Masterbatch – Sinais de recuperação animam o setor

Plástico Moderno -

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Sinais de recuperação economica aparecem e animam o setor

Já teve início um processo, ainda gradual, de reaquecimento de mercado, dizem os fabricantes de masterbatches. Amparados nessa perspectiva, eles projetam conseguir este ano ao menos manter os volumes de negócios realizados em 2019 e, em alguns casos específicos, até registrar crescimento. Considerado o tamanho do estrago provocado pela pandemia, talvez não seja um desempenho insatisfatório.

Plástico Moderno - Ortega: custos subiram, mas houve negociação com clientes ©QD Foto: Divulgação
Ortega: custos subiram, mas houve negociação com clientes

Como não poderia deixar de ser, acabaram frustradas as expectativas bastante positivas apontadas no começo do ano e confirmadas pelos resultados do primeiro trimestre. Veio o coronavírus e esse horizonte promissor se desfez rápida e abruptamente, apesar de ter se mantido a demanda proveniente de determinados segmentos, em especial, de fabricantes de produtos essenciais e dos agronegócios.

Na Cromex, por exemplo, o volume de negócios deste segundo semestre deverá ser similar ao do mesmo período do ano passado, prevê o diretor comercial Cesar Ortega. “Não deverá haver crescimento, e pode até ocorrer uma pequena queda, mas é mais provável a manutenção do volume de negócios”, afirma.

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Alguns segmentos de mercado – como agronegócios e indústria de alimentos – até elevaram sua demanda por masterbatches, observa o profissional da Cromex, mas, de maneira geral, no primeiro semestre a conjuntura foi “muito difícil” para o setor, cujos negócios encolheram entre 40% e 50% (relativamente ao mesmo período de 2019). Abril, ele indica, foi o mês mais difícil, ocorrendo um início de recuperação em maio e junho.

Plástico Moderno - Fardo: produtos essenciais sustentaram vendas na crise ©QD Foto: Divulgação
Fardo: produtos essenciais sustentaram vendas na crise

Para ser mais exato, melhor dizer que a situação se complicou no segundo trimestre, pois nos primeiros três meses do ano os negócios da Cromex registraram um incremento de aproximadamente 15% sobre igual período de 2019. “Isso indicava que, sem nada de anormal, teríamos um ano excelente”, observa Ortega. “Mas estamos conversando muito com nossos clientes, e projeto um reaquecimento do mercado no segundo semestre”, complementa.

Por sua vez, Francielo Fardo, superintendente da Colorfix, entende que “neste segundo semestre, 80% do mercado deve retornar à normalidade”, mantendo-se, porém, mais intensa a demanda colocada pelas indústrias de bens não-duráveis, como alimentos, produtos de higiene e limpeza e artigos médico-hospitalares. “Indústrias cujos produtos exigem dispêndio maior de recursos, e são menos essenciais, devem demorar um pouco mais para normalizar suas atividades”, pondera.

Fardo previa, no início do ano, que a Colorfix pudesse elevar seu volume de negócios entre 8% a 10% em 2020. “O primeiro trimestre foi muito interessante, mas no trimestre seguinte os negócios caíram bastante”, informa.

Plástico Moderno - Reinert espera crescer neste ano, apesar da pandemia ©QD Foto: Divulgação
Reinert espera crescer neste ano, apesar da pandemia

Previsões de expansão – Mesmo também enfrentando as adversidades decorrentes da disseminação do coronavírus, a fabricante de masterbatches Cristal Master elevará seu volume de negócios no decorrer deste ano, como projeta o diretor Luiz Carlos Reinert. “Temos a perspectiva de crescer de 5% a 6%, relativamente a 2019. No início do ano, a meta era de 13%”, afirma.

Entre janeiro e maio, relata Reinert, os negócios da Cristal Master elevaram-se 5,5% (comparativamente ao mesmo período de 2019); nesse intervalo, os maiores volumes de vendas foram realizados com o agronegócio e com as indústrias produtoras de embalagens para alimentos, sacos de lixo e sacolas para mercados. Mas, sem a pandemia, os índices de expansão certamente seriam maiores. “Até março, estávamos com um crescimento de 20%”, relata o diretor da empresa.

