Masterbatches – Novos produtos e estratégias melhoram resultados

Novos produtos, atuação mais incisiva em segmentos antes menos trabalhados, foco mais intenso em especialidades, integração entre produtos e serviços: esses são alguns dos instrumentos dos quais lançam mão os produtores de masterbatches para gerar negócios na difícil conjuntura atual da economia brasileira.

Conjuntura, aliás, que embora em alguns momentos pareça se desanuviar um pouco, ainda se mostra carregada de incertezas.

E, para gerar negócios nesse cenário, a Cromex, por exemplo, agora investe mais forte no segmento dos produtos para PET, no qual até hoje não atingiu participação compatível com sua significativa presença em outras vertentes desse mercado.

“Relativamente a 2016, neste ano nosso volume de vendas de produtos em base PET já dobrou”, afirma Glauco Moraes, diretor comercial da Cromex.

O PET, ele ressalta, vem ganhando espaço porque, em aplicações como embalagens de alimentos e cosméticos, em comparação com o polietileno, apresenta preço mais competitivo, oferecendo as mesmas características de resistência com o diferencial favorável de possibilitar efeitos visuais mais atrativos.

A Cromex também aposta em novos produtos, entre eles o masterbatch preto Superblack, lançado em abril, com maior teor de negro de fumo em sua formulação, exigindo aplicações com uma quantidade de master inferior àquelas necessárias aos produtos mais usuais.

Plástico Moderno, Moraes: bom visual ajuda PET a ganhar mercado em embalagens
Moraes: bom visual ajuda PET a ganhar mercado em embalagens

“Comparativamente a um masterbatch preto convencional, o Superblack exige aplicações de 20% a 30% inferiores”, compara Moraes.

Segundo ele, o Superblack vem sendo bem aceito pela indústria automobilística que, após uma forte retração, ensaia neste ano uma recuperação, embasada na ampliação das exportações.

A exportação, aliás, contribuirá bastante para que a própria Cromex registre em 2017 um incremento de receita significativo, próximo de 8%.

Hoje, diz Moraes, o mercado externo gera entre 30% e 35% dos negócios da empresa. “Mas fatores como o aumento de nossa presença no mercado de PET e o lançamento do Superblack nos farão crescer também no mercado interno”, ressalta.

Na Colorfix, os lançamentos incluem o Color id, aplicativo para transmissão on line das informações necessárias à produção de um masterbatch – após sua identificação por meio de um leitor de cores –, sem a necessidade de remessa de padrões físicos.

Plástico Moderno, Fardo: concentrado Marble confere aos plásticos aspecto visual idêntico ao do mármore natural
Fardo: concentrado Marble confere aos plásticos aspecto visual idêntico ao do mármore natural

“Essa tecnologia é bastante difundida na indústria de tecidos dos Estados Unidos, e uma inovação na indústria brasileira de transformação do plástico”, salienta Francielo Fardo, superintendente da Colorfix.

Segundo ele, o Color id já armazena aproximadamente oitocentas cores, nas versões com e sem textura, em PE, PP e PS, e já no próximo mês de julho essa quantidade de cores deverá dobrar.

O desenvolvimento do Color id, conta Fardo, demandou cerca de dois anos, e o lançamento aconteceu em abril. Agora, ele já está sendo utilizado por alguns clientes estratégicos e pela força de vendas da empresa. “Ele acelera enormemente o trabalho, além de reduzir os custos”, enfatiza.

Recentemente, a Colorfix colocou no mercado a linha de concentrados de cor Marble, capaz de conferir ao plástico um visual similar ao do mármore, mantendo as características típicas dessa rocha, pois seus efeitos não são padronizados e sua intensidade pode ser calibrada pelos próprios transformadores.

“A linha Marble possui excelente compatibilidade com o PP”, afirma Fardo.

Plástico Moderno, Concentrado Marble confere aos plásticos aspecto visual idêntico ao do mármore natural
Concentrado Marble confere aos plásticos aspecto visual idêntico ao do mármore natural

“Nós a estamos testando em vários itens de utilidades domésticas, a exemplo de cadeiras e mesas, e nas embalagens de cosméticos”, detalha.

“A linha Marble é ainda um diferencial nosso no mercado nacional, permite obter os mesmos efeitos do mármore, porém com materiais muito mais baratos, mais leves, e que podem facilmente adquirir os mais diversos formatos”, observa o diretor da empresa.

Este ano, relata Fardo, começou “excelente” para a Colorfix, mas logo as demandas se retraíram em resposta às incertezas do cenário político e econômico do país.

“Notamos, porém, que os clientes estão otimistas para a segunda metade do ano, já estamos trabalhando em vários projetos que, caso se concretizem, tornarão esse período relativamente bem aquecido”, pondera.

