Masterbatch – Sustentabilidade amplia negócios para fabricantes

Cores e aditivos somam esforços com as práticas de sustentabilidade

A princípio, até parecia possível imaginar que neste segundo semestre permanecesse tão aquecida quanto se mantinha até agora a demanda vigente no mercado de masterbatches.

Ao menos por enquanto, tal possibilidade não se concretizou.

Seguem positivas, é verdade, as expectativas dos profissionais desse setor, mas agora suas previsões mais otimistas se combinam com projeções que vêm a segunda metade do ano como uma grande incógnita.

Nesse cenário, buscando alguma segurança, os fornecedores de masterbatches buscam se associar mais firmemente ao conceito da economia circular, e aceleram o ritmo de lançamento de produtos.

A economia circular, especificamente, tornou-se prioridade de vários deles.

Caso da Cromex, que estruturou uma área que já reúne seis linhas de produtos conectados a esse conceito.

Algumas delas: aditivos para reciclagem e para reciclados; masterbatches compostos com resinas recicladas; biopolímeros; masterbatches pretos que possibilitam a posterior leitura das aplicações pelos equipamentos NIR, utilizados para separar materiais destinados à reciclagem e têm dificuldades para identificar materiais pretos.

Ainda sem nome definido – a marca está sendo registrada –, essa nova área da Cromex disponibiliza também a linha rC-Black, de masterbatches compostos com negro-de-fumo recuperado de pneus descartados.

Plástico Moderno - Masterbatch - Cores e aditivos somam esforços com as práticas de sustentabilidade ©QD Foto: iStockPhoto
Giovanni Dias, coordenador de tecnologia de produto da Cromex 

“Eles têm alto poder tintorial, alta dispersão e proteção UV, com laudo da Anvisa para contato com alimentos”, destaca Giovanni Dias, coordenador de tecnologia de produto da empresa.

“Estamos oferecendo também a linha Cromex Cycle, de aditivos patenteados – desenvolvidos em parceria com um grande fornecedor global – que tanto aumentam a vida útil dos produtos feitos com reciclados quanto melhoram seu processamento”, acrescenta.

Por sua vez, a Colorfix lançou em abril a linha Revora, na qual há concentrados de cor e aditivos formulados com resinas PCR – ou destinados a aplicações feitas com elas –, biopolímeros, plásticos biodegradáveis.

Ou então, que se comprometem a tornar mais sustentáveis produtos e processos fundamentados em resinas convencionais.

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Francielo Fardo, diretor da Colorfix 

“A demanda pela sustentabilidade é aquela que hoje mais cresce nesse mercado”, ressalta Francielo Fardo, diretor da Colorfix.

Também recicladores – O entusiasmo dos fornecedores de masterbatches por soluções destinadas a clientes interessados em agregar sustentabilidade às aplicações plásticas estimula alguns deles a trabalhar na estruturação de operações que estenderão sua presença para novos mercados.

Um deles é a Procolor, que até o final deste ano deve inaugurar uma planta própria de reciclagem.

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Roberto Clauss, diretor-presidente do grupo Procolor 

“Começaremos trabalhando com nosso próprio material, como borras e sacaria dos materiais que recebemos. Mas queremos estabelecer parcerias com empresas e cooperativas para reciclar resina PCR”, diz Roberto Clauss, diretor-presidente do grupo Procolor.

A demanda por resinas recicladas, observa Clauss, fortaleceu-se ainda mais com os recentes aumentos de preços das resinas virgens.

E se reflete no aumento da procura por aditivos a elas destinadas. “Dessecantes, por exemplo, estão hoje entre nossos carros-chefes”, relata.

Também a Ecomaster cogita a montagem de uma operação de reciclagem.

Já disponibiliza, lembra o diretor comercial Pablo Pinheiro, uma linha de produtos feitos com resinas recuperadas, mas pretende investir mais incisivamente nesse mercado, não apenas pelo aumento da demanda, mas também porque ele apresenta demandas cada dia mais específicas, dificilmente supridas por meio dos atuais fornecedores de reciclados.

Há, ressalta Pinheiro, quem busque nos reciclados apenas uma opção de preço menor, mas também existe quem os demande pelo apelo da sustentabilidade, exigindo também o cumprimento de requisitos como “o plástico reciclado foi recuperado de oceanos”, ou “foi retirado de aterros”, entre outros.

