampliam a vida útil das aplicações plásticas quanto melhoram a qualidade das resinas recicladas; casos daqueles qualificados como anti-aging (antienvelhecimento): antioxidantes, que combatem a degradação térmica, absorvedores UV e protetores hals, cuja função é combater a fotodegradação.

Masterbatch: Avanço da reciclagem estimula fornecedores a reforçar portfólios ©QD Foto: iStockPhoto
Lopes: dióxido de titânio dá mais qualidade aos reciclados

“Aditivos anti-aging já são utilizados em resinas recicladas, principalmente em nichos mais técnicos, como autopeças de reposição e aplicações na construção civil”, afirma Lopes.

Na distribuidora IMCD, um dos destaques entre os aditivos próprios para a economia circular é a linha de agentes de acoplamento da SK Geo Centric, que compatibilizam diferentes resinas e assim elevam a qualidade do material reciclado a partir de resíduos nos quais haja determinados percentuais de diferentes polímeros: por exemplo, PE com algum volume de PP, ou filmes multicamadas de PE com PET, EVOH ou poliamida. “Esses aditivos também aumentam significativamente a resistência das peças feitas com material reciclado, atuando quase como se fossem modificadores de impacto”, destaca João Ponchio, gerente geral de materiais avançados da IMCD.

O portfólio da distribuidora também inclui pigmentos mais adequados para a economia circular. Caso de um pigmento preto, fornecido pela Sun Chemical, que pode ser normalmente lido pela tecnologia de separação e triagem baseada em reflexão de luz na faixa do infravermelho próximo (NIR).

A mesma Sun Chemical fornece à IMCD também pigmentos, em tonalidades variando entre o amarelo e o verde, que atendem às normas de compostagem.

Masterbatch: Avanço da reciclagem estimula fornecedores a reforçar portfólios ©QD Foto: iStockPhoto
Agnes: pigmentos já atendem as normas de compostagem

“Esses pigmentos ainda têm algumas limitações, tanto de cores quanto na resistência química; mas já estão sendo utilizados no Brasil, principalmente por empresas exportadoras”, relata Agnes Muciacito, gerente geral de pigmentos da IMCD na América do Sul.

Leia Mais:

Para informações sobre masterbatches, consulte o Guia QD, a maior plataforma de compra e vendas do setor. Confira:

* Masterbatches (pigmentos masterbatches)
* Mastebatches aditivados
* Masterbatches antichama

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