Opções para substituição

Na Ampacet, entre os lançamentos já realizados este ano aparecem o Paper 2.0 e o SynWrap.

O primeiro é um aditivo capaz de conferir aos filmes flexíveis os apelos táctil e visual do papel, também conferindo a esses materiais vantagens nos quesitos sustentabilidade, preço e simplificação dos processos de produção.

Já o SynWrap decorre de uma aplicação diferenciada do mesmo aditivo utilizado no Paper 2.0, e agrega aos filmes flexíveis a aparência e a sensação táctil do papel de seda.

Plástico Moderno, Master Paper 2.0 da Ampacet reproduz sensorial do papel
Master Paper 2.0 da Ampacet reproduz sensorial do papel

Leone Filho, gerente de vendas da Ampacet, cita como exemplos de possíveis aplicações do Paper 2.0 a substituição do papel em embalagens de alimentos, como açúcar ou farinha.

“Mas pode ser usado também para embalar coisas mais pesadas, como cimento, porque ele tem resistência para isso”, destaca. Já o SynWrap pode ser aplicado para, entre outras coisas, acondicionar alimentos prontos – salgadinhos em uma confeitaria, por exemplo –, tendo nesse caso a vantagem, sobre o papel, de não absorver gordura.

Outro lançamento recentemente realizado pela Ampacet foi o ReptyleFx, que combina aditivo com processo para criar cores e texturas multidimensionais diferenciadas (o nome Reptyle busca criar uma analogia com as peles de répteis que, pela presença de elementos como escamas ou placas, apresentam texturas diferenciadas sobre uma superfície que serve de base).

“É um produto próprio para agregar diferenciais de marketing nas embalagens”, diz Leone.

Aditivos, ele lembra, podem atuar tanto nos processos quanto nos produtos.

No primeiro caso, destacam-se produtos próprios para a otimização e a redução de etapas: antioxidantes, deslizantes e antibloqueios, entre outros. Nos produtos eles devem, entre outras coisas, permitir a diferenciação; algo que, aliás, deve ser feito também pelas cores.

“A Ampacet pode trabalhar com seus clientes no desenvolvimento de cores totalmente customizadas, em uma parceria que chega até ao produto final”, destaca o profissional da Ampacet.

Este ano, a Cristal Master colocou no mercado um aditivo selante destinado a evitar a formação de pintas pretas no início do processo, após a máquina estar parada por um determinado tempo (fim de semana, por exemplo).

Também lançou um aditivo melhorador de fluidez, cuja função é elevar a produtividade em processos de extrusão e injeção de PP reciclado, como explica Luiz Carlos Reinert dos Santos, diretor da Cristal Master.

Ele destaca, no rol de produtos mais procurados pelos clientes da Cristal Master, um aditivo melhorador de ciclo que acelera o processo de cristalização da massa polimérica, possibilitando a redução do tempo do ciclo de injeção.

Indicado para processos dotados de moldes com muitas cavidades, ele aumenta a rigidez das peças, sejam elas espessas ou de paredes finas, minimizando rechupes e empenamento.

Plástico Moderno, Santos registra aumento de vendas até maio de 2017
Luiz Carlos Reinert dos Santos, diretor da Cristal Master

“Esse melhorador de ciclo serve para poliolefinas em geral.

No caso do PPH (polipropileno hompolímero), também pode aumentar a transparência”, salienta o diretor da empresa.

 

Oportunidades na crise

Aditivos antes disponíveis no Brasil somente por importação também fazem parte do portfólio de novos produtos da Aditive, que, em parceria com a Basf, desenvolveu uma aplicação de anti-UV para produção de bale wraps, como são chamados os filmes próprios para embalar o feno que ficará armazenado no próprio pasto por um período mínimo de doze meses.

“Até o ano passado somente filmes importados eram certificados para essa aplicação. Agora, já existem filmes sendo produzidos no Brasil com nosso aditivo”, conta João Ortiz, diretor da Aditive.

Plástico Moderno, Aditive e Basf lançam anti-UV para filmes de proteção de feno
Aditive e Basf lançam anti-UV para filmes de proteção de feno

Dedicada apenas a produzir master com aditivos – não trabalha com cores –, a Aditive se dedica principalmente às especialidades (embora forneça também aditivos utilizados em escala mais ampla, como antiestáticos, deslizantes e antibloqueio).

Entre as novas especialidades desenvolvidas pela empresa, Ortiz cita um sequestrante de ácidos utilizado principalmente em embalagens de embutidos. “

Essas embalagens não podem ter ácidos, que provoquem amarelamento e bloqueio dos filmes e afetam suas propriedades. Esse aditivo remove qualquer ácido presente na resina”, explica Ortiz.