E o foco na oferta de especialidades para determinados mercados – como as embalagens alimentícias e o setor agro – deverá permitir também à Aditive elevar seu faturamento neste difícil 2020: “Prevejo crescimento de 10% a 15% em relação a 2019”, diz João Ortiz, diretor técnico da empresa. “O mercado agro e as embalagens de alimentos não foram afetados pela pandemia e geram de 70% a 80% de nossos negócios”, justifica.

A Aditive, ressalta Ortiz, é uma empresa dedicada a masterbatches de aditivos e especialidades, tendo a cor papel menos relevante no cálculo do valor de seus produtos. Para o agronegócio, fornece possibilidades de proteção anti-UV utilizadas em aplicações como filmes para mulching, bale wrap, silos-bolsa, entre outras. E para a indústria de alimentos oferece soluções que “ninguém mais tem”: caso, por exemplo, de um sequestrante de ácidos utilizado nas embalagens multicamadas de queijos e carne que seguem para exportação, nas quais há camadas de PVDC. “O PVDC é uma ótima barreira para umidade, mas tem cloro, que em contato com a água forma ácido clorídrico. O aditivo retira esse ácido”, explica.

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Mix e estratégias – Além da forte retração de seu mercado, a indústria de masterbatches defrontou-se com uma dificuldade adicional durante a pandemia: a forte valorização do dólar, moeda que fundamenta os preços da maior parte de suas matérias-primas, e que no quadrimestre compreendido entre março e junho teve seu preço em reais elevado em cerca de 25% (em alguns momentos desse período essa valorização foi superior a 30%).

Para Ortega, da Cromex, essa alta dos custos exige, especialmente em momentos como o atual, negociações mais demoradas, nas quais as duas partes exponham e ouçam as necessidades recíprocas “Mas temos parcerias muito fortes com clientes e, assim como abrimos mão de uma parte da margem, eles aceitam o repasse de parte do aumento de custos”, enfatiza Ortega.

Além disso, a retração da demanda em setores como as indústrias automobilística, de cosméticos e de móveis, com a simultânea concentração dos negócios em mercados como os agronegócios e as embalagens de alimentos, pode ter provocado alterações no mix de vendas, pois esses mercados mais demandantes geralmente consomem produtos mais simples.

O agro, relata Ortega, requer muito aditivo anti-UV, enquanto as embalagens de alimentos consomem muito master branco, e aditivos deslizantes, antibloqueio e antiestáticos. “Na indústria de alimentos, também cresceu muito o uso de filmes de BOPP, e os produtos mais demandados para esses filmes são brancos e aditivos”, acrescenta.

Atualmente, enfatiza Ortega, a Cromex mantém muito próximas, na busca das melhores soluções para seus clientes, as equipes comercial e técnica. “E muitos clientes estão sendo suficientemente flexíveis para entender que a conjuntura pode exigir o uso de uma gama maior de produtos: quem antes usava produto top para tudo, por exemplo, hoje o usa apenas para determinados segmentos, enquanto em outros pode empregar produtos que ampliem a produtividade, ou reduzam custos”, ressalta.

Plástico Moderno - Ortiz enfatiza a atuação no campo dos aditivos especiais ©QD Foto: Divulgação
Ortiz enfatiza a atuação no campo dos aditivos especiais

Fardo, da Colorfix, não nota alterações no mix de produtos, observando apenas aumento dos volumes comercializados para bens não-duráveis, higiene e limpeza, alimentos e setor médico-hospitalar, com redução na indústria automotiva. “Não paramos durante a pandemia, pois fornecemos para a cadeia de produtos básicos. Mas muitos de nossos clientes pararam por mais de vinte dias”, relata.

A Aditive, afirma Ortiz, por ter foco nas especialidades, consegue estabelecer contratos mais longos com clientes, conseguindo assim s resguardar mais das conjunturas adversas. “Com o aditivo sequestrante de ácido, por exemplo, temos contratos anuais de fornecimento”, especifica.

Além de atuação mais relevante nos setores de alimentos e no agronegócio, a Aditive, prossegue Ortiz, tem presença destacada também no mercado dos produtos antichamas, no qual agora desenvolve um grande projeto para uma empresa italiana. “Acredito que no segundo semestre se aquecerão bastante os negócios com a construção civil: o dinheiro a juros não está rendendo nada, então deve crescer o investimento em imóveis”, projeta.

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