“Até existe quem forneça materiais com esse tipo de certificação, mas em volume muito pequeno, ainda”, afirma.

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Pablo Pinheiro, diretor da Ecomaster 

“Talvez partamos, então, para a verticalização, com uma planta própria de reciclagem. Mas, por enquanto, isso é apenas um projeto”, acrescenta Pinheiro.

A Ecomaster aposta também em uma linha, desenvolvida em parceria com uma startup, de produtos compostos com grafeno.

Ela já inclui dois produtos: um deles, um aditivo multifuncional, que além de antioxidante também confere proteção UV e maior resistência à tração (já disponível para as poliolefinas); outro, um produto que, mesmo reduzindo a densidade da aplicação, aumenta sua resistência a flexão e impacto.

“Estamos desenvolvendo outros produtos nessa linha: um deles, permitirá conferir barreira a filmes monomateriais, proporcionando ganhos tanto econômicos quanto de sustentabilidade, pois o filme será 100% reciclável”, complementa o diretor comercial da empresa.

Mais produtos, mais produção – Produtos associados à economia circular estão entre as prioridades também da Ampacet, que, de acordo com Eliton da Silva, gerente de negócios estratégicos, no primeiro semestre deste ano trabalhou intensamente no desenvolvimento de cores e aditivos que possibilitem a seus clientes utilizarem mais resinas recicladas em seus produtos.

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Eliton da Silva, gerente de negócios estratégicos da Ampacet 

“Tem sido frequente a demanda por soluções personalizadas para PCR, exigindo adequação a diferentes requisitos finais, e adaptações que dependem da origem do PCR”, enfatiza Silva.

Entre os resultados desse empenho da Ampacet nos produtos e processos da reciclagem, ele cita a linha de coloração de resinas PCR Colortune; a tecnologia BlueEdge, para acertar a cor de resinas PCR (pós-consumo) ou PIR (pós-industrial) transparente; masterbatch preto que não bloqueia a identificação da resina no momento da separação para reciclagem; um produto para aumentar a fluidez do PP reciclado na reutilização em outro processo de transformação, entre outros.

A Ampacet, relata Silva, mantém uma estratégia de frequência mensal de lançamento de novos produtos; entre as novidades já geradas por essa estratégia, ele cita um composto matte para filmes de PE para embalagens alimentícias denominado Matip 347; o master antiestático AE977 que evita choques durante a fabricação do filme e garante perfeita selagem por manter a superfície limpa no envase; um master antiestático para processos com temperaturas acima de 230ºC; o master antideslizante para extrusão AntSlip 975.

“Também passamos a disponibilizar no Brasil a tecnologia global da empresa para fabricar cores para extrusão plana, com alto requerimento de dispersão dos pigmentos e estabilidade de cor no processamento”, ressalta.

A Cristal Master terá, ainda neste segundo semestre, duas novas máquinas operando em sua fábrica localizada em Joinville-SC, elevando sua capacidade de produção das 2,5 mil t/mês atuais para 3,3 mil t/mês.

A empresa também adquiriu uma área adjacente de 10 mil m2 que lhe permitirá praticamente duplicar o parque fabril.

“Além disso, desde 2020, investimos mais de R$ 1 milhão em novos equipamentos para o laboratório”, afirma Wyllian Santos, coordenador de marketing da empresa.

Segundo ele, em outubro passado, a Cristal Master recebeu uma certificação que permite oferecer o aditivo Cristal Care, até então qualificado apenas como antimicrobiano, como produto também antiviral (a pandemia, aliás, atraiu a atenção de muitas empresas para esse tipo de produto, ainda no ano passado também Cromex e Procolor, entre outros fornecedores de masterbatches, incluíram aditivos antivirais em seus portfólios).

Plástico Moderno - Masterbatch - Cores e aditivos somam esforços com as práticas de sustentabilidade ©QD Foto: iStockPhoto
Linha da Cromex atende a diversas aplicações 

E a expansão do uso de resinas recicladas, lembra Santos, além de ampliar a procura demanda por aditivos específicos – como compatibilizantes e dessecantes –, impulsiona também a demanda por produtos com pigmentos mais concentrados.

“Eles proporcionam mais uniformização das cores das resinas recicladas, que geralmente vêm com alguma mistura de cores”, justifica o profissional da Cristal Master.

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