Recentemente, a Aditive lançou também um masterbatch de PE condutivo que, de acordo com o diretor da empresa, diferentemente dos produtos antiestáticos tradicionais, confere característica condutiva permanente ao plástico, e atua imediatamente após sua aplicação, sendo bastante demandado para uso em embalagens para transporte de produtos qualificados como perigosos e na produção de eletroeletrônicos.

Plástico Moderno, Antiestático torna plástico permanentemente condutivo
Antiestático torna plástico permanentemente condutivo

Aditivos

Para Fardo, da Colorfix, existe hoje maior interesse em aditivos capazes de ampliar a produtividade dos processos dos clientes, ou sanar algumas de suas deficiências.

Entre os produtos da Colorfix capazes de atender a essa demanda, ele menciona o selante Selofix, o agente de purga Purgfix e o auxiliar de processo Processfix.

“Há ainda o Processfix HP (high performance), aditivo nucleante específico para PP capaz de reduzir em até 15% o ciclo de produção”, ressalta Fardo.

Na Cromex, a linha de aditivos conta agora com um produto antimicrobiano apto a agregar ação bactericida a polímeros como PE, PP, PS, ABS e PET em todos os processo de transformação.

Moraes aponta, como um dos atuais destaques do vasto portfólio dessa empresa, “combos” compostos por auxiliares de fluxo e antioxidantes que, na forma de um único produto, propiciam vários benefícios: melhor acabamento superficial de filmes e soprados, redução do efeito de melt fracture (também conhecido como ‘casca de laranja’), diminuição da formação de soldas frias e aumento do brilho, podendo ainda, pelo uso prolongado, ser minimizada a ocorrência de defeitos gerados por die build-up.

Crises, argumenta o diretor da Cromex, assim como reduzem os investimentos em novos equipamentos, podem favorecer a oferta de produtos de incremento da produtividade, pois os clientes com linhas ociosas têm mais possibilidades de testá-los. Atenta a essa oportunidade, a Cromex hoje insere suas equipes comercial e de assistência técnica na busca de soluções conjuntas com os clientes:

“Elas podem, por exemplo, oferecer para empresas que param nos finais de semana um antioxidante que reduzirá as perdas no momento de reiniciar as máquinas, no início da semana seguinte. E boa parte das empresas está sem trabalhar nos finais de semana”, especifica Moraes.

Mas crises também tornam os clientes mais zelosos com seus custos, inclusive em relação aos estoques de masterbatches. Para os fornecedores desse gênero de produtos, isso pode gerar a necessidade de realizar entregas menores e mais frequentes. Na Cromex, um importante aliado no projeto de ajuste a essa pressão por entregas em prazos mais curtos vem sendo uma ferramenta de S&OP (Planejamento de Vendas e Operações), implementada no ano passado. “Ela nos permite antecipar a demanda em três a seis meses”, detalha Moraes.

Projeções e projetos

Mesmo em uma conjuntura mercadológica ainda repleta de incertezas, fabricantes de masterbatches seguem realizando investimentos: caso da Aditive, que acabou de alocar R$ 600 mil em uma nova extrusora dupla rosca.

De acordo com Ortiz, 2016 está sendo um ano até bom para a Aditive, pois a empresa tem presença relevante em dois mercados hoje em momento mais favorável: o agronegócio – uma das poucas vertentes da economia brasileira a registrar expansão – e os produtos antichama, cuja demanda cresce à medida em que se tornam mais rigorosas as regulamentações de controle de incêndios.

A Cristal Master, afirma Santos, obteve até maio deste ano 25% de aumento de vendas em reais, comparativamente ao mesmo período de 2016. Para o segundo semestre, a expectativa é de manter o ritmo de aumento das vendas.

Neste ano, prossegue Santos, a Cristal Master está investindo R$ 2,5 milhões no aumento de sua estrutura industrial. Até 2018, a empresa pretende investir o total de R$ 5 milhões na atividade.

Por sua vez, Marcelo Yano, gerente geral da Ampacet no Brasil, comenta que no primeiro semestre deste ano o mercado brasileiro de masterbatches se manteve estável em relação ao mesmo período do ano passado, interrompendo as sucessivas quedas ocorridas nos últimos dois anos.

Como setores que permitiram a interrupção desse movimento de queda, destacaram-se a indústria automobilística e os agronegócios.

Porém, os mercados de consumo mais imediato, como higiene pessoal e doméstica, mostraram-se pouco dinâmicos e registraram aumento de market share dos produtos e marcas mais populares.

“Trazendo essa realidade ao mundo do masterbatch, parte do mercado de embalagens mais sofisticadas foi substituído por embalagens mais simples e/ou transparentes, e isso se refletiu na maior demanda por um mix diferente de produtos”, finaliza Yano.

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